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Apontamentos da Matuziro






Lorena Matuziro


Literatura, arte, línguas e etimologia. Venha encontrar muitas novidades e discutir estes temas, além de sugerir e receber sugestões de livros, ler resenhas, artigos, como também acompanhar notícias e curiosidades sobre a língua. Pegue um bloco de notas e façamos muitos apontamentos!








15-10-2008


Feliz dia dos professores!



 

Hoje é dia dos professores. Reservo esse espaço para homenagear todas as pessoas que se dedicam à área de docência. Ao fazer um recorte histórico, percebe-se que a maioria das pessoas mais sábias da história foi professora. De Aristóteles a Newton; de Platão, professor de Aristóteles, a Nietzsche; de Piaget a Freud, o pai da psicanálise.

Talvez todas essas figuras célebres tenham assumido tal encargo porque é no ambiente de sala de aula que surgem discussões interessantes e instigantes. É da relação dialética, para usar um termo Hegeliano, entre o professor e aluno que muitas respostas ao longo da história foram encontradas.

O que seria da Lingüística se os alunos de Saussure não tivessem anotado cada linha do que o lingüista disse? Tais anotações, ou melhor, apontamentos, para melhor se inserir neste blog, resultaram no livro “Curso de Lingüística Geral”, que é a bíblia para todos que querem seguir uma área acadêmica calcada na discussão sobre linguagem.

O professor é uma figura preponderante na vida de qualquer pessoa. Um aluno que estuda meio período regularmente passa aproximadamente 12% das horas do ano em contato direto com o professor. Levando-se em consideração que a maioria dos pais trabalha pelo menos 12 horas, com certeza há alunos que passam mais tempo em contato com este profissional do que com os próprios pais.

A profissão não é valorizada no país. Apenas quem a exerce sabe das dificuldades de tal. A valorização do professor deveria ultrapassar a questão salarial, deve estar associada, também, à consciência da população quanto à imprescindibilidade deste profissional, à importância do mesmo para a formação de cidadãos. Essas discussões deveriam ser promovidas pela sociedade hoje, no dia dos professores.  

E aos professores, lanço a seguinte reflexão: “um bom professor se faz com paciência, algum preparo e um pouco de dedicação. Um excelente professor, além destes tributos, terá, também, vocação, humildade e competência; entretanto, só será um mestre inesquecível aquele que, além de tudo, amar o educando e a humanidade, respeitando em cada aluno um ser humano em processo”. (Marta de Freitas A. Pannúnzio).

Feliz dia dos professores!

Se você é assinante do CORREIO de Uberlândia, leia aqui a minha matéria sobre o dia dos professores, veiculada no jornal de hoje.





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Ly
24-10-2008
Oi.. Td bem? Acho muito legal o seu blog, e adoro ler suas postagens. Vc esta de parabéns. E parabens também pela profissão que escolheu, assim como a de professor ajuda bastante a sociedade. Bjus




Edwaldo Generozo
08-11-2008
Olá Lorena! Obrigado pela atenção dada aos professores. Como homem de teatro e estudante de Letras, sinto-me feliz com sua homenagem. Aproveito para dizer, também, que o Professor Ariano Suassuna voltou a dar aulas na Universidade. Imagina! Sala lotada! Quem não gostaria de tê-lo como Mestre? Nessas horas, sinto orgulho de ser brasileiro. Sei que falta muita coisa. Mas enquanto a sociedade brasileira permanecer inerte, de nada adiantará mudar os governos. Bem, acho que desviei o assunto. Até a próxima.




Ana Paula
11-11-2008
Olá, Matuziro! Tudo bem? Você anda meio sumida... Seus apontamentos estão fazendo falta a ouvidos carentes de cultura... Bem, trouxe a você outra expressão que usamos com frequência, mas que, desconhecemos a origem: De onde vem a expressão "banho-maria"? "É uma alusão à alquimista Maria, possivelmente irmã de Moisés, o líder hebreu que viveu entre os séculos XIII e XIV a.C. Foi ela quem inventou o processo de cozinhar lentamente alguma coisa mergulhando um recipiente com a substância em água fervente. Ou também pode se uma referência à Virgem Maria, símbolo de doçura, pois o termo evoca o "o mais doce dos cozimentos". Por favor, nos esclareça quanto a isto... Bjim e até mais.........










