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Transe Cultural







23-02-2010


Uma vida longa, mas com plenitude



A mídia recentemente deu destaque em vários programas à questão da longevidade. O assunto, embora específico, é de interesse de todos. Se não somos, seremos idosos. Algumas matérias veiculadas chegaram a ser emocionantes. Como o “Globo Repórter”, que mostrou pessoas centenárias redescobrindo o mundo por meio da alfabetização. Igualmente sensível foi a senhorinha de mais de 100 anos atendendo ao convite do neto, instrutor de paraquedismo, e se lançando em uma aventura pelos ares.
Mas o que é a vida senão um processo de redescoberta? Que sentido tem o curso do tempo se não for, para nós, um longo aprendizado?
Me lembro de um amigo que revelou o desejo de não envelhecer. Retruquei-o acusando-o de ser uma pessoa rasa, movida pela vaidade, que não queria conhecer os encantos da terceira idade apenas por uma questão estética. Ele defendeu-se com o argumento de que temia pela saúde e acrescentando que adoraria viver 200 anos, desde que o envelhecimento não a comprometesse.
É relevante a sua preocupação. Em um país com sérios problemas no setor da saúde são compreensíveis os temores de viver sem ela. Mas, nas matérias veiculadas, foi mostrado o oposto, como as pessoas são capazes de renovar-se a partir da experimentação de novas sensações.
O jovem de hoje, por mais que a juventude traga a sensação que o tempo não existe, deve se preparar para tornar-se um ser humano maduro predisposto a sempre estar conhecendo a vida, até o seu último suspiro.
Em um mundo tão cheio de regras e condicionamentos talvez isso não seja simples. Mas são nas coisas simples que podemos conquistar a intensidade da vida. Quando nos abrimos para entender a plenitude do mundo, dos momentos e das pessoas que nos cercam é que nos revigoramos e temos o desejo de viver sempre mais e melhor. E é nessa busca que descobrimos que há no mundo muitas experiências às quais não nos entregamos.
Por isso, é maravilhoso quando vemos estes encantadores seres centenários aprendendo a ler, a saltar de para-quedas, a navegar na internet, a redescobrir o mundo com toda a beleza que nele há. E a obedecer o poeta, admirável músico que não teve o privilégio da longevidade, mas deixou o seu recado: “viver e não ter a vergonha de ser feliz...”




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16-02-2010


O êxodo cultural



Nas últimas semanas, o CORREIO de Uberlândia publicou matérias sobre dois atores da cidade, Leonardo Arantes e Rodrigo Rosado, que hoje vivem no Rio e estrearam em telenovelas da Rede Globo. Isso nos leva a refletir sobre as dificuldades de quem fez nas artes cênicas a opção profissional e para o resto da vida.

A Rede Globo, enquanto poderoso veículo de comunicação em nível nacional é uma grande vitrine para um ator, seja para se realizar profissionalmente, como mero produto da fama, ou para projetar-se ao público e criar a possibilidade para realizar-se artisticamente em outras linguagens, como o teatro e o cinema.

O que mais vale nestes exemplos de persistência, coragem e busca da realização em plenitude do sonho de ser ator é perceber pessoas alcançando em uma profissão de difícil execução e rentabilidade a concretização do sonho, com talento, competência e maturidade.

Uma ocasião, disse a uma de minhas sobrinhas, adolescente em dúvidas quanto ao futuro profissional, que a escolha não deveria ser mensurada pelo retorno financeiro que a profissão porventura traga, como orienta a maioria dos pais e educadores.

Se o jovem vai passar a maior parte de sua vida trabalhando, que seja um trabalho movido pelo prazer e não pela avidez do retorno financeiro. O dinheiro é uma consequência da dedicação e entusiasmo que o jovem empenha em sua profissão. Por isso, os artistas, sejam visuais, cênicos, músicos ou escritores, podem sim ter na arte uma forma legítima e promissora de ganhar a vida, desde que o trabalho seja consistente e honesto.

Leonardo Arantes e Rodrigo Rosado fazem parte de um bom grupo de artistas que deixam em Uberlândia a marca de um êxodo cultural, pessoas que migram para os grandes centros na esperança de encontrar um mercado cultural mais amadurecido. Rodrigo praticamente teve sua iniciação teatral por aqui, onde se graduou em Artes Cênicas. Leonardo preferiu começar a viver por lá as suas experiências teatrais. Ambos são merecedores do espaço que começam a conquistar.

Só o artista sabe o prazer que lhe dá o palco, a tela ou o instrumento musical. Só ele sabe traduzir a amplitude da emoção que o reconhecimento do público causa.

Para muitos atores, é indiferente estar ou não na TV Globo. Para outros, essa é a realização profissional. A linguagem da televisão não só é uma rica experiência cênica, como traz visibilidade e popularidade com o público. Mesmo que ainda esteja distante da essência e plenitude artística.





