
Tenho repetido que cronistas hebdomadários (esta te pegou, Dino! Vai pro dicionário...) devem ligar seu escrito aos acontecimentos recentes e chamativos.
Isto estabelece um entendimento com seus leitores, que podem gostar ou desgostar do que está escrito – mas de qualquer maneira vão até o final da crônica, o que já é uma vitória.
Pois bem, meus caros leitores, vocês devem estar pensando: agora é Semana Santa, desta vez ele (no caso eu...) atolou o carro.
Existe uma histórica convicção, herdada dos velhos tempos, de que Semana Santa é de recolhimento espiritual, do sofrimento da paixão de Cristo, da penitência, abstinência de carne e suas paixões, a confissão, a expectativa do perdão e da glória da ressurreição – que só acontece no domingo final.
Passo e assisto à Semana Santa dos Novos Tempos. No Antigo, nem música ou barulhada forte cabiam nestes dias. Era esquisito, eu me lembro, a gente falava baixinho, estava no Evangelho da missa a Paixão segundo São Mateus, o mais extenso e perfeito relatório do final de Jesus Cristo e dos tribunais da Terra.
Era triste, eu era garoto, imaginem, participando e assistindo da procissão dos encontros, emocionante, as ruas repletas, um bater no peito triste, sofredor, contagiante.
Vi gente chorar, meus amigos. Gente grande e vivida, bater no peito, o pedido de perdão escondido valendo pelos pecados escondidos e desconhecidos.
Eu me lembro amigos, há coisas que a infância guarda pela vida afora. Aquela Semana era triste, pesada, difícil de passar e terminar. Vinha, afinal, a Páscoa, a Ressurreição, a grande Festa. Acontece, devo confessar, que me impressionava mesmo era a Semana, seu silêncio pesado e triste, que nem a pregação vitoriosa dos nossos sacerdotes conseguia apagar.
Aí eu, moleque, pensava aqui comigo: por que não fazer um dia o sofrimento total, e depois na semana inteira a alegria da Ressurreição?
Agora, visto e passado o quase tudo da vida, acho que Mateus tinha razão.
Era preciso contar tudo, porque o tudo é como é a nossa vida, uma passagem, apenas, de onde nos lembramos com facilidade dos sofrimentos, das injustiças, da morte de ideais e sonhos.
Em nossa visão curta e interesseira, não pensamos na Páscoa da alegria de viver, dos filhos, dos amigos, das tantas alegrias e felicidades que Ele nos deu, discretamente, sem pedir troca ou reconhecimento. Eu vi, nós todos vimos, o julgamento da menininha assassinada pelos pais. De triste, achei ver tanta gente feliz com a condenação dos réus, que só Deus poderá julgar.
Eu mesmo, de certa forma, participei: a crueldade é sempre repugnante. Mas, e aquela história do Cristo vivo junto à pecadora que devia ser apedrejada para morrer?
E Ele calmo... quem não tiver erro, atire a primeira pedra... Nós não matamos Natálias, mas será que não matamos sonhos, alegrias, felicidades que valem tanto quanto uma vida?
É aquela história final: a Ressurreição é que vale, mesmo passando pela morte. A todos que me assistem e toleram: uma Feliz Páscoa!
João Gilberto Rodrigues da Cunha
Médico
Uberaba (MG)

Vez ou outra, alguém começa um trabalho que visa melhorar a inserção política de negras e negros, de maneira séria e comprometida e logo se achegam os novidadeiros. Uma reunião que envolva a Comunidade Negra tem sim que ser uma festa. É um povo que fez da festa o pano de fundo de seu sofrimento em quase 400 anos de escravidão.
Povo festeiro que nos mais de 2000 anos da Igreja Cristã deu inúmeros santos devotos e festejados como São Maurício (herói das Cruzadas) e São Benedito, entre centenas. Essa mesma igreja fez com que o mundo europeu acreditasse que ser escravo era uma bênção a esse povo de pele negra porque eles não tinham alma e eram selvagens. E isso foi convicção por centenas de séculos, só sendo amainado em período de grandes guerras, diante da necessidade de soldados, fazendo com que esse povo fosse mandado ao campo de batalha primeiro que seus pares brancos. Festejar não é o mesmo que pão e circo; nem é a mesma coisa de ser servil e politiqueiro. Festejar é receber, é doar e alegrar-se em comunidade.
Na quinta-feira, 18 de março, Humberto Adami, conceituado advogado carioca, hoje ouvidor da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República, e Deise Benedito, advogada paulistana, especialista em Direitos Humanos e Pactos Civis, ambos ativistas do movimento negro nacional, emprestaram inteligência e competência profissional num evento no auditório da OAB por ocasião de convite feito pela Comissão da Mulher e Igualdade Racial desta entidade em Uberlândia, em virtude de estarem comemorando o Dia Internacional da Mulher e Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.
Abordaram temas focados nestas duas datas e suas variáveis quanto aos interesses da Comunidade Negra. Deise Benedito enfatizou a necessidade em ter a OAB nacional como parceira na criação do Prêmio Carolina de Jesus. “Esta uma humilde mulher e grande escritora que, no seu tempo, fez a diferença através do seu pensamento, comparado hoje ao de Cecília Meireles.”
Por simplesmente receber tão ilustres e importantes pessoas já se faz necessário fazer uma festa. Resta saber se a audiência foi capaz de beber dessa fonte. Muitos são os membros da Comunidade Negra preocupados com a causa de defesa das necessidades urgentes de sobrevivência dos cidadãos negros desta cidade. E quando neste ano de 2010 se avizinham as eleições, poucos são os investidos de poder que se comprometem com trabalho e respeito a projetos deste povo.
Mas muitos são os que discursam bonito e falam manso com os que se sentem bem amaciados pelo convite de sentarem em uma mesa ou de fazer parte de reuniões que não levam a lugar algum “ou mesmo pelo afago de estar num gabinete com ar-condicionado e ser chamado de liderança, quando na verdade estão vendendo seus irmãos. É preciso avançar sem fazer concessões. Pois concessões só podem ser feitas quando se tem alguma coisa para ceder. Quem se abaixa demais acaba mostrando mais do que deve ser mostrado.
O feriado do dia 20 de novembro não é um dia qualquer. É o dia de vida e morte de um ex-coroinha que mesmo em contraponto ao Estado nunca deixou se abater; e nunca se esqueceu de suas origens nem mesmo de sua fé. Francisco serviu a Deus e aos homens de maneira heróica e verdadeira, por isso é Zumbi feito guerreiro de lei e de fato.
José Amaral Neto
Jornalista, coordenador executivo do Maipo e presidente da Executiva Municipal do PT do B

Circula na internet um texto bem-humorado de uma pessoa que recebeu centenas de emails avisando sobre os perigos diários que rondam o cidadão comum. Cita vários exemplos de como isto mudou sua vida, como: não usa mais o caixa eletrônico, com medo de que colem um adesivo amarelo em suas costas e o assaltem na próxima esquina. Não bebe mais coca-cola, pois um cara caiu no tanque da fábrica e ficou todo corroído pelo ácido.
Não usa mais desodorante, pois causa câncer de mama, e então está fedendo como gambá. Não vai mais ao cinema, com medo de se sentar em uma poltrona com agulha contaminada pelo vírus da aids. Não come mais sanduíche Big Mac, pois é feito com carne de minhoca com anabolizante. Não atende mais o celular, pois pode escutar algum analfabeto dizendo que sequestrou sua filha. Não come mais carne de frango e chester, pois eles tomam muito hormônio feminino, são alterados geneticamente e estão com oito coxas e seis asas. Não toma mais refrigerante em lata com medo de morrer de leptospirose por causa do xixi do rato. E por aí vai.
A esta lista é possível acrescentar muitas outras coisas. Esta semana mesmo recebi um email sobre os perigos do alumínio. Explica que, se o cabelo estiver caindo, pode ser culpa do alumínio (uai, mas cabelo cai mesmo...). O alumínio das panelas contamina a comida e causa anemia, anorexia, alterações ósseas, Alzheimer. Além disto, nas latinhas de refrigerante e cerveja, além do alumínio, encontram-se 12 metais altamente perigosos: o cádmio, que causa psicose; o chumbo, encontrado no organismo de muitos assassinos, e o manganês, que causa o mal de Parkinson. Cruzes, parece filme de terror.
Agora, estou pensando em jogar fora todas as minhas panelas de alumínio (mas uma que tem 45 anos e foi da minha mãe, nunca) e usar panelas de barro, pois as de ferro, pelo jeito, também devem causar mil e uma doenças.
Além destes perigos todos, existem outros que nos rondam e somos enganados sem perceber. Como há tempos atrás, quando apareceram duas mulheres na minha porta, com uma penca de meninos, dentes e brincos de ouro, saias esvoaçantes e coloridas. Vendiam correntes de ouro grossas e de fios trançados. O preço era tentador e aceitavam ofertas.
Para provar que eram de ouro mesmo, colocaram uma corrente dentro do líquido da bateria do carro. Explicaram que, se fosse falsa, a corrente ficaria escura (a esta altura, já havia um público considerável em volta da demonstração). A corrente continuou amarela e com aquele brilho faiscante de ouro. Comprei duas correntes e completei o dinheiro com o cobertor de estimação do meu filho, que ficou furioso. Uma vizinha, entusiasmada, trocou o seu anel de formatura, com uma esmeralda grande e pequenos brilhantes, por duas correntes. Depois, a decepção: o joalheiro examinou e concluiu que não valiam nada. Procuramos as mulheres por todo lado, mas desapareceram.
Descobrimos que muitas outras pessoas foram ludibriadas por elas e pedi à TV local para fazer um alerta à população. Queriam gravar uma reportagem comigo, mas me neguei a aparecer em público (a vizinha do anel também). Tinha feito papel de idiota e ainda ia aparecer na TV? Mas preparei as correntes em cima de uma cadeira, forrada com veludo vermelho, e a equipe filmou. Assim, fica o aviso: “nem tudo que reluz é ouro” e “as aparências enganam”.
Ana Maria Coelho Carvalho
anacoelhocarvalho@terra.com.br

Quando o avião monomotor ultraleve em que estava Herbert Vianna e sua mulher caiu sobre o mar, lamentei muito e pensei nesta música, composta por este talentoso compositor tantos anos antes. Ele perdeu a esposa neste acidente e, então, uma densa noite o seguiu com o coma induzido e, ao acordar sem a companheira, sem o movimento das pernas e, ainda, com três filhos pra criar, deu um belo exemplo de vida retornando aos estúdios como cadeirante e tocando sua vida em frente, observado por milhares de fãs da sua arte.
Hoje peço vênia para revisitar seu belo poema, pela sua importância como clássico do nosso cancioneiro popular, e na troca, aprender com sua luz: ”Quando tá escuro/E ninguém te ouve/Quando chega a noite/E você pode chorar”. Quantas vezes? Só nós e Deus? Nas grandes decisões, nas grandes tribulações, decepções ou rezando para Jesus ajudar? Segundo ele, ”há uma luz no túnel/Dos desesperados/Há um cais de porto/Pra quem precisa chegar/Eu estou na lanterna dos afogados/Eu estou te esperando/Vê se não vai demorar”.
Esta visão do artista nos leva a um possível náufrago solitário, diferente daqueles milhares do Titanic — há alguém aí? — e que espera por ajuda vários dias e noites. Para refletir melhor sobre este tema, assisti a “survivor”, em uma passagem que ensina como sobreviver sobre uma jangada, após dias em uma ilha inóspita do pacífico — no Discovery Channel. Numa situação assim, os dias são muito quentes, o sol inclemente, falta água potável, apesar daquele mundo de água salgada. Aí vem a noite: ”Uma noite longa/Pra uma vida curta/Mas já não me importa/Basta poder te ajudar”.
Ao sobreviver, nunca mais seremos os mesmos, pensaremos mais no outro. E as cicatrizes que ficam são como um mapa de um novo território conquistado com “sangue suor e lágrimas”, portanto jamais esquecido. Pablo Neruda diria depois: “confesso que sobrevivi”, e, como o personagem do “Náufrago”, logo perceberemos que tudo mudou enquanto estivemos lutando pela vida. A empresa, nossa casa, nosso ex-amor, o país. E agora? Em forma de poesia, aprendemos que: ”E são tantas marcas/Que já fazem parte/Do que eu sou agora/Mais ainda sei me virar/Eu tô na lanterna dos afogados/Eu tô te esperando/Vê se não vai demorar”.
