Você entende a linguagem do vinho?
Dias atrás uma pesquisa realizada na Inglaterra revelou que os consumidores não entendem o vocabulário utilizado para descrever os vinhos. Sabe aqueles termos que as revistas especializadas, críticos e as próprias vinícolas colocam nos rótulos? Pois é, são pouco compreendidos pelos ingleses, considerados consumidores experientes no mundo do vinho.
Essa é uma questão delicada de ser analisada, porque não dá para descrever as sensações que se tem ao degustar um vinho sem utilizar um vocabulário próprio. Por outro lado existe um certo exagero nas expressões que acaba afastando o consumidor menos experiente e fazendo com que escolha bebidas mais informais, como se o vinho fosse muito sofisticado.
Tenho tentado, desde que iniciei esta coluna aqui no Correio de Uberlândia, utilizar uma linguagem mais acessível, mas nem sempre isso é possível. Já recebi e-mails dizendo que o texto era muito técnico e em outros os leitores pediam quase que uma “tradução” para alguns termos que utilizei. Então, pensei em criar uma série de colunas que pudesse auxiliar os leitores na compreensão de termos utilizados nas degustações e que às vezes parecem sofisticados demais.
Vou escrever uma espécie de glossário aqui, começando hoje pelos principais componentes do vinho.
Tim-tim!
Álcool – durante a fermentação, o açúcar natural das uvas é transformado em álcool. Por isso, uvas com muito açúcar podem gerar vinhos com alto teor alcoólico. O álcool também é responsável por determinar se o vinho é mais ou menos encorpado, assim como é fundamental para o equilíbrio do vinho. Se o álcool se sobressai em relação aos demais elementos, costuma-se dizer que o vinho é “quente”, porque o álcool é percebido de forma agressiva na degustação.
Acidez – é um importante componente do vinho, responsável por deixá-lo refrescante e com potencial de envelhecimento. Se o vinho é muito alcoólico e tem pouca acidez, o resultado na boca não será interessante, o que os críticos costumam chamar de “vinho chato”. Então, acidez e álcool precisam estar em equilíbrio para que o vinho cumpra seu papel na gastronomia, o que ocorre na maioria dos vinhos brancos e espumantes. Se a acidez é exagerada o vinho pode ficar agressivo na boca.
Tanino – componente encontrado na casca, semente e engaços das uvas, mas também nos barris de carvalho. Os taninos da semente e engaços devem ser evitados, mas os outros são benéficos ao equilíbrio do vinho, dando estrutura (corpo) a eles e favorecendo o envelhecimento. Vinhos com taninos “jovens” ou “verdes” podem causar uma sensação de “adstringência” ou “rascância” no paladar, como acontece ao comermos uma banana verde. Por isso, esses vinhos precisam de tempo em garrafa para ficarem macios.
Érika Mesquita. Nutricionista. Sommelier Internacional (Fisar). Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust.