Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

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Érika MesquitaBem Vinho

A diversidade do vinho

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Érika Mesquita Nutricionista. Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust. Coluna será publicada aos domingos

20 de maio de 2012 7:01 | TAGS: , , , ,

A Cabernet Franc

Érika Mesquita Nutricionista

As escolhas do atual consumidor de vinhos sofrem influências de várias fontes, revistas especializadas, notas de críticos importantes, guias de vinhos, blogs etc. Mas em 2004 o mercado foi atingido de uma maneira inusitada pelo filme “Sideways – Entre umas e outras”.

Nesse filme um dos personagens principiais, o professor Miles, defende as qualidades da Pinot Noir e diz não gostar de vinhos Merlot. Essa afirmação fez as vendas de Pinot aumentarem cerca de 20% nos Estados Unidos e causou a queda vertiginosa das vendas de Merlot. O mercado sentiu isso por alguns anos.

Mas uma outra afirmação do filme também causou certo impacto nos consumidores, inclusive em muitos que conheço. Numa das degustações, Miles afirma que “nunca espera muito de um Cabernet Franc”. E no dia-a-dia vemos que essa uva é deixada de lado pelo consumidor, colocada numa posição secundária, especialmente se comparada a outras tintas mais imponentes, como a Cabernet Sauvignon, Malbec e mesmo a Merlot.

Essa coluna é dedicada à menosprezada Cabernet Franc.

Sua origem é a região francesa de Bordeaux. Dizem os livros de história que foi levada para o Loire pelo Cardeal Richelieu no século 17. Atualmente é muito utilizada nos famosos cortes (assemblage) com a Cabernet Sauvignon, Merlot e Petit Verdot. O famoso Cheval Blanc é um corte de Merlot e Cabernet Franc, em percentuais que variam a cada colheita.

Sua função nesses vinhos é dar volume, estrutura, matéria corante, aromas terrosos e de frutos delicados como framboesa e groselha. Adaptou-se a várias regiões do mundo em razão de seu cultivo relativamente fácil. Pode aparecer em cortes ou mesmo em varietais, mas parece que o apelo comercial faz com que poucos produtores se arrisquem a utilizá-la sozinha em seus vinhos.

Em termos de momento ideal para colheita ela está pronta um pouco antes da CS. Sua casca é mais fina e por isso mais sensível ao clima da região. Em locais muito frios os vinhos podem ser menos intensos em aromas e sabores, já em climas quentes os vinhos podem ser muito vegetais e herbáceos.

Se comparada com a Cabernet Sauvignon, por exemplo, ela terá menos taninos e acidez, mas não significa que seus vinhos sejam magros ou pouco interessantes. Seu corpo mediano e sua complexidade de aromas podem surpreender. Seus vinhos podem passar por madeira, mas cuidando para que isso não atrapalhe sua delicadeza.

No próximo domingo darei algumas dicas de vinhos com essa uva.

Tim-tim!

13 de maio de 2012 7:01 | TAGS: , , , , ,

As uvas e seus aromas

Érika Mesquita Nutricionista

Uma das etapas mais complicadas da degustação é a identificação dos aromas.

Nessa tarefa complexa as pessoas podem ter percepções diferentes, porque a identificação está muito ligada à memória olfativa que cada um tem. Quem nunca cheirou aspargos ou ameixa terá dificuldade de identificar esses aromas na Sauvignon Blanc ou na Malbec.

Outro fator complicador também é a influência que outras pessoas podem exercer sobre nós. Imagine que você está degustando um vinho e aquela sensação aromática lhe é familiar, mas você não está conseguindo descrevê-la. Daí, alguém fala: “abacaxi em calda”. Pronto, você passará a sentir a mesma coisa. Isso é natural e compreensível.

Além disso, os aromas podem variar muito de acordo com a idade do vinho, da passagem ou não por madeira, da temperatura em que foi servido, as taças também podem influenciar na potência aromática e por aí vai.

Um Chardonnay tem aroma de frutos brancos, mas a passagem por madeira pode dar a lembrança aromática de baunilha, manteiga. Um tinto passa a ter aromas de café e algo tostado.