Já ter alguém para nos esperar é o grande passo para quem precisa seguir em frente. Penso em Nelson Mandela, ao sair livre após 22 anos de masmorra, ou nos presos políticos cubanos, que foram absurdamente comparados por Lula aos bandidos de SP. Todos feitos náufragos pela liberdade. Todavia alguns morrem durante a travessia ou por não aguentarem a grande diferença de temperatura entre o dia e a noite ou por inanição e sede.
Como Zapata, mártir cubano, que quis Deus, morresse logo no dia da chegada do nosso presidente a Cuba, para escancarar a obscenidade desta relação de subserviência da esquerda do Brasil a Fidel Castro. Lula não ofereceu uma lanterna dos afogados para Zapata, mas abraça sanguinários ditadores de todo mundo, estercos da história, antíteses da liberdade, e este é, a meu ver, o ovo da serpente de um possível governo Dilma: a subtração de liberdades constitucionais, tantas vezes tentadas neste governo e sem sucesso. Logo ”a luz no túnel” e ”o cais do porto” seriam José Serra — um grande brasileiro. Obrigado, Herbert Vianna!
José Carlos Nunes Barreto
Professor-doutor
debatef@debatef.com.br

Admito que falar em cidadania é importante, entretanto, não podemos esquecer de incutir na alma dos brasileiros o sentimento de patriotismo.
Nossos símbolos não podem ser esquecidos: o hino, nossa bandeira, nosso escudo, enfim, tudo que nos lembra que somos Brasil. Não basta o presidente inaugurar uma rua com a denominação de Brasil. É preciso que esse nome esteja cravado na alma de todos nós.
Todos nós, quando saindo de nossas fronteiras, pisamos em outras terras e levamos o nome de nossa pátria. Patriotismo é uma atitude que impõe responsabilidade.
Há um conceito errôneo de que patriotismo é sentimento de guerra, Engano. Patriotismo é uma virtude que vigora dentro do lar na educação dos filhos, na escola, dentro da sala de aula e fora dela. Isto porque o amor à pátria deve se manifestar em qualquer lugar. Assino e leio o CORREIO e a “Folha de S. Paulo” e vejo o noticiário na TV, entro nos principais sítios do computador e fico abismado com a falta de sentimento patriótico.
Livros como “Contos Pátrios” não mais existem. Olavo Bilac e outros poetas são substituídos por ideias pretensamente modernas, pois nelas o termo cidadania justifica a fraqueza do sentimento patriótico. Os intelectuais quando se manifestam são sempre reticentes em relação ao país.
Quando nos campos de futebol toca-se um hino nacional de outro país, os jogadores cantam, a torcida canta com entusiasmo enchendo o peito, mas nosso bonito hino sai fraquinho, truncado e só um ou outro gato pingado canta.
O jogador entra em campo pensando nos olheiros de outros países, de grandes times e que pagam altos salários, pensam no seu time do qual possam tirar vantagem e esquecem que devem obrigação à pátria onde vivem, onde tiveram oportunidade e deve ser bem representada.
Lembro do hino da seleção brasileira, não sei precisar o ano, que começava assim: ”Eu sou brasileiro e todos conhecem o meu futebol/pega Barbosa e entrega a Ademir...”
Homens como Rui Barbosa denominado a Águia de Haia, Barão do Rio Branco, Dom Pedro II e outros que amavam o Brasil e o fizeram grande diante do mundo se perderam no tempo.
Lamentavelmente, o partidarismo tomou o lugar de patriotismo. Mensalões e toda forma de fraudar os cofres públicos tomaram o lugar do amor à pátria.
Os barões das drogas dominam cada vez mais, os jovens repetem o grito de Cazuza “Brasil mostra sua cara”, todos os aspectos negativos de nossa sociedade ganham relevância. Estamos num ano de eleições, preocupa-me assistir a um povo que se prepara para escolher seus representantes e parecendo contaminados por uma espécie de negativismo, pensando que o voto é um volante de loteria jogando em quem vai dar-lhe alguma vantagem.
