


Cultura, literatura e arte. Resolvi criar esse espaço para que esses assuntos entrem em discussão. Como estudante de Letras na Universidade Federal de Uberlândia e Jornalismo no Centro Universitário do Triângulo, além de repórter do Correio de Uberlândia há sete meses, sou uma apaixonada por esses temas. Quem me conhece sabe que, quando começo a falar de literatura, é preciso reservar um longo tempo e abrir bem as orelhas para me escutar. Aqui você encontrará desde sugestões de livros, críticas e comentários, até curiosidades sobre etimologia, língua e novidades da área. Leiam e “opinem sobre minha opinião”! Só não serão aceitos comentários ofensivos ou discriminatórios.

Detalhado, mas ao mesmo tempo objetivo; informativo, sem, no entanto, perder a emoção; história nua e crua, entretanto relatada com polêmica. Basicamente são esses os itens que permeiam o livro-reportagem “O Bispo – história revelada de Edir Macedo”. Escrito pelos jornalistas Douglas Tavolaro e Christina Lemos, a obra, lançada no final do ano passado, conta a biografia autorizada do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record de televisão.
Os primeiros capítulos foram bem pensados e planejados antes mesmo de serem escritos. A idéia de levar o bispo de volta ao cárcere, lugar onde passou 11 dias, foi uma grande sacada dos jornalistas. Fazer Edir Macedo apenas recontar a história vivida, renderia um texto descritivo daquelas memórias; levá-lo à prisão, onde sofreu fortes torturas psicológicas, resultou em um texto mais vivo no tocante à emoção. O bispo reviveu aqueles momentos diante dos autores que, com talento, conseguiram resgatar todo o repugno demonstrado por Edir ao relembrar os momentos em que esteve preso. Ao transcrever esse sentimento às páginas do livro, os autores prendem e atraem vários leitores logo no início da obra, com bastante impacto.
Embora os autores trabalhem para a Rede Record, e sugerem, no próprio prefácio do livro, que o fato de escrever sobre o patrão, “quem paga seu salário”, poderia não resultar em uma obra imparcial, os jornalistas, em grande parte da obra, não deixaram de cumprir com seu papel. Eles fizeram a Edir perguntas que passam pela cabeça de muitas pessoas, e que, com certeza, o incomodam bastante. O bispo, em alguns momentos, até hesita em responder as “alfinetadas”, mas grande parte delas é coletada com sucesso pelos autores. Perguntas sobre a condição financeira de Edir, seus inimigos ou se o bispo já chegou a obter ajuda do governo são algumas das pimentas do livro.
Obviamente que a crítica à Rede Globo e ao seu jornalismo está em várias linhas. Em todos os trechos em que é possível inserir relatos da guerra entre as duas emissoras ou agredir a Globo de manipulação, pode-se assegurar de que as apunhaladas estão presentes. Os autores não cometem nenhum deslize. Do que acusam, comprovam; seja com entrevistas ou documentos.
Senti falta de números expressivos, que, segundo os jornalistas, não foram revelados pelo principal entrevistado. O que é feito com o dinheiro arrecadado, por meio do dízimo, nas igrejas espalhadas por 160 países do mundo? São muitos fiéis e, com certeza, bastante dinheiro. De que forma esse dinheiro é aplicado? De que forma é distribuído? Mesmo que não pudessem revelar números reais, os autores poderiam, pelo menos, fornecer informações porcentuais. E a Record? Está no vermelho? Com que renda se mantém? Já consegue pelo menos se pagar? Todo o dinheiro da compra da TV na época veio dos dízimos? Essas questões, mesmo após ter lido todo o livro, continuam em minha mente.
Da história de vida, à história empresarial-religiosa de Edir Macedo, o livro traz à tona os caminhos trilhados por esse homem, certamente, desconhecido por muitas pessoas da minha geração, que, com seus 20 anos, provavelmente não conseguiram assimilar o que se passava no início da década de 1990. Edir Macedo é um dos grandes líderes do Brasil atual. Com sua forma de pregar a fé, no que ele mesmo chama de “fé e inteligência”, conseguiu reunir fiéis o suficiente para lotar o estádio do Maracanã por mais de uma vez.
As conquistas do bispo são, indubitavelmente, de tamanha grandiosidade. Seu espírito empreendedor associado à fé o fez capaz de, literalmente, mover montanhas, lutar contra tudo e contra todos.