
Encontramos o ex-prefeito Zaire Rezende, na praça Tubal Vilela, numa ação determinada para conquistar votos necessários para eleger-se deputado federal em Outubro. Como sempre fez em outras eleições, Zaire conversava com motoristas de praça, comerciantes, aposentados e com todas as pessoas que paravam para cumprimentá-lo. E eram muitos os que a ele se dirigiam com respeito e admiração. Com fisionomia saudável e muita disposição, o ex-prefeito e ex-deputado mostra que está disposto a brigar pelo direito de voltar a representar Uberlândia e parte do Triângulo Mineiro na Câmara Federal a partir de 2011. Ao analisar o quadro político nacional, Zaire Rezende mostra-se perplexo com a onda de corrupção que nocauteia político de destaque e se espalha de norte a sul do País. No PMDB que ajudou a fundar, Zaire Rezende alimenta um sonho: a candidatura própria do Partido com o governador Roberto Requião (PR). E diz: “Requião já tem apoio do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul e já conta com mais de 280 dos 700 votos convencionais para ser indicado candidato à Presidência na eleição deste ano”. Zaire espera que a dinâmica da política reforce as ações dos defensores da candidatura própria no PMDB e ajude a viabilizar a candidatura presidencial do governador do Paraná, Roberto Requião. Em política não há fato consumado e a coligação do PMDB com o PT para eleger Dilma Rousseff Presidenta, por enquanto, é uma simples declaração de intenções.
Força local
Aos poucos, o quadro de candidatos a deputado federal com base em Uberlândia está a se definir. Já estão em foco os nomes de Zaire Rezende e Wellington Salgado (PMDB), Weliton Prado (PT), Gilmar Machado (PT), João Bittar (DEM) e Hélio Ferraz Baiano (PP). Outros aspirantes a deputado federal esperam indicação nos bastidores.
Sem fronteiras
Como nas eleições anteriores, dezenas de pré-candidatos a uma cadeira na Câmara Federal e com base em outros municípios do Estado circulam com os olhos abertos para o Colégio Eleitoral de Uberlândia que, nestas eleições, deverá ter mais de 400 mil votos. A caça aos votos no sistema de votação proporcional não tem fronteiras municipais.
Razão política
Lula permanece em dúvida sobre a escolha do companheiro de chapa de Dilma Rousseff. Raposa política sagaz, Lula sabe que Dilma não tem experiência em articulações políticas e, se for eleita, corre o risco de ver os caciques políticos deixarem o Alvorada e se dirigir ao Palácio do Jaburu se o experiente Michel Temer for o vice-presidente.

Violência contra cidadãos do Estado não gera votos. Talvez por isto segurança não é prioridade governamental. Quem duvidar leia esta notícia publicada na quinta-feira passada “O Estado de S. Paulo”: “Uma quadrilha de 15 ladrões bem-vestidos e armados de pistolas, revólveres e metralhadoras furou a segurança de um condomínio de luxo do Morumbi, em São Paulo. O grupo amarrou moradores e empregados de quatro residências e invadiu as casas em menos de 90 minutos, às 7h da manhã. O bando fugiu em três carros, antes da chegada da polícia. Ninguém ficou ferido. Entre os bens roubados, já detalhados pelas vítimas aos policiais do 89º DP (Portal do Morumbi), constam máquinas fotográficas digitais, computadores portáteis, celulares, acessórios de informática, US$ 2,9 mil, R$ 1,5 mil em dinheiro e mais de 50 joias, além de cartões de créditos e documentos das vítimas”. Tudo dentro da normalidade. Ironicamente o delegado responsável pelo “rigoroso inquérito” informou que “para amenizar o sofrimento das vítimas, em vez de os moradores assaltados irem à delegacia prestar queixa, os policiais irão até o condomínio para colher informações e elaborar retratos falados dos ladrões.” A modernidade chegou a este ponto no Brasil! Nenhuma autoridade política disse nada, porque esse tipo de violência é rotina hoje em todo o País. O combate ao crime não compensa porque não gera votos. As zelites que se virem!
Guerrilha urbana
O assalto descrito pelo jornal paulista é ação de guerrilha urbana articulada por especialistas e executada por pessoal treinado. Virou rotina. Os que assaltaram o Condomínio do Morumbi podem sair dali e, no mesmo dia, praticar outro assalto em outra região de São Paulo ou em qualquer cidade do Brasil. Ninguém mais se espanta.
