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Pensando Bem







25-07-2009


Educação: Só 500 anos?



João comprou uma casa há trinta e quatro anos na planta. Era, aliás, o único terreno ainda disponível na rua, onde foram construídas 15 casas. Logo atrás havia uma invasão, com uma casa e uma família. À medida que os filhos iam casando, mais um “puxadinho” aparecia, depois uma lage, e outra mais. Hoje, os netos estão casando, as casas até melhoraram (com a ajuda em tempos de campanha eleitoral), mas as pessoas que as habitam não. João estava varrendo o quintal de sua casa num desses dias, quando uma mãe, na casa vizinha, despejou, aos berros, um palavrório de baixo calão, com expressões chulas, sobre a filhinha de uns 2 ou 3 anos, que deve ter feito alguma traquinagem.   Aí  João pensou com os seus botões: eu dava uns 500 anos para o nosso país conseguir educar seus filhos para a cidadania, respeito e solidariedade, além de ensinar as disciplinas nas escolas. João é um homem esclarecido e costuma dizer que somos um país jovem de apenas quinhentos anos de existência, mas que estamos  no século XXI, com todos os meios modernos de comunicação e com as facilidades de locomoção.  Se não mudamos o sistema educacional não é por falta de conhecimentos, mas por má fé de alguns aos quais não interessa que as pessoas pensem e tenham espírito crítico.  Por isso buscam homogeneizar as mentes para mais facilmente controlá-las.Caiu-lhe nas mãos um documento, bem a propósito, que lhe fez refletir e do qual  fez questão de destacar alguns trechos:

 “A indolência, a preguiça, o desânimo no labor da vida; as palavras do mendigo que supplica a caridade pública; os gemidos do esfaimado“ são conseqüências da “falta de instrucção”.“No homicídio perpetrado pelo cidadão pela embriaguez ou pela paixão” temos os sinais da “falta de instrucção”.

 O documento aponta também outras causas importantes:“Folguem no desvario da estultice os ricos, os potentados, os aristocratas, engolfados no gozo da fortuna e nos arrobos das posições officiais, no aviltamento moral...”Enquanto “a máxima parte da massa popular sofre por falta de recursos próprios para se instruírem, o governo não lhes facilita a instrucção. É, sem dúvida, um abuso do poder, um erro de política, uma decadência moral, carcomendo os alicerces da instituição política”.Os dois parágrafos anteriores mostram de onde vem o mau exemplo!“Sem liberdade e sem mérito o homem se equipara às bestas.”“Obrar sem responsabilidade é bestar. Responsabilidade sem pleno conhecimento dos actos responsáveis é barbárie.”“Os governos têm o dever de aperfeiçoar os cidadãos”.“É preciso, necessário, urgente a instrucção dos cidadãos; educá-los intelectual e moralmente, despertar-lhes o amor ao trabalho, estimular-lhes o brio, excitar-lhes o amor de si, fazê-los aspirar o apreço publico de sua personalidade; promover-lhes o estímulo de economia; e a que apreciem as vantagens da riqueza honrosamente adquirida, e adquirível pela actividade própria.”“Instrucção, e somente instrucção, será a senha do progresso e do engrandecimento da humanidade”.

 João logo esclarece que não transcreveu nada errado e informa que esse documento foi escrito em 1879 pelo Dr. Augusto Carneiro Monteiro da Silva Santos, Médico pela Faculdade da Bahia, Professor Cathedractico do Gymnasio e do terceiro anno da Escola Normal, no Recife. João constata desolado que se em 130 anos não houve mudanças significativas, então o seu prognóstico de mais de 500 anos não está tão fora da realidade.  João acredita que a educação familiar, instrução nas várias disciplinas, mas principalmente a formação pessoal e de caráter são os principais instrumentos de uma boa educação. Vai mais longe ainda afirmando que não adianta formar um técnico que não tenha a noção plena de cidadania e respeito aos outros e a natureza. Ele sabe que o berço da  educação está nas famílias e nas escolas onde  os valores básicos humanitários deveriam ser incentivados nas crianças. Ele sabe também que  a solução não está na multiplicação de programas de assistência, mas  em projetos educacionais que formam cidadãos comprometidos com o bem coletivo. Mas ele está desolado e torce para estar enganado quanto ao tempo que isso levará!