Votar é cidadania sim, é o exercício de um direito, mas não podemos esquecer que é definição do futuro da pátria, ela exige um sentimento mais nobre e elevado que é o patriotismo. ”Ama criança a terra em que nasceste, Brasil. Não há país como este!”
Professor Lucindo
Uberlândia (MG)
prof.lucindo@csmkt.com.br

Há pouco tempo, a Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no chamado pré-sal, localizado a 340 quilômetros da costa litorânea em águas profundas. As reservas são estimadas em 80 bilhões de barris de petróleo e gás. É riqueza monumental e a sociedade brasileira tem tempo para discutir, amplamente e sem açodamentos, políticas consistentes para distribuir essa riqueza.
A emenda dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), que pulveriza a arrecadação dos estados e municípios produtores de petróleo e contempla os “sem-jazidas”, teve espantosa aprovação na Câmara dos Deputados e tem dois grandes méritos: a) Chamar a atenção da sociedade e do Congresso Nacional para a importância de debater e revisar a legislação de repartição da riqueza petrolífera nacional; b) Propor um modelo de inclusão direta de todos os estados e municípios brasileiros no resultado das receitas futuras do pré-sal.
Afinal, “qual deve ser o regime de distribuição das receitas do petróleo e do pré-sal?”.
Em primeiro lugar é cristalino que existe o “direito adquirido” dos atuais beneficiados. É direito líquido e certo baseado com justiça no fator locacional. Ou seja, o petróleo rende “royalties” para bancar investimentos em infraestrutura social e compensar eventuais “prejuízos” decorrentes da sua exploração. É o mesmo que acontece com os estados e municípios mineradores, que recebem modesto valor de 2% de “compensação financeira pela exploração mineral”, sobre o faturamento das empresas, enquanto a exploração do petróleo paga generosos 10%.
Em segundo lugar é preciso ficar claro que a riqueza petrolífera do pré-sal está na plataforma continental, longe dos territórios estaduais e é, rigorosamente, riqueza que pertence à União, portanto, pertence a toda Nação brasileira. Ainda assim, a exploração do pré-sal exigirá base de apoio logístico nos estados mais próximos. Basicamente, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo oferecerão suporte direto para as atividades exploratórias como portos, base de helicópteros, terminais de armazenamento e instalação de refinarias. Portanto também precisam participar do resultado das receitas do pré-sal. Por isso, a destinação das receitas futuras pode seguir o modelo proposto por Ibsen Pinheiro (PMDB-RG) e Humberto Souto (PPS-MG), que propõe a distribuição segundo os critérios dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM).
Penso que a futura lei deve ser clara quanto à aplicação dos recursos extras advindos do pré-sal, determinando que sejam destinados preferencialmente, ou obrigatoriamente, ao ensino fundamental. Seria uma maneira de o Congresso Nacional e de o Poder Executivo garantirem investimentos na oferta de educação pública de qualidade, que é valor essencial para o desenvolvimento do ser humano e da Nação brasileira.
Em síntese sugiro: 1º) Permanência dos critérios legais vigentes, baseados na localização das jazidas para exploração de petróleo em terra firme; 2º) Distribuição das receitas futuras diretamente derivadas da exploração do petróleo e do gás do pré-sal, de acordo com a proposta dos deputados Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) e Humberto Souto (PPS-MG), a ser feita pelos critérios dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM), com exigência de aplicação preferencial e/ou obrigatória em educação fundamental.
Luiz Alberto Rodrigues
Foi deputado presidente da subcomissão de municípios e regiões da Assembleia Nacional Constituinte

Estou decepcionado com a forma com que a mídia de Uberlândia está tratando o governo federal com descaso e críticas descabidas. O mesmo não acontece com o governador de Minas. Na visita do vice-presidente José Alencar em nossa cidade para formalizar a duplicação da BR-050 (Araguari), o “Jornal Paranaíba” criticou e não deu ênfase na importância da obra conseguida pelo deputado Gilmar Machado, mas achou melhor fazer crítica nos reparos que estavam sendo feitos há três semanas antes de o vice-presidente estar na cidade, levando o eleitor a deduzir que aqueles reparos estavam sendo feitos em virtude da visita do vice-presidente.