Rotina
Quando anoitece, no cruzamento das avenidas dom Helder Câmara e dos Democráticos, no Rio, um jovem aparentando ter 12 anos gesticula e dá sinal verde às operações do tráfico. Cinco segundos depois saem motos da Favela com homens armados de fuzis, para assaltar os veículos que passam pela via expressa. Ninguém protesta. Afinal, é a rotina.
Nada a declarar
O que estranha é que nenhum dos pré-candidatos a Presidente da República fala em programa de combate à criminalidade organizada. Para o atual governo, combate à criminalidade não é prioridade no País nem questão vital para a sobrevivência da população. Para alguns políticos, segurança se faz com aumento dos salários dos policiais.

Em matéria de terrorismo eleitoral, o PSDB e o PT são como farinha do mesmo saco. Na pré-campanha eleitoral de 2002, o PSDB espalhou no Brasil interior que se o PT ganhasse as eleições acabaria com o Plano Real e implantaria um sistema socialista que reativaria a inflação e a remarcação galopante dos preços. Hoje o PT dá o troco na tucanada: espalha que se o candidato do PSDB assumir o poder vai acabar com a Bolsa Família, vender a Petrobras, entregar a riqueza descoberta no pré-sal ao capital estrangeiro e revogar os direitos trabalhistas. Como chumbo trocado não dói, cada um que rebole pra sobreviver. Quem acompanha o processo político sabe que o programa que deu a maior popularidade ao presidente Lula — a Bolsa Família — foi criado pelo Governo do PSDB com o nome de Bolsa Escola e Vale-Gás. Lula fundiu os dois programas na Bolsa Família depois que o “Fome Zero” fracassou e apossou-se da ideia perante o povão. Os brasileiros e brasileiras sabem que Lula elegeu-se em 2002 e as previsões catastróficas dos tucanos e pefelistas (hoje democratas) não se confirmaram. Na prática, Lula seguiu o mesmo modelo econômico adotado pelo tucano Fernando Henrique e ainda convidou o banqueiro Henrique Meirelles — que foi presidente mundial do Banco de Boston e tucano eleito deputado federal — para chefiar o Banco Central. O que político fala na campanha eleitoral é uma coisa. O que fará depois de eleito poderá ser outra.
Promessas
Em todas as campanhas eleitorais, os candidatos prometem o mundo e o fundo para conquistar votos de eleitores ingênuos politicamente. Nenhum candidato tem programa definido para orientar o governo. Só depois de eleito e empossado é que o político reúne os companheiros e começa a traçar planos e metas para governar com recursos escassos.
Bondades
Não haverá presidente da República disposto a acabar com a Bolsa Família como até hoje nenhum deles acabou com a Merenda Escolar criada em 1955 no Governo do Presidente Café Filho. Em Uberlândia, a Cesta Básica Pró-Pão – obra do prefeito Paulo Ferolla da Silva — foi mantida sem alteração pelo prefeito Zaire Rezende e está em vigor até hoje.
Fantasia
O terrorismo eleitoral no Brasil é antigo e destacou-se na campanha de Collor de Mello, em 1989. Naquele ano, o “Caçador de Marajás” (Fernando Collor) proclamou que se Lula vencesse as eleições confiscaria a poupança dos brasileiros. Depois de ganhar as eleições e assumir o poder foi o próprio Collor que confiscou a poupança. Alguém se lembra?

A intervenção no governo do Distrito Federal pode ser uma solução meia-sola para um caso de corrupção que maculou a imagem do Brasil no centro do poder nacional. A solução definitiva só com a reversão constitucional da autonomia do território do Distrito Federal. A experiência dos norte-americanos com o Distrito de Columbia (Washington D. C.) prova que dar autonomia política à capital da República como fizeram os constituintes de 1988 é um erro monumental. A onda de liberalidade ingênua após a ditadura militar transformou-se em liberalismo panfletário e levou os constituintes a criar um problema maiúsculo para os Poderes da República. Quando a capital do Brasil esteve no Rio de Janeiro e em Brasília até 1988, o governador do Distrito Federal era nomeado pelo presidente da República. Esse modelo foi copiado do da República dos Estados Unidos da América do Norte. Lá o Distrito Federal — Washington D.C. — é controlado pelo Congresso. Brasília, com seus apêndices urbanos, não é unidade da Federação, é a capital de todos os brasileiros. Brasília, como entidade política, não existe. Brasília representa o Brasil e é a sede dos três poderes da República. Não pode ser governada por um político eleito pelo povo como nos outros Estados. Brasília não pode ser dirigida por normas de uma constituição estadual ou lei orgânica municipal. O modelo da capital federal no Rio de Janeiro, extinto pela Constituinte de 1988, é a solução para restabelecer a dignidade da capital da República.