09-10-2008


Quem começou com essa história de amor?



Quando paro para analisar a literatura, percebo o quanto de obras que existem e que falam sobre o amor. Se fizermos recortes, perceberemos que várias mudanças foram propostas ao longo do tempo. Uma corrente literária sempre surge para contestar ou criticar a outra. Por exemplo, o Realismo vem com uma crítica muito forte ao Romantismo; o Modernismo aparece com uma proposta “revolucionária” e critica tudo feito até então.

No entanto, ao se analisar a temática em todas as escolas, percebe-se que pode até haver propostas de mudanças, mas nenhuma delas deixou de falar sobre o amor. De Camões a Vinícius de Moraes; de Machado de Assis a Carlos Drummond; de Gregório de Matos a Clarice Lispector. Todos, sem exceção, em algum momento, escreveram sobre tal sentimento.

Mas quem começou com essa história? Quem foi o primeiro autor a escrever sobre o amor? Já perguntei a professores de Literatura, mas nenhum deles soube me responder precisamente. Uma das respostas que tive é de que as primeiras obras que abordaram tal temática são Ilíada e Odisséia, produzidas no século VIII a.C.

Ilíada e Odisséia são poemas épicos, que tiveram origem na tradição oral. Antes de surgir a imprensa de Gutemberg, nos anos de 1400, as histórias eram contadas boca a boca. Isso já era literatura, com fortes marcas de oralidade, e nessas obras já é possível ver descrições sentimentais.

Talvez essa temática seja abordada em todas as obras, porque é algo inerente ao ser humano. Como bem já disse Carlos Drummond de Andrade, “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar?” 





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Antonio Kuntz
09-10-2008
Não pesquisei pra verificar, mas acredito que o Mahabharata, a história da Índia, é uma obra bem mais antiga na abordagem de histórias amorosas. http://www.paramatma.com.br/acharyadeva/mahabharata/index.htm




joao roberto spini machado
10-10-2008
Perdoe-me,Herr Kuntz,mas o Primeiro Amor que existiu foi o de Adão e Eva,que sofreram o "perseguido", para fazerem valer o que sentiam,um pelo outro.




Sue
15-10-2008
Na verdade a primeira prova de amor, foi prova de amor próprio quando Deus criou o homem sua imagem e semalhança para cuidar do seu mais precioso jardim, não entregando ele a animais e nem a outro ser vivente.




Antonio Kuntz
15-10-2008
Hilário isso, nada a ver misturar estações e crendices com o tema. Mas não deixa de mostrar que o assunto é interessante.










03-10-2008


Um país se faz de homens e livros



 

A Revista Veja desta semana trouxe um artigo da escritora Lya Luft sobre alfabetização no qual ela argumenta que o Brasil é um país de analfabetos. Ao longo do texto, a escritora mostra pontos positivos e negativos do País e o compara com a Europa. O Brasil é enaltecido em várias linhas do texto, mas ela lamenta o fato de grande parte da população ser analfabeta.

Creio que o pior não é o analfabetismo propriamente dito, constatado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mas, sim, o analfabetismo funcional, aquele em que a pessoa sabe ler e escrever, porém não compreende ou interpreta uma só linha do que leu ou escreveu.

Como bem exemplificado por Lya Luft em seu artigo: “alfabetizado não é aquele que assina seu nome, mas quem assina um documento que leu e compreendeu”. É triste imaginar que milhares de brasileiros lutam por um direito em que acreditam, porém nem mesmo sabem que esse direito a que acreditam ter acesso nem sequer existe.