A ministra-chefe da Casa Civil esteve na região anunciando mais uma duplicação de rodovia conseguida por meio do deputado Gilmar Machado e o jornalismo fez piadinha com as palavras da ministra em vez de destacar a importância da duplicação e de todas as obras do governo federal em Uberlândia anunciadas como recursos do Ministério das Cidades e nunca como obras do governo federal, com o intuito de enganar os leitores analfabetos políticos, ao contrário dos recursos do estado que são anunciados como verba do governo de Minas.
O sr. Ivan Santos trata o governo Lula como a pior espécie de política e o PT como bandido, mas a imprensa uberlandense não citou que a cidade administrativa gastou mais de R$ 1 bilhão e está sob investigação de obra superfaturada. Vocês sabiam? Por que não foi feita nenhuma matéria a respeito? Sr. Ivan Santos, o Aécio veio a Uberlândia anunciar obras que já tinha anunciado, fazendo politicagem e se a imprensa mineira fosse investigativa mostraria que o governador de Minas gastou bilhões para promover seu vice como ele mesmo disse. Por que criticar só o governo federal?
Talvez seja falta de um convite especial para a sua pessoa estar do lado destas autoridades. O governo federal, em especial o deputado Gilmar Machado, merece reconhecimento pelos excelentes serviços prestados para a nossa cidade. O jornal CORREIO é o único da cidade e deveria ser imparcial ou é administrado por um grupo político? Gilmar Machado pode gastar solado de sapato porque, se depender da mídia local, seu esforço de um trabalho de dar inveja em muitos não será reconhecido.
Lelis Alves de Deus
Uberlândia (MG)
lelisddeus@yahoo.com.br
Resposta do coordenador
Caro senhor Lelis de Deus, não tenho procuração para falar em nome da imprensa de Uberlândia. Cada jornalista e veículo de comunicação devem prestar conta diariamente ao público e por ele deve ser avaliado, aceito ou rejeitado. Assistir a determinado canal de TV ou ler determinado jornal ou revista é uma decisão individual.
Quanto aos questionamentos e críticas direcionados a este diário e a um de nossos profissionais, faço as seguintes considerações. O jornalista Ivan Santos escreve diariamente nestas páginas as próprias opiniões sem nenhum tipo de direcionamento ou interferência da direção da empresa. Talvez por isto seja um dos profissionais mais respeitados de Uberlândia e região.
O CORREIO é administrado por um grupo empresarial ético apartidário que prima pela credibilidade em todas as áreas de atuação. Por fim, não tenho conhecimento de nenhuma reclamação do deputado Gilmar Machado quanto à divulgação da atuação parlamentar.
O deputado em questão é, inclusive, fonte assídua deste diário. Tentamos, na medida do possível, dar espaço para o que é de interesse público tanto positiva quanto negativamente independentemente da esfera governamental. Estamos abertos a críticas e sugestões.
Obrigado!
Cezar Honório Teixeira
Coordenador de Redação do jornal CORREIO de Uberlândia

A sociedade no geral tem experimentado inúmeras mudanças, seja no contexto de avanços tecnológicos ou comportamentais, o que, na maioria das vezes, fere inúmeros princípios, seja de ordem ética, seja de ordem moral. A ética e a moral, apesar de serem distintas, estão continuamente próximas, pois a influência constante de uma pode levar a mudanças comportamentais.
Isto precisa ser visto como um fator agravante diante da sociedade que presenciamos, na qual não temos a convicção de que nossos governantes conhecem alguma dessas duas vertentes.
A moral, entendida como um senso comum perante a sociedade, tem se tornado passível de mudanças indutivas.
A mídia se apodera da sociedade por meio de seus meios de comunicação e, de acordo com os interesses governamental ou empresarial, induz a sociedade a mudar e aprovar pensamentos e comportamentos que nem sempre estão em consonância com seus princípios éticos, mas aceitam, porque vulgarmente está na moda vazia da sociedade fútil, capitalista e consumista.
