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Ponto de Vista







28-02-2010


Desapego



Entrando na contramão dos apelos comerciais que nos convidam, insistentemente, a consumir para além de nossas necessidades, a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano aponta para uma direção contrária:
“Economia e Vida – Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.
Mas, surgem algumas dificuldades: Como resistir ao consumo se tudo que desejamos está ao nosso alcance?  Se, ao adquirir tais coisas, nos tornamos mais felizes e cheios de poderes? Se a cada nova aquisição tal objeto passa a ser uma extensão do nosso eu?  Como resistir se temos prestações (sem juros) a perder de vista? 
A ajuda do governo com isenção do IPI?  Frete grátis? Desta forma, diante de tanta facilidade, vamos comprando, comprando, sem critérios, sem planejamento, de forma desorganizada, indisciplinada, irresponsável.
Acumulamos coisas supérfluas acreditando-as necessárias e, o que é pior, apegando-nos a elas.
O apelo comercial tem tal força a ponto de nos convencer de que aquele produto que adquirimos era, realmente, indispensável para o nosso bem-estar. 
E assim, sentindo-nos livres para consumir, nos tornamos escravos do consumo. 
Criamos imaginariamente coisas que nos faltam, e essa “suposta” falta começa a nos roubar a tranquilidade e a liberdade. 
Diante desse consumo desenfreado, precisamos, com urgência, abrir o nosso entendimento para distinguir o que nos é verdadeiramente essencial para podermos deixar de lado o supérfluo, ou seja, educar nossos hábitos de consumo rumo a uma pedagogia do desapego, que nos capacita a viver melhor com menos, ou seja, com mais desprendimento.  
A esse respeito, transcrevo, um pequeno trecho, retirado de um e-mail recebido, e que a nosso ver, ilustra muito bem a transitoriedade da vida:
”Tudo o que tens hoje pertencia a outra pessoa ontem e pertencerá a outra no dia de amanhã. Erradamente desfrutaste da ideia de que isso te pertencia”. Nessa mesma linha de raciocínio, o Mestre recomenda:
”Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam” Mt 6, 19-21. Também, em Lc, 3-11, o Mestre ensina:
”Quem tem duas túnicas dê uma a quem não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo”.
O fato, talvez, de nos sujeitarmos cegamente aos comandos da mídia, costuma gerar desejos e necessidades cada vez mais insaciáveis, pois, a cada concessão que fazemos, outras vão surgindo aprisionando-nos num querer sem fim. Sabemos de pessoas que se tornam extremamente infelizes por ficarem contabilizando o que lhes falta ao invés de render graças pelo que já possuem.
Quem sabe seria esse um bom momento para afugentar do nosso íntimo o medo das perdas para empreendermos, com coragem, o difícil aprendizado em direção ao desapego?

Mariú Cerchi Borges
Educadora
Uberlândia (MG)





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Picolino - Uberlândia MG
28-02-2010
o desapego é uma busca constante. Não existe um ser na face da Terra que seja completamente desapegado. O sentimento de posse tanto do dinheiro quanto de pessoas é uma amarra da humanidade, deste modo, o caminho para a evolução moral consiste no desapego e, por conseguinte na trancendência espiritual.










