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Ponto de Vista







31-07-2009


Quanto mais impostos, melhor



“Temos que sair urgentemente da dependência da soja como principal fornecedora de óleo em nosso país”

Vamos juntar à série de artigos do prof. José C. Martelli, cujo título  estas linhas, por extremamente pertinentes, comentários que aglutinam em seus textos as ideias que embasarão documento a ser levado ao presidente da República pelas duas instituições que os subscrevem:

Tecbio – Tecnologias Bioenergéticas cujo presidente, prof. Expedito José de Sá Parente, referência mundial em biodiesel, foi detentor da primeira patente mundial para fabricação desse biocombustível.
Instituto Volta ao Campo (IVC), entidade que, em 2003, levou ao governo federal um manifesto propugnando por políticas públicas de valorização social e econômica da agricultura familiar (AF), com âncora na produção do biodiesel, tendo participado ativamente na formulação do que se tornaria em janeiro de 2005 o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB).
Eis os comentários:
1. O biodiesel está em crise?
Sim, por dois grandes motivos. Primeiro, todos os agentes políticos e econômicos analisam a viabilidade da produção e uso do combustível pelo viés econômico/financeiro. A pergunta é sempre a mesma: Quanto custa produzir um litro de biodiesel? Se a resposta for qualquer coisa acima do preço do diesel, a conclusão é imediata: Isso é economicamente inviável. Ninguém pergunta quanto custa não produzir biodiesel. A Europa e Estados Unidos já fizeram a sua opção, apesar de ser “economicamente inviável”. Somente a nossa mediocridade continua impedindo o reconhecimento das inúmeras vantagens de produzirmos o biodiesel: É estratégico, socialmente inclusivo, ambientalmente sustentável, e, portanto, economicamente viável.
A nossa independência está diretamente ligada ao uso racional de nossos recursos energéticos. É evidente e iminente o fracasso do PNPB, se ficarmos na miopia economicista de que o biodiesel tem que competir em preço com o diesel.  É grande o desafio do desenvolvimento de oleaginosas de alta produtividade e próprias para a produção de biodiesel e que não concorram com a alimentação humana e animal e, melhor ainda, que venham adicionar produtos alimentícios. O Brasil as tem em grande quantidade e variedade. Somos o País mais rico em quantidade e diversidade de plantas oleaginosas, áreas e Sol para produzir energia. Falta essencialmente quem invista no desenvolvimento dessas plantas. Temos que sair urgentemente da dependência da soja como principal fornecedora de óleo em nosso país. Já são conhecidas plantas muito mais produtivas, como macaúba, pinhão-manso, crambe, babaçu, tucumã, inajá, gergelim, nabo forrageiro, dendê e oiticica, porém todas carecem de investimento em plantios experimentais, pesquisas e incentivos para os agricultores cultivá-las.
Considerando: a importância estratégica da produção e o uso de biodiesel no Brasil; o impacto ambiental; o impacto social; a produção de alimentos; a vocação do País para o biocombustível; a existência de plantas de nossa flora, já identificadas, riquíssimas em óleo, o governo deve reestruturar o PNPB, à luz das experiências obtidas nos últimos três anos, da realidade da agricultura brasileira e da necessidade de investimento no desenvolvimento de plantas nativas de nossa flora, ricas em óleo, mas pouco conhecidas dos agricultores e da comunidade científica nacional e internacional, bem como de sua conjuntura. Voltaremos ao assunto.

Expedito Parente
Tecbio – Tecnologias Bioenergéticas
Instituto Volta ao Campo (IVC) – presidente
http://www.institutovoltaaocampo.org.br


Os valores naturais
 
“A inquieta cidade, antes do formidável surgimento do complexo Sucupira, tinha no seu comércio o principal  fator de grandeza”

Repito sempre que a nascente e as margens do rio Uberabinha precisam de cuidados especiais e vigilância permanente, pois suas águas representam meio de subsistência para milhares de pessoas. Cuidados maiores com este rio e suas margens tiveram início bem depois da construção do complexo de captação, tratamento e distribuição de sua água à população uberlandense.
Acontece, que faltava água para a expansão industrial; os dinâmicos homens de empresas aqui estavam, mas não tinham como colocar em prática todos os seus anseios de progresso. A inquieta cidade, antes do formidável surgimento do complexo Sucupira, tinha no seu comércio o principal  fator de grandeza.
Este, já naquelas alturas, se mostrava como forte fornecedor de artigos sofisticados e mercadorias variadas, conquistando espaços importantes e compradores certos nas regiões do Triângulo, parte de Goiás e Mato Grosso.
Renato de Freitas, prefeito de Uberlândia e engenheiro com alta capacidade para administrar, acreditando também na capacidade técnica em hidráulica de que é possuidor José Pereira Espíndola, apesar de enfrentar aquelas forças pessimistas que criticavam o projeto pioneiro de captação das águas do rio Uberabinha, acabou por realizar um sonho de há muito acalentado, fazendo surgir por meio de uma tecnologia puramente uberlandense, aquele invejável complexo de captação, tratamento e distribuição de água de Sucupira.
A partir de então, pode-se dizer que havia um rio Uberabinha antes e outro depois deste salto para o progresso, ou seja, para o crescimento industrial nesta cidade de liderança regional. Depois de algum tempo de funcionamento do complexo Sucupira, citamos uma outra obra vinda de um outro competente administrador, o então prefeito Virgílio Galassi.
Com arrojo e determinação, concluía ele as obras de Bom Jardim, cuja captação de suas águas de boa qualidade vieram para reforçar o complexo Sucupira e para serem também levadas às residências.
Bem depois destes dois fatos aqui rememorados, foi que os administradores de Uberlândia  tiveram suas vistas voltadas para as obras de despoluição do rio Uberabinha. As redes de esgoto, hoje, são todas canalizadas para a estação de tratamento, bem abaixo da cidade.
As margens do formoso rio ganharam um novo visual e, se ainda não temos este rio totalmente despoluído, estamos caminhando para alcançar este sucesso.
Afinal de contas, quando falamos sobre estes trabalhos de resgate dos valores naturais do rio Uberabinha, temos que citar  além dos nomes dos então prefeitos Virgílio Galassi, Zaire Rezende e Paulo Ferolla da Silva também o do atual prefeito Odelmo Leão e, com elevado prazer, o nome de um verdadeiro naturalista, pioneiro no plantio de árvores frutíferas às margens do  rio Uberabinha, Renzo Sansoni!.

Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)





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29-07-2009


“Até capeta faz careta”



Leio esta manchete no jornal. “Câmara: Dois servidores são suspeitos de serem funcionários-fantasma”

Não me senti nada surpreso ao ler esta manchete, porquanto sou de pensar que eles eram apenas assessores “invisíveis” para servicinhos de doações extras em outras atividades. Assim sendo, creio que os consagrados edis estão acompanhando o estilo político nacional: Lá, valia a cueca, a mala. Aqui, o pijama e a varandinha para doações quebra-galhos uma aqui, outra ali, desde que haja autorização de um vereador, como se fosse ele o dono da grana ou patrão desta tigrada molenga. Na política, hoje, tudo é possível. Convenhamos, então, que um representante de partido político peça para um vereador uma doaçãozinha de mão de obra. Ele, vereador bondoso, autoriza um dos seus 15 assessores e este, então, vai “colaborar na construção de uma simples varandinha”. Com esta determinação, este assessor parlamentar passa a ser o quê, pessoal? Ora, um assessor de araque, pelo menos enquanto estiver fazendo aquele trabalhinho de doação em uma simples varandinha, deu para entender? É...“a coisa tá de capeta fazê careta!”. Onde já se viu funcionário de pijama batendo ponto na Câmara para trabalhar em outra atividade? Onde já se viu vereador pagar dívida de campanha, contratando uma pessoa até que o valor referente à dívida seja quitado com o salário recebido na Câmara? Ora, este tão propalado caso só deixará de ser uma lambança política se os edis arrolados provarem que os dias, horas e minutos trabalhados, tenham sido descontados na folha de pagamento da Câmara!  Mas, como fatos assim vão se tornando comuns, é quase certo que também este seja levado para o congelador da condescendência nacional. Afinal, acho melhor é contar aqui um causo (apenas um causo), que vem a calhar nestes tempos de fantasmas às soltas: “Em uma cidadezinha, onde 8 vereadores compunham a “briosa” Câmara, estes andaram fazendo “também” das suas. Contratavam assessores por um excelente salário, mas só pagavam metade; da outra, como diziam por lá, “nem o confessor da igreja sabia”. Mas, para os mais destemidos, “a outra metade era surrupiada!”. No entanto, o porteiro da Câmara, ligado que era com seu desconfiômetro, acabou por descobrir a jogada. O diabo, é que havia também na jogada, um vereador danado de esperto. Desconfiado de que o porteiro estava dedurando todo mundo, armou ele esta mal-cheirosa cilada que se segue: Como o porteiro teria que passar embaixo de uma árvore nas suas idas e voltas do trabalho, o que fez ele? Encheu uma peneira com merda de gado, e foi se esconder numa galhada da árvore. À noitinha, quando o porteiro por ali passava, o vereador velhaco deu uma peneirada e tudo aquilo, ainda mole, caiu bem em cima do coitado. Pensando que se tratava de um castigo vindo dos céus, o porteiro nem olhou para cima. Saiu correndo dali à mais de 100 por hora. Recuperado do susto, chegou o dia em que ele teve que comparecer ao Fórum, para confirmar sua denúncia. A sala de audiências estava repleta de políticos e curiosos. O Juiz, então, indaga: “Quando foi que o senhor descobriu essa dita falcatrua”?  E o porteiro, assim meio sem jeito, responde: “Uai, doutor, o senhor se lembra do dia em que caiu aquela maldita chuva de merda?”.

Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)


Irã ponto com


“Parece que o twitter está tendo um papel muito importante em um momento crucial no Irã.”  Jared Cohen, analista do Departamento de Estado dos EUA

Um belo tento sem sombra de dúvida! A comunidade dos internautas devassou nos conformes a intimidade dos aiatolás. Descerrou o capuz que recobria a sombria face oculta do despótico regime iraniano. E o mundo inteiro pôde, então, ficar sabendo, em detalhes, de histórias de violação aos direitos fundamentais dos cidadãos conservadas em segredo. Segredo esse assegurado pelos rígidos esquemas de controle da comunicação social montados pelas forças de segurança daquele país.
Do que vem sendo distribuído por iranianos revoltados, em seus sítios de relacionamento com o exterior, consegue-se extrair, apesar dos pesares, auspiciosa constatação. Os resultados eleitorais podem ter efetivamente apontado vitória de Mahmoud Ahmadinejad, como sustenta o tal “Conselho de guardiães”, adicionando a informação de que as fraudes detectadas não teriam ocorrido em proporção suficiente para anular a diferença de votos obtida pelo presidente ultra fundamentalista com relação ao opositor mais bem votado. Mas os protestos populares que ganharam as ruas, reprimidos com extrema violência por policiais e milicianos fanáticos, serviram para revelar ao planeta que grupos de grande representatividade no cenário iraniano começam a pôr a cabeça de fora. Dispõem-se, ao que tudo indica, a enfrentar o obscurantismo cultural, a intolerância fundamentalista política e religiosa impostos pelo sistema. Demonstrando capacidade de articulação em favor de propostas liberalizantes, que levem ao afrouxamento das rédeas de férreo presas nas mãos de clérigos radicais, os oposicionistas começam, assim, a escrever um capítulo novo na milenar história do país. Proclamam, com seu inconformismo, não lhes agradar a circunstância de continuarem a ser conduzidos politicamente por dirigentes obtusos, desapartados da realidade dos tempos. Um pessoal que não se ruboriza nem mesmo em registrar, de modo insano, barbaridades como aquela cometida pelo presidente Mahmoud, ao negar peremptoriamente que, algum dia, tenha existido as câmaras de gás onde os nazistas eliminaram milhões de inocentes, judeus na grande maioria. 
Com essa os golpistas hondurenhos não contavam! Menos de 24 horas depois da quartelada que apeou do poder o presidente constitucionalmente eleito, arrancado da cama de pijama e conduzido, na marra, para desterro na Costa Rica, a ONU, a OEA, os governos de centenas de países em todos os continentes romperam, praticamente, suas relações com Honduras, exigindo (com fixação inclusive de prazos) o retorno da legalidade democrática no país. Os Estados Unidos de Barack Obama chegaram até mesmo, em complementação às medidas diplomáticas de repulsa à manobra totalitária perpetrada, a suspender por tempo indeterminado os exercícios de cooperação militar conjunta que vinha promovendo com forças militares hondurenhas. O impacto da fulminante reação internacional contra o golpe de Estado foi de tal ordem que os próprios jornais ligados aos usurpadores do poder não tiveram como esconder informações sobre as manifestações de protesto, levadas às ruas por simpatizantes do governo deposto, bem como a respeito das declarações de governantes de outros países, Lula entre eles, condenando o ato antidemocrático.

César Vanucci
Jornalista
cantonius@click21.com.br





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29-07-2009


Tramas do poder



“Caso as autoridades não contenham os impulsos midiáticos dos nossos concidadãos, a coisa vai ficar feia”

As cidades estão repletas de “outdoors” imensos. Políticos, candidatos a políticos e até mesmo os que (parece) não têm esta pretensão expandem sorrisos clareados e hollywoodianos, iniciando um programa de poluição visual pra ninguém botar defeito. Caso as autoridades não contenham os impulsos midiáticos dos nossos concidadãos, a coisa vai ficar feia. No caso dos políticos e dos pretendentes a políticos reputo a culpa ao nosso ilustre presidente, que iniciou extemporaneamente a corrida eleitoral. Antes que o juiz desse início à partida e quebrando-se abertamente as regras do jogo, palanques foram levantados para receber a candidata à sucessão presidencial. A Mãe do PAC tem passeado sem descanso por este país, contando de obras que estão longe de começar ou de serem concluídas. O Planalto pôs o bloco na rua, amealhando cabos eleitorais importantes e, para nosso desgosto, não demora nada a internet vai ficar coalhada de santinhos eletrônicos e de demagogia barata. Ave!
Existe uma expressão que é usada como símbolo de não respeito aos limites: “atravessar o Rubicão”.  Lembra-me esta expressão o governo federal, no seu modo de governar. Não admite a existência de falhas na sua gestão, ironiza as manifestações da oposição, tachando todos os atos da mesma de irresponsáveis, casuístas e politiqueiros, irrita-se sobremaneira com a CPI da Petrobras, como se esta instituição fosse uma deusa intocável,  esquecendo-se que é uma empresa pública,  devendo sujeitar-se, como todas as outras, à investigação e à fiscalização. Os senadores tornam-se pizzaiolos (para ofensa e justo agravo dos pizzaiolos) e, contra todas as evidências, faz-se a defesa aberta do senador Sarney, diferenciando-o de nós, pessoas comuns e lembrando a sua história, que nem sempre convém lembrar. Tudo em nome da governabilidade... Os fins justificam os meios?
A Previdência está com enorme déficit, a educação vai de mal a pior, apesar do barulho que se faz em torno, a saúde enfrenta graves problemas. Da segurança nem é bom falar (a Unicef calcula que 33 mil jovens, entre 12 e 18 anos, poderão ser assassinados entre o ano de 2006 e 2012). O Brasil está perdendo a guerra contra a violência e o Brasil sendo tachado como um dos países mais violentos da América Latina e dos mais corruptos do mundo. Mania de grandeza brasileira...
O governo federal tem fechado os cofres para a assistência de muitas coisas importantes. Enquanto os aposentados choram sobre seus minguados proventos, o aumento de volume de repasses federais liberados para instituições ligadas ao MST ultrapassa 20% e a UNE, que já teve em tempos gloriosos um ideário político, submete-se hoje ao poder, embalada por benesses públicas e finalidades menores.
Não existe Estado de Direito onde campeia o desrespeito às leis e regras, onde a impunidade abre seu manto protetor sobre alguns privilegiados, onde a Constituição é desrespeitada a cada momento no tratamento desigual que é dado às pessoas.
Enquanto isto, o gigante da América Latina empresta ao FMI, socorre a Argentina e o Uruguai e “otras cositas mas”, mostrando que, apesar da pobreza do povo, o país é rico e pode dar-se o luxo de cometer estas audácias.

Marília Alves Cunha
Professora
Uberlândia (MG)
mariliacunha16@hotmail.com 

O brasileiro crucificado

“Quando imaginamos a cruz, onde o Senhor Jesus morreu, a vemos suja e manchada de sangue”

Ficamos tocados de tristeza, embora sem arrependimento pelo divinocídio que cometemos! Passou o tempo, mas ela continua no alto das igrejas, ocupando um canto  em lugares de virtudes e de pecados. Em poucos lugares éticos e em lugares nada éticos. Quase sempre como um precioso objeto decorativo. Como uma bijuteria. Um objeto sagrado. Um objeto mágico. Várias nações têm em suas bandeiras a figura da cruz. A própria Alemanha nazista tinha o símbolo da cruz em todo lugar. A famosa cruz suástica. Olhem e vejam a cruz nas paredes do Congresso Nacional e nos gabinetes de nossos esforçados legisladores! Que lindo!... A cruz foi uma invenção do Império Romano para castigar os malditos criminosos. Jesus morreu na cruz como um criminoso maldito de alta periculosidade. Tanto é verdade que o povo preferiu, aos gritos, trocar o Filho de Deus por  Barrabás, assaltante perigoso. Quem o condenou à pena máxima foram os sacerdotes, representantes do povo diante de Deus, e os políticos da época, capachos dos romanos.  Quando vejo os lindos crucifixos nas paredes das salas da Justiça e nas “respeitáveis” casas legislativas — municipal, estadual e federal —, eu não enxergo o Cristo. Mas vejo o “cidadão comum”,  sem “história”, a cada sessão, sendo crucificado diante de milhões de telespectadores. A TV dos legislativos foi inventada para que o cidadão assista a sua própria crucificação, enquanto os “barrabás” são absolvidos pelo seu “histórico” de vida. Cada discurso dos “pais da pátria”, dos “cuidadores” do bem público, dos “vigilantes” da Constituição e da Lei é uma martelada nas mãos calejadas do homem comum que não consegue ser “ex” de nada na história, nos pés chatos dos andantes da estrada da cidadania, que não chega nunca e flechadas no coração enfartado de tanto assalto sofrido. Por 30 miseráveis moedas, um dos amigos do Mestre o entregou para ser crucificado. Hoje, “os amigos e defensores do povo” estão entregando este mesmo povo à cruz da vergonha por algum bom dinheiro. O que livra nossos “amigos” e defensores”  de hoje da forca da condenação judiciária e da renúncia pela vergonha da traição de todos os dias é o benefício de uma lei “autoblindagem”  ou a sua “longa história de dedicação ao bem do Brasil”. No dicionário de um povo crucificado e envergonhado, a palavra “dedicação” tem outro significado: esperteza, mentira, falsidade. No Brasil,  para ser um traidor de sucesso, sem risco de qualquer condenação, alguns requisitos são exigidos: ser inteligente (saber roubar!), ser parente de algum coronel (ainda existe!), fazer grandes castelos (para se esconder da Justiça!), lutar para conseguir um belo de um patrimônio financeiro. Contra isto não há justiça, nem CPI (instrumento inventado para tapear o cidadão!),  nem honestidade que o derrube. E, com certeza, ele vai ser sempre lembrado como um homem que tem “uma história”. E nós vamos continuar sendo “os comuns”.
Nós, os “comuns”, esperamos que a imprensa continue, sem isenção, a fazer o seu trabalho como nossa voz em um mundo onde a esperança está ficando curta. Aos chamados para cuidar do bem do povo, diz o Senhor: “Ai do pastor inútil que abandona o rebanho” – Zacarias 11:17.

Euler Pompeu de Campos
Pastor e escritor





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28-07-2009


Da escuta



“Viver pode ser uma aventura perigosa, sobretudo quando preferimos as fábulas, que confortam, ao pensamento, que inquieta”

Todos conhecemos o significado de conversar, dialogar. Tais termos implicam, rotineiramente, escutar o que, convenhamos, constitui-se, atualmente, matéria rara. Os tempos que correm dão ênfase à falação. Aluga-se o ouvido alheio para falar de si; usa-se o outro quase como um objeto, sempre à mão, pronto a acolher nossas necessidades prementes de desabafo.
Todavia, pouca ou nenhuma atenção é dada à integridade do outro, do interlocutor, quase sempre expulso da cena para ceder a palavra a si mesmo. Esquecemos facilmente que todo diálogo implica empatia, o deslocamento, ou seja, colocar-se no lugar do outro, deslocar-se de si para escutar, para compor-se, amorosamente, ao tempo e ao espaço do outro.
A arte do diálogo, sobretudo o exercício da escuta, que não se deixa trair pela impaciência, pode ser um recurso poderoso contra toda forma de dogmatismo, de fanatismo. Daí a necessidade de nosso tempo de restituir ao diálogo sua dimensão real, seu sentido essencial. Precisamos perder o medo do silêncio, das hesitações, da possibilidade, presente no diálogo, de ampliação dos limites  da realidade que, assim, torna-se livre para assumir novas e intrigantes dimensões, incluindo o fantástico, o absurdo, o delirante (presente no discurso do esquizofrênico, por exemplo).
A arte da escuta nos leva a tomar em consideração: toda e qualquer palavra, os mínimos gestos, cada pequena expressão, contabilizando seu peso e valor, seu quinhão de sofrimento, de opressão, de esperança. A escuta atenta e amorosa do outro coloca-nos em contato com a violência e a crueldade escondidas na linguagem e que, quase sempre, são revertidas para o corpo, que se encouraça no sofrimento, na doença.
A escuta nos coloca face a face com a incerteza, com a existência limítrofe do outro, que vai arrancando, uma a uma, as máscaras que forjou para si mesmo, possibilitando-nos reconhecê-lo e a nós mesmos como vítimas indefesas das próprias ilusões e desilusões. Um tal conhecimento nos assombra, nos faz perceber a matéria comum de que somos feitos, ajuda-nos a compreender as glórias e misérias da nossa condição humana, renovando nossa fé e confiança numa só coisa: cabe-nos, a cada um, confrontar-nos com a face diabólica da vida, pois nenhum de nós está sozinho diante da aflição.
Viver pode ser uma aventura perigosa, sobretudo quando preferimos as fábulas, que confortam, ao pensamento, que inquieta. Assim, o exercício do diálogo, da escuta, aproxima as pessoas: o médico do seu paciente, o analista de seu cliente, o amante da pessoa amada...
Hipócrates (460-377 a.C.) afirmava que a medicina, por exemplo, realizava-se pelo ato de escutar, olhar, tocar. A psicanálise, por sua vez, faz-se, necessariamente, pelo ato da escuta. É notório que também a literatura, tal qual a medicina, valoriza a palavra, a escuta, que, no caso da psicanálise, remete aos conflitos mais íntimos do sujeito. Assim, cada qual a seu modo, a medicina, a literatura e a psicanálise mostram que o diálogo, a escuta, é fundamental para mergulhar nos mistérios da alma humana para resgatar a humanidade enferma.

Shyrley Pimenta
Psicóloga clínica
ivsant@terra.com.br
Uberlândia (MG)


Amargo paradoxo

“Uberlândia vem sendo objeto de contínuo (e acelerado) desenvolvimento econômico e de uma consequente transformação em muito daquilo que diz respeito às condições sociais”

