Érika Mesquita

A diversidade do vinho

Bem Vinho Nutricionista. Especialista em vinhos pela Wine & Spirit Education Trust. Coluna será publicada aos domingos

13 de abril de 2014 6:37

Prepare-se para a Páscoa

Nutricionista

No próximo domingo, as famílias estarão reunidas para as comemorações da Páscoa e, como acontece na maioria dos lares, estarão em volta da mesa durante o almoço. Então, como faço todos os anos, resolvi escrever essa coluna com algumas dicas para você fazer as melhores escolhas para um dia tão importante de comunhão em família.

Vamos começar pensando no mais tradicional ingrediente desse domingo, o bacalhau. É um peixe bastante versátil, porque pode ser feito de várias maneiras e, por isso, aceita vários tipos de vinhos sem grandes mistérios.

Para as receitas mais secas, aquelas que levam menos molho e azeite, os vinhos mais indicados são os brancos e os verdes. Para quem não está muito acostumado com os vinhos verdes, é bom lembrar que são produzidos numa região demarcada no noroeste de Portugal e têm uma característica peculiar que são as “agulhas”, uma efervescência que causa uma sensação na língua semelhante a pequenas “agulhadas”, agradável e muito refrescante.

No mercado aqui de Uberlândia, existem boas opções em lojas especializadas e supermercados, mas fique atento à safra do vinho, porque os verdes são feitos para consumo imediato, no máximo em 2 anos. Se for escolher outro vinho branco a regra é a mesma: prefira os mais jovens.

Já para as receitas que levam mais azeite, com mais molhos e condimentos, é possível harmonizarmos o bacalhau com tintos leves, com menos taninos e mais frescos, preferencialmente com pouca ou nenhuma passagem por madeira. Um tinto mais pesado, com muitos taninos, poderá ficar estranho com o peixe, dando uma sensação metálica no paladar. Então, opte por um tinto jovem de regiões como o Dão ou do Alentejo, por exemplo.

Mas o melhor fica para o final, porque a sobremesa deste dia, normalmente, é chocolate, que pode ser harmonizado com muita facilidade com um cálice de Porto, um vinho fortificado porque são elaborados com a adição de aguardente vínica para interromper a fermentação iniciada com as uvas recém-colhidas. Essa adição faz com que o teor alcoólico seja mais alto (algo em torno dos 19%) e o teor de açúcar também. Harmonização perfeita.

Os preços de vinhos do Porto variam bastante, mas os mais simples são encontrados nos supermercados e lojas de Uberlândia com alguma facilidade. Os estilos escritos no rótulo indicam seu tipo de envelhecimento. Os que trazem a indicação Ruby são mais jovens, de coloração mais escura e podem não passar por madeira. São mais simples que os Tawny, que são envelhecidos necessariamente em madeira.

É importante seguir uma dica dos portugueses para servir o vinho do Porto: a temperatura ideal é em torno dos 15 graus para que você possa aproveitar melhor os aromas e sabores. Não sirva o vinho gelado, como vejo muito por aí.

Feliz Páscoa a todos!

Tim-tim!

6 de abril de 2014 6:12

Peixes preferem vinhos brancos

Nutricionista

Mais uma vez fui convidada para fazer a coluna de gastronomia e, claro, aproveitar para “harmonizar” os dois textos também.

O ceviche é um prato tradicional nos países da América do Sul, especialmente Peru e Chile, e a primeira vez que testamos essa receita foi para harmonizar com um torrontés argentino. Tudo está lá no blog “Vinho para todos”, publicado em 10 de janeiro (www.vinhoparatodos.com).

Mas, porque esses pratos que levam frutos do mar se dão bem com vinhos brancos e não com tintos?
Primeiro é bom dizer que essa regra não é absoluta. Existem pratos à base de peixes e frutos do mar que pedem vinhos tintos mais leves, como algumas receitas portuguesas e espanholas.

Mas, a razão para a combinação entre brancos e os peixes está ligada a três regras importantes de harmonização: pratos leves pedem vinhos leves; o tanino pode causar uma sensação de metalização na boca quando em contato com o iodo presente em alguns peixes, principalmente os de água salgada; a acidez de alguns ingredientes do prato nem sempre encontram um vinho tinto com a acidez adequada.

O ceviche é um bom exemplo de tudo isso. É um prato leve que se for harmonizado com um tinto pode simplesmente desaparecer na boca, porque o vinho encorpado se sobrepõe ao prato.