27-02-2010


Bancos, Dort/LER e misericórdia



Relendo algumas monografias que orientei nos últimos dois anos — ótimos trabalhos, resolvi publicar os melhores em revistas indexadas em coautoria com os orientados. Entre eles: ”a qualidade de vida e saúde no trabalho diante das mudanças dentro de um setor bancário – soluções para um melhor desempenho dos bancos”, de Ana Carla Queiroz Gomes, especialista em Gestão de Pessoas. A escolha do tema foi em função de minhas aulas num curso de pós-graduação em Gestão de Pessoas ministrado em Uberlândia e na disciplina “Qualidade de vida e Saúde no Trabalho”, onde foram abordados temas relativos à ergonomia (adaptação do trabalho ao homem), que foram depois replicados pelos alunos em vários trabalhos sobre esta temática.
No dia 28 de fevereiro é comemorado o Dia Internacional de Prevenção às LER/Dort — Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho / Lesão por Esforços Repetitivos, que são doenças conhecidas como: tenossinovite: inflamação do tecido que reveste os tendões. Tendinite: inflamação dos tendões. Epicondilite: inflamação das estruturas do cotovelo. Síndrome do túnel do carpo: compressão do nervo mediano na altura do punho, por exemplo. Ao permanecer sentado, o bancário — foco deste estudo — precisa usar muito suas mãos, além de necessitar curvar o pescoço e o tronco com maior frequência; ainda há de se destacar que, quando o mesmo abre a gaveta que tem em seu balcão, assume uma postura desconfortável, ficando mais longe de sua superfície de trabalho, o que acaba por inclinar sua coluna, prejudicando-a. Coitados dos caixas bancários, reclamamos eu e Gomes, Ana Carla Queiroz.
Um estudo divulgado em 2007 pelo INSS revela que as instituições financeiras afastam muito mais colaboradores que outras atividades, por causa desta patologia. A alta gravidade dos afastamentos em agências bancárias pode ser confirmada pela quantidade média de dias de licença: 442, contra uma média nacional de 269 dias. Essa média de licença em instituições financeiras é decorrência das modificações sofridas pelo sistema bancário nos últimos 20 anos, período em que o número de pessoas que trabalhavam em bancos diminuiu, aproximadamente, de 1 milhão para pouco mais de 400 mil.
Neste trabalho mostramos que, mesmo com a inserção de tecnologias, o ritmo de trabalho em agências bancárias aumentou, assim como a pressão por alcance de metas, e o consequente estresse. E é devido a isso e a outros fatores estudados que o trabalho nas instituições financeiras foi enquadrado na categoria "risco máximo", com a contribuição sobre a folha de pagamento saltando de 1% para 3% no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Finalizando, quanto mais ergonômico e apropriado o posto de trabalho, menor será o risco de se adquirir Dort/LER, e após esta implementação, os números internacionais mostram uma relação de benefício em produtividade de até 1 para 6, tendo como consequência o crescimento da qualidade de vida no trabalho. Todavia, é mandatário contabilizarmos, no balanço social dos bancos, a misericórdia em falta para com milhares de trabalhadores que adoecem por ano, nesta operação essencial ao país, e benchmarking para o mundo, apesar deste dumping social. Até quando?

José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor
debatef@debatef.com.br





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26-02-2010


Diplomas, ora pois!...



Antes, devo dizer que, mesmo depois de 58 anos de trabalho nas oficinas gráficas e nas salas de redação de jornais, fico ainda surpreso e realmente gratificado quando recebo publicamente algumas palavras que demonstram reconhecimento ao meu pálido trabalho.  Desta feita, vieram elas da parte de uma pessoa que muito prezo. Seu nome, José Lucindo Pinheiro. Sim, é ele teólogo, escritor, professor e intelectual. Pois foi ele quem me fez bastante honrado com este apreço editado no Correio de Uberlândia: – “Meu amigo Alberto de Oliveira vem fazendo um trabalho importante: valoriza os homens que realmente se interessam e se dedicaram ao bem de Uberlândia e região”.  Quanta bondade existe no coração desse meu amigo! Esse trabalho visto por ele como importante é mínimo em relação ao muito já realizado por Lucindo Pinheiro na qualidade de teólogo oficiando missas, batizados e casamentos na histórica e tão bela Igreja Nossa Senhora Aparecida (hoje Santuário); também como excelente cronista nos jornais “O Triângulo” e “CORREIO” ou ainda  como competente diretor-administrativo na Câmara de Vereadores de Uberlândia. Não estou dizendo tudo isso por dizer, portanto, quero invocar o nome do Grande Arquiteto do Universo — que é Deus — para dizer-lhe: Obrigado, companheiro!  Agora, falo sobre um assunto que pode parecer desabafo, mas que não é mais do que estar me valendo de uma oportunidade. Inicio, dizendo que não frequentei escola de jornalismo, portanto não possuo este inestimável diploma de jornalista, embora esteja filiado no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Minas Gerais e também registrado no Ministério do Trabalho como redator. Minhas escolas foram as oficinas e as salas de redação dos jornais, onde aprendi a fazer o que venho fazendo ao longo destes 58 anos de atividades, tempo que me deixa margem para dizer que não estou nem aí, ou então me lixando para quem possa pensar ser o diploma um atestado de eficiência profissional. Tenho muita satisfação em dizer que sou, aqui nesta nossa Uberlândia, a pessoa mais antiga em atividades jornalísticas, pois tenho uma vida toda como gráfico e escrevinhador de textos. Foram vários os anos em que estive esmiuçando os tipos (letras tipográficas), formando palavras e textos redigidos por jornalistas formados ou mesmo práticos, mas que foram dos mais competentes profissionais. De um a outro setor, cheguei a esta delicada arte de rabiscar artigos, crônicas e poemas. Confesso que quase me senti como se fosse, de fato, um poeta letrado ou dono de um certificado escolar. Ora, naqueles tempos eram poucos os jornalistas diplomados. Mesmo porque, quase todos (pelas condições precárias com que podiam contar) precisavam conhecer pelo menos um pouco da arte gráfica para, então, condicionar de forma melhor os seus escritos. Foi assim que conseguiram trilhar esta carreira alguns dos nossos como Licydio Paes, Marçal Costa, Arthur de Barros, Salazar Pessoa e outros, aos quais me incluo. No entanto, nunca fui um abusado no meio desta classe trabalhadora, embora saiba que não cheguei a ela passando por baixo do pano... Conto tudo isto para dizer que uma pessoa amiga queria saber sobre o meu ponto de vista a respeito da queda do diploma obrigatório para jornalistas. Digo agora que sou a favor do diploma para jornalistas, mas... fico ainda com esse  meu entendimento: além desse hoje tão badalado diploma é preciso continuar garimpando para  aliar o conhecimento escolar à prática profissional.

Alberto de Oliveira
Jornalista 
Uberlândia (MG)





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25-02-2010


Um milagre chamado Darlene



É impossível explicar a tragédia que aconteceu em Porto Príncipe, no Havaí. Só é possível sentir. Sofrer com eles, chorar por eles, alegrar-se quando uma vida é salva.
Como no caso de Darlene Etienne, a adolescente de 17 anos retirada com vida dos escombros após 15 dias, em condições estáveis de saúde. Sua sobrevivência é inexplicável do ponto de vista médico. Mas milagres acontecem. No caso dela, não um milagre como o acordar de manhã, abrir a janela e ver o dia lindo que Deus coloriu para nós, cada um de um jeito. Ou de poder desfrutar essa diversidade de flores que Deus planta aqui e acolá, só para colorir e alegrar o caminho da gente. Mas, sim, um milagre além da nossa capacidade de compreensão. Darlene sobreviveu a um pesadelo. De repente, estava viva e soterrada. Sem nem saber por que: seria alguma explosão, algum morro que deslizou, um terremoto (se é que ela sabia que existem terremotos), um prédio por perto que desmoronou? Tudo escuro, o corpo espremido, pedras em volta, terra grudada no cabelo, no corpo todo. Falta de ar, mãos e pés dormentes, músculos doloridos, sem espaço para mudar de posição (e pensar que eu, na minha pequenez, tenho medo de ficar presa no elevador, no escuro e sem ar). A boca seca, a fome lancinante, a consciência indo embora devagarzinho. Cada minuto parecendo uma eternidade (e 15 dias são 21.600 minutos). O medo de mexer e de tudo desmoronar à sua volta. O pavor de aparecerem vermes, ratos e baratas. A vida passando por sua mente como um filme: as brincadeiras de criança (se é que teve infância), o abraço que queria dar e não deu, a saudade da mãe, do pai, dos irmãos, sei lá. Aquela vontade de gritar, pedir socorro, mas a voz não saía mais. A resignação em ficar quietinha, esperando a morte chegar. Ou esperando um socorro que, no fundo do seu coração, ela sempre soube que chegaria (mas não sabia que mais de 200 mil haviam morrido, que milhares estavam feridos e que à sua volta cerca de 300 mil pessoas precisavam de absolutamente tudo, de abrigo a água, remédio e comida). Como escreveu Ruy Castro, na “Folha de S. Paulo”, “nenhum livro, filme ou série de TV jamais poderá dar conta da real tragédia de Porto Príncipe. Mesmo a simples reconstituição de um desses dramas individuais está além da capacidade humana de descrever o terror”.
Darlene tinha esperanças e sobreviveu. Miúda, franzina, com olhos opacos, mas capaz de mostrar que o desejo de viver vence a morte. Assim como o pequeno Kiki, que ficou oito dias soterrado e saiu rindo para a mãe, transformando-se no rosto feliz da mais infeliz das tragédias. E Enna Zizi, de 66 anos, que depois de sete dias nas ruínas, cantou firme e forte quando foi salva. Tem também o caso da jovem Widlyn, que depois de gritar e suar muito, deu à luz, no chão do pátio do hospital, o pequeno Cristopher, que tem como futuro o Haiti destroçado. Agora, todos precisam recomeçar. Que o Pai desça sobre os haitianos com seu amor, conforme a prece citada pelo teólogo Leonardo Boff: “Pai, desce dos céus, desce, pois morro de fome nesta esquina, não sei para que serve haver nascido, desce um pouco, contempla isto que sou, esse sapato roto, essa angústia, esse estômago vazio, essa cidade sem pão para os meus dentes, a febre cavando-me a carne, esse dormir assim, sob a chuva, castigado pelo frio, perseguido. Pai, desce, toca-me a alma e o coração”.