Do ponto de vista crítico, temos nos tornado, ao invés de cidadãos orientados, críticos, seguros e reflexivos — retrato este de uma sociedade sonhada por muitos cidadãos de bem e que nos levaria à glória da plenitude vida —, em meros cumpridores e consumidores daquilo que a massa palpável da burguesia produz e reproduz como a verdade pronta e acabada.
Estamos sendo manipulados pelo sistema 24 horas por dia. A exemplo disto temos as indústrias farmacêuticas, que investem bilhões de dólares em pesquisas com resultado encomendado, compram reprodutores da eficácia de seus produtos, tais como os médicos por meio de amostras grátis, as farmácias com promoções sedutoras, a televisão mostrando apenas os benefícios dos medicamentos, mas nunca os efeitos adversos das mesmas.
Com isto questiono: em que país estamos vivendo e em que sociedade estamos sobrevivendo?
Os nossos governantes constantemente despejam comícios políticos e propagandas que o bem maior da sociedade brasileira é a educação e a saúde.
Constantemente presenciamos o caos em que nossa educação se encontra, por meio de estratégias pedagogicamente questionáveis como objeto de ensino, a exemplo da educação a distância, tentando massificar formação com acúmulo de informação nem sempre de aprendizado, que é o que a nossa sociedade carece.
Moralmente temos aceitado isto.
A nossa saúde, dia a dia, apesar de termos um Sistema Único de Saúde que tem servido de modelo até para outros países, não garante o atendimento populacional integral nos três níveis de atenção: primária secundária e terciária, ficando estes à mercê das gigantescas filas, como se quisessem um favor do sistema.
E, ainda que não concordemos eticamente com isto, moralmente temos aceitado e calado a nossa voz diante dos acontecimentos.
Luiz Almeida da Silva
Enfermeiro do trabalho
enferluiz@yahoo.com.br

Eu disse em uma crônica anterior que não há mais aquele estilo de quando os políticos de representação do povo se uniam para reivindicar obras importantes para os seus municípios. Na verdade, eles se esqueciam de suas divergências para conquistar aqueles benefícios reivindicados pelos eleitores e moradores locais. Ora, aquele antigo sentido de se fazer política não mais existe, assim como já não temos, também, as mesmas franquias que tínhamos para conversar com os políticos e também para requerer deles um maior empenho entre os poderes mais altos.
É bem verdade que as grandes cidades podem contar com os seus sindicatos, associações classistas, e com os meios empresariais como suportes representativos em suas caminhadas para o progresso, mas... já não temos mais respaldos vindos dos antigos chefes políticos, vanguardeiros tradicionais nas lutas em favor de suas comunidades. Não se pode negar que os tempos mudaram e que, por este fato, não contamos com os antigos caciques nem mesmo em épocas de campanhas eleitorais. Eles, além da sustentação eleitoral que era dada aos candidatos preferenciais, despendiam esforços incomuns para que os candidatos neófitos pudessem encarar a política como legítimos e competentes representantes do povo.
Foram tempos bons aqueles, quando os eleitores podiam também confiar nos antigos chefes políticos, votando e até mesmo elegendo seus candidatos preferenciais. Ora, aquele antigo estilo político nada tinha a ver com chamado voto de cabresto, pois os eleitores tinham plena convicção de que estavam defendendo o melhor modelo para a sua representatividade. Justamente por estes fatos, é que voltamos a insistir: na política, dizer não ao passado é treva!
Ora, também aqui por estas bandas das Gerais, temos conhecimento sobre várias pessoas que se elegeram por meio do prestígio político de cidadãos como Tubal Vilela da Silva, Antônio Thomaz Ferreira de Rezende, Marcos de Freitas Costa, Homero Santos, Virgílio Galassi, Zaire Rezende, Renato de Freitas e outros. No entanto, afoitos, vaidosos e sonhadores de que estariam políticos por si mesmos, acabaram dando com os burros n’água, e perderam eleições que poderiam ter sido favas contadas.
