Assemblage ou varietal?
O vocabulário do vinho está repleto de palavras estrangeiras e entender seus significados é importante para qualquer consumidor. Expressões como champenoise, dégorgement e crianza, por exemplo, são comuns e podem ajudar bastante na hora da compra.
Uma palavra comum nos rótulos de vinhos é assemblage, que indica que aquele produto foi elaborado a partir da fermentação de duas ou mais variedades, um corte de várias uvas.
Quando o vinho é elaborado com apenas uma variedade de uva, é um varietal. Mas é importante dizer que na maioria dos países, para ser um varietal o vinho necessita ter um grande percentual da mesma uva, podendo ser completado com outros. No Chile, o famoso rótulo Montes Alpha não é elaborado apenas com uma variedade. Seu Syrah, por exemplo, leva um percentual pequeno de Cabernet Sauvignon e de Viognier, mas o Pinot Noir da mesma marca é um 100% varietal.
E os cortes? São melhores ou piores que os varietais? Isso depende do gosto de cada um, mas os vinhos em assemblage ainda são alvo de preconceitos dos consumidores menos avisados. Já vi muitos dizerem que não gostam de tal vinho porque ele é uma “mistura de uvas”, como se isso fosse um pecado mortal.
Quando o enólogo elabora um vinho com uvas diferentes, cada uma delas tem um papel importante no conjunto. Uma pode ser responsável pela cor, outra pela carga de taninos, outra dará acidez, outra conferirá aromas e sabores etc. Isso é tão complexo que grandes vinhos do mundo são cortes e não varietais, apenas lembrando a Borgonha como exceção, já que por lá os tintos são Pinot Noir e os brancos são Chardonnay.
Mas os excepcionais vinhos de Bourdeaux não são varietais, são assemblages. Os tintos de lá são normalmente elaborados com cortes entre Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc, ou com duas dessas variedades. O Château Margaux e o Château Mourton Rothschild levam essas três variedades e também um percentual de Petit Verdot.
Nos Estados Unidos há um vinho incrível chamado Opus One, feito na Califórnia. A cada safra as uvas e seus percentuais variam de acordo com a qualidade da safra e a contribuição que cada variedade pode dar ao conjunto. Na safra de 1994 o vinho levou 93% de Cabernet Sauvignon, 4% de Cabernet Franc, 2% de Merlot e 1% de Malbec.
Então, fica a dica: não comprar um vinho de corte porque ele é uma “mistura de uvas” é um preconceito que o consumidor brasileiro precisa superar.
Tim-tim!
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Fabio Scotti disse:20/12/11 20:34
Estive recentemente em Mendoza,Argentina,terra do bom vinho e por lá notei que os grandes vinhos de cada bodega era um assemblage ou corte como se chama por lá..eu mesmo prefiro os assemblages !!
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Joely Pinheiro disse:24/12/11 14:06
prezada Érika,
gosto muita da sua coluna. Estou aprendendo muito com você.
Gostaria de saber aonde você encontra vinhos de qualidade em Uberlândia. Tenho comprado no D’Ville (Getúlio Vargas e Shopping), porque são os únicos lugares da cidade onde os vinhos estão bem armazenados deitados e longe da claridade.at
Comentários (2)