Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
Arthur Fernandes é editor de tecnologia, veículos e turismo no suplemento dominical Revista do CORREIO e repórter especial. A coluna é publicada aos domingos e é atualizada constantemente na internet.
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Sopa é a sigla para (Stop Online Piracy Act) e significa Lei de Combate à Pirataria Online. A “mosca” nessa sopa de letrinhas é o congressista norte-americano e presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, Lamar Smith. Republicano, do Texas, ele é o autor do projeto de lei que deverá ser votado no mês que vem nos Estados Unidos e que pretende alterar a forma como todos os usuários navegam atualmente na internet.
Essa mudança prevista, leia-se censura, não será exclusiva para cidadãos dos Estados Unidos. Privações de acessos poderão ocorrer no mundo todo, já que os principais servidores de sites que usamos hoje para nos comunicar estão instalados em solo norte-americano e até as siglas, como “www. e .com”, estão sob o domínio da legislação do país que interligou as primeiras redes de computadores. Com o pretexto de fazer o controle antipirataria, o território ainda livre da web poderá sofrer censura. Esse cerceamento do direito de clicar é incitado, principalmente, pelas grandes indústrias do entretenimento. Isso poderá implicar até na forma como você, eu e nós publicamos um link hoje no Twitter ou no Facebook, por exemplo.
No mesmo Congresso que, em meados da década de 1980, aprovou uma linguagem universal para as redes de computadores, o TCP/IP, com o apoio do então senador democrata Al Gore, que taxou a unificação daquelas primeiras redes de computadores como “a superestrada da informação”, a palavra “compartilhar” está em risco. Dentro da Sopa, está a Pipa, sigla que define o termo Protect IP. Caso a lei seja aprovada, e-mails poderão ser devassados em nome da busca de algum link que possa infringir direitos autorais. Sites poderão ser tirados do ar e o governo americano e empresas que se considerarem lesadas poderão fazer essas ações, até mesmo, em sites hospedados fora do território norte-americano. O governo Obama tem se declarado contrário às restrições do texto do adversário republicano. Mas há setores dentro do governo, principalmente, aqueles mais paranóicos com o pós 11 de Setembro, que tendem a apoiar a iniciativa do texano Lamar. Mas como tudo na rede é passível de uma boa e velha gambiarra, endereços “www.” poderão ser burlados por números de IP (192…) e o acesso à informação continuará sendo livre. Mas a tentativa de censura poderá tornar a rede mais instável e cada vez mais insegura quanto às informações sigilosas dos usuários, por exemplo.
Em 2011, as redes sociais na internet ajudaram a derrubar “cortinas de ferro” em países ainda dominados por tiranos. Materiais colaborativos e difundidos pela internet ajudaram a organizar manifestações populares, que chegaram a derrubar governos ditatoriais. Agora, janeiro de 2012 também entra para a História como o início do debate mais intenso sobre restrições à liberdade de navegação na internet. Esses últimos dias foram marcados pelo posicionamento contrário de gigantes da web, como Wikipedia, Facebook e Google, ao projeto de lei da Sopa. Os sites mais acessados da internet ameaçam tirar suas páginas do ar, temporariamente, em um protesto contra as restrições que a nova legislação pretende imprimir. Como é de praxe, a página do Google (foto) deu o seu recado.
Por décadas, computadores foram espécies de ilhas. As primeiras redes de computadores, como a Arpanet, ainda eram desconexas e reuniam poucas máquinas das Forças Armadas dos Estados Unidos, de um número limitado de empresas e de algumas universidades norte-americanas. Com a popularização do computador e a criação das redes LAN, isso mesmo – de LAN House -, o usuário doméstico ganhou força nesse universo digital. “A internet foi a “chave para libertar as informações das limitações físicas. As informações pertenciam ao mundo, não a alguma entidade que pudesse apropriar-se delas. Essa ideia simples é tão poderosa que reordenou setores inteiros, da mídia ao varejo, e aos bancos, e muito mais. E o seu impacto político e social – potencialmente maior – apenas começou a aparecer”. Quem escreveu isso não fui eu. Está contido no livro “Tornando o mundo melhor – Ideias que moldaram um século e uma empresa” sobre o centenário da IBM, uma das empresas precursoras da internet. Será que um congressista norte-americano conseguirá alterar essa dinâmica?
