

Nas últimas semanas, o CORREIO de Uberlândia publicou matérias sobre dois atores da cidade, Leonardo Arantes e Rodrigo Rosado, que hoje vivem no Rio e estrearam em telenovelas da Rede Globo. Isso nos leva a refletir sobre as dificuldades de quem fez nas artes cênicas a opção profissional e para o resto da vida.
A Rede Globo, enquanto poderoso veículo de comunicação em nível nacional é uma grande vitrine para um ator, seja para se realizar profissionalmente, como mero produto da fama, ou para projetar-se ao público e criar a possibilidade para realizar-se artisticamente em outras linguagens, como o teatro e o cinema.
O que mais vale nestes exemplos de persistência, coragem e busca da realização em plenitude do sonho de ser ator é perceber pessoas alcançando em uma profissão de difícil execução e rentabilidade a concretização do sonho, com talento, competência e maturidade.
Uma ocasião, disse a uma de minhas sobrinhas, adolescente em dúvidas quanto ao futuro profissional, que a escolha não deveria ser mensurada pelo retorno financeiro que a profissão porventura traga, como orienta a maioria dos pais e educadores.
Se o jovem vai passar a maior parte de sua vida trabalhando, que seja um trabalho movido pelo prazer e não pela avidez do retorno financeiro. O dinheiro é uma consequência da dedicação e entusiasmo que o jovem empenha em sua profissão. Por isso, os artistas, sejam visuais, cênicos, músicos ou escritores, podem sim ter na arte uma forma legítima e promissora de ganhar a vida, desde que o trabalho seja consistente e honesto.
Leonardo Arantes e Rodrigo Rosado fazem parte de um bom grupo de artistas que deixam em Uberlândia a marca de um êxodo cultural, pessoas que migram para os grandes centros na esperança de encontrar um mercado cultural mais amadurecido. Rodrigo praticamente teve sua iniciação teatral por aqui, onde se graduou em Artes Cênicas. Leonardo preferiu começar a viver por lá as suas experiências teatrais. Ambos são merecedores do espaço que começam a conquistar.
Só o artista sabe o prazer que lhe dá o palco, a tela ou o instrumento musical. Só ele sabe traduzir a amplitude da emoção que o reconhecimento do público causa.
Para muitos atores, é indiferente estar ou não na TV Globo. Para outros, essa é a realização profissional. A linguagem da televisão não só é uma rica experiência cênica, como traz visibilidade e popularidade com o público. Mesmo que ainda esteja distante da essência e plenitude artística.

Uma TV mais próxima da comunidade. Uma rádio mais presente em todos os segmentos. Dois veículos públicos caminhando na direção de ser e estar mais abrangentes justificando a sua existência. TV e rádio universitárias lançaram uma nova programação que visa claramente retomar suas funções originais, de fomento à informação e ao entretenimento e de proximidade da universidade pública com a cidade.
Quando surgiu, há quase três décadas, a FM Universitária trazia em seu escopo de atuação, o que fazia muito sentido naquela época, o repertório musical permeado pelo regionalismo. As montanhas, pássaros e vales entoados pelo cancioneiro popular, sobretudo o mineiro, eram o mote da programação radiofônica. Não desprezando a riqueza de tais conteúdos, ao longo dos anos, a rádio repensou sua atuação e optou pelo ecletismo, introduzindo outras vertentes musicais, do pop ao rock, da rica e diversificada música brasileira aos clássicos da música internacional, antigas e contemporâneas.
Hoje, a FM Universitária coloca-se como excelente alternativa para se ouvir em casa, no carro, na reunião entre amigos, sem rótulos e pretensões intelectuais, veiculando a cultura musical de todos os gêneros. Isso não deixa de lado a informação e formação de seus ouvintes, com um jornalismo que divulga, acima de tudo, o que se produz no interior da universidade, quebrando o paradigma de uma UFU inacessível aos cidadãos.
A TV vai pelo mesmo caminho. Surgiu bem mais tarde e hoje busca ser eclética e atingir o propósito de, no sentido metafórico, derrubar os muros da universidade e fazer a população sentir-se proprietária deste precioso veículo de comunicação.
Há outro mérito neste contexto, em ambos os casos, que é o de privilegiar a produção local, algo que, por razões contratuais das concessionárias de televisão e rádio, não é tão simples nos canais privados. São novos programas, com enfoque na cidade, o que implicou a contratação de jornalistas e produtores, veteranos e iniciantes. Resta saber, o que não ficou bem claro no lançamento das novas programações, é se e como toda essa estrutura servirá aos profissionais que vão se formando pela UFU, em seu recém-implantado curso de Jornalismo.
Outra boa notícia, veiculada com exclusividade pelo CORREIO de Uberlândia no corpo de uma matéria sobre a Orquestra da UFU, assinada por este colunista, é que o campus Santa Mônica terá, muito em breve, o seu teatro, que será aberto também para a comunidade. Algo que deve ser comemorado diante da carência de salas de espetáculos em Uberlândia.
