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Apontamentos da Matuziro






Lorena Matuziro


Literatura, arte, línguas e etimologia. Venha encontrar muitas novidades e discutir estes temas, além de sugerir e receber sugestões de livros, ler resenhas, artigos, como também acompanhar notícias e curiosidades sobre a língua. Pegue um bloco de notas e façamos muitos apontamentos!








19-08-2008


O primo Basílio



“O primo Basílio”, livro publicado pelo português Eça de Queiroz em 1878, é leitura obrigatória a qualquer um que se diga leitor assíduo. Trata-se de um romance aos moldes do século XIX, em que a beleza da mulher era apreciada por meio do penteado de seus cabelos e da cor da sua pele, não pelo tamanho de sua bunda e de seus seios.

No ano passado, o diretor Daniel Filho resolveu transformar o livro em filme. O cenário de Lisboa, descrito no livro, é transferido para São Paulo. O resultado, como já era de se esperar, é uma forte síntese e o resgate apenas do grosso.

Débora Falabela não tem nada a ver com o que havia imaginado de Luiza. O primo Basílio, interpretado por Fábio Assunção, também é diferente. Esse para mim é o pecado de transformar um livro em um filme. Cada pessoa, com sua forma singular, faz um tipo de leitura e, desta, capta o que mais lhe interessa. Algumas pessoas têm o dom de captar detalhes, outras, não.

Senti muita falta da inveja que Juliana sente por Luiza. Glória Pires não passou essa impressão em nenhuma das cenas. Interpretou apenas o lado de pobre coitada que se assoberba em certos momentos.

A D. Felicidade é um personagem que não aparece no filme. Isso deixou muito a desejar, já que Eleonor e D. Felicidade são os dois lados de Luiza, um complementando o outro. Outros personagens também são deixados de lado na trilha.

Algo que fica bastante claro no livro e não é explícito no filme é o conflito mental por que passa Luiza. A morte da personagem é causada pelo tormento que viveu em virtude do adultério que cometera. Luiza tem os cabelos raspados no livro, o que não acontece no filme.

O longa-metragem não é ruim, mas acredito que o que nasceu nas páginas de um livro, deve permanecer nelas. A perda é muito grande ao traduzir em imagens a leitura de uma obra feita por uma, duas ou três pessoas.





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Comentários




Alexandre Andrade
21-08-2008
Já vi tantos filmes oriundos de livros, e em nenhum deles - repito - nenhum deles consegui encontrar algo que o fizesse melhor que o original nas páginas... concordo plenamente com você. Mas vale a intenção ao menos dos cineastas de tentar expor algo clássico pra uma grande massa de pessoas. Em tempo: os dois filmes que mais me decepcionaram e deixaram a desejar ao ver depois que li o livro, foram: Jurassic Park e Os Sobreviventes: A Tragédia nos Andes. Tem também o Exorcista, que no livro assusta muito mais. E claro, vários outros, mas esses aí perderam em muito se comparado aos livros. abraço Lorena; att. Alexandre




Ricardo Pereira de Oliveira
26-08-2008
Cara colunista, ouso discordar dos seus argumentos em relação à adaptação de livros para as telas; talvez não especificamente no caso da obra em tela - O Primo Basílio de Eça de Queiroz. O momento da adaptação da obra interfere na leitura do original. Mas, ainda assim, algumas adaptações são interessantes e conseguem impingir tom dramático ao universo do autor literário. Como exemplo mais marcante no caso brasileiro cito as obras "O Alienista" cujo papel principal é interpretado magistralmente por Marco Nanini nas telas e "Os Maias" com a interpretação da personagem principal pelo mesmo Fábio Assunção de "O Primo Basílio". A obra literária é sempre particular e pessoal na sua interpretação, dependendo do universo mental do leitor. Já o cinema nos transmite pelas imagens a leitura de mundo do seu diretor e a bagagem dramática dos atores. Considero os casos acima bons exemplos de adaptações de obras literárias. Sou capaz de me diveritr e às vezes me comover com ambas.




joao roberto spini machado
15-09-2008
Linda Matu,não se romantize tanto.Faz semanas,que a bela Debora está aí,com o seu belezão, e não consegue dar um simples beijo nele! Complexo Sexual Catástrófico Freudiano/Adleriano/Pimentiano,ou ele está pensando na proxima e inelutável Parada Gay uberlandense,que,""Chi Lo Sa"",iria melhor com o feitio do garotão???