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com  . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com

* Teólogo, 81 anos, professor, ex- coordenador do Serviço Alemão de Cooperação Técnica e Social (Deutscher Entwicklungsdienst) e da Fase (Federação de Órgão para Assistência Social e Educacional) em Recife.
Autor do livro  “confiteor, confesso, megvallom – Memórias de um homem comum”, 2004. gatihaj@gmail.com





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18-07-2009


Admirável mundo novo



O mundo é uma reprodução da mente humana. Todos os conflitos que existem no mundo são a reprodução em forma ampliada dos conflitos da mente. Assim toda vez que  achar que o mundo é injusto, toda vez que achar que as pessoas são muito más, que elas são egoístas, que não sabem amar, que roubam, que são capazes das maiores atrocidades e tudo isso te for incompreensível, mude o foco, olhe para dentro. Não importa onde quer que você esteja, onde quer que você more, com quem você conviva. Não importa também o quão má parece  a pessoa que está do teu lado. Pouco importa   as mazelas dos políticos e as fraudes. Sei que isso tudo te deixa  perplexo e confuso. Pois saiba, toda essa percepção de mundo que você está tendo e que aparentemente te causa tanto mal, primeiro é uma expressão do teu mundo interior, segundo é uma mentira da tua mente. Sim já abordei esse assunto antes.

Se você trabalha e também fuma e um determinado dia percebe que está com problemas de saúde tua mente te dirá que é porque você tem trabalhado muito, que teu chefe é um carrasco, que o trânsito está infernal,  que a criminalidade te deixa estressado, que teus vizinhos fazem muito barulho e um monte de outras mentiras e asneiras. Quando você se lembra do  cigarro, tua mente te diz que você tem direito ao prazer, que você não tem feito nada para se divertir, que tua vida é um constante sacrifício, que você é livre e pronto teu cigarro continua no teu bolso e você acredita que a causa da tua doença é realmente teu trabalho. E quando você diz para teu filho que não tem dinheiro para ele ir ao cinema ou mesmo para comprar uma comida, você está convicto que realmente não tem dinheiro pois se teu filho for ao cinema vai faltar dinheiro para pagar as contas no final do mês. Mas quando sente a vontade de fumar tudo muda. Tua mente constrói um sistema de raciocínio perfeito e você fica convencido que teu dinheiro estará sendo bem empregado em mais uma carteira de cigarro.
O mesmo acontece com comer em excesso, tomar cerveja ou outra bebida alcoólica. Todos sabem que comer em excesso principalmente alimentos ricos em  gorduras e carbohidratos, além de não ser saudável também engorda, mas muita gente se permite comê-los pois são enganados pela própria mente. São vítimas de si mesmas.           

Um diabético sabe que não pode ingerir  determinados tipos de comida mas o que a sua mente lhe diz? Ah  um pedacinho somente! Ah todo mundo vai morrer mesmo, então porque não comer! Ah eu estou bem de saúde e isso não vai me fazer mal! A mente mente e o que se deixar enganar e embarcar nos seus  argumentos,  seu corpo lhe cobrará uma pesada fatura em termos de doença, dores, fraquezas. Sairá da garantia muito antes do prazo e talvez nunca mais consiga voltar,  porque se deixou encantar pelo canto da sereia, no caso a  própria mente.