Para ilustrar melhor, é triste saber que, agora, em épocas de eleições, muitas pessoas votam em políticos que prometeram fazer “X” ou “Y”, sem saber, no entanto, que esse “X” ou “Y” prometido não é de competência do cargo ao qual tal político concorre.

Por que o Brasil é um país de analfabetos? Porque a qualidade da educação é ruim? Sim, essa é uma das respostas. No entanto, antes da má qualidade de educação, há outro fator, que, na minha opinião, é preponderante: neste país, não se formam leitores. Não há prazer pela leitura, ler não é uma necessidade colocada à frente de várias outras.

Enquanto não houver essa mudança na educação básica, enquanto o livro não for um material acessível a todos, enquanto as pessoas não despertarem o gosto pela leitura, o Brasil continuará a ser um país de analfabetos.

O visionário Monteiro Lobato já afirmou que “um país é feito de homens e livros”. É isso o que falta para que sejamos uma nação equiparada às grandes. Não são meros números (Ideb) que vão indicar o quanto crescemos, mas, sim, o quanto conseguimos fazer com que se desenvolva o censo crítico nos cidadãos.






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Eliane Paulino Hoffay
07-10-2008
E é lamentável que o"senso crítico" de centenas de milhares de brasileiros continue sendo norteado pelos "faustões" e "gugus" televisivos, ao contrário de ser fomentado e valorizado por meio de boas leituras. Pergunte a algum jovem quando foi que ele teve em mãos (e em seguida apreciado ) alguma obra de Machado de Assis ou de Jorge Amado (por exemplo)




Ana Paula Souza
09-10-2008
"Um país é feito de homens e livros" concordo com Monteiro Lobato, porém cabe as pessoas ter interesse em lê-los, mas infelizmente não é isso que acontesse, o acesso aos livros vem sendo facilitado mas as pessoas sempre preferem o que é mais fácil e acambam concordando com a opinião dos meios de comunicação de massa, alguns deles fúteis e que não contribuem para o "senso crítico" das pessoas. E o pior que ocorre no caso das eleições é que as pessoas não procuram ler, saber e comprovar a história dos candidatos para formar o seu auto-conhecimento e ver se eles realmente são competentes para assumir tal cargo. e decidir seu voto. Não é só a qualidade da educação que é ruim as pessoas também devem ter o interesse em ler, compreender e contestar, só assim teremos um país melhor.




joao rob erto spini machado
10-10-2008
""Um País,é feito de Homens e Livros""...,desde que eles possam serem,Lidos e Entendidos!




Sue
15-10-2008
A população brasileira, hoje se preocupa apena com programas televisivos, revistas de famosos e fofocas, receitas algumas vezes, futebol principalmente, mas podemos jogar a culpa em diversas pessoas, mas não lembramos que a culpa é nossa mesmo, no qual desde que nossos filhos são pequenos ao invés de darmos um livro de presente, lhe damos um DVD que não terá esforço algum para entender a mensagem passada, podemos dizer que é falta de estímulo nosso em buscar conhecimento e sempre querer saber mais, existem bibliotecas nas escolas quantas vezes fomos lá ou até mesmo em uma biblioteca municipal para emprestarmos um livor? ou entramos em uma livraria para comprarmos um livro? A culpa será nossa ou de nossos governantes?




lisa
23-10-2008
Olá quero colocar uma observação ao cometario da Eliane. Não são todos os jovens que preferem televisão ao invês de livros... eu sou uma jovem e prefiro mil vezes um bom livro do que fica o dia inteiro vendo "faustão" e "gugu"... realmente as pessoas hoje em dia esta muito voltado para midia mais existe um lado bom da midia a informação voltada para o nosso mundo é muito importante se manter atualizado o que aconteçe em nosso país... se o jovem tem as informações ela cria um vinculo com a leitura e irá motiva-lo a ler e expresar o que realmente pensa nas redações principalmente em epoca de vestibular. Tem muito jovem por ai que se interesa sim por leitura e aproveita a midia em sua leitura e sua opinião como jovem cidadão.
















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