
Já parou para se perguntar como surgiu a expressão "santo do pau oco"? Conta-se que no final do século XII e início do XVIII, época em que o Brasil ainda era uma colônia, iniciou a exploração de ouro e demais metais preciosos. O açúcar, que, até o momento, movia a economia brasileira, entrava em declínio e dava lugar à era do ouro.
Ao descobrir as minas, a Coroa Portuguesa passou a cobrar o quinto, um imposto que arrecadava 20% (1/5) de todo metal encontrado na colônia. As casas de fundição eram responsáveis por recolher o imposto.
Muitos exploradores, a fim de burlar o quinto, escondiam o ouro dentro de santos do pau oco e, assim, conseguiam passar isentos pelos postos de fiscalização da Coroa. Alguns historiadores afirmam que não há nenhum registro histórico preciso sobre tal fraude, mas as estatuetas de madeira, comumente fabricadas na época, são um forte indício de que isso ocorreu.
A expressão perpetua até hoje como sinônimo de pessoa hipócrita, que aparenta ser algo que não é, esconder a verdadeira personalidade, ou fazer e dizer coisas que não condizem com o que acredita.

A metáfora é uma figura de linguagem utilizada na comparação entre dois elementos que possuem imagens ou características semelhantes. É bastante utilizada pelos escritores, em especial os poetas, para que os textos tenham um charme a mais, bem como uma beleza estética mais apreciável. Veja este exemplo de Pablo Neruda, com tradução de Madalena Barranco:
“se não fosse porque és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua perfumada
prepara passeando sua farinha pelo céu”
Já no primeiro verso do trecho percebe-se a metáfora entre o ser desejado e o momento amarelo. A figura é seguida da personificação do outono, que passa a ser um ser animado que sobe pelas trepadeiras. No terceiro verso, é feita uma metáfora entre, novamente, o ser desejado e o pão, sendo que o desfecho da estrofe é a inusitada frase “que a lua perfumada
prepara passeando sua farinha pelo céu”.
A palavra metáfora surgiu no grego, metaphorá, que significa mudança ou transposição. A palavra chegou ao português através do latim, metaphòra. Contei toda essa historinha para apontar uma informação muito interessante que descobri recentemente.
Conta-se que no grego coloquial de hoje metáfora significa ônibus. Achei bastante interessante, pois, de certa forma, consigo, agora, apalpar essa figura de estilo, que sempre observei apenas no plano das idéias. A beleza estética apreciável em diversos poemas e em diversas situações, foi, de certa forma, concretizada em um objeto. Vamos, então, pegar essa metáfora?

Trago, hoje, um comentário meu sobre o livro "O caçador de pipas" casado com os apontamentos de um amigo sobre o filme inspirado nesse best-seller.
O livro "O caçador de pipas" te leva à cultura afegã. Os cenários narrados bem como os desentendimentos entre os costumes do povo daquele país te trazem imensa angústia a cada página virada. O autor, com tamanha articulação, descreve o cenário de tal forma que o mergulho na leitura lhe possibilita sentir até mesmo a temperatura do dia contado, o cheiro e a textura dos objetos apalpados pelos personagens.
Se eu pudesse escolher uma cor que definisse o livro, escolheria o cinza. A tortura psicológica que persegue Amir durante todo o livro cria um ambiente de penumbra. A crise existencial costurada com o cenário narrado cria a mágica do livro; um ambiente pouco comum à realidade a que estamos acostumados deixa-nos atônitos e, ao mesmo tempo, intrigados com o desenrolar da obra.
No filme, tais características não parecem ter sido fortemente resgatadas. "O Caçador de Pipas" (The Kite Runner, EUA, 2007) é baseado no romance homônimo de Khaled Hosseini, uma das primeiras e mais famosas histórias envolvendo o Afeganistão do recente boom literário. Muito por isso, a emocionante narração tende a ficar bastante incômoda – no sentido ruim da palavra - quando foge de sua proposta inicial. A mistura de forte drama e certa comicidade, emoldurada pela simplicidade de suas histórias é, grosso modo, uma maneira de definir os filmes iranianos que conquistaram o público ocidental.
Desde o primeiro minuto, com a apresentação de Amir já adulto, um tom de amargor recobre as imagens, assim como as primeiras páginas do livro. A simplicidade dos minutos que sucedem aqueles primeiros momentos na Cabul setentista serve como aproximação entre platéia e personagens. Estes desfilam pela tela com todos os defeitos e virtudes seguindo suas vidas. Uns tentando reerguer o que perderam com a vinda para a América, outros construindo sua existência.
Uma grande vantagem do livro em relação ao filme é a forte presença imagética. O texto é suficientemente rico a ponto de lhe possibilitar uma rica imaginação acerca das cenas. No filme, há uma linguagem mais simples, dando um tom de filme iraniano à história. O diretor Marc Forster "esconde-se" com poucos invencionismos de edição ou em suas movimentações de câmera, guardando, acertadamente, para que as imagens das pipas sejam seu único momento de ousadia técnica, ao mostrar o vôo daqueles objetos.
No momento em que a trama tem uma reviravolta, já no terceiro ato, é que o "Caçador" perde em ritmo e contato com a realidade. Partindo da emocionante leitura de uma carta de Hassam, Amir, já estabelecido na Literatura, volta para sua terra-natal, sob o domínio talibã. Lá o roteiro de David Benioff perde a grande oportunidade de retratar o país tão bem quanto em seu primeiro terço ao seguir por uma busca que tem o gosto de outras produções tipicamente hollywoodianas, cheias mistério e uma dose de ação desnecessária.
As duas ou três seqüências finais, nesse contexto, vêm muito para redimir os minutos que as antecederam Ao retomar a proposta inicial de um longa-metragem intimista e real, o drama volta para os trilhos - a frase que encerra o filme é especialmente sensível -, fechando um ciclo de amizade, dor e expiação de culpa. Tais sentimentos estão também presentes no final do livro. Não há o retorno do equilíbrio, comumente exigido por muitos leitores após a introdução, desenvolvimento e clímax da obra. A cordialidade humana ainda espera que o encerramento se dê com o apaziguamento entre o personagem e o restabelecimento do ponto comum, o que não ocorre em "O caçador de Pipas". A dor e o sofrimento do filho de Hassan e o fracasso de Amir ao tentar ajudá-lo, quebrando as expectativas do leitor, concluem o best-seller.
Contribuiu com o texto o estudante do 7º período de Jornalismo Vinícius Lemos, que trabalha para a revista Negócios e é dono do blog Cinefilia sobre cinema (http://blogcinefilia.zip.net)