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09-02-2010


Comunicação e arte mais próximas da UFU



Uma TV mais próxima da comunidade. Uma rádio mais presente em todos os segmentos. Dois veículos públicos caminhando na direção de ser e estar mais abrangentes justificando a sua existência. TV e rádio universitárias lançaram uma nova programação que visa claramente retomar suas funções originais, de fomento à informação e ao entretenimento e de proximidade da universidade pública com a cidade.
Quando surgiu, há quase três décadas, a FM Universitária trazia em seu escopo de atuação, o que fazia muito sentido naquela época, o repertório musical permeado pelo regionalismo. As montanhas, pássaros e vales entoados pelo cancioneiro popular, sobretudo o mineiro, eram o mote da programação radiofônica. Não desprezando a riqueza de tais conteúdos, ao longo dos anos, a rádio repensou sua atuação e optou pelo ecletismo, introduzindo outras vertentes musicais, do pop ao rock, da rica e diversificada música brasileira aos clássicos da música internacional, antigas e contemporâneas.
Hoje, a FM Universitária coloca-se como excelente alternativa para se ouvir em casa, no carro, na reunião entre amigos, sem rótulos e pretensões intelectuais, veiculando a cultura musical de todos os gêneros. Isso não deixa de lado a informação e formação de seus ouvintes, com um jornalismo que divulga, acima de tudo, o que se produz no interior da universidade, quebrando o paradigma de uma UFU inacessível aos cidadãos.
A TV vai pelo mesmo caminho. Surgiu bem mais tarde e hoje busca ser eclética e atingir o propósito de, no sentido metafórico, derrubar os muros da universidade e fazer a população sentir-se proprietária deste precioso veículo de comunicação.
Há outro mérito neste contexto, em ambos os casos, que é o de privilegiar a produção local, algo que, por razões contratuais das concessionárias de televisão e rádio, não é tão simples nos canais privados. São novos programas, com enfoque na cidade, o que implicou a contratação de jornalistas e produtores, veteranos e iniciantes. Resta saber, o que não ficou bem claro no lançamento das novas programações, é se e como toda essa estrutura servirá aos profissionais que vão se formando pela UFU, em seu recém-implantado curso de Jornalismo.
Outra boa notícia, veiculada com exclusividade pelo CORREIO de Uberlândia no corpo de uma matéria sobre a Orquestra da UFU, assinada por este colunista, é que o campus Santa Mônica terá, muito em breve, o seu teatro, que será aberto também para a comunidade. Algo que deve ser comemorado diante da carência de salas de espetáculos em Uberlândia.





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02-02-2010


De tabaco e caminhões



Como fumante inveterado que sou, ao contrário da maioria na mesma situação, apoio as medidas preventivas e punitivas que inibem o consumo de cigarro em público. Assumo, de maneira envergonhada, uma escravidão ao vício pelo qual fui seduzido ainda na adolescência. Por isso, acredito que essas posições restritivas podem colaborar para a diminuição no número de fumantes no Brasil. Há, no entanto, um agravante neste contexto: um clima de animosidade e intolerância se instala e, de modo equivocado e perigoso, as pessoas passam a odiar não o tabaco, mas o fumante.
Essa postura é o mesmo que segregar negros pela cor de sua pele, homossexuais por sua orientação sexual, evangélicos e/ou umbandistas por suas crenças religiosas. Discordar de um hábito ou posição que a pessoa tem na vida não exclui a existência dessa pessoa e, por mais que o intolerante deseje isso, o outro não desaparecerá.
Entendo o quanto incomoda os não tabagistas a fumaça circulando pelos ares. Sinto isso na pele quando frequentemente trafego atrás de caminhões que me despejam nuvens negras na cara.
Me considero um fumante educado, que não reclama das restrições ao fumo, evita jogar fumaça nos rostos das pessoas e limpa o cinzeiro sempre que o fedor das cinzas começa a apregoar o ambiente.
O que todos precisam reconhecer é que a consciência coletiva não se prima por uma verdade absoluta. Ela vem acompanhada por vários lados. Se os fumantes devem apelar para o bom senso e entender que não só agridem a si mesmos como prejudicam o meio ambiente e até comprometem a precária situação da saúde pública, os antitabagistas precisam compreender que a maioria dos viciados foi conquistada por uma indústria do consumo com técnicas primorosas para angariar novos adeptos. Não importa se o uso do tabaco hoje é considerado brega. Um dia foi vendida a ilusão de que este era um hábito sofisticado.
Por isso, ao contrário da maioria dos artigos que publico, empreguei neste a primeira pessoa. Para impor-me enquanto indivíduo. Indivíduo portador de um péssimo hábito, é verdade. Mas, acima desse e de todos os outros péssimos hábitos que porventura tenha, sou um cidadão com direitos adquiridos por essa cidadania e que se esforça por cumprir com os deveres que ela requer.




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Anônima
02-02-2010
adorei o texto, infelizmente faço parte desse grupo de pessoas que possuem esse vicio.... "Se os fumantes devem apelar para o bom senso e entender que não só agridem a si mesmos como prejudicam o meio ambiente e até comprometem a precária situação da saúde pública, os antitabagistas precisam compreender que a maioria dos viciados foi conquistada por uma indústria do consumo com técnicas primorosas para angariar novos adeptos".concordo perfeitamente com vc e espero que aja respeito e paciencia de ambas as partes, pois afinal vivemos numa sociedade onde o direito de cada um acaba qndo o do outro começa!!!!
















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