
Descobri a roda ao pesquisar essa expressão. Pensava que o termo “advogado do diabo” tivesse sido criado para intitular o filme de direção de Taylor Hackford, 1997 – The devil’s advocate. Após o filme, ouvi muitas pessoas atribuírem a expressão a advogados que defendem acusados de cometer atrocidades ou a profissionais hipócritas.
Enganei-me ao acreditar que a expressão teria apenas onze anos. Na verdade, o termo “advogado do diabo” data de, pelo menos, 400 anos. O “advocatus diaboli”, designação em latim, era nomeado pela Igreja Católica para o processo de canonização. A função do advogado do diabo era investigar quaisquer indícios de que os milagres feitos pelo candidato a santo fossem falsos.
Concomitantemente ao trabalho do “advocatus diaboli” era realizado o trabalho do “promotor fidei” ou promotor da fé, que defendia a canonização do indivíduo. O papel do advogado do diabo foi abolido em 1983 pelo Papa João Paulo II. O resultado disso foi um maior número de canonizações.

O vídeo abaixo é muito engraçado. Se fizéssemos isso na realidade, então mais de 90% dos brasileiros seriam assassinados. Cometemos erros a todo momento, por mais que nos esforcemos para acertar. A Língua Portuguesa é um verdadeiro labirinto.
O melhor trecho da peça, em minha opinião, é o do pleonasmo vicioso. “Mulher burra” foi demais, embora um tanto quanto preconceituoso. Os pleonasmos são muito comuns e, em alguns casos, é difícil imaginar uma frase sem eles. Já pensou esse trecho da música do Raul Seixas – “eu nasci há dez mil anos atrás” – sem o pleonasmo? Subir lá em cima, descer lá embaixo, entrar para dentro, enfim, são muito comuns.
Outro erro exibido no vídeo diz respeito à transitividade verbal. Construções como “o livro que gosto” são comuns; no entanto, ninguém diz que “gosta livro”, mas, sim, que “gosta do livro”. O verbo gostar rege preposição “de”, portanto a construção correta seria “o livro de que gosto”.
Frases como “Fulano falou que não sai à noite” são comumente ouvidas, entretanto o verbo falar é intransitivo e não pede complemento. Segundo a tradicional gramática normativa, são aceitas apenas expressões como “falar verdade”, “falar inglês”, etc. O correto é “Fulano disse que não sai à noite”.
O desfecho do vídeo é com “doa a quem doer”, mas, como bem dito pelo personagem, o que dói dói em alguém ou em alguma coisa, então o correto é doa em quem doer. Boa explicação de transitividade!
Assistam ao vídeo para entender melhor a minha postagem e comentem! Garanto que vocês vão se divertir muito!


O português é mesmo uma caixa de surpresas. Quanto mais o estudamos, mais coisas descobrimos. Adoro conhecer palavras novas. Existem vocábulos que nunca imaginamos onde tiveram origem. Algumas coisas, que você nem pensa que têm um nome específico, acaba descobrindo um substantivo que as nomeiam.
Esse é o caso de mecônio. Você sabe o que é um mecônio? Você quer um mecônio? Pense bem antes de responder! Mecônio é a primeira evacuação de um bebê. Você já tinha imaginado isso? O primeiro cocô que você fez na vida tem um nome! E este nome é mecônio.
Outra palavra que acho interessante é desabrido. Você já foi chamado de desabrido? Acha que isso é um elogio ou uma crítica? Eu não gostaria de ser chamada de desabrida, mas existem muitas pessoas assim. Desabrido é uma pessoa rude, sem educação, áspera.
Você conhece alguma outra palavra interessante? Poste aqui seu comentário!

Recentemente, por meio de trabalhos acadêmicos, descobri um grande escritor. Poucos alunos o conhecem nas universidades, mas trata-se de um gênio da literatura contemporânea, já comparado aos nossos consagrados nomes.
Ainda melhor é saber que, assim como eu, Carlos Drummond de Andrade e João Guimarães Rosa, Luiz Vilela também é mineiro e está bem perto de mim. Ele vive em Ituiutaba, a cerca 135km de Uberlândia.
Não li todas as obras de Vilela, mas nas que li, constatei algo extremamente interessante: ele fala da falta de diálogo e, para tal, vale-se do diálogo. Solidão, angústia e morte são alguns dos decorrentes temas de sua obra e a forma como conduz os diálogos é um de seus dons, segundo a crítica.
Li o conto “O buraco”, que, a princípio, parece até infantil; mas basta um pouco mais de leitura, com um olhar mais aguçado, para se perceber todo o existencialismo por trás dessa historinha que é uma das minhas preferidas do autor.
Certo crítico escreveu que poucos são os escritores que te fazem sentir vontade de ligar para eles e conversar todos os dias e que Luiz Vilela era um desses. Eu também sinto a mesma coisa. Tenho vontade de sentar ao lado dele em um domingo à tarde, tomar café, comer pão de queijo e bater muito papo. Parece ser uma pessoa interessantíssima de se conversar.
Deixo, aqui, a bibliografia de Luiz Vilela. Leiam-nas sempre que puder:
Tremor de terra (contos, 1967)
No bar (contos, 1968)
Tarde da noite (contos, 1970)
Os novos (romance, 1971)
O fim de tudo (contos, 1973)
Contos escolhidos (antologia, 1978)
Lindas pernas (contos, 1979)
O inferno é aqui mesmo (romance, 1979)
O Choro no travesseiro (novela, 1979)
Entre amigos (romance, 1983)
Uma seleção de contos (antologia, 1986)
Contos (antologia, 1986)
Os melhores contos de Luiz Vilela (antologia, 1988)
O violino e outros contos (antologia, 1989)
Graça (romance, 1989)
Te amo sobre todas as coisas (novela, 1994)
Contos da infância e da adolescência (antologia, 1996)
Boa de garfo e outros contos (antologia, 2000)
Sete histórias (antologia, 2000)
Histórias de família (antologia, 2001)
Chuva e outros contos (antologia, 2001)
Histórias de bichos (antologia, 2002)
A cabeça (contos, 2002)
Bóris e Dóris (novela, 2006)
Perdição (romance, lançamento previsto para 2008)
Neste vídeo, o conto “A cabeça”, de Luiz Vilela, é interpretado por Giulia Gam. Muito engraçado!

Há aquelas pessoas que realmente não levam nada a sério. Podem ter 24 horas do dia para se dedicarem a apenas uma tarefa que, ainda assim, pode apostar, sairá mal feita. Diz-se que quem faz as coisas de qualquer jeito, sem nenhum capricho ou prazer, as “faz pelas coxas”.
Não se sabe ao certo quando a expressão surgiu, mas a referência dela vem de quando o país ainda passava pelo regime escravocrata. Quando as primeiras telhas foram construídas, eram produzidas de argila moldada nas coxas dos escravos. Como cada pessoa tem um porte físico único, as telhas ficavam desiguais, sem capricho, de qualquer jeito. Essa seria uma explicação para o fato de que se faz algo pelas coxas.