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Papo Geraes







25-07-2009


Saudades de um banco



Não sei por que, mas, de vez em quando, brota uma saudade de coisas singelas que fizeram parte da nossa vida, principalmente da infância e que nos fazem relembrar bons momentos.
Nessa viagem pelo túnel do tempo da memória deparei com nossos bancos das praças. É bom esclarecer que os bancos aqui mencionados nada têm a ver com os estabelecimentos bancários que, a exemplo deles, também têm uma certa preferência por praças. Estes são aqueles antigos utilizados para uma das mais primárias necessidades do ser humano, descansar.
Os bancos, apesar do cimento, eram fabricados com uma concepção ergonométrica que os tornava tão confortáveis, inclusive para as costas. Uma parte do corpo humano atualmente tão castigada e sobrecarregada.
Os das nossas praças aqui de Uberlândia eram oferecidos pelas empresas e famílias da nossa cidade, ostentando orgulhosamente o nome de seus doadores.
Era uma época em que passear na praça era um programa familiar. Das crianças pelas manhãs e dos adultos e idosos no final da tarde e mesmo à noite. Para ler um jornal, tomar um sorvete, bater um papo e se informar. Todos compartilhavam  na democracia do espaço público comum.
Conversa não faltava, porque todos se conheciam e fazer amizade era uma rotina. Com os pipoqueiros, vendedores de algodão-doce, de bexigas e biju. As pessoas tinham tempo para ouvir, para falar, para conviver. Era muito difícil ser abordado por mendigos, pedintes, vendedores ou qualquer outro tipo de incômodo. No máximo, por algum mosquito ou a brisa da fonte luminosa.
Quase não havia violência e as pessoas se respeitavam. Não se vivia com medo e o tempo sobrava.
Penso que me lembro deles não pelo saudosismo do passado, mas porque os bancos das nossas praças tinham muito de tantas coisas que tantas faltas nos fazem hoje: amizade, solidariedade, gentileza, segurança e tranquilidade.

Celso Machado
celso@algar.com.br





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18-07-2009


Biografia



Toda pessoa quando nasce herda determinadas características genéticas de seus pais. A elas vêm se somar as influências do ambiente, da educação, do meio em que é criada. E, também, as experiências pelas quais passa, pelos exemplos e aprendizados do seu convívio.
Ainda que as características genéticas tenham um peso forte na determinação de sua personalidade, todo indivíduo tem à sua disposição a escolha com que vai utilizar e a importância que dará a todos esses ingredientes para construir sua biografia. A forma com que vai escrever a trajetória de sua passagem por este mundo: sua história de vida.
Quando entendi isso me pareceu mais claro por que irmãos têm comportamento tão distintos. Certamente porque as características genéticas não foram exatamente as mesmas ou as intensidades diferentes. Mas, sobretudo, porque as experiências vividas e, principalmente, as escolhas que fizeram os tornaram distintos. Filhos de um mesmo casal podem nascer aparentemente iguais, mas são sempre diferentes, porque cada um constrói sua história por suas próprias opções.
E aí está a beleza fascinante do ser humano, a extraordinária capacidade de completar a criação de si mesmo. Porque se a genética marca cada um, as influências do mundo e suas escolhas permitem mudanças.
Todo indivíduo pela própria definição da palavra é único e a forma com que faz suas escolhas também determina seu destino.
Na cultura indígena, dizem os pajés que dentro de cada pessoa existem dois animais em constante disputa, o do bem e o do mal. Dois animais dentro de um animal. O que vence é aquele que a própria pessoa alimenta.
Assim é a nossa biografia. Tem muito de influência, mas cada um de nós é que a escreve pela forma com que escolhemos agir e viver.
Têm aqueles que a escrevem lutando, esforçando, caindo, levantando, enfrentando a tudo e a todos e principalmente a si próprios. Outros preferem terceirizar seus destinos e passam a vida reclamando, lamentando e muito pouco acrescentando de seu na sua própria biografia.

Celso Machado
celso@algar.com.br





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11-07-2009


O mundo foi feito para todos...



Pode ser numa fila de banco, supermercado, cinema ou aeroporto. Pode ser no trânsito, de carro, moto, bicicleta ou até mesmo a pé. Pode ser na hora de se servir num restaurante, loja ou banca de revistas. Na hora de escolher a sintonia do canal de tevê ou a altura do som do rádio. A luminosidade de um ambiente ou a temperatura do ar-condicionado. Pode ser nas mais diferentes situações, como é impressionante o egoísmo das pessoas que privilegiam a si próprias e desconsideram os outros.
Aliás, para muitos, os outros simplesmente inexistem. O que vale, o que conta é o interesse pessoal. Quando uma pessoa joga fora um objeto qualquer, que pode ser uma latinha, um chicletes ou um papel, geralmente o faz para longe do local em que está. Considerando, é óbvio, que não lhe cause incômodo, o que vai causar nos outros é problema deles. Esquecendo que, para os outros, o outro é ele. E que, se é verdade que cada um tem seus direitos, eles começam e terminam onde inicia o dos outros.
O egoísmo é tão grande que essas pessoas são incapazes de proporcionar um gesto singelo de cortesia. Especialmente quando o outro é uma pessoa simples. Observador que sou, vejo com frequência pessoas irritadas com motoqueiros ou motoristas de ônibus e quase nunca assisto a um gesto de gentileza com eles. Gente que reclama seus direitos, mas que não tem a mesma ênfase quanto às suas obrigações. A impaciência e a indelicadeza proliferando como praga da pressa que assola a vida moderna.
E quando recebem alguma observação sobre a inadequação de seus comportamentos, sobre a indelicadeza de seus gestos e sobre a ambição desmedida de suas atitudes, eles olhando apenas para seus interesses quase sempre trazem a mesma resposta pronta na ponta da língua: o mundo foi feito para todos.
Por isso sou tão crítico dessa frase tão vulgar e lhe acrescentei um complemento que considero imprescindível. Porque é claro que, se o mundo foi feito para todos, não se deve esquecer nunca que ele foi feito também para os outros...

