A Touriga Nacional
Na coluna do dia 24 de março falei um pouco sobre a classificação dos vinhos portugueses. Recebi muitos comentários e e-mails, alguns lembrando que a classificação apresentada não reflete necessariamente os níveis de qualidade. Essa é uma verdade, porque muitos produtores preferem rotular um vinho como “regional” e não como DOC por uma decisão estratégica e não por ser um vinho com menor qualidade.
O tradicional Porca de Murça, encontrado em supermercados, é DOC, um vinho simples e barato. Já o Rapariga da Quinta, um ótimo vinho na faixa dos R$ 35, é um Regional Alentejano. O mesmo acontece na Itália com os “supertoscanos”, que não podem ser rotulados como Chianti DOCG, mas podem ser maravilhosos, como o Solaia ou Tignanello.
Mas hoje quero voltar um pouco ao tema Portugal para falar de uma uva que tem simbolizado aquele país, a Touriga Nacional.
Tradicionalmente, os vinhos portugueses são cortes (assemblages) entre várias uvas, mas nos últimos anos muitos vinhos têm sido produzidos apenas com a Touriga Nacional, que se tornou a uva mais importante de Portugal aos olhos do mundo. Para mercados mais jovens, a indicação de uma única uva no rótulo facilita a compra, principalmente para o poderoso mercado dos Estados Unidos.
A Touriga Nacional, ou simplesmente Tourigo em algumas regiões, dá vinhos de cor intensa, com aromas lembrando flores, violetas, chá, amora, tem taninos finos e são gastronômicos. Dá bons resultados em várias regiões de Portugal, como Douro, Lisboa (antiga Ribatejo), Alentejo, Bairrada e especialmente no Dão. Essa última região tem clima fresco e solo granítico e os vinhos feitos com a TN são mais elegantes que os elaborados nos climas quentes do Dão ou Alentejo, onde os vinhos são mais concentrados.
No Dão, a Touriga Nacional dá ótimos vinhos varietais, em várias faixas de preços. Acima dos R$ 90 posso citar os ótimos Cabriz, Almagrande, Munda, Pedra Cancela, Quinta dos Carvalhais, Quinta do Perdigão e Quinta dos Roques.
Numa faixa mais acessível há uma grande lista de opções, mas a maioria é formada por cortes entre a TN e suas boas companheiras Tinta Roriz, Jaen e Alfrocheiro, o que não diminui em nada a qualidade dos vinhos. Alguns desses rótulos podem ser encontrados em Uberlândia: Catedral, Cabriz, Casa de Santar, Boas Vinhas, Meia Encosta, Quinta da Ponte Pedrinha, Cunha Martins etc.
Experimente esses vinhos sempre acompanhados por comida, porque foram feitos para harmonizarem com bons pratos.
Tim-tim!
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Mário Silva disse:09/04/12 17:17
Prezda Érika Mesquita.
Excelente matéria, criteriosa e informativa. Talvez o maior dos problemas em desfavor dos vinhos portugueses no mundo, é a grande variedade de castas autóctones, que são mais de 200, e com isso falta uma cepa de referência. Assim o vinho português fica meio que sem identidade. A “Touriga Nacional” cada vez mais ocupa espaço nobre, com vinhos de qualidade, personalidade
própria e boa relação custo
beneficio. Claro que são vinhos gastronômicos. Na Semana Santa que acabou de passar, saboreei ótima bacalhoada, juntamente com um elegante tinto leve Português. E na sobremessa Vinho do Porto LBV, com Pastel de Santa Clara. (Saúde!)
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