Tua mente é tua inimiga maior. Puxa vida, tua mente te trata como um tonto e você se degusta em vestir a roupa de um tonto, a pensar como um tonto, a agir como um  tonto, a justificar tudo como um tonto. Não te enganes, os ventos sempre sopram em direção ao fracasso. Ladeira abaixo você não precisa fazer força para se deslocar, mas olha  o precipício que te espera! Chegar no topo da montanha exige disciplina, exige esforço, exige persistência, exige muito trabalho, mas olha as recompensas que te esperam. Nas  formações que tenho feito nos últimos anos me convenci que as justificativas são os argumentos dos fracassados. Impressionante. Uma pessoa de sucesso, uma pessoa de visão, você apresenta a ela uma oportunidade e ela por mais ocupada que seja,  percebe a oportunidade e encontra tempo para  conhecê-la e depois de a conhecer a agarra com afinco se perceber que realmente é interessante. Uma pessoa comum, uma pessoa fracassada, quando lhe é apresentada uma oportunidade, mesmo quando está desempregada ou então ganhando pouco mais que um salário mínimo no emprego, nem olha para a oportunidade e começa a se justificar. Não pode porque o filho está doente. Não pode porque não tem tempo. Não pode porque  a mulher reclama. Não pode porque tem estado muito cansado. Não pode porque está com a unha encravada. E ele está certo, realmente todos os argumentos são verdadeiros, mas onde o irão  levar todas essas justificativas?  Pois não se dá conta que é um tonto usando justificativas tontas que irão perpetuar o fracasso. Essas são as milhares de pessoas que você encontra e que vivem se queixando da vida ou reclamando do governo em casa ou num bar ou depois de um racha de futebol entre uma cerveja e outra, entre um cigarro e outro, entre um refrigerente de coca e outro. Morreram mas ainda  não tiveram a coragem de assumir a posição horizontal.

Assim, quer mesmo entender todos os males do mundo, todas as suas contradições, toda a maldade humana, volta-te para dentro de ti mesmo, coloca um espelho para que não te escape nada pois será duro se dar conta que o mundo la fora é teu mundo interior  exteriorizado e amplificado e que você vive um mundo de mentiras criado por tua própria mente. Refugia-te na solidão do deserto da tua mente, jejua e pensa por  40 dias e 40 noites.

* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com  . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com





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15-07-2009


Mercado de Trabalho



Estive há dois meses atrás em Barcelona na formatura de uma de minhas filhas. Foram momentos muito especiais de carinho, reconhecimento e conquistas. Sempre aprendo muito em contato com as pessoas. Elas são uma das minhas principais fontes de aprendizado e sou muito grato a todos por isso.

Minha filha formou em medicina, um curso difícil e longo, que exigiu dela muitos sacrifícios que somente ela e seu marido sabem. Sua formatura foi num sábado, na entrada do hospital onde ela trabalha que é o Hospital Escola da Universidade Autônoma de Barcelona, onde fez seu curso. Toda a festa, com comes e bebes foi oferecida pela própria universidade. Tudo simples e solene como deve ser. Esse sábado, dia 20 de junho de 2009, sei que ficará na sua memória para sempre, pois não foi apenas o reconhecimento de uma grande conquista, mas também se revestiu de imenso significado afetivo pois seus pais, sua única avó viva e todos os seus irmãos, além de alguns amigos, todos estavam presentes no ato da formatura. Pois bem, minha filha trabalhou no hospital  normalmente até na sexta feira, véspera da cerimônia, curtiu o sábado e domingo com sua família, e segunda feira já estava novamente trabalhando no seu horário normal no hospital. Isso me causou admiração e quero fazer algumas considerações a respeito.

Desde pequenos somos treinados e condicionados a aprender uma profissão  para ter competência e competir com milhares ou milhões de pessoas por uma vaga em algum emprego. O que quero salientar é que nossa cabeça é direcionada para sermos empregados, ainda que sempre fique aberto a possibilidade de alguém sobreviver financeiramente de outra forma, mas a cabeça de todos sofre um grande bombardeio em direção a ter uma profissão e arrumar um bom emprego. A maioria das pessoas acabam fazendo isso, enquanto que alguns escolhem o outros caminhos para ganhar dinheiro, quer seja abrindo um negócio próprio, quer seguindo uma profissão liberal como medicina e outras mais, que permitem as duas possibilidades ou seja, tanto ser empregado como seu autônomo.

