

“O primo Basílio”, livro publicado pelo português Eça de Queiroz em 1878, é leitura obrigatória a qualquer um que se diga leitor assíduo. Trata-se de um romance aos moldes do século XIX, em que a beleza da mulher era apreciada por meio do penteado de seus cabelos e da cor da sua pele, não pelo tamanho de sua bunda e de seus seios.
No ano passado, o diretor Daniel Filho resolveu transformar o livro em filme. O cenário de Lisboa, descrito no livro, é transferido para São Paulo. O resultado, como já era de se esperar, é uma forte síntese e o resgate apenas do grosso.
Débora Falabela não tem nada a ver com o que havia imaginado de Luiza. O primo Basílio, interpretado por Fábio Assunção, também é diferente. Esse para mim é o pecado de transformar um livro em um filme. Cada pessoa, com sua forma singular, faz um tipo de leitura e, desta, capta o que mais lhe interessa. Algumas pessoas têm o dom de captar detalhes, outras, não.
Senti muita falta da inveja que Juliana sente por Luiza. Glória Pires não passou essa impressão em nenhuma das cenas. Interpretou apenas o lado de pobre coitada que se assoberba em certos momentos.
A D. Felicidade é um personagem que não aparece no filme. Isso deixou muito a desejar, já que Eleonor e D. Felicidade são os dois lados de Luiza, um complementando o outro. Outros personagens também são deixados de lado na trilha.
Algo que fica bastante claro no livro e não é explícito no filme é o conflito mental por que passa Luiza. A morte da personagem é causada pelo tormento que viveu em virtude do adultério que cometera. Luiza tem os cabelos raspados no livro, o que não acontece no filme.
O longa-metragem não é ruim, mas acredito que o que nasceu nas páginas de um livro, deve permanecer nelas. A perda é muito grande ao traduzir em imagens a leitura de uma obra feita por uma, duas ou três pessoas.



A crítica literária brasileira esquartejou Paulo Coelho em praça pública sob o argumento de que não há discurso literário em suas obras, de que ele escreve muito mal do ponto de vista sintático e de que não tem capacidade de fazer um texto verossímil. Porém já ouvi muitos dizerem que Paulo Coelho não pode ser ruim, senão não venderia tantos livros em todo o mundo.
Isso é verdade. Paulo Coelho é o único brasileiro bilionário, o único autor vivo traduzido em mais línguas que Shakespeare. Ele conseguiu o que bem menos de 1% da população mundial conseguiu e consegue: ganhar dinheiro com livros.
Eu lia muitos livros do Paulo Coelho quando era adolescente, antes de entrar para a faculdade. Depois disso nunca mais li nada. Comprei “O vencedor está só”, lançamento do autor, para participar de uma coletiva de imprensa, na qual o autor inclusive respondeu à minha pergunta.
Comecei a ler o livro, porém não consegui terminar. A obra está na prateleira da minha casa com o marcador estacionado na página 100. O livro não me despertou nenhuma atenção, não sei se porque não me interesso pelo universo da moda, pelo glamour das celebridades e tampouco pelo mundo cinematográfico.
Há, de fato, muitos erros de português. Disso eu sempre soube, embora antes não me incomodasse tanto quanto incomoda agora. Seja pelos erros de português ou pela temática, o fato é que ainda não consegui chegar ao último ponto final de “O vencedor está só”.
Ao mesmo tempo, intriga-me bastante a crítica: “Paulo Coelho é um péssimo escritor”. Como pode sê-lo se vende tão bem? Como algo ruim conquista tantos leitores em um mundo digital, em que a leitura é colocada em detrimento da internet, televisão e tantas outras coisas que despertam a atenção dos espectadores de forma dinâmica?
Isso para mim ainda é uma incógnita. Ao mesmo tempo em que percebo um excesso de preciosismo da crítica literária brasileira, enxergo argumentos contundentes por parte dela. Há erros de português e, no caso de “O vencedor está só”, não há uma temática intrigante e atraente. Mas ao mesmo tempo, percebe-se que o país onde mais se lê Paulo Coelho é a França, considerado, também, um dos países mais cultos.
Não sei dizer se Paulo Coelho é bom ou ruim. Quem sabe vocês podem me ajudar a discutir essa incógnita? Aguardo comentários!