Cabe a nós, cidadãos, compreendermos não apenas a natureza dessa fantástica evolução como também projetarmos e levarmos adiante algumas instituições que sirvam para ajudar a muitos uberlandenses e uberlandinos (saudades, L.F.Quirino) a se adaptarem e caminharem  no mesmo ritmo desta metrópole, sob o risco de termos – em um futuro muito breve – uma cidade inchada, sem um número ideal de pessoas profissionalmente qualificadas e embarcadas com a sua doce esperança nos vagões que rumam velozmente de encontro ao futuro, impulsionados por uma potente locomotiva  sobre os trilhos do “progresso”. Hoje eu sinto que não são poucas as pessoas que encontram-se acomodadas e “satisfeitas” com aquilo que o cotidiano oferece-lhes em termos de trabalho, saúde, educação, lazer; o que, em breve, pode torná-las lobas de si mesmas. Há progresso (inquestionável), há prosperidade econômica (óbvia), há até fartura (por exemplo) para poucos que podem e preferem isolar-se em pequenos  feudos que margeiam a nossa urbe e que levam o elegante  nome de “condomínios fechados”. Mas ainda falta, sim, uma justiça social para muitos. Elegemos representantes políticos em  todas as esferas do poder Legislativo, há poder e há aspiração, mas acredito que falta realizações no âmbito social. Temos um combatente  poder Executivo doméstico, mas ainda faltam realizações; sobra capacidade administrativa em nossos representantes nas assembleias do povo, mas ainda falta a felicidade em muitos dos nossos habitantes. Há pouco tempo divertia-me a ideia de que Uberaba e Uberlândia, em breve, serão uma só feliz-cidade, mas, hoje, uma hipotética “fusão” desses municípios agravaria a decadência da qualidade de vida, as crescentes ameaças de desemprego, as necessidades de capital, a produtividade, o baixo senso de comunidade, o aumento no número de pessoas dependentes do álcool e de outras drogas e de doenças mentais, o crescimento da criminalidade e de condutas marginais, a permissividade ética e a adesão a fórmulas exóticas de comportamento deturpado, o que pode levar a nossa querida Uberlândia a uma vulnerabilidade social jamais vista e sentida. Desenvolvemos, em pouquíssimo tempo, uma maravilhosa e invejada capacidade de progresso, mas atrevo-me a dizer que quase ninguém sabe para onde o trilho do progresso está nos conduzindo. Mais modernos e maiores shopping centers, viadutos e trincheiras, anel rodoviário de Terceiro Mundo e a polêmica construção de um viaduto sobre a avenida Rondon Pacheco explicitam a crise (do grego “krisis” – momento decisivo) pela qual passamos e que exige já uma virada de planos e atitudes no âmbito social. A cidade avança célere; e os nossos jovens, estariam adaptando-se para o inevitável choque contra o futuro e de forma a precaverem a cidade do grande risco social resultante desses “novos”  tempos? Façamos votos para que, além disso, eles nunca deixem de agir com determinação no âmbito social.

Gustavo Hoffay
Agente social
lifelink@bol.com.br
Uberlândia (MG)





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26-07-2009


Concorrente irrelevante



“Provocativos, os autores do novo pensamento estratégico, da Estratégia do Oceano Azul, afirmam de forma pragmática que as empresas devem ter como objetivo tornar os seus concorrentes irrelevantes”

Mas recomendam diminuir a concorrência, não no aspecto da destruição ou difamando suas marcas e produtos e, sim, tornando-a irrelevante apenas para si, buscando atender aos novos mercados ou parte do mercado, que está sendo mal atendida, construindo um espaço único para servir.
 A prática usual são as empresas irem às mesmas feiras em que os concorrentes vão, fazerem pesquisa no mercado atendido, oferecerem produtos e serviços copiando os líderes. Muitas olham apenas para dentro dos seus negócios. As estatísticas mostram que, principalmente, as empresas nacionais inovam pouco, alteram pouco o que fazem, possuem uma matriz de valor com razoável defasagem do mercado e uma estrutura desalinhada da estratégia, e muitas nem estratégia possuem. Como sobrevivem se são assim? Porque a maioria atende à demanda com deficiência, são empresas de baixo desempenho. Poucas organizações no mundo podem ser classificadas de alto desempenho. Acabam ganhando menos e ainda atendendo mal e onerando o consumidor. Os produtos e serviços oferecidos poderiam ser de melhor qualidade e de baixo custo na maior parte das vezes.
 A maioria das empresas pode aumentar muito a produtividade, as ferramentas não faltam. O que dificulta isso? Podemos citar muitas causas, mas destaco o fator cultural: na cúpula das organizações predomina a vaidade, não há uma preocupação contínua em envolver a base da empresa nos aspectos estratégicos, a informação ainda é usada como fator de poder. Os colaboradores que estão na base da empresa, pela forma alienada em que vivem, herdam e seguem o comportamento das chefias, faltam atitude e compromisso na construção de uma empresa que busca resultados sustentáveis.
 Para criar este espaço único e afastar-se da concorrência, atuar em um oceano azul e construir uma matriz de valor diferenciada, deve-se utilizar o Modelo das Quatro Ações. Após fazer a matriz de valor atual do setor, deixando claro o atributo oferecido ao mercado, devem ser feitas as seguintes mudanças: a) eliminar os atributos hoje oferecidos  que não são valores para empresa e para os clientes - normalmente existem e, quando acontecem, só geram despesas e nenhuma receita; b) reduzir os atributos que são importantes, mas, se forem simplificados, não comprometem os produtos e serviços; c) aumentar atributos que podem ser melhorados acima da média do mercado e que serão reconhecidos pelos clientes; d) definir quais atributos poderão ser criados e que hoje ninguém oferece - este geralmente é o item mais difícil, em razão de a maioria das empresas não investir em pesquisa e desenvolvimento.
 A utilização do Modelo das Quatro Ações é o começo para gerar uma nova matriz de valor. O que se economiza na eliminação e redução de atributos leva à formação de receita para incrementar atributos estratégicos e investir em oferecer outros antes inexistentes. A nova matriz de valor, quando benfeita, permite criar demandas, atender em mercado antes não explorado, afasta a sua empresa dos concorrentes e os torna insignificantes.

Hélio Mendes
Prof. e consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br 

Maipo

“Uma experiência: a de formar uma unidade em torno de um tema que fosse caro às agremiações que formam inúmeras entidades e instituições, daí nasceu a ideia do Maipo”


O Maipo é o Movimento de Articulação e Integração Popular, que visa dar suporte ao coletivo de negras e negros. Proporcionando o instante não somente da representatividade, mas do discurso orientador e catalisador de muitos.
Essa força convida desde 2005 a experimentar não o novo, mas uma nova oportunidade de praticar a cidadania, e que faz do desconhecido um desafio que exige uma expansão de consciência, autoconhecimento e, sobretudo, o abandono das velhas e conhecidas emoções que norteiam o universo das frustrações: a raiva, o ódio, o rancor, a culpa e outras mais...
Hoje, muitos se perdem em novas siglas, congressos, conferências e nomenclaturas governamentais. Um plano de ação para a saúde da população negra foi lançado pelo Ministério da Saúde e ninguém se posiciona. Qual o trabalho a ser feito? O Ministério da Educação tem entalado em suas colunas a lei 10.639/03. O que se faz nos estados e municípios? O Ministério da Agricultura, da Reforma Agrária e o Incra travam uma batalha desigual com os quilombolas. Como efetivar as garantias de cidadania do povo negro? Fazer turismo é muito bom. Saber falar melhor ainda se conhecedor for da liturgia que ignora a estratégia e o planejamento.
Nesse redemoinho nasceu o Maipo na região do Triângulo Mineiro – como um guarda-chuva. Vive tão somente para abrigar muitos em favor de milhares. Desde a sua criação, em nenhum momento houve o indicativo de que este era o ápice; muito pelo contrário, sua existência se deve ao fato de ser o meio para um caminho pavimentado no afã de acabar com os acidentes de percurso e o fogo-amigo.
Ao movimento que se interessa pelas questões da comunidade negra sempre são cobradas organização e unidade. Mas, nenhuma entidade classista tem unidade e, mesmo a organização que é imputada aos negros e negras.
Veja o exemplo das federações da indústria; as do comércio; dos lojistas; dos trabalhadores; os ruralistas; os incontáveis partidos políticos; as instituições que se intitulam intrafederativas e muito mais, todas são tratadas individualmente e com respeito. Suas necessidades legitimadas com projetos obsequiosos e de interesse das mesmas, uma vez que atendem a uma classe.
Entendeu?
Pois então, por que as entidades e instituições da comunidade negra precisam se juntar? Para não funcionar, é claro. E é sobre isso que se deve falar e construir um novo momento. É preciso aproveitar a luz para fazer com outros vejam.
Tem muito serviço batendo à porta e esperando que os mais qualificados e experientes retornem dos seus congressos e conferências para agir. Desses congressos, conferências e novas siglas surgem muitos documentos e pouca ação. Visibilidade pública e notícia, nenhuma. E não é a mídia a responsável, não; são os próprios interlocutores que insistem em requentar seus discursos e, se não avançam, é porque não querem mudar. Entretanto, existem muitos que querem avançar, sem que para isso seja necessário desmerecer ou desqualificar o trabalho de quem quer que seja. A reciprocidade e o ato de compartilhar fomentam ideias e sua consequente realização.