Agora, pense nos ingredientes do ceviche que acompanham o peixe (ou o camarão, no caso da receita abaixo): cebola, limão, pimenta e ervas. Tudo isso forma na boca um conjunto de grande acidez, que pede um vinho igualmente fresco, com acidez evidente e que tenha a capacidade de “limpar a boca” após a degustação. Um tinto realmente não será uma boa opção.

No dia da harmonização que fizemos para o blog o teste foi muito bom, com um torrontés argentino bem delicado. Mas, penso que a sauvignon blanc seja a mais perfeita companhia para o ceviche. É uma uva de origem francesa, mas que se dá bem em várias regiões do mundo e pode ser encontrado no mercado em várias faixas de preços, produzindo vinhos bem frescos, gastronômicos e aromáticos.

Aqui na América do Sul as boas opções vem principalmente do Chile, que elabora ótimos sauvignon blanc em quase todas as regiões do país, mas especialmente nos vales próximos ao Pacífico, como Casablanca, San Antonio e Leyda.

Mas, também é possível encontrar ótimos vinhos com essa uva elaborados em Mendoza, na Argentina e os brasileiros feitos na Campanha Gaúcha, na divisa do Rio Grande do Sul com o Uruguai.

Se você não encontrar um sauvignon blanc pode optar por um Vinho Verde (Portugal), que também é uma boa companhia para o ceviche. Se quiser um chardonnay, escolha um que não tenha passagem por madeira, porque será mais leve e com maior acidez.

Espero que gostem da receita e das dicas de harmonização.

Tim-tim!

30 de março de 2014 6:43

Existe vinho bom e barato?

Nutricionista

A resposta para a pergunta no título dessa coluna é sim, mas depende! Entendeu? Se não, vou tentar explicar.

Os conceitos sobre o que é bom e do que é barato variam muito de pessoa para pessoa, dependendo do gosto pessoal e do quanto ela quer ou pode pagar por uma garrafa de vinho.

Existe uma história famosa envolvendo os jogadores Vampeta e Ronaldo: numa determinada ocasião o Vampeta passou alguns dias hospedado na casa do Ronaldo e deu uma festa. Como havia vários vinhos na adega, ele abriu uma das garrafas e detestou o vinho, inclusive, reclamando para o anfitrião a respeito da qualidade do líquido, dizendo que estava estragado. Para a surpresa do Ronaldo, seu convidado havia aberto uma garrafa de seus melhores vinhos e que custava alguns milhares de dólares.

É um exemplo claro de conflito entre o bolso e o gosto pessoal. O vinho, embora caríssimo, não foi apreciado.

Da mesma maneira, alguns torcem o nariz para vinhos mais baratos porque fixaram em sua mente uma faixa de preços onde tudo parece ruim. Ouço pessoas dizendo: “vinho que custa menos que R$ 50 não tem nenhum atrativo”. Mas essa constatação também é relativa.

Em minha opinião, um vinho para ser bom precisa entregar um resultado compatível com seu preço e, de preferência, apresentar pouco ou nenhum desequilíbrio. Se o vinho custar R$ 100, mas for alcoólico demais, certamente vai estar abaixo de nossa expectativa. Mas se custar R$ 25 e sobrar uma pontinha de álcool, talvez seja um bom vinho, porque esse “defeito” é aceitável para a faixa de preços.

Então, tudo é relativo quando o assunto é o tal custo x benefício.

O que não é aconselhável é deixarmos de experimentar vinhos baratos para o dia a dia, aqueles para acompanhar a massa rápida que fazemos no jantar, a pizza que pedimos no delivery, o hambúrguer, a salada, o mexido com o que restou de ontem etc.

Há alguns dias, compramos um vinho num supermercado da cidade por R$ 24. Era um carmenère chileno de uma linha tão básica que nem é mencionada no site da vinícola. Foi uma alegria em casa, porque o vinho não tinha qualquer desequilíbrio, tinha os aromas e sabores típicos da uva e por um preço muito honesto. Resultado: compramos mais garrafas.

É daqueles vinhos para bebermos de forma descontraída, apenas para alegrar um jantar no meio da semana ou o churrasco do domingo. E quer saber? Nos supermercados e lojas especializadas, existem muitos vinhos numa faixa acessível de preços e que entregam muita satisfação ao consumidor. Muitos chardonnay, sauvignon blanc, merlot e cabernet sauvignon pedindo para serem levados para sua casa. Sem falar na grande oferta de espumantes bons e baratos.

Apenas tome cuidado com a idade do vinho, porque vinhos mais baratos não são feitos para a guarda. Então, procure pelos mais jovens e fique atento para as condições de armazenamento no local de venda.

Tim-tim!