Quando alguém  decide ser empregado, ainda que nem sempre  tenha consciência disso, resolve  renunciar a própria liberdade em termos profissionais e financeiros e entregá-la  nas mãos de um estranho que é o seu patrão. Ele decidirá quanto  vai ganhar, o horário de trabalho  a ser seguido, o que deve fazer e  as férias  serão marcadas em datas que melhor lhe convier. O dia em que  o empregador considerar que o trabalho  desenvolvido pelo empregado não lhe interessa, lhe demite sem lhe perguntar se tem prestações de dívidas a pagar ou se a esposa esta grávida. A vida do empregado é toda programada a partir dos compromissos do trabalho e o tempo  que lhe sobra o gasta em compromissos com a família ou então com descanso e lazer. Terá dificuldades para tomar iniciativas em direção a se auto gerir em termos profissionais e financeiros, com freqüência reclama do trabalho e do patrão e sabe de antemão que seus ganhos serão limitados e dependerão mais da boa vontade de quem lhe paga do que da sua própria capacidade. A vantagem imediata que alguém tem em começar a ter um ganho que possa permitir seu sustento e da família,a médio e longo prazo se transforma em um problema pois limitará seu crescimento profissional e financeiro.

Algumas pessoas resolvem investir em um negócio próprio.Precisam estudar o mercado na área onde pretendem trabalhar e  investir valores variados dependendo do tipo de negócio e no início quase sempre passam  grandes dificuldades.  Essas pessoas se condicionam a tomar iniciativas e aprendem a gerenciar o próprio tempo e dinheiro, não necessitando de ninguém para tomar decisões por eles. Quando sabem gerenciar o negócio e persistem, com o tempo começam a colher os frutos do investimento e do trabalho e seus ganhos vão aumentando. Hoje, a modalidade mais lucrativa de negócio próprio que está sendo adotada  por grandes empresas no mundo todo é a venda de produtos através do  marketing de rede. Distribuidores autônomos ou independentes têm ganhos pelas vendas diretas e recebem royalties- uma espécie de direito autoral- pelas pessoas que trazem para a rede e  consumem o produto. Essa modalidade permite  ganhos ilimitados. Empresas como a Herbalife, na área de nutrição e controle de peso, tem entre seus quadros  distribuidores independentes  ganhando verdadeiras fortunas por mês.Essas pessoas, com o tempo, por fazerem o que deve ser feito,  adquirem  o controle de suas vidas e podem então    fazer o que gostam  e quando querem fazer.

*cvital@mailcity.com





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11-07-2009


Nem tudo que reluz é ouro



João  é um homem maduro e tem vivido algumas contradições do mundo moderno e isso muitas vezes o angustia. Ele nasceu na roça no interior do Brasil em uma minúscula cidade. Reunindo todos os moradores seus vizinhos em um raio de cinqüenta quilômetros, talvez fossem pouco mais de cem. Aí passou toda a sua infância de uma forma humilde e desde muito cedo seu grande sonho era mudar-se para uma grande cidade. Qualquer uma lhe servia, mas a que mais lhe fascinava era Rio de Janeiro, pois uma vez tinha ouvido falar que essa cidade era tão linda que a chamavam de cidade maravilhosa.

O estilo de vida que João levou quando criança era totalmente distinto daquele que qualquer criança tem hoje em dia, principalmente nas grandes cidades.  Não havia luz elétrica e com isso nem pensar em geladeira ou televisão. Também não havia essa parafernália de eletro eletrônicos e muito menos celular. A comunicação com o mundo se dava basicamente por um rádio cuja pilha que o movia era quatro vezes o seu tamanho e pesava uns 3 quilos. À noite, a casa era iluminada por um lampião a querosene e nas noites de inverno, com temperaturas beirando muitos dias zero graus, eram colocadas brasas em uma bacia de alumínio com cinzas que ficava embaixo de uma grande mesa, onde faziam as refeições  seus pais e os seis irmãos pois dos outros cinco, uma irmãzinha tinha morrido ainda antes de João nascer e os outros quatro já eram mais crescidos e  tinham realizado  o grande sonho de João que era ir morar em uma cidade grande. Ao escurecer todos vinham para dentro de casa, comiam uma minestra ou um outro tipo de sopa feita por sua mãe  com os legumes que produziam. Depois, por serem muito católicos rezavam o terço em família. Em seguida conversavam sobre o dia de cada um até que um dos pais contava uma estória depois de muita insistência de João ou um de seus irmãos e ao final todos iam para a cama. Quando muito tarde, esse horário não passava das nove horas da noite.