José Amaral Neto
Jornalista
Uberlândia (MG)





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25-07-2009


Qualidade pessoal x Desempenho



“O homem é um ser que possui necessidades, desejos e sentimentos que precisam ser considerados e analisados, pois influenciam o comportamento e o desempenho dos funcionários na organização”

Interessante a visão de um “coach” após o sucesso de seu trabalho: Aquela pessoa insegura quanto ao rumo a seguir, de tempos atrás, é hoje o principal executivo de uma multinacional. Naquele momento, ele soube que a estratégia traçada por seu cliente, com a sua ajuda, se fez vitoriosa.
E qual seria esta estratégia? Elevar o seu desempenho até próximo do ideal exigido para sua qualidade pessoal (que é a satisfação das exigências e expectativas técnicas e humanas da própria pessoa e das outras), base da qualidade departamental, e da qual dependeria  a qualidade da empresa para manter os clientes satisfeitos, e é isso  que ministro sempre,  aos meus orientandos de especialização e mestrado: o ciclo virtuoso da melhoria contínua, a roda de Deming: planejar primeiro, executar em seguida, checar e agir por último, quer para melhorar, quer para manter a qualidade pessoal conquistada.
O nosso   case, por exemplo, só chegou lá porque rodou o PDCA diversas vezes, o que elevou primeiro sua performance pessoal.
Os peritos em qualidade só têm, infelizmente e tradicionalmente,   focado a qualidade em produtos, quer seja bens ou serviços, e  esquecem que, dificilmente o mercado ficará satisfeito com o desempenho global de um departamento, uma empresa ou organização, a menos  que cada um de seus componentes produza com alto nível de qualidade.
Estive nesta semana numa banca de especialização do pós em gestão de pessoas, que coordeno na Uniminas, avaliando com meus pares o orientando Ernane Oliveira, e me senti como o coach acima, ao perceber a altura que chegou meu aluno, quando discorria sobre seu trabalho “Análise de Desempenho - Uma Visão Ética”, fundamental para a melhoria pessoal dos operadores, e início de um processo que leva qualquer empresa ao sucesso.
Dele: ”Hoje a velocidade das mudanças é assustadora e o dinamismo empresarial constante, a fim de se sustentar neste mercado hipercompetitivo. Portanto a avaliação de desempenho, torna-se indispensável porque as empresas têm  necessidade de obter e manter a competitividade,  o que requer uma metodologia que avalie a contribuição das pessoas para esse resultado.  A razão de ela ser cada vez mais utilizada no âmbito das empresas mostra que, sem uma avaliação adequada, não há sistema integrado e eficaz de gestão empresarial”.
O homem é um ser que possui necessidades, desejos e sentimentos que precisam ser considerados e analisados, pois eles influenciam o comportamento e o desempenho dos funcionários da organização. É preciso compreender que o funcionário para produzir o esperado, ter uma evolução profissional e, consequentemente, melhorar seu desempenho precisa estar satisfeito com o trabalho realizado e com sua organização.
Concluo como ele: ”Desenvolver pessoas é uma tarefa árdua e que toma tempo. Implica em diagnosticar as competências exigidas pelos cargos e confrontá-las com as de seus ocupantes, suprindo as lacunas existentes por meio do estabelecimento e acompanhamento de planos de desenvolvimento – concisos, específicos, mensuráveis, factíveis, voltados para resultados”. E dou os parabéns pelo conceito A e nota 96.

José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor 
debatef@debatef.com.br

Sonhando com o prefeito

“Há tempo para tudo. Há tempo até para os sonhos bestas. Eu, particularmente, sonhei com prefeito: veio ele a participar de um encontro semanal onde só havia mortais comuns”

Quando criança, sonhamos com os anjos. Ao ir dormir,  a boa mãezinha diz: “Boa- noite, meu filho, durma com os anjinhos!”. Criança adormecida em doce lar, brincava com os anjinhos de atirar estrelinhas ao infinito. Enquanto isso, os pais, certo de que a noite era também uma criança, a embalavam e se embalavam.  
O tempo passa e chega a fase de criança madura: 6, 7, 11 anos e os sonhos são outros: terror,  puro terror.  Monstros pré-históricos, medievais, atuais, em forma clássica ou em mangás povoam as nossas mentes; vilões de todas as ordens, desenhados ou digitalizados nos aterrorizam; o moleque mais forte que mora na esquina ou o colega de escola que senta do lado nos subjulgam; intermináveis quedas em precipícios nos dão um frio na barriga, a ponto de  pularmos da cama e gritar por socorro aos pais.
Mas, como sempre, depois da tormenta, a calmaria.  Alcançamos a pré-adolescência.  Oh!, como é bom sonharmos com a Juliana Paes, com a Paris Hilton, com a Raissa — Sabrina Sato!— com a sarada Madona e tantas outras e tantas que badalam por aí. Oh!, como foi bom  sonhar com a Brooke Shields, ambos  perdidos numa ilha  paradisíaca, onde quase tudo era azul, o mar azul, o céu azul, o amor azul. 
Adolescente maduro, descobrimos que para gozar os prazeres da vida há que ter  posses, daí  o sonho com o primeiro carrão, com o iate ancorado numa baía, cartões de créditos sem  limites, um haras com uma bela sede e, na sede, uma bela mulher e, normalmente,  as forças são carreadas para atingirmos tais  objetivos.
Aberta a porta da razão, quero dizer: fim da adolescência,  de repente nos damos conta que tudo acontece num regime capitalista e que para satisfazermos os nossos  sonhos é preciso de muito trabalho, árduo por sinal. Diante do fardo, denunciamos: o sonho é a mola do capitalismo. Impotente, resignamos: mas tudo bem, sonhar não custa nada. Então, acordados, sonhamos ganhar na mega-sena acumulada, mas só o dinheiro não basta: é preciso que  nos tornemos  celebridades com os devidos registros nas colunas sociais e na declaração de bens: entre outros, muitas ações, muitas cabeças de bois,  muitas commodities; no passaporte, muitas viagens.
Há tempo para tudo. Há tempo até para os sonhos bestas. Eu, particularmente, sonhei com prefeito: veio ele a participar de um encontro semanal onde só havia mortais comuns. Lembro-me bem, fui ao encontro dele e disse-lhe que  me sentia orgulhoso de vê-lo ali e que ele ficasse sossegado, ficasse bem à vontade, porque — cria eu —, ninguém ali ia pedir-lhe um emprego para o filho, um cargo de secretário, a liberação de um trâmite na Prefeitura, o favorecimento em  uma licitação, máquinas para fazer  açudes na fazenda, um patrocínio para um amigo escritor, em resumo, esses pedidos tolos, que todos, todos nós, tolos, sem exceção, caso haja  brecha,  costumamos  fazer aos políticos.  
Advinha? Nem sonhando ele acreditou!

J.B.Guimarães
jbgui@cartasdocerrado.com.br
Uberlândia (MG)





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24-07-2009


Importância da energia renovável



“Esses números não levam em conta outras fontes de óleos existentes na forma silvestre ou pouco cultivadas no Brasil, tais como: sementes de seringueira, macaúba, palmáceas diversas e Jatropha curcas (pinhão manso)”

Por ocasião de artigo publicado no jornal “O Estado de S. Paulo”, em 2008, intitulado “O Peso do Álcool na Matriz Energética” fizemos as seguintes considerações, iniciando pelos dados contidos no referido artigo. Segundo ele, o peso da energia renovável na matriz energética nacional é de 45,8% (sendo que o álcool passou de 14,5% para 16% e a hidráulica, de 14,8% para 14,7%). O mesmo artigo informa que o peso deste tipo de energia, nos países da OCDE, é de 6,2% e no planeta é 12,7%. Tais números nos auxiliam a entender o receio dos países desenvolvidos quanto ao potencial brasileiro de se tornar o grande fornecedor mundial de energia renovável. Atualmente o Brasil possui cerca de 3,5 milhões de hectares cultivados com cana de açúcar para produção de álcool combustível e produz em álcool combustível o equivalente a ¼ de todo o petróleo produzido pela Arábia Saudita, sendo que ainda dispõe de 100 milhões de hectares cultiváveis, sem contar com áreas problemáticas como as do Pantanal e da Amazônia. Temos ainda a comentar que no Brasil existe uma área imensa de palmeiras de babaçu nativo que, se alvo de manejo sustentável destas florestas, com pouca utilização de tecnologia (que ainda não está bem pesquisada) renderia cerca de 1 bilhão de litros de álcool, 2 milhões de toneladas de carvão vegetal, meio bilhão de toneladas de óleo, 2 bilhões de metros cúbicos de gás combustível e 1,5 milhão de toneladas de combustível primário (May, 1990).
Esses números não levam em conta outras fontes de óleos existentes na forma silvestre ou pouco cultivadas no Brasil, tais como: sementes de seringueira, macaúba, palmáceas diversas e Jatropha curcas (pinhão manso). “Este texto também serve como informativo da iniciativa dos membros do Instituto ‘Volta ao Campo de Desenvolvimento Rural – IVC”, que desde 2002 vêm trabalhando politicamente e na implantação do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), de forma bastante ativa, com várias parcerias nacionais e uma internacional, esta última paralisada à vista da crise deflagrada a partir da ruína do banco de investimento Bear Sterns, ocorrida em 2008. Essa parceria inédita disponibilizaria ao produtor, na integralidade, os insumos e o preparo de solo, assistência técnica e a garantia de aquisição durante 15 anos, com lucratividade, de toda tonelada de grão entregue (entenda-se aqui que o maior risco ficaria com o investidor). Salientamos que o esforço dos membros do IVC tem prescindido de auxílio governamental, notadamente na parceria referida. Traduzido em números, esse trabalho traria às cidades atingidas pela iniciativa acréscimo de 750 milhões no PIB regional, 8 mil empregos diretos no campo e 24 mil empregos indiretos na área urbana, além de um efeito cascata no recolhimento de impostos e geração de renda, principalmente nas cidades menores. Acreditamos que, com o amaino da crise, que já se faz sentir pela procura que temos tido de outros grupos que pretendem dar continuidade ao projeto, o pior da crise já passou.