Ana Maria Coelho Carvalho
anacoelhocarvalho@terra.com.br





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24-02-2010


Humanos Direitos



“Nem tudo, porém são flores, lá na China e aqui. O estado comunista tira a liberdade até na internet – basta ver a briga do Google para manter o sigilo dos e-mails daquela comunidade. Somos o maior consumidor mundial de Rivotril – um ansiolítico barato – o que não acontece em outros países e dá pistas sobre um sério sofrimento psíquico da população, batendo de frente com outras pesquisas que nos mostram como somos um povo otimista e feliz.”
   Este trecho extraído de excelente texto do prof. José Carlos Nunes Barreto inspirou-me a refletir sobre este nosso país e o grande destaque que se tem dado ao desenvolvimento econômico, à realização de grandes obras, mesmo ao atropelo da ética e do controle institucional, sem contar o aparato midiático com que a nossa terra é mostrada ao mundo. E como estamos nós, a população deste país? Não serei eu a responder. Os fatos e acontecimentos são a melhor resposta.
   Os noticiários estão coalhados de notícias estarrecedoras. Sensacionalismo? Não! É a realidade com a qual nos deparamos, diante da qual nos envolve a preocupação, contra a qual é difícil lutar. A imprensa cumpre o seu papel informador, gostem ou não aqueles para quem as ameaças e a sordidez são assuntos de outro mundo. E conhecer a realidade é preciso. Negá-la é negar também a necessidade e a possibilidade de transformação.
   Temos a “Lei Maria da Penha”. Maravilha!  Talvez nenhum outro país tenha lei de maior qualidade ou quem sabe, nem precise dela... As nossas mulheres, porém, ao arrepio da lei, são a cada dia mais violentadas, mais feridas, mais assassinadas, mais humilhadas. São muitos os pedidos de socorro sem eco, sem resposta.
   Exibimos um Estatuto da Criança e do Adolescente. Grandes objetivos, nobres finalidades. Apenas no papel. Crianças recém- nascidas são jogadas fora, como se jogam bonecas velhas. Crianças têm sido torturadas, mortas, seviciadas de uma forma tal, que, às vezes, pensamos que o mundo está perdendo toda a noção do bem. A pedofilia e a prostituição infantil crescem às escâncaras sem que uma solução apareça. Vidas infantis são jogadas para sempre na vala da infelicidade, da desesperança e da dor. 
A violência se prolifera nas escolas, no trânsito, permeia nossas vidas. Temos medo ao sair de casa, temos medo ao voltar. Trancamos nossas crianças, trancamos nossas casas, trancamos inclusive o coração, negando muitas vezes ajuda quando solicitados. Medo, puro medo. Casos de extrema violência e agressividade têm sido reportados pelo uso de drogas. Quais as medidas tomadas a respeito?
   O assunto do momento é o Plano Nacional de Direitos Humanos, que privilegia o Estado forte na economia, no controle dos meios de comunicação e até na limitação dos poderes do Judiciário, levantando vários focos de descontentamento e com ranço de autoritarismo.
   Por que não discutirmos um Plano Nacional de Humanos Direitos que fortaleça nossas instituições, que proteja os cidadãos e as crianças (inclusive as que estão por nascer), que privilegie a educação, que valorize a vida e a dignidade da pessoa humana, que reflita o que há de melhor e mais sagrado na nossa Constituição Federal?  Aí sim, acredito, estaríamos bem mais perto do que se chama Felicidade.