João levantava ao clarear do dia e ia com sua mãe e alguns irmãos capinar a lavoura pois tudo o que comiam era produzido por eles. O excesso de produção, principalmente de arroz e feijão, era vendido para levantar alguns trocados. Sua mãe cultivava com orgulho uma horta ao lado da casa que produzia todas as hortaliças conhecidas na região com abundância, pois adubava a terra com o esterco colhido das galinhas que ficaram presas no galinheiro para o abate, ou das poucas rezes que tinham no pequeno pasto e forneciam pelo menos cinco litros de leite todos os dias. Uma vez seu pai durante o almoço contou sobre a mesa doze tipos de qualidades de comidas e todas tinham sido produzidas por ele, sua esposa e seus filhos.
Como não havia água encanada, João com seus irmãos traziam em baldes a água para o consumo de um riozinho de águas transparentes que passava manso a menos de cem metros da porta de sua casa. Nesse rio João e seus irmãos se divertiam, pescavam, nadavam nus, tomavam  banho quando a água não estava muito fria. Seu pai havia ido a cavalo até a nascente do rio e certificado que não havia nenhum poluente. Assim um dos prazeres de João e seus irmãos era tomar água diretamente  no rio com a boca.

Hoje João vive em uma grande cidade como era seu sonho. Tem todos os confortos que a modernidade colocou na sua mente como necessidades. Já está no seu segundo casamento e tem uma filhinha de 3 anos. Seus quatro filhos do primeiro casamento moram longe e raramente os vê. Com sua atual esposa  e filha   saem para trabalhar as seis horas da manha, deixam a menina  em uma escolinha  e chegam de volta para pegá-la às dezenove horas. Sua mãe  tem estranhado que a menininha às vezes não quer voltar para a casa dizendo que gosta da tia porque lhe dá atenção o dia todo, enquanto que sua mamãe e papai não. João e sua esposa saem sem comer nada de manha e ao meio dia comem sanduíches na rua, pois o dinheiro e o tempo de almoço são curtos. À noite improvisam em casa outro lanche.

Comem refeição completa somente aos finais de semana ou feriados quando ela cozinha. Tanto João quanto sua esposa estão com pelo menos vinte kilos acima do peso e ambos fizeram vários exames de saúde, pois têm ficado doentes com freqüência,  sentem-se cansados, desanimados. O médico  disse que  o diabetes de ambos  é conseqüência do excesso de peso e do tipo de comida que ingerem todos os dias. Indicou suplementos nutricionais para ambos  dizendo que os alimentos hoje tem bem menos nutrientes e muito  agrotóxico. Falou também que se não mudarem seus hábitos alimentares sua saúde irá se agravar cada vez mais.

Hoje João se dá conta que na simplicidade do dia a dia de sua infância, conseguiu receber da mãe  terra os melhores alimentos e dos seus pais e irmãos todo o amor que uma criança precisa para se desenvolver  bem e que hoje não tem tempo para dar para sua filhinha. Sim, hoje ele olha pela janela do teu apertado apartamento numa rua barulhenta e constata com pesar que era feliz e não sabia.

*  Psicólogo, Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com  . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com





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04-07-2009


Chegando ao topo



O sucesso na vida é feito de  percursos por montanhas que escondem tesouros. Existem as estradas planas, e em muitos trechos cheias de descidas, exigem poucos sacrifícios e quase sem esforço se consegue caminhar. Parecem atraentes pois quase sempre há descidas e sombra, mas  a terra onde estão  suas rotas não esconde tesouros. Essas estradas parecem infinitas e costumam terminar quando os que as trilham morrem.  Os tesouros estão bem guardados e para encontrá-los é necessário trilhar um longe caminho que é  árduo, cheio de espinhos e  quase sempre com subidas e montanhas. Todos os que tem visão, que dispõem suas energias em direção a seus sonhos e estão dispostos a pagar o preço do sacrifício  terão sua recompensa. Incrível, mas a vida é justa, pois a abundância dos  tesouros é diretamente proporcional às dificuldades enfrentadas no caminho ou seja, quanto mais precioso o tesouro, mais  difícil é o trajeto, cheio de armadilhas e perigos,  com  pessoas que caíram e desanimaram e ficam às margens dizendo que não vale  a pena continuar pois não acreditam em si mesmas e imaginam que todos sejam iguais a elas. Quanto mais difícil é o caminho, maior é a recompensa prometida, mas menos gente se dispõe a pagar o preço da caminhada e quem caminha se transforma em água solitária, pois poucos conseguem voar tão alto.

