A evolução do gosto pessoal
Tenho pensado nessa coluna há algum tempo, até porque ela serve de relato sobre minha experiência pessoal com vinhos.
Quando comecei a me interessar por essa bebida, não só bebendo, mas especialmente estudando a respeito, gostava de vinhos tintos mais amadeirados e frutados, num estilo que os países do Novo Mundo se especializaram: oferecer vinhos prontos para o consumo imediato, fáceis de beber e que agradam aos paladares iniciantes.
Com o passar do tempo fui abandonando um pouco esses vinhos, porque eles são muito agradáveis como aperitivos, mas alguns não se harmonizam com as refeições do dia a dia. Agradam no primeiro gole porque possuem notas adocicadas provenientes da uva e também da passagem por madeira e pelo teor alcoólico normalmente mais alto. Mas faltam a eles a estrutura de taninos e acidez necessária para que um vinho acompanhe comida.
Não que não goste mais desses vinhos, mas hoje em dia prefiro os mais gastronômicos, mais elegantes, como são os vinhos da Toscana, os espanhóis da Rioja, os franceses do Rhône ou os portugueses do Alentejo. Nesses países, o vinho é um participante obrigatório das refeições e, por isso, dificilmente uma vinícola tradicional coloca no mercado um vinho apenas para servir de aperitivo.
Outra mudança no meu comportamento de consumidora foi passar a beber menos tintos e cada vez mais vinhos brancos e espumantes.
Eu sei que algumas pessoas pensam que “só o vinho tinto é vinho de verdade” e que os demais vinhos são menos importantes, servem apenas para comemorações ou para bebericar antes das refeições. Esse é um preconceito que precisa ser rompido.
Por exemplo, vejo muitas pessoas harmonizarem o fondue com vinho tinto, mas, na maioria dos casos, a melhor combinação é com vinho branco. O mesmo podemos dizer dos queijos, porque nem sempre o vinho tinto será a combinação ideal e, em alguns casos, o queijo ficará muito melhor com um vinho de sobremesa, por exemplo.
Os espumantes também não devem ser pensados apenas como bebida para comemorações. O gás carbônico liberado pelas bolhas é ideal para “combater” a gordura de algumas comidas. Dá pra pensar nos espumantes para acompanhar toda a refeição? Da entrada à sobremesa? Sim, é claro. É uma bebida muito versátil quando se trata de harmonização.
Enfim, sugiro que não fiquem apenas nos tintos amadeirados. O mundo do vinho é muito grande e precisa ser mais bem explorado.
Tim-tim!
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