Marília Alves cunha
Educadora
Uberlândia (MG) 
mariliacunha16@hotmail.com





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23-02-2010


Dinheiro



Embora inteligente, um homem não é capaz de viver só, a menos que seja um ermitão e levar uma vida extremamente simples. O homem de hoje é excessivamente exigente tendo uma vida complexa e agitada, portanto, vive em sociedade onde se completam. Para que isto aconteça é necessário que cada um ofereça seu talento para o bem de todos. A palavra certa é talento, uma vez que requer qualidade; paradoxalmente, o homem atual exige qualidade, mas poucos a oferecem, iniciando assim a exploração pelos gananciosos e incompetentes.
Os produtos, aparelhos, objetos, móveis, alimentos, edifícios, casas e outros são frutos do trabalho, realizados por artesões, operários, técnicos, profissionais, que oferecem seus trabalhos para a realização de todos. Os produtos, os objetos e outros são acumulados, guardados, armazenados e conservados até o momento de ser usados. Ora, e o trabalho de todos, como fica? Como podemos armazená-los? No passado remoto, a vida era simples e viviam em pequenos grupos e cada um trabalhava apenas para sua família, e assim o trabalho era familiar. Com o crescimento populacional, o trabalho tornou-se coletivo e remunerado com uma determinada quantidade de sal, por ser este necessário e imperecível, e provavelmente originando a palavra salário; hoje usamos o dinheiro.
Tempos atrás, Lavoisier declarou: “Na Natureza nada se perde, tudo se transforma”. Porém, esta última crise econômica generalizada, onde todos perderam, não segue a Lei de Lavoisier, mostrando claramente que o dinheiro não é algo concreto, natural. Assim, uma régua é concreta, porém o centímetro é abstrato; a moeda é concreta, porém o dinheiro é abstrato; fruto da imaginação humana; o real não é real, mas sim, irreal, imaginário e abstrato; portanto, dinheiro não é alimento; dinheiro não é vestimenta; dinheiro não é moradia; dinheiro não nos aquece; dinheiro não é transporte; enfim, dinheiro não é um bem em si, é apenas um meio. Por ser abstrato, o dinheiro não satisfaz; assim quanto mais se ganha, mais se quer ganhar... O dinheiro é uma convenção do homem que foi criado para armazenar trabalho; por ser convencionado, sofre alterações segundo os interesses dos grandes: inflações e valorizações.
Durante a safra, o preço do feijão, normalmente abaixa e na entressafra, sobe o preço, donde se conclui que o preço não é do feijão, mas sim da ocasião; isso chama “Lei do Mercado”, ou Lei da oferta e procura, melhor seria: Lei da oferta e usura; ainda, para camuflar a especulação, chamam isso de Lei! Hilariante! Tudo isso na verdade é especulação. Onde estão os cruzeiros, os cruzados e tantos outros? Simplesmente desapareceram! Por quê? Interesses! Uma das tarefas do governo é, portanto, disciplinar as ambições, evitando a especulação, consequentemente a exploração, ora muito comum.
Assim entendemos que o dinheiro não é este todo poderoso que as pessoas buscam de forma insistente e muitas vezes criminosa. Imagine, se os outros todos morressem você seria dono de tudo isso, estaria bi, “trilionário”... Resolveria seus problemas? Creio que não, mas criaria muitos problemas, mostrando claramente que o homem depende dos outros e não do dinheiro. Pense! Pense e busque o necessário, o importante para ter uma vida tranquila e agradável, sem prejudicar o próximo e até mesmo a Natureza, e para tal, basta pensar baseando sempre na Sociedade e na Natureza, mas não no Dinheiro. Entenderam?

Roberto Cardoso Lemos
Uberlândia (MG)





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Lurana Glória Guimarães
23-02-2010
Roberto, concordo em gênero, número e grau com tudo o que vc disse. Eu naum entendo pq hoje em dia as pessoas são tão apegadas ao dinheiro, td gira em torno de dinheiro, esse capitalismo está muito agressivo....tem uma frase do Dalai Lama q gosto muito de diz q "os homens perdem a saúde para ganhar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde", gosto muito dessa frase e concordo plenamente, e gostei mto dessa frase do seu texto: Por ser abstrato, o dinheiro não satisfaz; assim quanto mais se ganha, mais se quer ganhar...