O embrulho
Não tem sentido fazer uma eleição em outubro deste ano para escolher, por voto popular, o novo governador de Brasília depois do escândalo que levou o “democrata” Arruda à cadeia e o vice Paulo Otávio a renunciar ao cargo. O embrulho é grande e o presidente da República lavou as mãos ao dizer que espera por decisão da Justiça.
Volta de Roriz
Também não tem lógica promover eleição no Distrito Federal em 2010, para eleger Joaquim Roriz, que já foi governador quatro vezes (a primeira por nomeação e as outras por eleição). Roriz não é trigo limpo, de acordo com as suspeitas que existem sobre a atuação dele quando foi governador. A solução deve ser racional, não paliativa.
Justiça
O julgamento dos implicados no escândalo do Distrito Federal cabe à Justiça, diante dos argumentos e das provas oferecidas pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pela defesa dos acusados. O problema é maior e cabe ao Congresso resolver o impasse. A saída correta é copiar o Distrito de Columbia dos Estados Unidos. Nada de inovação cabocla.

Em política nada é definitivo. O saudoso Tancredo Neves dizia que político pensa uma coisa, fala outra muito diferente do que pensa e, na hora da decisão, age como for possível. Esta realidade política deixa os tucanos, os democratas e os socialistas do PPS aflitos porque não sabem hoje qual será a decisão do indecifrável governador José Serra, suposto pré-candidato ao Palácio do Planalto em 2010. O governador Serra, como político mineiro, faz que vai, mas não vai e continua a afirmar que só decidirá o caminho que seguirá na política a partir do próximo mês de março. Um mês de espera em ano eleitoral é uma eternidade. Se, no dia 3 de abril próximo, José Serra não deixar o governo de São Paulo é porque decidiu candidatar-se à reeleição e os três Cavaleiros do Apocalipse (PSDB, DEM e PPS), que se reúnam numa távola redonda para descobrir um político corajoso que aceite enfrentar a “Dama de Ferro” do Planalto, que já está com a candidatura empinada e impulsionada pela popularidade do Presidente Lula. Se José Serra não quiser candidatar-se à Presidência, os tresloucados tucanos baixarão em Minas com apelos para que o tucano Aécio Neves assuma o timão do barco Oposição desvairada à deriva, em mar de tormentas. Se o cenário atual permanecer ate abril, o mineiro Aécio Neves deverá candidatar-se ao Senado e a Tucanada terá que escolher outro timoneiro para conduzir o barco em mar de tormentas até outubro. É dose...!
Livres
Até o prazo de desincompatibilização, Dilma Rousseff e José Serra poderão viajar livremente pelo Brasil, inaugurar obras, lançar programas ou ideias e prometer felicidade geral e irrestrita a todos os viventes de Pindorama, da Tigrada às Zelites. A Justiça eleitoral não mostrou até agora disposição de punir nenhum deles.
Esquerdismo
O Congresso do PT reafirmou as teses históricas do partido: controle dos meios de comunicação, revanchismo à lei de anistia, revisão do direito de propriedade, aumento de impostos para distribuir renda e até regulamentação da “profissão” de prostituta. As posições radicais podem ser ignoradas por Dona Dilma se for presidenta da República.
Dupla face
A estratégia eleitoral do PT é indicar dois programas para Dona Dilma: um radical, para agradar à “cumpanheirada” da sinistra; outro, direcionado ao público eleitor, moderado, identificado com o neoliberalismo econômico e respeito às normas constitucionais. Será um programa de dois pesos e duas medidas para agradar a gregos e a troianos.