Camila
14-10-2008
Oi tdo bem, eu estou acabando de ler o livro O primo Basilio e gostei muito e quero ver o filme para ver se é bem diferente do livro porque você me deixou muito curiosa para ver o filme para ver se tem alguma diferença.




Camila
15-10-2008
Oi Lorena tudo bem, ontem acabei de ler o livro O primo Basílio não gostei do final porque a Luísa morreu, pensei que depois que ela se livrou da Juliana, ela seria feliz com o seu marido Jorge.










16-08-2008


50 anos de Bossa Nova






Neste ano, a “Canção do amor demais”, composta por Tom Jobim e Vinícius de Moraes, completa 50 anos. “Quero chorar porque te amei demais, quero morrer porque me deste a vida... Oh meu amor, será que nunca hei de ter paz? Será que tudo que há em mim só quer sentir saudade?”. O aniversário do romantismo de Vinícius de Moraes bem traduzidos nesses versos somado à doce melodia de Jobim será aproveitado para comemorar também os 50 anos da Bossa Nova, ritmo eternizado no Brasil e no mundo.

Talvez a referência que todos tenham da Bossa Nova seja “Garota de Ipanema”, composta por Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Qual mulher nunca sonhou ser a musa inspiradora de tão bela canção? Mas a felizarda é Helô Pinheiro, que, quando jovem, despertava olhares ao caminhar pela praia. “Garota de Ipanema” foi consagrada fora do país e gravada até mesmo por Frank Sinatra, com o título “Girl from Ipanema”.

A Bossa Nova soa aos ouvidos de forma poética. É difícil imaginar o mundo sem música, mas impossível mesmo é imaginar a música sem a bossa. Atrevo-me a cantar alguns versos, mas logo sou apunhalada por alguém devido à minha bela voz. Então retruco: “Se você disser que eu desafino amor, saiba que isto em mim provoca imensa dor”.  Até para justificar “meu comportamento de anti-musical” existe uma Bossa Nova.

Quem nunca teve um amor para quem desejou cantar “Corcovado”? “Quero a vida sempre assim, com você perto de mim até o apagar da velha chama. E eu que era triste, descrente deste mundo, ao encontrar você eu conheci o que é felicidade meu amor”. Todo mundo já sentiu algo semelhante, mas apenas gênios, como Tom Jobim, conseguiram traduzir tal sentimento em tão exatas palavras.

Embora goste de todas as músicas acima mencionadas, nenhuma delas é minha preferida. Minha favorita é  “Wave”. “Vou te contar”, mas nenhuma música me provoca tal deleite. Eu me atrevo a dizer que versos como “fundamental é mesmo o amor, é impossível ser feliz sozinho” são compostos apenas uma vez a cada século. Por isso, curtam, abaixo, “Wave – vou te contar” interpretada pela forte e natural voz de Gal Costa.






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joao roberto spini machado
03-09-2008
Cara Matuziro,linda e faceira,um de seus leitores,acaba de revelar uma estranha disposição para o Canibalismo,cruzes! Gostar de filmes como \"Jurassic Park\" (Dinossauros e Protombossauros, devorando homens e etc.) e \"Sobrevivente dos Andes\" (os ditos cujos se entrevorando,cruzesII )além da lambança bucal do \"Exorcista\", Me deixou-Me Pasmo!,como diria o Grande Cantor Cauby Peixoto!...










11-08-2008


Bom ou ruim?



A crítica literária brasileira esquartejou Paulo Coelho em praça pública sob o argumento de que não há discurso literário em suas obras, de que ele escreve muito mal do ponto de vista sintático e de que não tem capacidade de fazer um texto verossímil. Porém já ouvi muitos dizerem que Paulo Coelho não pode ser ruim, senão não venderia tantos livros em todo o mundo.

Isso é verdade. Paulo Coelho é o único brasileiro bilionário, o único autor vivo traduzido em mais línguas que Shakespeare. Ele conseguiu o que bem menos de 1% da população mundial conseguiu e consegue: ganhar dinheiro com livros.

Eu lia muitos livros do Paulo Coelho quando era adolescente, antes de entrar para a faculdade. Depois disso nunca mais li nada. Comprei “O vencedor está só”, lançamento do autor, para participar de uma coletiva de imprensa, na qual o autor inclusive respondeu à minha pergunta.

Comecei a ler o livro, porém não consegui terminar. A obra está na prateleira da minha casa com o marcador estacionado na página 100. O livro não me despertou nenhuma atenção, não sei se porque não me interesso pelo universo da moda, pelo glamour das celebridades e tampouco pelo mundo cinematográfico.

