O mundo, o show business, a música, o mercado, tudo está mudando. “Mas a gente ainda não entendeu o que está acontecendo”, afirmou o vocalista e guitarrista da banda paulistana Portnoy, Conrado Corsalette. A banda lançou seu primeiro disco, simplesmente “Portnoy”. Se você quiser comprá-lo, até pode. Paga R$ 5, com os caras da banda mesmo, antes ou depois de algum show. Mas, se você quer baixar todo o disco na internet, está lá. Mas se você quer o disco e não quer baixar ou comprar, pode trocar ou fazer um escambo, por alguma arte que você tenha produzido.
“Chamamos isso de troca de suor criativo. Já recebemos materiais bem legais em vídeo, foto, assinatura de revista e até desenho”, disse o guitarrista e vocalista Conrado Corsalette. Para muita gente, isso pode parecer loucura, mas para Conrado, que tocou guitarra e cantou no disco, Caio Corsalette, que tocou bateria, e Lefê, que tocou baixo para a composição deste CD, tudo vale a pena. “Não sei medir o mundo entre bits e bites, só sei que a música que baixarem no nosso site tem uma qualidade melhor do que a de um download comum na rede”, disse Conrado. Eles não vivem de brisa, quiçá, só de música, mas enxergam neste processo o futuro. “Quem ouve seu som vai querer ver o seu show. Se um dia a gente conseguir sobreviver só de música ótimo, mas isso não vai mudar a nossa forma de fazer as coisas”, afirmou. Para ele, essa revolução só será mesmo compreendida quando as crianças de hoje chegarem à presidência das grandes gravadoras e empresas de comunicação. “Tá todo mundo meio embasbacado com o que está acontecendo. Primeiro veio o single, depois o LP, o álbum, que chegou recheado de conceitos, agora estamos no MP3, às canções de 3 minutos, logo as pessoas estarão ouvindo apenas o refrão das músicas.”
Enquanto esse dia não chega, as 11 canções da estreia do Portnoy, produzidas por Iuri Freiberger, estão embaladas em digipack em um projeto do artista plástico Daniel Trent, também disponível para download. Não importa a forma, o que importa é ouvir. As músicas têm sua raiz nos anos 90, época em que Conrado viveu sua adolescência e nutriu uma paixão por Nirvana. Mas nem só de distorção vive a música do Portnoy. “Falei com o Iuri que queria que as pessoas ouvissem o que eu estava cantando. Geralmente, em disco de banda independente, você tem um instrumental pesado e a voz fica escondida”, disse Conrado. Além de Nirvana e Ramones, ele ouve muita música brasileira e admira artistas como Novos Baianos, Mutantes, Chico Buarque e Caetano Veloso, entre outros.
Roqueiros sim, preguiçosos não
As letras do Portnoy são bem escritas, tem um pouco de poesia. “A culpa é do Fabrício”, disse o vocalista Conrado, referindo-se ao primo Fabrício Corsaletti, que é coautor de algumas das músicas e escritor. Além dele, há composições divididas com Chico Matoso. “Não tenho nada contra bandas brasileiras que cantam em inglês, mas, muitas vezes, acho que é preguiça”, disse o músico. Para ele, a letra no rock sempre foi marginalizada. “Tudo bem que é diversão e rock and roll, acho que letra cabeção também não tem nada a ver com rock, mas a gente preza muito uma boa letra porque é cada coisa que se escuta por aí...”
O Portnoy é contra o previsível. Em músicas como “Sem controle” e “Ela disse sim”, os mais preguiçosos podem até sentir falta das rimas, mas não perdem se dedicarem um tempo a apreciar o conjunto.
Uberlândia
O Portnoy faz entre um e dois shows por mês, mas querem cair logo na estrada e chegar a outros estados. “Prefiro fazer um show bom a repetir vários ruins ou tocar de bico”, afirmou o vocalista Conrado. Ele se recorda de Uberlândia, esteve aqui há muitos anos e espera que a turnê o traga de volta a Minas Gerais. “Lembro que no dia em que estava aí, o Tom Jobim morreu. Saía com meu primo para jogar sinuca pelos bares.”
Saiba mais
No site, músicas em fase de produção são ouvidas e compartilhadas com os internautas. Para saber mais: www.portnoyrock.com.br. Eles já estão esperando a arte dos uberlandenses para trocarem pelo CD “Portnoy”.
GIRO INDIE
Porão do Rock 2009
O Porão do Rock deste ano está previsto para acontecer nos dias 19 e 20 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). A 12ª edição do festival já confirmou a banda norte-americana Eagles of Death Metal como a primeira atração internacional. A grande novidade é que este ano o festival terá entrada franca. As outras atrações confirmadas são: Sepultura, Angra, Nação Zumbi e seis bandas brasilienses que participaram de seletiva - Soatá, Na Lata, Cassino Supernova, Blazing Dog, Bootlegs e Kanela Seka.
Jambolada 2009
A organização do festival Jambolada, que aconteceria em setembro, já tem uma nova data para a realização das oficinas e shows. Acontecerão de 21 a 25 de outubro com apresentações na Acrópole e praça Sérgio Pacheco. As atrações ainda serão definidas.
Goma
O Goma Cultura em Movimento trabalha internamente em uma reestruturação e deve retomar as atividades em Uberlândia na segunda quinzena de setembro.
Radiohead
O Radiohead já toca ao vivo uma nova composição que durante algumas semanas rolou pela internet de forma “anônima”. No blog do grupo, o guitarrista Jonny Greenwood escreveu: “Aqui está uma nova música chamada `These are my twisted words`. Nós estávamos gravando há algum tempo e essa é a primeira que terminamos. Espero que gostem". Os produtores do filme “Lua Nova”, sequência de “Crepúsculo”, querem contar com Radiohead na trilha.