Se a intenção do vice-presidente José Alencar em se candidatar a governador de Minas não vingar, e não houver acordo entre os ilustres Patrus Ananias e Fernando Pimentel, o comando nacional petista pode intervir no diretório regional mineiro para montar um palanque forte em defesa da candidatura de Dona Dilma Rousseff, a mulher que no sábado passado recebeu do presidente Lula o bastão de comando da política situacionista. O Congresso do PT, com apoio do presidente Lula, aprovou uma decisão, segundo a qual, o Diretório Nacional do Partido poderá intervir nos diretórios estaduais para evitar que candidaturas próprias possam causar prejuízos à campanha da ministra-chefe da Casa Civil que deseja ser presidenta do Brasil. Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do País, é ponto-chave na estratégia eleitoral do PT. A proposta da esquerda do Partido que defendeu autonomia dos dirigentes estaduais decidirem sobre candidaturas próprias e políticas de alianças não vingou. Para a cúpula do PT liberar os estados para fazerem o que desejam levaria a legenda a se transformar em um partido dividido como o PMDB. Para a cúpula nacional do PT, o Partido é organização nacional de política e a prioridade nas próximas eleições é uma só: eleger Dilma presidenta e garantir o controle do poder nacional. Se o “cumpanheiro” Hélio Costa continuar líder nas pesquisas, o PT poderá apoiá-lo pelo bem de Dilma.
Oposição
No documento do Encontro, o PT destacou que reconhece como opositores aos projetos do Partido e do Governo, o PSDB, DEM e PPS. Todos os outros partidos foram classificados “cumpanheiros” na batalha campal de outubro deste ano: de um lado “os neoliberais representantes das elites derrotadas em 2002 e 2006”; do outro, “os defensores do povo”.
Sem surpresa
O Congresso do PT aprovou a defesa da jornada de trabalho de 40 horas semanais, liberalidade nas Forças Armadas (seria o fim do princípio do chefe?); combate ao monopólio dos meios de comunicação, facilitação da posse da terra aos sem-terra e taxação das grandes fortunas. Puras declarações de intenções para produzir efeito eleitoral em outubro.
Weliton na cúpula
O deputado estadual Weliton Prado, vice-presidente da Assembleia Legislativa de Minas, tomou posse em Brasília como membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e está preparado para ajudar o Partido a discutir as táticas eleitorais e políticas de aliança para eleger Dilma Rousseff chefe do Estado Brasileiro.

A Igreja Católica, com coragem e determinação, escolheu neste ano um tema atual para reflexão dos cristãos que participam da Campanha da Fraternidade 2010: a economia capitalista e a acumulação de riquezas. A campanha, lançada na semana passada, é uma crítica à economia capitalista concentradora de renda. Participam do movimento deste ano, ao lado da Igreja Católica, outras igrejas cristãs: Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana, Sirian Ortodoxa de Antioquia e Presbiteriana Unida. É um movimento ecumênico que pretende despertar a atenção de mentes lúcidas para a parte da sociedade que se omite diante de injustiças sociais visíveis, grosseiras e geradores de exclusões sociais. Um destacado idealizador e executor da Campanha deste ano é o presidente da Comissão Ecumênica da CNBB, dom José Alberto Moura, ex-bispo diocesano de Uberlândia e atual bispo de Montes Claros (MG). Para afastar críticos apressados, dom José disse, no lançamento da Campanha, que “a economia não é algo do diabo; é o modo de usá-la que está em questão”. Em seguida justificou: “não criticamos esta ou aquela pessoa, mas a concentração da renda”. No entanto, a crítica à concentração da renda nos governos liberais de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil é contundente. Alguns setores acumularam riquezas enormes nos últimos 15 anos e se internacionalizaram como empresas multinacionais. Nesse período, a distribuição da riqueza no País não passou dos discursos solenemente pronunciados. A denúncia que faz a Igreja na Campanha da Fraternidade deste ano é dura e serve para estimular reflexões sobre o modelo de governos do Brasil nos últimos anos. Para o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, que critica a Teologia da Prosperidade, “a idolatria do dinheiro sacrifica valores éticos”. O alerta da Santa Madre brasileira é contundente.
O artífice
O principal artífice da Campanha deste ano, dom José Alberto Moura, é religioso culto. Nasceu em Ituiutaba e entrou para a Congregação dos Sagrados Estigmas. É doutor em Teologia pelo Instituto Angelicum em Roma e formado em Psicologia Clínica pela PUC – Campinas. O religioso foi professor de Psicologia na PUC-Campinas. Foi também Superior dos Estigmas, em Roma, antes de assumir a Diocese de Uberlândia.
