Érika Mesquita

A diversidade do vinho

Bem Vinho Nutricionista. Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust. Coluna será publicada aos domingos

22/07/2012 6:56

Um pouco do Vêneto

Nutricionista

No nordeste da Itália, fazendo divisa com outras importantes regiões vinícolas e com a Áustria, fica o Vêneto, uma região com forte ligação afetiva com o Brasil, porque de lá vieram muitas famílias que ocuparam os estados do Sul a partir de 1875. Várias vinícolas gaúchas são comandadas por descendentes desses primeiros imigrantes.

A região possui pouco mais de 6,2 mil hectares de vinhedos e é uma grande produtora de vinhos em termos de volume, mas também oferece ao mercado vinhos de ótima qualidade. Os mais famosos vinhos do Vêneto são o Prosecco (espumante), Soave (branco) e os tintos Valpolicella, Amarone dela Valpolicella, Recioto dela Valpolicella e Bardolino.

Nessa coluna falo um pouco mais sobre os vinhos que levam a expressão “Valpolicella” em seus rótulos e podem confundir o consumidor menos experiente. Essa designação indica uma sub-região do Vêneto, mas os vinhos podem ser muito diferentes entre si em termos de estilo, qualidade e preço.

O Valpolicella é um tinto leve, seco, com teor alcoólico mínimo de 11%, elaborado com as uvas Corvina Veronese, Rondinella e Molinara. Se no rótulo o nome vier acompanhado da inscrição Classico significa que o vinho foi produzido com uvas de vinhedos localizados na parte central onde historicamente originou-se a região. Já o Superiore é um vinho mais estruturado, com teor alcoólico mínimo de 12% e que deve envelhecer por dois anos na vinícola.

No Vêneto também são elaborados vinhos a partir de um processo diferente, o “passito”. Nesse processo as uvas de grande qualidade são colocadas em engradados de madeira e assim ficam por um período em torno de quatro meses, com a finalidade de fazer as uvas perderem líquido, se desidratarem (uva-passa), ficando com grande concentração de açúcar para a elaboração do vinho. Após isso começa o processo de fermentação.

Como já falei aqui em outra coluna, na fermentação o açúcar é consumido pelas leveduras e transformado em álcool. Se a fermentação for interrompida naturalmente ou induzida pelo enólogo, teremos um vinho com muito açúcar e menos álcool. Nesse caso ele será rotulado como Recioto dela Valpolicella, um tinto doce de muita qualidade, com teor alcoólico menor, na casa dos 12%.

Mas se no processo de fermentação todo o açúcar for consumido, o vinho será seco, com teor alcoólico mínimo de 14% e rotulado como Amarone dela Valpolicella, o grande vinho do Vêneto.
Tim-tim!

Comentários 1

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  1. Eduardo disse:23/07/12 2:10

    A coluna da bela Érika é umas das minhas fontes de informações de qualidade. E lá vou eu procurar o Amarone…

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