Mário Sérgio Trento
Engenheiro-agrônomo
Presidente do Instituto Volta ao Campo  (IVC)

Pandemias 

“Em um exercício de angiologia ético-moral, me responda depressa”

Qual ou quais as semelhanças entre a nova gripe e os sucessivos escândalos no Congresso Nacional, para ser mais exato, 32 novos escabrosos episódios desde o início de fevereiro, listados pelo jornal “Folha de S, Paulo” de 19/7, e em outras esferas de poder constituído nacional e mundial, além do fato de ambas serem altamente contagiosas?
Vejamos, pois. Ambas são pandemias e de livre circulação mundo afora. Brasília com seus atos secretíssimos, Honduras em golpe onde uma previsível insurgência popular pode levar a um banho de sangue sem precedentes na história daquele país, e olha que o pequeno país, praticamente dominado pelas empresas norte-americanas, Standard Fruit e a United Brands, entre 1821 e 1981 mudou de governo incontáveis vezes. Na Venezuela, o senhor Chávez rasga frequentemente a constituição de seu país a cada lampejo de se tornar um czar, um emir ou xá persa. Suspeitas fortes de fraude em eleições no Irã. Por que será que esta em particular não me espanta? Nos Estados Unidos, berço esplêndido da real democracia, será? Lembram-se dos episódios na Flórida na eleição do patético Bush Jr.? Pois é de lá que agora vêm à tona os também secretos planos antiterror da CIA sem conhecimento do congresso. Olha que naquelas paragens isso é crime de verdade.
Ainda das terras de tio Sam, um cidadão desaparece por dia, mas não estava escalando os montes Apalaches, como havia sido divulgado, mas com sua amante em terras portenhas. Tudo bem, até aí nada demais que afetasse a segurança nacional. Questão pessoal, de fórum íntimo? Certo, isso se ele não fosse o governador da Carolina do Sul, pessoa pública e com obrigações para com seus eleitores, ora bolas. Vasos de grosso calibre se ramificando até se tornarem microscópicas arteríolas e vênulas, chegando até ínfima repartição onde um indicado chefe de poucos pode se dar ao prazer de engavetar ou postergar pareceres que lá na ponta se tornam, somados a outros e outros carimbos e papéis,  de alta relevância pública. Quando não, assediar moralmente, nos dedos contados, seus subordinados, os quais, por sua vez, em atos impensados ou de vingança, levam consigo papéis e canetas do serviço público para os filhos desenharem como se fosse normal e de direito. Isso, quando não brigam com a família ao chegar em casa ou chutam o pobre do cachorro em desabafo para se sentirem repugnantemente vivos. A obstrução, dilatação ou rompimento em vaso de pequeno calibre pode até ser sinal de que algo vai mal, mas a priori o dano imediato é quase sempre menor. Leve hematoma ou varizes, sem maiores consequências, senão as estéticas. Quando o mesmo acontece em vasos maiores e vitais, derrubam o país/paciente e assim como a nova gripe, que felizmente se mostrou até o momento ser de alta morbidade, porém de baixa mortalidade ou no popular: muitos pegam, raros morrem. Hora ou outra são gentes e instituições baixando CTIs, quando não sucumbindo ao agouro. Não podemos obviamente colocar tudo e todos em sacos de mesma farinha, seria tremendamente injusto. Felizmente, tanto para um quanto para outro, dos males descritos, existem ou existirá em longo, médio ou curto prazo, senão remédio, uma ótima prevenção. Para um vacina, para o outro voto.

William H. Stutz
Veterinário sanitarista
whstutz@netsite.com.br





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23-07-2009


Mídia, maior poder (1)



“De meu pai, homem culto, carioca de Botafogo (ideia se combate com ideia; não com os punhos ou retaliações maldosas de pessoas querendo aparecer às suas custas)”

Retalhos de Vamell. 1) Antes de tudo, esta página onde Ivan Santos ocupa, impune e inusitadamente, um quarto com suas próprias opiniões, é o 3º e mais polêmico estágio do conhecimento humano (ignorância, dúvida, opinião ou ponto de vista ou  achologia e certeza). Quando optei por retalhos, qualquer pessoa inteligente percebe que, obviamente, são pensamentos sem nexo. A mídia, maior poder da República, é capaz de colocar a seus pés, membros do Executivo, Legislativo, Judiciário, etc. Não sabendo o que é informação, confunde-a com informe, notícia, etc. Ela não tem o menor compromisso com a verdade; o mais importante é falar o que quiser, de quem quiser, segundo David Nasser, 1950. Tudo às custas dos milhões de consumidores nos comerciais das Casas Bahia etc. pagando salários milionários às celebridades. Aos 73 anos, vividos por este Brasil afora (Ipameri, Juiz de Fora, Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Corumbá, Ponta Grossa e Uberlândia) dispenso qualquer formador de opinião por isso, mudo de canal evitando certos programas, magistrados, políticos, entrevistadores e jornalistas, com ou sem diploma, ou desligo o som nas transmissões esportivas de comentaristas e internautas que brincaram de boneca na juventude. 2)- Pena de Morte: vou morrer insistindo ser a única solução contra criminosos contumazes e traficantes (ruins mas não barbosas) ao contrário da Igreja, governantes, defensores dos direitos humanos, etc com muita vontade política e pouca vontade de resolver. 3)-Trânsito: nos cruzamentos, o trinômio: semáforo, faixa de pedestre e pardal (só bate, é atropelado ou multado quem quer). Isoladamente, é atestado de incompetência enquanto lombadas eletrônicas e sonorizadores substituem os obsoletos quebra-molas. O Código Nacional pode ser resumido em três círculos concêntricos: o que Setran, motoristas e pedestres precisam saber (menor), devem saber (médio) e é bom saberem (maior). Aqui, jornalistas, gramáticos e aquáticos abusam do verbo no infinitivo. Fala-se muito em acidentes, má conservação de ruas e estradas, etc mas nunca ouvi alguém lembrar que as montadoras colocam nas mãos de pseudos pilotos de competições (carros e motos) verdadeiras armas sob total omissão do governo e cartolas do Contran/Denatran. 4)- Direito de ir e vir: tem muito a ver com ficar ou não poder ficar. As ruas estão apinhadas de desempregados oriundos de outras cidades. Quanto a animais soltos, deveriam ser sacrificados, principalmente, Pit Bull e Rottweiller cujos donos sofrem, no mínimo, do complexo de superioridade ou inferioridade. 5)-Desenhos animados: quando enojado de noticiário, os procuro; mas, são mal feitos ou violentos trazendo saudades de Hanna-Barbera. 6)-Pensamentos: de Plínio Salgado (honra o diploma que receberes mas não o coloques acima do teu saber). De Vamell (Deus nos concedeu a inteligência, razão e livre arbítrio; nem sempre o bom senso daí os conflitos íntimos, entre pessoas e povos). De Luiz Fernando Quirino (Major Vaz de Mello, o mais civil dos militares que conheci). De meu pai, homem culto, carioca de Botafogo (ideia se combate com ideia; não com os punhos ou retaliações maldosas de pessoas querendo aparecer às suas custas). Continuo escrevendo diariamente (as pedras do deserto me ouvirão) publicar é outra estória, pela internet deste meu querido afilhado.