Nosso colaborador
Quando esteve em Uberlândia, por mais de oito anos, dom José Alberto Moura escreveu, sem interrupção, um artigo semanal neste CORREIO de Uberlândia. Os temas, da livre escolha dele, eram lidos e apreciados por seguidores de todos os credos religiosos, políticos e econômicos. A crítica que dom José faz hoje à concentração de riquezas que poderia melhorar a sociedade serve à reflexão neste ano eleitoral.
Ousadia
Não é possível negar que é ousado o tema escolhido pela CNBB para promover discussões entre católicos neste ano de eleições gerais no Brasil. Não se trata de simples campanha moralista. É um alerta a todos os cidadãos do Estado Brasileiro, especialmente aos políticos que prometem justiça social a cada eleição. O momento não é favorável a promessas. É preciso falar sério em mudanças sociais. Tapeação não.
Recomendação
Para alguns críticos do processo social, a campanha da Fraternidade proposta por Igrejas Cristãs é utopia que aponta para um Estado justo de igualdade social e de direito. E um estímulo à produção com integração social. Nada além de uma recomendação cristã num Estado marcado pelo egoísmo e pelo poder sem limite - político ou econômico. Serra e Dilma, ambos socialistas, precisam ouvir a CNBB.

O besteirol legislativo está amplo, geral e irrestrito. Quem pensa que somente vereadores dedicam-se a nomear ruas, distribuir homenagens a pessoas gradas e verbas a entidades beneficentes, engana-se. Na austera Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na atual legislatura, há digníssimos deputados que se empenham em discutir e votar proposições eleitoreiras. Uma delas, na área de transportes, procura proibir multa por avanço de sinal entre as 22h e 5h. Isto a título de diminuir a violência noturna que cresce nas ruas da capital dos mineiros. A colenda Assembleia Legislativa tenta alterar regras de trânsito e camuflar a violência de forma demagógica com uma oportunista regra de circulação de veículos. Motorista que avançar em sinal vermelho depois das 22h, em BH, pode estar a se proteger contra assaltantes em ação. É difícil entender uma proposição desta natureza. No retorno às atividades parlamentares deste ano, os ilustres representantes estaduais do povo mineiro apresentaram mais de oito dezenas de “projetos cintilantes”: homenagens, títulos de utilidade pública, doação de imóveis para entidades de serviço social e “profissionais” de caridade, denominação de escolas, viadutos, estradas e obeliscos. Deputado estadual também procura regulamentar o horário de permanência das pessoas nas filas de agências de bancos. Tais proposições são para conquistar votos em outubro próximo.
De olho nos votos
Deputado, em tempo de eleição, de olho nos votos da Tigrada, só pensa em temas sociais. Criar fundos sociais rende votos. Um simples projeto de apoio a entidades sociais pode render votos para a reeleição. Propor a regulamentação de serviços públicos também ajuda a permanecer ativo na cena legislativa por mais quatro anos. A ordem é rebolar.
Pobre também vota
O tema preferencial para deputados, do momento, é a “segurança social”. Pobre vota, uai! Na saúde é preciso criar leis que obriguem as prefeituras a fazer o teste da orelhinha em recém- nascidos. Esta novidade rende votos, com certeza. Criar farmácias e restaurantes populares com comida a preço de custo, também. Viva a democracia!
Surpreendente
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, está na ordem do dia para discussão e deliberação, um projeto de lei que, se for aprovado, proibirá no estado de realizar testes de ligadura de trompas para que a mulher seja admitida em postos de trabalho. Este projeto, com certeza, tem o apoio da TFM - Tradicional Família Mineira. É dose!