Despreparados, sozinhos e sem contar com a simpatia dos eleitores, jamais conseguiram se eleger... Desiludidos, muitos deles correram atrás de novas fontes geradoras de dim-dim, mas... nem todos conseguiram a sorte grande de engajar-se nas consoladoras brechas de assessorias nos dois poderes políticos municipais.
Como está dito (e bem-dito) na boca do povão, que é na política onde a prosperidade econômica pode alcançar até nota 1.000, outros ex-políticos que não alcançaram suas eleições, mas que já estavam bem “arranjadinhos” financeiramente falando, levam hoje uma vida mais fácil de ser vivida, mas... deixar de ficar pensando naqueles incidentes “bestas”, oriundos daquela subordinação política, é coisa séria que permanecerá para todo o sempre... Isto posto, acrescente-se ainda sobre um conceito bem à moda: Alguns dos que estão nos poderes mais altos andam dando preferência por assessores (as) e secretários (as) paraquedistas ou vindos de outros municípios. Por quais razões, isto não se sabe: os resultados dos testes de competência cultural encomendados ali na Cochinchina, ainda estão a navegar em altos mares...
Alberto de Oliveira
Jornalista
Uberlândia (MG)

Nesta semana, mais um acontecimento para marcar a vida de um bom amigo, político e, acima de tudo, um pai de família exemplar: o lançamento do livro “A vida de Homero Santos”.
Não foi mais um livro, mas o livro, porque trata de uma vida de realização, de carinho. Homero Santos foi um homem além do seu tempo, fazia política como um sacerdócio. Um São Francisco de Assis da política.
O lançamento foi no saguão da biblioteca da Universidade Federal de Uberlândia; organizado pela família, momento de muitas emoções. Ali, amigos e familiares se encontraram para prestar uma homenagem e ao mesmo tempo receber, mais uma vez, um pouco de carinho de alguém que veio a esta vida para servir.
Familiares, professores, pessoas dos mais diversos segmentos estiveram presentes; um misto de alegria, de tristeza e de saudade de Homero. Ele deixou um legado para todos, um passado, o ato de servir com amor – isso, conseguiu fazer como ninguém. Para quem quer fazer uma boa política e/ou ter uma vida de respeito, Homero deixou centenas de práticas.
Amigos se deslocaram de várias partes do país para prestigiar e ganhar mais um ensinamento de vida — porque cada palavra do lançamento continha um bom exemplo. Todos os presentes sentiram, pela forma carinhosa como a família organizou o evento, que Homero estava presente.
O reitor emérito, professor e amigo de Homero, Juarez Altafin, lançou a proposta para que o campus Santa Mônica receba o nome de Homero, a exemplo do que já, de forma merecida, o Umuarama recebeu o nome de Rondon Pacheco. Para um homem que dedicou a vida servindo à comunidade será mais uma homenagem justa.
O magnífico reitor Alfredo Júlio Fernandes Neto reiterou a importância dos seus trabalhos, disse que o livro não poderia ser lançado em outro lugar, porque a universidade é um local de Homero. O prefeito Odelmo Leão foi muito feliz durante o seu pronunciamento ao reconhecer Homero como colega e seu conselheiro de política, tanto quando foi presidente do Sindicato Rural quanto quando foi deputado federal. O genro de Homero Santos — Felipe Attiê, a filha e a esposa dona Martha agradeceram a todos os presentes com muita emoção.
Todos os que compareceram ao evento tinham uma coisa muito forte em comum: o amor por um homem que soube colocar o interesse da comunidade acima de todos os outros. Não é fácil encontrar, nos dias de hoje, pessoas com este sentimento. Homero fazia o bem como parte do seu ser e tinha amor interior.
O livro é mais um presente que sua família dá a todos. A renda obtida ao se venderem os exemplares será doada à Escola Estadual de Educação Especial Novo Horizonte. No encerramento foi apresentada a sua última entrevista, na qual Homero finaliza pedindo que não se esquecessem dele. Não há como esquecer, ele não apenas deixou uma boa história, mas contribuiu de forma efetiva com a história do nosso país, mostrou com sabedoria o valor de servir com simplicidade.
Hélio Mendes
Prof. e consultor de estratégia e gestão
latino@institutolatino.com.br