Maninho Vaz de Mello
Uberlândia (MG)
pedro.popo@yahoo.com.br 


Itamar Franco e o PPS

“Itamar Franco e o PPS já estiveram juntos em outras oportunidades, em projetos de interesse coletivo”

Dia 6 de julho o Partido Popular Socialista (PPS) recebeu a honrosa filiação do ex-presidente Itamar Cautiero Franco. A solenidade no hall da Assembleia Legislativa Mineira foi o evento político de maior importância no Estado em 2009. O evento contou com a presença do governador Aécio Neves - leal parceiro do PPS - que com parte do seu secretariado avalizou politicamente a filiação. Também compareceram várias lideranças nacionais e houve festa popular com a presença de centenas de militantes. Itamar Franco nasceu possuidor de afiada percepção que orienta seus passos e decisões políticas. Com notável censo de oportunidade, ele foi eleito senador e, mais à frente, vice-presidente da República compondo chapa com Fernando Collor. Durante todo o processo de impeachment, assumiu postura reservada e à época circulavam informações de que se Collor caísse, o governo de Itamar não duraria dois dias. A história mostrou o contrário: ao assumir a presidência da República com o País corroído pela inflação e flagelado pela corrupção, ele recuperou a autoestima nacional. Como presidente exerceu plenamente a autoridade política, retirou o comando das finanças das mãos do baronato paulista e nomeou para ministro da Fazenda um pernambucano. Para seu líder na Câmara indicou o deputado Roberto Freire, comunista pertencente a uma diminuta bancada, o que causou assombro entre parlamentares dos grandes partidos clientelistas. Sabedor do pouco tempo que tinha de governo e insatisfeito com o desempenho dos seus ministros na cura da inflação demonstrou saber aonde queria chegar:
Nomeou e demitiu para o ministério da Fazenda vários nomes qualificados e honrados, até chegar a Fernando Henrique Cardoso, a quem delegou a tarefa de conceber o Plano Real, a redenção da economia brasileira.
Ao longo de sua trajetória política, Itamar manteve o princípio de não contemporizar, nem com os amigos em assuntos de honestidade. Enquanto alguns presidentes diante de crises éticas usam o ditado “em dúvida pró-réu”, Itamar sempre balizou suas ações pelo ditado “à mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta”. Caso raro na política tupiniquim, diante de qualquer indício de corrupção, ele sempre demitiu imediatamente o envolvido,  determinando apuração rigorosa.
Itamar Franco e o PPS já estiveram juntos em outras oportunidades, em projetos de interesse coletivo. A sua filiação oficializa o encontro de um político ético e administrador competente com um partido de belíssima história. Estrategicamente Itamar representa possibilidade consistente de um fato novo na cena eleitoral, pois, em 2010, em nível nacional, ele pode ser candidato a presidente da República ou a vice, se a articulação política indicar essas necessidades. A depender do posicionamento do governador Aécio Neves, em Minas Gerais, Itamar pode ser candidato a governador ou a senador. Itamar Franco no PPS é um curinga que veio para quebrar a monotonia do quadro político mineiro e nacional. Percebo que o radar/GPS político dele continua com a capacidade de identificar e traduzir no tempo e no espaço, o que o povo brasileiro mais quer: ética na política e resultados administrativos. Seja bem-vindo.

Luiz Alberto Rodrigues (PPS-MG)
Ex-deputado federal Constituinte





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22-07-2009


Viagens aéreas: parece piada



“Recentemente, tomei conhecimento do projeto de uma agência nacional de controle da aviação para aumentar o conforto dos usuários, considerando que o espaço entre as poltronas é insuficiente para os indivíduos altos e obesos”

Em uma de minhas viagens aéreas, o piloto da aeronave chamava-se comandante Pescada, o que me pareceu auspicioso, já que estamos na Era de Peixes e estes sinais são importantes para uma viagem tranquila. Indaguei a comissária de bordo se o nome do copiloto seria Sardinha, Dourado ou algo relacionado para a consolidação do meu vaticínio. O seu sobrenome era Brito e assim desisti de prever como seria o voo.
Tentei me acomodar na poltrona com meus 75 quilos distribuídos em 1,75 metros de altura e não foi nada fácil, pois o espaço é exíguo e parece-me que foi projetado para pigmeus e adeptos ao faquirismo. A situação piora quando o indivíduo da frente resolve reclinar a poltrona para o conforto dele e desespero seu, pois você será espremido tal qual uma laranja prestes a se transformar em suco.
Sempre procuro reservar a poltrona do corredor para não incomodar os da fileira, pois após certa idade as idas ao sanitário tornam-se mais frequentes. Além disto, evita-se a tortura de quem é punido com o assento do meio que sempre chega moído ao destino. Porém, ao se sentar próximo ao corredor, o usuário está sujeito a ‘bolsadas’ e ‘mochiladas’ dos passageiros que transitam tranquilamente neste exíguo espaço sem se importar com quem já está acomodado. Já repararam que, quando o avião pousa e os motores são desligados, os passageiros se levantam rapidamente? Não é angústia, ansiedade ou pânico, é para acabar com as câimbras desenvolvidas durante o trajeto!
Recentemente, tomei conhecimento do projeto de uma agência nacional de controle da aviação para aumentar o conforto dos usuários, considerando que o espaço entre as poltronas é insuficiente para os indivíduos altos e obesos e também para aqueles com ombros largos. Acreditem se puder, pois esta agência pretende incentivar um programa de exercícios físicos durante os voos de longa duração a serem realizados no estreito corredor do avião. Vocês já imaginaram a comissária coordenando esta movimentação ao som de músicas de academias de ginástica? “Senhores passageiros das fileiras 15 em diante. Primeiro os do corredor, agora os sentados no meio e, finalmente, aqueles das janelinhas. Levantem os braços e cuidado com o coleguinha ao lado.” Aí acontece um imprevisto. “Senhoras e senhores estamos entrando em uma área de turbulência, queiram voltar para os seus lugares marcados de acordo com o bilhete de embarque.”
Depois de finalizada esta situação, novamente a comissária: ”Agora, a galera da frente. Não se esqueçam de afivelar o cinto das calças para evitar qualquer constrangimento.
Animação: Uh! Uh! Uh! Vamos iniciar os exercícios.” Vocês já idealizaram a confusão dentro da aeronave? Não seria muito mais fácil, ampliar o espaço interno para comodidade do passageiro, melhorar o serviço de bordo e garantir o cumprimento dos horários? Como usuário costumeiro de viagens aéreas, tenho a certeza de que continuarei viajando apertado como sardinha em lata, chegando ao destino sabe lá Deus quando e roxo de raiva e de tantas colisões com cotovelos, bolsas, mochilas e outros apetrechos trazidos a bordo. Peço a proteção Divina para suportar esta provação ou um par de asas para ficar livre das companhias aéreas.

Evandro Guimarães de Sousa
Médico
evandrogsousa@gmail.com


Das artes femininas

“Desde o vereador inicial até o governador ou presidente: todos participam e se acompanham de mulheres em quantidade, lindas se possível”