Atualização: Em tempo, a lei da SOPA voltou para a gaveta, diante da repercussão popular.
Claro que isso é manipulação, esse idiota otário desse congressista não TEM PODERES para causar um impacto global. Quer dizer agora que se um congressista quiser aprovar uma lei para por exemplo todas as luzes de nova york se apagarem as 22h terá que ser OBEDECIDA ?
Paulo disse:22/1/2012 21:05:42
Isso é uma sacanagem com o povo como podemos ficar assim olha quando compramos nosso computador hoje em dia podemos assistir filmes e baixar musicas videos e filmes também agora querem parar com isso falando que é pirataria a não vem com essa que não cola ta!
Agora temos que comprar DVDs originais de valor de 20 a 40 reais em um filme e jogos de 200 reais a pelo amor né!
Então vamos abaixando o IPTU o IPVA a Gasolina, vamos gente acorda na vida e fazer de melhor fazer uma movimentação contra essas coisas!
stop sopa disse:22/1/2012 23:32:55
stop sopa iso não né
iso não sefais né
vc seis estão aruinam do á net
Thierry Almeida disse:23/1/2012 03:12:12
vai ter que banir tudo então, até o YOUTUBE,pois dá pra baixar videos de lá também!
Thierry Almeida disse:23/1/2012 03:13:24
E eles irão pagar os prejuizos causados ?
Gilberto disse:23/1/2012 07:39:54
Pelo jeito, quem é contra ou nunca criou nada ou ainda está na famosa “lei de Gerson”, onde se está disponível “vamos pegar”, sem pensar que aquilo é propriedade de alguém, isto tem um nome “apropriação indébita” e é crime no mundo real. A internet não tem leis específicas que são necessárias para proteger aqueles que criam contra aqueles que copiam… Então, pensem mais e criem ao invés de se apoderarem daquilo que não é seu.
analista disse:25/1/2012 12:48:29
Permita-me opinar sobre o assunto que é polêmico mas se aprovado fosse, o que acho que não vá acontecer iria mudar a forma como lidamos com internet em partes.
A primeira questão como analista de sistemas e que produz softwares e serviços, posso dizer sem nenhuma dúvida que os direitos autorais devem ser preservados.
Mas é preciso entender que uma coisa é uma lei no papel, outra questão é o controle tecnologico.
Acho ridículo quando alguém da área de direito que se diz entendedor de tecnologia tenta opinar sobre o assunto acreditando que se resolve esta questão apenas assinando um pedaço de papel, é mera vaidade e jogar para a plateia dizer que se pode fazer isso.
Para ser mais claro, já existem leis específicas para quem comete a pirataria ou algo asssim, “empresas” como o MegaUploads entre outros sabem disso, porém seus sites não são tirados do ar por questões de controle tecnologico e não legal, entende?
Estes sites já estão fora da lei o que aconteceria é que eles dariam um outro jeitinho e continuariam.
O que pode ser feito é uma adoção pelas industrias para que o custo e modelo de serviço seja mais acessível. E assim o proprio consumir iria boicotar esse tipo de serviço. Ah… antes que eu me esqueça nada é de graça na internet, quando vc acessa um site ou faz um clique vc está pagando para este site. Só de vc ler o banner por exemplo deste site vc já gerou valor para ele.
Em outras palavras, uma mudança no que está escrito para esses caras que estão fora da lei não impacta em nada, ou seja problema de tecnologia só se resolve com outra tecnologia, sacou?
Abraços
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daniel disse:22/1/2012 18:10:38