  Em um dos treinamentos em áudio do Dr. Eduardo Salazar, médico anestesista mexicano, ainda que com sobrenome português, que de tão instrutivo já escutei seguramente mais de cinqüenta vezes, ele conta que seis pequenas rãs passeavam na floresta. Como as rãs passeiam aos pulos e estavam distraídas, acabaram pulando dentro  de um balde quase cheio  de leite.  Três delas começaram a nadar no leite e a tentar pular para fora e três conseguiram ficar presas na borda do balde. As três que caíram no leite tentavam dar impulso para sair do balde mas como  o leite tem gordura elas escorregavam  e acabavam quase se afogando. AS três que estavam presas nas bordas começaram a dizer: “Vocês vão morrer! não tem como sair dai! desistam!” Mas as que estavam pulando no leite insistiam até que uma delas afundou e morreu.

As que estavam nas bordas começaram a  falar mais alto  para as duas que estavam se batendo no leite: “ viram so! Não adianta continuar! Viram o que aconteceu com ela? Não tem saída, vocês vão morrer! desistam, não tem como vocês saírem daí!”. As duas rãs continuaram a se bater até que uma delas ficou muito cansada e também afundou e morreu. As que estavam  presas na parede do balde foram ao êxtase  e gritaram a todo volume:” Está vendo? Elas já morreram e você vai morrer também, então para que continuar a se bater! Desista! Não tem jeito de sair daí!”. A rã que sobrou continuou a se bater até que o leite virou manteiga e assim ela conseguiu dar impulso e pular para fora e as outras se calaram. O segredo para se chegar no topo é manter os sonhos, estabelecer metas e jamais desistir, ainda quando tudo parece mostrar que o melhor seria não continuar.

 No último dia 20 de junho, minha filha Cristiane formou em medicina em Barcelona, pela Universidade Autônoma de Barcelona na Espanha. Um curso extremamente difícil em que no percurso, durante todos os anos, não faltaram obstáculos, dificuldades e em que, chegar ao topo, exigiu dela  muita obstinação, disciplina,luta, sacrifício e força de vontade. Ainda menor de idade, ficou morando  em Londres, terminando o segundo grau, depois foi para Barcelona e, após processo seletivo difícil, conquistou uma vaga numa prestigiada Universidade. Vivendo na Europa desde  final de 1995 com escassos recursos financeiros, tinha todos os motivos para largar tudo e voltar para o Brasil e morar com seus pais ou próximo deles, mas não ouviu os apelos das rãs fracassadas e  da própria mente e continuou a caminhar com constância, sabendo que no final da caminhada encontraria sua recompensa. Outros tesouros a esperam, mais preciosos ainda. A caminhada recomeça, mas agora em outro patamar. Assim é a vida. Parabéns Cristiane! Você é uma vencedora!
 
* Psicólogo,Dr. Em saúde mental, Psicanalista e escritor- Prof. Associado - Instit. de Psicologia-UFU - Email: cvital@mailcity.com  . Pós doutorando em Saúde Mental na Universidade do Porto em Portugal.Email: cvital@mailcity.com





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Noêmia Custódio da Silva
05-07-2009
Adorei poder lê-lo,estamos vivendo uma fase em que a humanidade não tem tido senão apelos massificadores,e vc ainda fala dos sonhos,das conquistas,dos desejos,e sem nenhuma sombra de dúvida,esses são os únicos motivadores que temos,pois de resto,há muito já não existe mais na lísta das prioridades...o mundo banalizou!!!
















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