Rolhas ou tampas?
Recebi e-mail de um leitor da coluna perguntando sobre as diferenças entre os vinhos vedados com rolhas de cortiça, rolhas sintéticas e tampas de rosca. A mensagem me deu a ideia para o texto de hoje.
Sem dúvida as rolhas de cortiça são as preferidas de todos os consumidores, são mais charmosas e muitos gostam inclusive de colecioná-las. Mas elas têm uma função bem maior do que simplesmente vedar a garrafa, permitindo que o vinho respire através de seus minúsculos poros e evoluam com o passar do tempo. Por isso é que devemos deixar os vinhos na posição horizontal, para que a rolha fique sempre em contato com o líquido e não resseque e permita a entrada de ar.
Mas as rolhas de cortiça possuem alguns aspectos negativos. Primeiramente elas podem ser contaminadas por fungos que deixam o vinho simplesmente intragável, com “gosto de rolha”, o que os franceses chamam de “bouchoné”. Segundo, elas podem interferir no preço do vinho porque sua extração não é fácil. Elas são produzidas com a cortiça extraída do tronco de uma árvore muito comum nos bosques de Portugal, o sobreiro. Essa árvore precisa de 40 anos para começar a produzir casca com espessura suficiente para as rolhas e, depois de cada extração, leva mais 9 ou 10 anos para estar pronta novamente. Isso demanda tempo e dinheiro.
Uma solução encontrada pelos produtores foi a utilização de rolhas plásticas, que não têm o mesmo charme da cortiça, mas também não ressecam nem são contaminadas por fungos. São normalmente utilizadas em vinhos mais jovens, que não são produzidos para evoluírem com o tempo de guarda. Então são mais utilizadas em vinhos mais básicos, que devem ser consumidos rapidamente.
Mas nos últimos anos as rolhas sintéticas tem sido substituídas por tampas de rosca (screw caps) que têm a vantagem de permitirem a abertura da garrafa sem a utilização do saca-rolhas. E, ao contrário das rolhas de plástico as tampas de rosca são utilizadas em vinhos de todos os preços, indistintamente. Em países do Novo Mundo, como Austrália, Nova Zelândia ou África do Sul é provável que as rolhas de cortiça fiquem destinadas aos vinhos de guarda, aqueles que vão alcançar seu ápice após 8 anos ou mais. O restante virá com tampas de rosca.
A única exceção que ainda temos é para os espumantes, que em virtude da grande pressão interna da garrafa precisam de uma rolha especial, mas nada é definitivo nesse mundo do vinho.
Tim-tim!
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