Há, de fato, muitos erros de português. Disso eu sempre soube, embora antes não me incomodasse tanto quanto incomoda agora. Seja pelos erros de português ou pela temática, o fato é que ainda não consegui chegar ao último ponto final de “O vencedor está só”.

Ao mesmo tempo, intriga-me bastante a crítica: “Paulo Coelho é um péssimo escritor”. Como pode sê-lo se vende tão bem? Como algo ruim conquista tantos leitores em um mundo digital, em que a leitura é colocada em detrimento da internet, televisão e tantas outras coisas que despertam a atenção dos espectadores de forma dinâmica?

Isso para mim ainda é uma incógnita. Ao mesmo tempo em que percebo um excesso de preciosismo da crítica literária brasileira, enxergo argumentos contundentes por parte dela. Há erros de português e, no caso de “O vencedor está só”, não há uma temática intrigante e atraente. Mas ao mesmo tempo, percebe-se que o país onde mais se lê Paulo Coelho é a França, considerado, também, um dos países mais cultos.    

Não sei dizer se Paulo Coelho é bom ou ruim. Quem sabe vocês podem me ajudar a discutir essa incógnita? Aguardo comentários!





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Antonio Kuntz
12-08-2008
Para descobrir o motivo do sucesso de Paulo Coelho basta ler suas traduções. Seja em inglês, francês ou espanhol, as traduções não possuem os vícios de linguagem que incomodam tanto à crítica nacional. Sem os erros, as histórias são leves e superficiais, mas com aparência sóbria. Da mesma forma que o fenômeno Batman Dark Knight, um filme intencionalmente medíocre mas adequado à massificação de arquétipos para leigos, as obras de Paulo Coelho obedecem a essa lógica do "hype", o conteúdo é o de menos, desde que a origem seja bem apresentada como "cult" ou "in".




CARIOCA
12-08-2008
Lorena Boa Noite! Concordo com o seu texto em parte. Pois tem livros do Paulo coelho que prende a nossa atenção como por exemplo o Alquimista, este livro é ótimo.O que os intelectuais devem levar em consideração e refletir um pouco,que não é por que o Paulo Coelho vende milhares de exemplares por ano,que todos os livros do mesmo devem ser ótimos,e tem que prender há nossa atenção.E também acho que não é por que o mesmo é um escritor,que não pode errar em linguagens ,e em erros de português.Errar é humano. Não se trata de o mesmo ser BOM ou RUIM e sim ,o que o mesmo através de seus livros pode contribuir para um Brasil mais culto e com pessoas que se interesse mais e mais por livros,seja dele ou de outro escritor. Desculpe se não agradei,mais esta é a minha opinião!!!




Alexandre Andrade
12-08-2008
Creio que Paulo Coelho deva ser ruim pra os leitores "posers" dos clássicos e densos. Se fosse ruim, como vc bem mencionou, não estaria ele na ABL e tampouco venderia tão bem em todo o mundo. Diante das discussões que envolvem o tema "Paulo Coelho", há que se ressaltar o seguinte: Não se pode avaliar um escritor (ou um livro) somente pela qualidade gramatical, normativa, vernacular, ou o que quer que se refira às normas cultas de escrita. Claro que é míster - pra quem tem conhecimento pra tal - ler algo que preencha essas lacunas propostas pelos críticos da escrita perfeita, mas há que se levar em conta também que quem lê não é somente quem "entende" o português, mas todos que buscam algo que motive e agregue valores - não só linguísticos - mas temáticos, emotivos, espirituais, e mais uma gama de coisas. Então concluo que: Paulo Coelho é bom, e ruim... fato!




joao roberto spini machado
15-08-2008
Se Paulo Coelho,com sua magistral percepção e dons paranormais,te visse,bela Lorena (raios! de onde é,como veio este Matuziro?Caboclo?Japones.Chines?)voce estaria uma hora destas,repetindo a viagem do Mago,em Santiago de Compostela,na Espanha.""My Impression in hommage at your charism,believe it or not!.""




Rafael Kerubas
18-08-2008
Paulo Coelho é um cara, que assim como tantos outros, venceu na vida e teve a oportunidade de se manter no que mais ama. Todavia, a alegria dos outros muitas das vezes é uma espinha atravessada na garganta alheia. Já li algumas publicações do "Mago" e posso dizer que são interessantes.




joao roberto spini machado
30-08-2008
Querubas! Rafael! O que ele tem além de ser o mais notavel vendedor de seus livros,em Uberlandia,Brasil e Mundo????Aquieto-me...




Emanoella Alves
15-09-2008
Resumo: A alienação é internacional!
















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