Desculpem-me os amigos leitores, mas a nossa situação empurra minha caneta a falar da política e costumes do Brasil. Infelizmente, não há nada de novo. Desde aquele tiro que Caramuru deu no Gavião Carcará e resultou naquela avalanche de mulheres que lhe deram de presente – tudo segue igual. No meio do caminho de lá pra cá veio a corte de dom João VI, cujo filho, Pedro I, nos deu a independência e também a Marquesa de Santos e o mulheril da época que foram prêmios e estímulo à política do poder. Uma característica curiosa na civilização do Brasil: o poder oculto da mulher no comportamento dos nossos líderes masculinos.
Desde o vereador inicial até o governador ou presidente: todos participam e se acompanham de mulheres em quantidade, lindas se possível.
A oferta mais simples e usada para corromper empresários e políticos é aquela onde as moças aparecem de maxissorrisos e minissaias, generosas e desinibidas. Não preciso rebuscar consequências, elas estão diariamente na mídia. Todo santo dia tem notícia de resultados e escândalos onde a mocinha denuncia paternidade e requer indenização gorda ou cargos e salários sem fazer nada... Isto quando a situação ainda é modesta, porque quando o chumbo é grosso acontecem separações de marido e mulher e como prosseguimento o descuido e a decadência financeira, as dívidas protestadas, a mocinha leva grana grossa e o palerma leva apenas chumbo grosso. Fim de linha e fim de carreira, porque a roda da alegria não mais aceita o triste final deste baile da alegria – já tem novos e felizes protagonistas, a história vai se repetir.
Atualmente e democraticamente esta herança portuguesa é mais séria e contagiosa que a tal gripe suína. Não se limita aos políticos, aos empresários e às riquezas. Está nas canchas esportivas, nos clubes de sociedade e de serviços, na televisão, no café society das páginas de caderno 2.
Aparecer virou moeda de sucesso e, infelizmente, muita gente esquece que moeda é coisa de duas caras. Olha, o Antonio Ronaldo me contou de um fazendeiro – patrão de Cuiabá - que estava sentindo e gostando do namoro conseguido com a mulher do seu vaqueiro, um mestiço parrudo que sempre carregava um garruchão na guaiaca e que estava inocente e descontente do seu namoro.
Um dia, chegando à fazenda, o mestiço chamou - para um “particular” ali no curral do fundo. O chefe tem que ir suando frio e de pernas bambas, na certa o tal Jeremias tinha descoberto tudo e etc. Foi quando lá, atrás da cachoeira, o Jeremias falou que tinha um segredo – e o patrão gemeu na escuta. No simples, o grandão só acrescentou: “Olha, patrão, nois temo que tomá cuidado! Desconfio que a Maria tá traindo nois com o Tião Carrero!... É, todo mundo passa apuro na vida...”

João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico e escritor
Uberaba (MG)





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21-07-2009


Construindo a cidadania



“Assistimos a um distanciamento cada vez maior entre as pessoas, a uma desintegração da convivência grupal, principalmente, na esfera do grupo familiar”

O mundo tornou-se realmente uma “aldeia global”, conforme profecia do sociólogo canadense, Herbert Marshall McLuhan. Entretanto, a sociedade moderna vive dificuldades enormes de comunicação e de convivência, não obstante os inúmeros meios e acessos disponíveis à comunicação, os quais, paradoxalmente, não têm contribuído para um relacionamento maior e mais intenso entre os seres humanos.
Assistimos a um distanciamento cada vez maior entre as pessoas, a uma desintegração da convivência grupal, principalmente na esfera do grupo familiar.
A crise de valores referenciais, com efeito desastroso sobre a saúde mental, parece ser fruto dessa mesma desagregação familiar, motivada por fatores psicossociais, culturais e econômicos. Os papéis psicológicos da família não são mais os mesmos: a maioria delas, hoje, tem como cabeça a mulher, que trabalha fora para prover as necessidades básicas dos filhos. O pai está ausente, o que traz consequências no desenvolvimento da personalidade dos filhos. 
Muitos são os fatores responsáveis pela violência social, mas não há como negar a contribuição decorrente da ruptura ou perda dos vínculos que começam e se fortalecem no seio da família.
É certo que a desnutrição (fome) é uma forma de violência contra a criança, mas não podemos considerar menos importantes outras formas de violência, que também prejudicam a personalidade da criança e do jovem.
Pesquisadores como Rutter, Werner e outros descobriram que, apesar de vivenciarem situações intensamente problemáticas, algumas crianças e adolescentes são capazes de enfrentar desafios e crescerem saudáveis e competentes, com um “ego” forte, seguro e autoconfiante, apesar das condições adversas do meio.
Fatores, conjugados seriam responsáveis por isso. Alguns de natureza interna: temperamento flexível, curiosidade, controle interno, inteligência, crença na própria capacidade de promover mudanças. Outros fatores estariam ligados ao meio: estabilidade dos pais, a integração entre os membros da família, a intensidade dos vínculos com o pai (ou a mãe) e outras possibilidades de suporte, tais como tios, avós, igreja, professores e amigos.
Fatores como cultura e vida comunitária – social, política ou religiosa – são importantes fontes de apoio, compreensão e suporte para práticas sociais, recreativas e comunitárias.
Atividades em grupo envolvendo pessoas com objetivos comuns, derivados de desejos e necessidades, melhoram a qualidade de vida dessas pessoas e contribuem para o exercício da cidadania. Desses encontros nascem ideias, valores, cultura, energia social para cobrar das autoridades constituídas a instalação e a implementação de projetos sociais que visem à melhoria da qualidade de vida de comunidades carentes.
A dinâmica da convivência comunitária melhora a autoestima dos participantes e pode garantir o êxito de ações integradas nas áreas da saúde, educação, lazer, cultura e outras.
Isso é cidadania.

Shyrley Pimenta
Psicóloga clínica 
Uberlândia (MG)
ivsant@terra.com.br

Festas juninas em Brasília

“Olha a rodovia asfaltada. É mentira, só tem buraco. Mas cadê o dinheiro? O ‘gato’ comeu e a fogueira está só queimando”


No arraial do Senado, as quadrilhas brincam de esconde-esconde com atores fantasmas e roteiros secretos. O comandante da quadrilha representa o Amapá, mas é do Maranhão põe os quadrilheiros em fila e ordena ao sanfoneiro abrir todos os foles e os cofres também. Os caiporas, digo caipiras, vestidos de vermelho cantam ao som da zabumba as marchinhas do mensalão, do sanguessuga, alguns relembram a marchinha dos anões do orçamento, mas o dirigente pega todos de surpresa e grita: sujou, olha a polícia e todos procuram esconderijo nos cofres do Tesouro Nacional, mas logo ouvem o grito do comandante que é brincadeira, pois a polícia cumpre suas ordens.
Como sempre a grande pizza faz parte da comilança e, segundo o comandante-geral no arraial do Senado, há muitos apreciadores desse prato, aliás, é o preferido dos foliões dessas quadrilhas.
A zabumba está comendo solta e o dirigente grita: “Olha a ponte; todos se alinham, mas logo em seguida ele avisa: é mentira, a mesma não foi construída. Mas cadê o dinheiro? O ‘gato’ comeu. Olha a chuva e todos procuram a casa dos sonhos, logo em seguida vem o aviso: ainda não foi construída. Mas cadê o dinheiro? O ‘gato’ comeu. Olha a rodovia asfaltada. É mentira, só tem buraco. Mas cadê o dinheiro? O ‘gato’ comeu e a fogueira está só queimando”.
O casamento se inicia. Presentes o suposto padre, o cartorário e padrinhos, só são verdadeiros os noivos, o varão como sempre é uma incógnita, mas a noiva, a Nação, é uma velha conhecida de todos, totalmente “arrombada”, mas mesmo assim o(s) noivo(s) quer (em), porque quer (em) o casamento de olho nos dotes.
Chega à hora da comida; todos se fartam de pizza, comem até estufar e levam para os parentes.
O pau de sebo está erguido, mas ninguém se arisca, todos gordos e pesados de embatumados de pizza, mas o povão se arisca apanhar no topo da vara lisa um saquinho de pipoca; é a velha máxima: pão e circo para os trouxas. Alguém estranho se arrisca a subir no pau de sebo e todos ficam admirados como aquela criatura fantasmagórica consegue subir até o topo daquele pau de sebo, tão liso, mas logo é identificado, é a alma penada do finado dep. João Alves, da BA, da quadrilha dos anões do orçamento, todos do PMDB, menos o João Alves,  que não se conforma de estar longe dos colegas, mas logo aparece o José Carlos Alves dos Santos, aquele que, diante da falta de interesse, omissão, preguiça e cumplicidade dos parlamentares, mandava e desmandava no orçamento da União e leva embora a alma fantasma do João Alves, cujos objetivos são os mesmos, mas com outro nome, ou seja, a quadrilha dos anões.  
A fogueira virou brasa, os quadrilheiros são convidados a cruzar o braseiro de pés descalços, mas são avisados de que São João só protege os quadrilheiros “limpos” e como não há um sequer, somente o povão tenta passar e muitos se queimam.
O ano que vem tem mais, ou melhor, o ano todo, todo ano tem quadrilha inclusive nos municípios brasileiros, a exemplo dos fantasmas daqui de Uberlândia que apareceram nas juninas do arraial da Câmara Municipal, quadrilheiro é o que não falta.

Remilto Matos
Advogado
Uberlândia (MG)         





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