Quem nunca ouviu dizer que a maior palavra da Língua Portuguesa é ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE. Um palavrão, não? Possui 29 letras e 13 sílabas (se é que ainda sei separar as sílabas). Tudo isso é para dizer que algo é feito contra a constituição. Esse é o maior advérbio da língua portuguesa, mas está longe de ser a maior palavra. Na verdade, anticonstitucionalissimamente precisaria de mais 17 novas letras para se tornar a maior palavra do Português.
Nossa maior palavra é PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO. Ufa... novamente: PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO, com 46 letras e 21 sílabas. Haja fôlego, não? O que significa tudo isso? O Dr. Houaiss diz que é “relativo a, próprio de ou que apresenta PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIOSE”, que, por sua vez, é a segunda maior palavra registrada em nossos dicionários.
PNEUMOULTRAMICROSCOPICOSSILICOVULCANOCONIOSE é uma doença pulmonar causada pela aspiração das cinzas vulcânicas. Imagina um médico contando a um paciente que ele sofre de pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. Até terminar de falar tudo isso o cara já bateu as botas! E na hora de ir à farmácia? Deve, literalmente, “dar o que falar”! Esse palavrão contém 44 letras e 20 sílabas.
Você acha que pára por aí? Está enganado! Já ouviu falar em pessoas têm um medo irracional? Pois então, essas pessoas sofrem de HIPOPOTOMONSTROSESQUIPEDALIOFOBIA, a terceira maior palavra da Língua portuguesa. Em quarto lugar, vem a ANTICONSTITUCIONALISSIMAMENTE, que, por muito tempo, levou o título de campeã! Haja fôlego!

Em um romance bem bolado que envolve a psicanálise, Yrvim Yalom descreve vários conflitos que nós, enquanto seres humanos, vivemos. Desde decepções amorosas, problemas no casamento, até crises existenciais. O encontro entre Friedrich Nietzche e Josef Breuer desencadeia toda a história do livro. Lou Salomé procura Breuer e o pede que ajude Nietzsche, que quer fugir da vida de todas as formas.
Embora esse encontro seja uma mera imaginação de Yalom, seu estudo sobre o filósofo e o professor de Freud, Breuer, transmitiu bastante intimidade do autor com as personalidades históricas relatadas em sua obra.
Aquelas frases que te dão “estalo” estão sempre presentes no livro. Digo, aquelas frases que te fazem repensar a maneira de ver o mundo. Gostei muito quando li “amamos mais o desejo do que o ser desejado”. De certa forma, quando passamos a querer muito uma coisa, passamos a ansiar mais que o desejo se concretize do que o que nos levou a ter aquela vontade.
A aparente apatia dos seres é magnificamente traduzida nesta frase, também extraída do livro: “embora as pedras não ouçam, nem consigam ver, todas replicam tristemente para não as esquecer”. É o que todos os seres humanos querem. Não serem esquecidos, pois, assim, têm a certeza de que foram importantes para alguém. Notei nessa bela metáfora com as pedras uma forte tradução da necessidade que todos têm de se auto-afirmar.
Um ponto do livro que coloco em questão é o poder que a figura feminina exerce sobre os homens. Todos os conflitos relatados no romance e pelos quais Nietzsche e Breuer passam têm a ver com a presença da mulher em suas vidas. Em suma, se não existissem as mulheres, “Quando Nietzsche chorou” não teria a mesma narrativa. Breuer se sente culpado por um desejo que tem pela vulnerável Bertha; Nietzsche não consegue lidar com os sentimentos e com a liberdade de Salomé. Será que as mulheres são de fato tão poderosas a ponto de levar os homens a uma crise existencial?
Finalizo com três frases que se casam: “a chave para viver bem: primeiro desejar aquilo que é necessário e, depois, amar aquilo que é desejado”. Às vezes perdemos tanto tempo ao querer aquilo que está fora do nosso alcance que nem sequer nos damos conta de que precisamos de tão pouco para viver bem, já que, como está escrito no próprio livro, “o tempo não pode ser rompido”, ou seja, o tempo de viver é um só e o tempo de ir embora também é único, portanto, “viva enquanto viver”.

Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira
Há quanto tempo contribuímos para que as notícias sejam veiculadas. Conta-se que os primeiros folhetins surgiram com a Revolução Industrial para informar os proletariados. Tanto tempo se passou e a profissão se firma cada vez mais. Recebemos muitas críticas, especialmente de que apenas propagamos notícias trágicas. Acredito que foi esse o recado de Manuel Bandeira nesse poema. Perdi as contas das vezes que abordei um entrevistado e ele me acusou de só cobrir determinado fato porque esse é ruim. Mas, ainda assim, nossa profissão é bastante prestigiada. Posto aqui esse comentário e reflexão e desejo a todos os “bichos” jornalistas um feliz dia! O dia dos jornalistas!
Uma curiosidade: o jornalista tem como dia o 7. Gosto muito da data, já que esse número tem uma conotação muito forte. São sete dias da semana, sete notas musicais, sete dias para se criar o mundo, o gato tem sete vidas. Há uma série de enigmas em torno do número sete. Coincidentemente, estreei no jornal CORREIO de Uberlândia no dia 7 de agosto de 2007.

Será eterno. Enquanto vivermos, lembrar-nos-emos das tão belas e doces palavras. Para estilistas, ele era tímido e transparecia essa timidez em cada linha escrita nas diversas páginas deleitadas por vários leitores; para lingüistas e admiradores, ele é e sempre será um dos maiores artesões da Língua Portuguesa. Esse ano já faz cem anos que ele se foi. Cem anos de um legado indubitavelmente deixado a várias gerações; cem anos de influências. Parece irônico, mas são cem anos de palavras delicadamente lapidadas por um machado, pelo Machado de Assis.
Loucura, ciúmes, defunto-autor. Como resumir as travessias desse homem que nasceu a 21 de junho de 1839 e se foi em 29 de setembro de 1908? Com certeza não dá. Jamais haverá palavras suficientes que expressem tamanha significância desse escritor que ensinou tantos a invadirem a alma das pessoas, afinal, como ele mesmo afirmou, “os olhos são a janela da alma”. Digo que ele ensinou a invadir, pois não se entra na casa de ninguém pela janela, mas, sim, pela porta.
Ele que reconheceu a força da mulher e até mesmo inverteu os papéis, já que, em suas obras, os homens se tornavam vulneráveis à presença feminina. Em “Ressurreição”, seu primeiro romance, Félix não acreditava poder ter seu coração balançado por nenhuma mulher. Até que o destino lhe apresenta a inigualável Lívia. E Capitu? Traiu ou não traiu Bentinho? Essa pergunta intriga até hoje, mais de cem anos após a publicação de “Dom Casmurro”. A obra rendeu várias teses de doutorado, sem falar nas dissertações de mestrado, temas para pós-graduação e monografia.
A crítica o acusou de hipócrita. Afirmava ela “como pode um mestiço defender a escravidão?” Ousado, Machado apenas respondeu que as pessoas deveriam aprender a encontrar a crítica à tortura negra em sua obra. Assim, com frases e atitudes impactantes, foi construído um dos maiores gênios da literatura brasileira. Por isso, posto esse comentário. Não só para lembrar os cem anos da morte de Machado de Assis, mas, também, escancarar nas páginas da internet o quanto amo esse autor, que sempre me leva a diversos mundos diferentes e inimagináveis, por meio de toda sua ginga com as palavras.

"Yahoo! adota o internetês para atrair mais jovens
Por Redação Y! Notícias
A partir di hj o Yahoo! adotarah 1 linguagem colokial mais parecida kom o "miguxes", ou "internetes", q agrada mais ao público alvo do portal: os jovens.
Hmm... você acha mesmo que nós escreveríamos assim? :-) O Yahoo! preza pela boa escrita e acredita que nossa língua portuguesa deve seguir suas regras gramaticais. Feliz dia 1º de abril!"
Quase morri de susto quando li essa matéria no Yahoo! Já estava até pensando em um texto para enviá-los, ou, quem sabe, acionar a comunidade lingüística para impedir esse massacre à língua Mãe! Adorei! Caí mesmo! Parabéns ao Yahoo! Confira a brincadeira no link http://br.noticias.yahoo.com/s/080401/48/gjltko.html. E você? Qual a melhor piada que ouviu no 1º de abril?