Tenho saudade do PMDB — herdeiro do saudoso MDB, que lutou arduamente pelo estado de direito e pela redemocratização do processo político no Brasil. O PMDB de hoje não passa de uma associação de movimentos que procuram levar vantagem em tudo no exercício do poder político. Patético, li na “Folha de S. Paulo” as seguintes informações: “O PMDB escalou, além do presidente Michel Temer e de seus líderes no Congresso, todos os ministros do partido para prestigiarem a aclamação de Dilma Rousseff no final do Congresso do PT”. O Congresso termina hoje. O PMDB, com esta decisão, perdeu a personalidade e se transformou numa legenda sem identidade a serviço do PT e da candidata do Presidente Lula ao Palácio do Planalto. O PMDB de hoje não passa de legenda bajuladora em busca de poder derivado. Parece que o movimento democrático, criado e impulsionado por antigos políticos de prestígio nacional, perdeu a capacidade de se impor como partido e se transformou num organismo de ideias indefinidas. O velho PMDB de tantas lutas democráticas definhou, perdeu a cor. O PMDB atual segue dividido em facções, cada uma delas liderada por caciques que defendem os próprios interesses e, para isto, criaram sublegendas no partido para apoiar quem tem poder temporal. Parece uma jogada para enganar eleitores ingênuos que acreditam em duendes luminosos. O PMDB do PT é hoje um partido sem bandeira nacional. Triste realidade!
Reação
Não há tapete de flores no PT à espera do PMDB que pretende bajular a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, que procura apoio para governar o Brasil a partir de 2011. Uma ala radical do PT chefiada por um tal de Markus Sokol defende “uma revolução de esquerda completa sob o comando de Dilma e declara “NÃO” a qualquer acordo com o PMDB.
Mineirada
Em Minas Gerais, o PMDB tem hoje o aspirante a governador mais bem avaliado na opinião pública. Desde o ano passado, o senador e ministro Hélio Costa é o líder em todas as pesquisas de intenções de votos para governador do Estado. Se o Partidão decidir “fritar” Costa e apoiar um candidato do PT à sucessão de Aécio Neves, será o fim da picada.
Esquerda, volver!
O jornal “El País”, da Espanha, um dos mais bem informados do mundo, publicou na quarta-feira passada uma matéria na qual afirma que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência do Brasil, está mais à esquerda do que o presidente Lula e defende maior participação do Estado na economia. É o Estado Forte!

A última pesquisa de intenções de votos para presidente da República do Brasil, encomendada ao Ibope pela Associação Comercial de São Paulo e realizada entre os dias 6 e 9 deste mês, indicou que o cenário eleitoral está polarizado entre dois candidatos: o governador de São Paulo, que perde espaço, e a ministra Dilma Rousseff, que, impulsionada pela popularidade do presidente Lula, cresce na opinião pública. Em dezembro passado, na pesquisa Ibope, José Serra tinha 38% da preferência dos eleitores e nesta pesquisa ficou com 36%. Perdeu dois pontos porcentuais. A ministra Dilma, pré-candidata do PT, tinha em dezembro passado 17%. Subiu para 25%. Ganhou 8 pontos porcentuais.
Especialistas em pesquisas, que observam o cenário pré-eleitoral no Brasil, opinaram que Dilma Rousseff se beneficiou, até agora, das inaugurações de obras e do apoio pessoal que recebe do presidente Lula, ao passo que José Serra ainda não decidiu se será candidato à Presidência da República ou à reeleição para o governo de São Paulo. O quadro eleitoral ainda permanece indefinido. Só ficará mais claro depois do Encontro do PT nesta semana e do fim do prazo para desincompatibilização de candidatos no dia 3 de abril. A realidade atual indica que, por enquanto, a corrida pela sucessão do presidente Lula está polarizada entre os pré-candidatos do PT e do PSDB. Ciro Gomes, do PSB, está com 11% e Marina Silva (PV), com 6%.
Sem Ciro
Num cenário sem Ciro Gomes, a pesquisa Ibope aponta que o governador José Serra se beneficia ao ficar com 41%. Dilma Rousseff também ganha e sobe para 28%. A senadora Marina Silva encontra dificuldade para montar uma coligação nacional expressiva e não passa de 10%. O número de eleitores indecisos é relativamente pequeno: está em 9%.
Segundo turno
Na simulação de segundo turno entre Serra e Dilma, segundo apurou o Ibope, o tucano governador de São Paulo leva vantagem no momento: lidera as intenções de votos com 47% e a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, tem 33%. A eleição, no entanto, só tomará forma depois que começar a propaganda eleitoral no rádio e na TV a partir de julho.
Universo pesquisado
A pesquisa, segundo o Instituto Ibope, foi realizada com 2.002 eleitores em 144 municípios de todo o Brasil. O intervalo de confiança calculado pelo Instituto foi de 95% e a margem de erro, 2% para mais ou para menos. A pesquisa divulgada ontem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo de número 3196/2010.