21-02-2010


Militares no poder



Tenho evitado entrar neste tema, porque vivemos em um país onde a ideologia não é utilizada para se ter um debate construtivo, há sempre pessoas voltando ao passado de forma tendenciosa e partidária. Ultimamente o alvo tem sido as Forças Armadas; ala radical do governo tem provocado e tentado enfraquecer com certa leviandade um dos poucos setores do qual temos orgulho.
Há uma preocupação equivocada de que os militares queiram o poder. Eles, indiferentemente de regime, estão no poder, e por vontade e necessidade nossa, para garantir a paz e a soberania nacional. Os militares estão no poder por cultivar princípios e valores seculares, o que infelizmente a nossa classe política não tem conseguido, haja vista a escala de corrupção que temos tido em todos os partidos. O nosso Congresso vive já há algum tempo uma crise moral sem precedente na história da República.
Temos um presidente que assina sem ler e criou um sistema corporativista ímpar na História brasileira. Os presidentes que o antecederam não conseguiram fazer as reformas que motivaram as suas eleições.
Recentemente, o general de Divisão do Exército Francisco Batista Torres de Melo respondeu à jornalista Miriam Leitão, sobre um artigo da sua autoria em que tentou colocar os militares de hoje diferentes dos de ontem. Torres de Melo, com um texto claro e objetivo, deu uma aula de política e de história, que deveria fazer parte do que se ensina nas escolas.
Torres de Melo mostrou que, desde o Império, os militares nunca rasgaram as leis e feriram a ordem, mas sim políticos envolveram os militares, por incompetência ou por má-fé, para se manterem ou em busca do poder. E o mais triste é que mostrou como ilustres civis que estão ficando na História como heróis foram contra a volta de líderes como Brizola e Arraes.
O que acontece por miopia ou conveniência é que alguns radicais, tanto da direita como da esquerda, ainda não conseguiram sair de seus extremos após o fim da Guerra Fria, da queda do Muro de Berlim. Estamos vivendo um mundo novo, temos uma sociedade com pouca preocupação política, mas insatisfeita com os políticos que ocupam o poder; com certeza vamos, nos próximos anos, repensar o sistema político e de estado. Esta é a questão.
Não temos e não podemos aceitar mais um estado patrimonialista e tanta corrupção, e o ineficiente “poder” que nós constituímos. Em parte temos sidos manipulados, mas será por meio de posicionamento crítico e duro como o do general Torres de Melo, de uma imprensa livre e atuante, com uma educação de qualidade e uma sociedade mais crítica que vamos mudar este país nos próximos anos, esta é a nossa esperança. Estamos caminhando para tal estágio. Criticar ou tentar enfraquecer os militares não vai retardar o projeto de mudança e muito menos contribuir com a permanência dos corruptos e ineficientes no poder. Muitos já não conseguem andar nas ruas, a saída do poder é questão de tempo.
Este ano teremos eleições. É uma boa oportunidade para escolher pessoas que querem de fato um país de todos e sem corrupção. Vamos ter que garimpar muito para encontrar candidatos com este perfil, mas vai valer a pena.

Hélio Mendes
Prof. e consultor de estratégia e gestão
latino@institutolatino.com.br





