Os vinhos e suas garrafas
Já escrevi sobre esse assunto em 2011, mas continuo ouvindo perguntas a respeito e acho importante repetir algumas informações, porque o mundo do vinho é um constante aprendizado para mim, para você e para qualquer um que se interesse pelo assunto.
As dúvidas mais comuns que me chegam a respeito das garrafas dos vinhos são: a qualidade da garrafa está ligada à qualidade do vinho? O fundo da garrafa mais acentuado tem alguma ligação com o preço ou qualidade do vinho?
Bem, todos que bebem vinho com alguma regularidade já perceberam que algumas garrafas são imponentes, pesadas e com fundo bem acentuado, e assim dão a impressão de que contém até mais de 750 ml. Mas, essas características não estão relacionadas necessariamente à qualidade do vinho.
Em algumas regiões, o modelo da garrafa é determinado pela lei, pelas regras impostas aos produtores do lugar. Por exemplo, os vinhos da região de Bordeaux são colocados em garrafas com pescoço menor, com ombros mais altos, no estilo que conhecemos como “bordalês”, são mais retas. Na Borgonha, as garrafas têm pescoço mais longo, são mais bojudas e de longe podemos reconhecer seus Pinot Noir ou Chardonnay pelo formato da garrafa.
Em Champagne, e também para todos os demais espumantes do mundo, existe uma garrafa própria, com paredes mais grossas e o fundo com uma curvatura bastante acentuada. Essa foi uma solução encontrada pela engenharia para que a garrafa suporte a pressão interna causada pelo gás carbônico acumulado, que é seis vezes maior que a gravidade da Terra.
Já nos tintos e brancos o fundo “chupado” tem outra função: facilitar o armazenamento nas vinícolas, porque as garrafas são alinhadas na horizontal e o bico de uma encaixa-se no fundo da outra, “travando” a enorme pilha de garrafas.
Na hora de servir o vinho, se o fundo for mais acentuado, pode o garçom, sommelier ou mesmo você em casa encaixar o dedo polegar ali, dando um ar de elegância ao momento. Mas cuidado, é preciso prática para se fazer isso.
Tudo isso não está ligado necessariamente à qualidade do vinho, até porque o produtor “não põe vinho ruim em garrafa cara”. Isso é bastante lógico. Então, se um vinho está numa garrafa que pode custar duas ou três vezes mais que uma garrafa padrão, provavelmente ele tem melhor qualidade. Mas vale lembrar que alguns grandes vinhos italianos da Toscana, por exemplo, estão em garrafas comuns, embora sejam ótimos vinhos.
Mas anote aí: o meio ambiente anda reclamando das garrafas que gastam muito vidro e exigem muito combustível na hora de transportar. É uma tendência.
Tim-tim!
Érika Mesquita. Nutricionista. Sommelier Internacional (Fisar). Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust.