

Hoje é dia dos professores. Reservo esse espaço para homenagear todas as pessoas que se dedicam à área de docência. Ao fazer um recorte histórico, percebe-se que a maioria das pessoas mais sábias da história foi professora. De Aristóteles a Newton; de Platão, professor de Aristóteles, a Nietzsche; de Piaget a Freud, o pai da psicanálise.
Talvez todas essas figuras célebres tenham assumido tal encargo porque é no ambiente de sala de aula que surgem discussões interessantes e instigantes. É da relação dialética, para usar um termo Hegeliano, entre o professor e aluno que muitas respostas ao longo da história foram encontradas.
O que seria da Lingüística se os alunos de Saussure não tivessem anotado cada linha do que o lingüista disse? Tais anotações, ou melhor, apontamentos, para melhor se inserir neste blog, resultaram no livro “Curso de Lingüística Geral”, que é a bíblia para todos que querem seguir uma área acadêmica calcada na discussão sobre linguagem.
O professor é uma figura preponderante na vida de qualquer pessoa. Um aluno que estuda meio período regularmente passa aproximadamente 12% das horas do ano em contato direto com o professor. Levando-se em consideração que a maioria dos pais trabalha pelo menos 12 horas, com certeza há alunos que passam mais tempo em contato com este profissional do que com os próprios pais.
A profissão não é valorizada no país. Apenas quem a exerce sabe das dificuldades de tal. A valorização do professor deveria ultrapassar a questão salarial, deve estar associada, também, à consciência da população quanto à imprescindibilidade deste profissional, à importância do mesmo para a formação de cidadãos. Essas discussões deveriam ser promovidas pela sociedade hoje, no dia dos professores.
E aos professores, lanço a seguinte reflexão: “um bom professor se faz com paciência, algum preparo e um pouco de dedicação. Um excelente professor, além destes tributos, terá, também, vocação, humildade e competência; entretanto, só será um mestre inesquecível aquele que, além de tudo, amar o educando e a humanidade, respeitando em cada aluno um ser humano em processo”. (Marta de Freitas A. Pannúnzio).
Feliz dia dos professores!
Se você é assinante do CORREIO de Uberlândia, leia aqui a minha matéria sobre o dia dos professores, veiculada no jornal de hoje.


Quando paro para analisar a literatura, percebo o quanto de obras que existem e que falam sobre o amor. Se fizermos recortes, perceberemos que várias mudanças foram propostas ao longo do tempo. Uma corrente literária sempre surge para contestar ou criticar a outra. Por exemplo, o Realismo vem com uma crítica muito forte ao Romantismo; o Modernismo aparece com uma proposta “revolucionária” e critica tudo feito até então.
No entanto, ao se analisar a temática em todas as escolas, percebe-se que pode até haver propostas de mudanças, mas nenhuma delas deixou de falar sobre o amor. De Camões a Vinícius de Moraes; de Machado de Assis a Carlos Drummond; de Gregório de Matos a Clarice Lispector. Todos, sem exceção, em algum momento, escreveram sobre tal sentimento.
Mas quem começou com essa história? Quem foi o primeiro autor a escrever sobre o amor? Já perguntei a professores de Literatura, mas nenhum deles soube me responder precisamente. Uma das respostas que tive é de que as primeiras obras que abordaram tal temática são Ilíada e Odisséia, produzidas no século VIII a.C.
Ilíada e Odisséia são poemas épicos, que tiveram origem na tradição oral. Antes de surgir a imprensa de Gutemberg, nos anos de 1400, as histórias eram contadas boca a boca. Isso já era literatura, com fortes marcas de oralidade, e nessas obras já é possível ver descrições sentimentais.
Talvez essa temática seja abordada em todas as obras, porque é algo inerente ao ser humano. Como bem já disse Carlos Drummond de Andrade, “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar?”


A Revista Veja desta semana trouxe um artigo da escritora Lya Luft sobre alfabetização no qual ela argumenta que o Brasil é um país de analfabetos. Ao longo do texto, a escritora mostra pontos positivos e negativos do País e o compara com a Europa. O Brasil é enaltecido em várias linhas do texto, mas ela lamenta o fato de grande parte da população ser analfabeta.
Creio que o pior não é o analfabetismo propriamente dito, constatado e divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mas, sim, o analfabetismo funcional, aquele em que a pessoa sabe ler e escrever, porém não compreende ou interpreta uma só linha do que leu ou escreveu.
Como bem exemplificado por Lya Luft em seu artigo: “alfabetizado não é aquele que assina seu nome, mas quem assina um documento que leu e compreendeu”. É triste imaginar que milhares de brasileiros lutam por um direito em que acreditam, porém nem mesmo sabem que esse direito a que acreditam ter acesso nem sequer existe.
Para ilustrar melhor, é triste saber que, agora, em épocas de eleições, muitas pessoas votam em políticos que prometeram fazer “X” ou “Y”, sem saber, no entanto, que esse “X” ou “Y” prometido não é de competência do cargo ao qual tal político concorre.
Por que o Brasil é um país de analfabetos? Porque a qualidade da educação é ruim? Sim, essa é uma das respostas. No entanto, antes da má qualidade de educação, há outro fator, que, na minha opinião, é preponderante: neste país, não se formam leitores. Não há prazer pela leitura, ler não é uma necessidade colocada à frente de várias outras.
Enquanto não houver essa mudança na educação básica, enquanto o livro não for um material acessível a todos, enquanto as pessoas não despertarem o gosto pela leitura, o Brasil continuará a ser um país de analfabetos.
O visionário Monteiro Lobato já afirmou que “um país é feito de homens e livros”. É isso o que falta para que sejamos uma nação equiparada às grandes. Não são meros números (Ideb) que vão indicar o quanto crescemos, mas, sim, o quanto conseguimos fazer com que se desenvolva o censo crítico nos cidadãos.