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20-02-2010


Quem já morreu não tem medo



Quando já não estamos sendo donos de nada, nem de nossos próprios lares, ter medo de que sejamos vítimas de malfeitores, assassinos, ladrões que matam sem a mínima piedade não é de causar vergonha nem pode ser considerado covardia. Falando sério, só não tem medo diante deste estado de coisas instalado nas grandes e pequenas cidades - e que já chegou de há muito nos meios rurais - repito, só não tem medo aqueles que já passaram desta para uma outra vida...  Em verdade, a violência campeia de um a outro setor: nas partes centrais e nas periferias das cidades, nos estados todos da federação brasileira, enquanto todos nós homens e mulheres do trabalho vamos assistindo, lendo ou ouvindo pelos meios de comunicação as mais absurdas cenas perpetradas por assaltantes, sequestradores, estupradores e meliantes de todos os naipes. Ao certo, ninguém sabe mais o que fazer para se conseguir um pouco mais de tranquilidade, como deixar a casa em segurança para ir ao supermercado ou visitar um familiar. Viajar despreocupado, então, nem pensar. Pelo que se vê e ouve, nem aqueles cidadãos mais bem arranjados pela sorte e que já colocaram grades nas janelas e portas, cercas elétricas em volta dos muros, cachorros parecidos com feras selvagens nos quintais e contrataram vigilantes para rondar suas residências por 24 horas não estão mais se sentindo com tranquilidade absoluta. Ora, segundo dizia um amigo que tivera suas roupas e seus “breguetes” levados por ladrõezinhos amadores, “estes não escolhem a hora e fazem a vez de roubar a qualquer momento de descuido. Podem invadir uma casa de comércio, um posto policial e até uma casa de oração.” Que a coisa está feia, não há como dizer que não esteja, nem que estamos sendo vítimas do próprio medo. Mas no ponto em que estamos não podemos esmorecer. Temos que lutar por dias melhores; temos de acreditar que as leis brasileiras possam ser mudadas a ponto de facilitar o desempenho das forças de repressão ao crime, pois, como se sabe, o trabalho de prender criminosos acontece, o difícil é fazer com que eles aconteçam encarcerados... Afinal, diga-se que a onda de violência alastrou suas raízes em todos os cantos do país. No entanto, enquanto ficamos a esperar por novos dispositivos de leis que possam valorizar o trabalho das forças de repressão a criminalidade, vamos assistindo àqueles velhos filmes que falam na construção de novas penitenciárias, na vinda de novas viaturas ou em aumentar os contingentes policiais. Ora, estamos vendo também que é preciso armar bem os policiais para que eles possam enfrentar quadrilhas altamente armadas e preparadas até para guerrear. Conto dois fatos: lembro-me de quando era delegado na cidade o cidadão Arnaldo Contursi. Muito pouco tinha para resolver, a não ser os furtos de galinhas. Isso, de tempo em tempo. Ele obrigava o larápio a pedir desculpas para a pessoa furtada e ainda pagar em dobro o valor da penosa arrastada... Em outra cidade de Minas, quem roubasse, por exemplo, feijão, era obrigado a percorrer pela cidade com o produto sobre a cabeça, anunciando em voz alta: “Olhe o feijão roubado”, “Quem quer comprar feijão roubado!”.  Era para que a população ficasse conhecendo o referido fora da lei. Hoje, as leis arcaicas protegem os bandidos a ponto de que eles, ao serem filmados, cubram seus rostos com as mãos ou com suas camisas. Assunta Brasil!...

Alberto de Oliveira
Jornalista – Uberlândia - MG





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19-02-2010


Arma nuclear



Foi manchete no noticiário internacional a declaração feita recentemente pelo presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, de que seu país iniciou a produção de urânio enriquecido a 20% para seu reator e que vai construir mais 10 usinas nucleares em apenas um ano.

Segundo o governo de Teerã, o seu programa nuclear tem fins pacíficos e será utilizado para garantir a geração de eletricidade e o uso medicinal da energia nuclear, não sendo interesse do país o desenvolvimento de armamento.

Os Estados Unidos, principal crítico do programa nuclear iraniano, afirmam que a comunidade internacional não possui provas que sustentem o caráter pacífico do programa nuclear e defendem a adoção de novas sanções pela ONU ao país como forma de pressionar o governo iraniano a suspender seu programa nuclear.

Para novas sanções, são necessários nove dos 15 votos do Conselho de Segurança da ONU e nenhum veto dos cinco membros permanentes. Segundo vários analistas, a maior dificuldade está em convencer o governo chinês sobre a aprovação de novas sanções.

O uso de energia atômica para fins pacíficos é garantido pelo Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares, mas proíbe seu uso para fins militares. A exigência é que o programa deve estar condicionado ao controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sede em Viena (Áustria).

Atualmente 188 países são signatários do tratado, entre os que já possuíam armas nucleares antes de 1967 (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e França) e os que ainda não possuem essa tecnologia. O tratado contém o compromisso recíproco dos países carentes de armas nucleares de não desenvolver ou comprar estas armas e para os países que possuem este tipo de armamento, se comprometem a não transferir armas nucleares para outros países ou ajudá-los a adquiri-las.

O debate sobre o controverso programa nuclear iraniano deveria servir para chamar a atenção da comunidade internacional para uma questão maior, que é a necessidade de mudanças do tratado de não Proliferação de Armas Nucleares. O que deveria ser colocado em discussão na Organização das Nações Unidas é a necessidade da total eliminação de todo arsenal nuclear do planeta, colocando assim todos os países na mesma condição.

Por que Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e França se consideram no direito de ter armas nucleares? Será que nas mãos deles o mundo fica seguro?

Não devemos ser ingênuos e acreditar que o interesse desses países com o programa nuclear iraniano se deve pela preocupação com a estabilidade e a paz mundial. A discussão sobre o programa nuclear iraniano é complexa e envolve várias outras questões e interesses. O que procuram é garantir sua hegemonia política, econômica e militar.

Em 2010 será realizada a Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), agendada para maio em Nova York. Será o momento de os países detentores de armas nucleares, principalmente Estados Unidos e Rússia, donos de pelo menos 90% do arsenal mundial, demonstrarem seus reais esforços pela não proliferação nuclear internacional. Há expectativas de que as duas principais potências atômicas cheguem a um acordo para reduzir seus arsenais.

Obama já declarou em um discurso que seu país está comprometido em "tentar chegar a um mundo de paz e sem armas nucleares". Resta saber se Obama colocará em prática o seu discurso.

Luciano Furtunato de Souza
Historiador
Uberlândia (MG)
luciano.f.s@bol.com.br





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18-02-2010


O vice de Anastasia



A formação do quadro de candidatos competitivos ao governo do Estado de Minas Gerais aguarda definições. O vice-governador Antônio Anastásia (PSDB-MG) é, até o momento, o único pré-candidato consolidado. Decidir quem será o seu companheiro de chapa é prematuro, pois manda a inteligência política que o vice só seja convidado após a definição de quais serão os adversários.

O PT-MG tem dois pré-candidatos qualificados ao governo: Patrus Ananias e Fernando Pimentel. Mas parece que parte do outrora combativo PT mineiro aceita terceirizar a candidatura para o PMDB, pois Lula exige um palanque mineiro único para Dilma Rousseff.

O quadro é tão confuso, que o vice-presidente José Alencar virou a salvação, como possível candidato ao governo estadual. Alencar, com quase 80 anos de idade e lutando contra um câncer há vários anos, parece ser o remédio para resolver os problemas políticos do PT e PMDB mineiros. A história de José de Alencar merece admiração, mas resta saber se ele terá condições de fazer uma dura campanha, e se vencedor, terá condições de governar. Para fazer justa homenagem, talvez fosse melhor o presidente Lula lançar José de Alencar candidato à sua própria sucessão e Dilma Rousseff, vice.

De qualquer maneira, o candidato a vice em qualquer chapa majoritária, pragmaticamente, tem como primeira atribuição não vulnerabilizar a candidatura principal, e em segundo lugar deve ajudar a ganhar a eleição. Portanto, é bom que tenha perfil complementar ao do candidato e que tenha real capacidade de somar apoios.

Para vice de Anastasia o “pole position” atual é o presidente da Assembléia Legislativa, o atuante deputado Alberto Pinto Coelho (PP), um político regional, com base eleitoral difusa em todo o estado. Ele está preparado para a função, pois com a sua liderança conseguiu o apoio da maioria governista na Assembléia Estadual. Ainda no Partido Progressista (PP), outro ótimo nome é o do prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, que como deputado foi líder da bancada federal do partido por vários anos. Também foi secretário de estado e é prefeito reeleito de Uberlândia, um grande e estratégico colégio eleitoral, em região de notável presença do PT e do PMDB. Se a componente regional e de capacidade de articulação em Brasília for considerada, Odelmo Leão seria o candidato a vice-governador ideal, pela capacidade de agregar votos e dar densidade política complementar à chapa.

Os próximos dois meses podem proporcionar surpresas difíceis, mas possíveis, a depender das definições a respeito da candidatura do PSDB a presidência da República e do acerto ou não do PMDB e do PT, quanto ao(s) seu(s) candidato(s) ao governo mineiro. Por exemplo: especulativamente, quem sabe, possa acontecer uma eventual coligação do PSDB com o PMDB mineiro, para apoiar a candidatura de Anastasia ao governo. Nesse caso, o PMDB poderia oferecer o candidato a vice e também receber apoio para a reeleição de Hélio Costa para o Senado (?)!

O quadro político geral não está definido. O certo no momento é a consistente candidatura do professor Antônio Anastasia ao governo estadual, com apoio de forte coligação e com um futuro candidato a vice que será a melhor escolha para ajudar a vencer a eleição. Penso que o nome desse candidato a vice deverá ser definido oportunamente entre os partidos aliados, com decisiva participação do governador Aécio Neves e convite direto do candidato Anastasia.

Luiz Alberto Rodrigues
Ex-deputado Federal Constituinte





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