Celso Machado
Celso@algar.com.br





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paulo machado
15-07-2009
Gostei muito do texto.”O mundo foi feito para todos”, faltou só complementar que o mundo que te rodeia e feito "por todos nos". Nos que estamos no NORTE do País sentimos o descaso muito de perto, aqui estão destruindo toda a natureza seja com lixo, pois existe pouquíssimo tratamento de esgoto ou o que tem jogam direto nos rios, as nascentes dos mananciais estão sendo destruídas ou simplesmente não são mantidos pelos proprietários de terras, os desmates absurdos para o plantio de soja e ou somente para a venda de madeira e produção de carvão vegetal. Bom, vivíamos em um paraíso Ecológico que se tornara em muito breve em um deserto, não estou exagerando, vejam nos mapas onde estão as Matas aqui do TOCANTINS, onde estão as matas de aroeira de Arapoema e agora devido ao desequilíbrio ecológico temos ate piranhas no majestoso lago de lajeado. As pessoas precisam rever seus conceitos, seja por jogar um produto ou papel que lhe incomode ou de empresários em busca de lucro fácil sem uma visão de futuro. Um abraço de teu sobrinho que mora no norte há 17 anos, mas não esquece as maravilhas de minas e da nossa Uberlândia




Pedro Henrique Lemes
23-07-2009
Parabens Sr. Celso, muito bom esse texto. Em poucos palavras o sr. cita nossa realidade do dia-a-dia, pessoas desumanizam pessoas cada vez mais no mundo de hoje.










04-07-2009


Pontualidade é uma questão de educação



Confesso que durante um bom tempo da minha vida não fui muito pontual com meus compromissos. Com os financeiros sim, mas com os profissionais, sociais, pessoais não. Era comum chegar atrasado em reuniões, mandar um substituto e, muitas vezes, faltar sem avisar. Para esse comportamento tinha meus motivos e os achava relevantes para justificar minhas atitudes. À medida que as funções foram aumentando e por decorrência os compromissos se multiplicando comecei a refletir sobre o equívoco desse comportamento.
Mas o determinante para uma mudança radical foi o “puxão” de orelhas que recebi de um superior hierárquico rígido no quesito pontualidade. E o que mais me tocou não foi a veemência da repreensão, mas a consistência dos seus argumentos. Disse-me ele, numa reunião em que cheguei atrasado, que pontualidade é uma questão de educação. Porque a pessoa reserva um tempo para receber a outra, programa suas demais atividades em função disso e quando acontece um atraso todos os demais ficam prejudicados.
Aquilo pra mim foi como um murro no estômago, bateu e doeu fundo, porque me fez ver o egoísmo de quem coloca o que julga mais importante ou interessante acima dos compromissos que marcou. É um desrespeito ao outro que fica aguardando, a disposição de quem não lhe retribui a devida atenção.
Se Deus me fez pleno de defeitos e limitações, me agraciou com a benesse de não ter vergonha de reconhecer meus erros nem de mudar de atitude imediatamente diante de uma visão nova.
Desse dia em diante pontualidade passou a ser um dos meus valores. Que pratico não apenas nos compromissos mais importantes, mas em todos os demais. Seja uma reunião de trabalho, um encontro social, uma “pelada” de futebol, uma pescaria e por aí afora. Independentemente de ser com quem quer que seja.
E se acontece algum fator que impeça de chegar no horário nunca deixo de ligar avisando. Me incomoda a possibilidade de deixar alguém me esperando, porque acredito de verdade que ninguém merece isso. Se programei devo estar no horário, até porque com isso tenho também todo direito de esperar que a outra parte haja da mesma forma.
Ainda estou longe de me considerar uma pessoa educada, mas pelo menos no quesito pontualidade evolui “pacas”...





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Ednalda
04-07-2009
Gostei bastante do assunto abordado, afinal muita gente não tem essa consciêcia ainda e deixa os outros a ver navios esperando por horas e nem dá satisfação.




Picolino - Udi - MG
05-07-2009
Celso Machado li com bastante atenção o seu texto, excelente! Me fez lembrar de uma pessoa que eu tenho maior carinho e respeito, chama-se frei Filomeno Póppiti, um pequeno grande homem,um coração generoso, padre franciscano da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Udi, sua marca registrada "PONTUALIDADE". Servir por amor! Este o seu maior exemplo! Frei a lição foi aprendida, beijos no seu coração! Parabéns Celso Machado e obrigado pela oportunidade. Abraços.
















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