Um exercício muito bom que podemos fazer é treinar nosso nariz para a percepção dos aromas. Quando for a um supermercado ou à feira, procure as frutas e vegetais que normalmente os degustadores descrevem ao analisarem vinhos. Procure por aspargos, maçã verde, limão, lima, abacaxi, pimentão, lichia, amora, ameixa etc. Os profissionais do vinho fazem muito isso.

Enfim, algumas uvas mais comuns em nosso mercado possuem um padrão aromático que você pode tentar encontrar nesses exercícios. Veja abaixo:

- Cabernet Sauvignon – ameixa, pimentão, eucalipto e cassis.
- Merlot – ameixa, cassis, chocolate e especiarias.
- Malbec – ameixa, geleia de amora e violetas.
- Pinot Noir – cereja, framboesa, morango e canela.
- Carmenère – ameixas pretas, goiaba, terra e especiarias.
- Chardonnay – abacaxi, pêra e pêssego.
- Sauvignon Blanc – abacaxi, aspargos, grama cortada, limão e melão.
- Riesling – pêra, pêssego, damasco, limão, lichia e maçã verde.

Importante: não fique incomodado se você não perceber todos esses aromas ao beber um vinho. Nem fique preocupado se não consegue descrever o que sente às pessoas que estão bebendo com você. Falar sobre essas sensações à mesa pode causar algum desconforto, podem achar você um pouco chato. Guarde-as em sua memória e só fale delas se alguém se interessar pelo assunto.

Tim-tim!

6 de maio de 2012 7:18 | TAGS: , , , ,

Guardar ou beber?

Érika Mesquita Nutricionista

Uma pergunta que frequentemente me fazem por e-mail ou mesmo pessoalmente é a respeito do tempo de guarda de um vinho, ou se é melhor beber agora ou guardar aquela garrafa que está na adega.

A resposta é simples: depende do vinho. Isso porque aquela regra antiga de que o vinho sempre melhora com o passar do tempo nem sempre é verdadeira, porque é aplicável apenas aos chamados “vinhos de guarda”.

Esses vinhos são aqueles elaborados com matéria prima de excelente qualidade, com uvas de maturação ideal que permitirão ao vinho envelhecer bem. Para isso é importante que um vinho tinto, por exemplo, tenha uma boa estrutura de taninos, acidez e álcool. Esses elementos com o passar do tempo podem se equilibrar de tal maneira que o vinho melhore efetivamente dentro da garrafa. Mas nem sempre é assim.

Alguns vinhos não possuem essa estrutura porque não é uma característica da uva ou não é o objetivo da vinícola. Um Gamay brasileiro, um Vinho Verde ou um Pinot Noir argentino sem passagem por madeira não devem ser guardados. Os dois primeiros devem ser consumidos na mesma safra ou no máximo em um ano. O segundo já suportará 2 ou 3 anos na garrafa, mas provavelmente não estará melhor ao final desse período do que estava após 1 ano de engarrafamento.

Um Cabernet Sauvignon ou um Tannat são uvas que dão muito corpo aos vinhos, mas algumas vinícolas optam por elaborar produtos fáceis de beber, para serem consumidos jovens. Essa já é uma opção da vinícola e não uma característica natural das variedades.

Podemos entender essa questão da capacidade de guarda imaginando uma curva que simboliza o ciclo de vida do vinho. Após o engarrafamento o vinho tende a evoluir, a equilibrar seus elementos, tanto que algumas vinícolas deixam o vinho repousando nas caves antes de coloca-lo no mercado. Após determinado período ele chega ao ápice de suas características. Depois desse auge ele tende a perder intensidade até tornar-se um produto pouco interessante para o consumidor padrão, porque existem os apaixonados por vinhos antigos que vão gostar de vinhos ditos “evoluídos”.

Infelizmente para nós, consumidores, um indicativo importante é o fator preço. Os vinhos mais baratos são feitos para consumo rápido e os vinhos de guarda normalmente custam mais caro. Embora essa regra não seja exata é uma constatação que podemos fazer com o passar do tempo, com a experiência que vamos adquirindo ao experimentarmos mais e mais vinhos.

Tim-tim!

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