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10-03-2010


Território restrito



Assisti, dias atrás, ao filme “Território Restrito”, que trata do delicado problema dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, as dificuldades de se entrar no país, de se conseguir permanecer nele, de se legalizar ou se naturalizar. Contando com Harrison Ford no elenco, além de uma participação de Alice Braga, “Território Restrito” tem um roteiro bem bolado, no qual são contadas várias histórias paralelas que mantêm entre si uma pequena ligação.

Vale a pena assistir ao filme, principalmente se você pensa em morar em outro país, ainda mais na condição de imigrante ilegal. Há uma passagem que me marcou, na qual o filho de um imigrante oriental, garoto às vésperas de se naturalizar norte-americano, diz ao seu pai que não se sente tão feliz com isso, pois ainda que naturalizado ele sempre será, para os americanos, apenas mais um “china”. Isso não deixa de ser verdade.

Toda pessoa que se muda para uma terra estrangeira sofre discriminações, que são menores em períodos de bonança no país, mas crescem assustadoramente em momentos de crise. No Brasil, país formado por levas de imigrantes de vários lugares do mundo, nós somos um pouco mais tolerantes, mas também temos nossa carga de preconceito. Às vezes, não contra um francês ou alemão que vem morar aqui, pois quase sempre as pessoas de países desenvolvidos se mudam para o Brasil trazendo alguma riqueza, geralmente na forma de conhecimento técnico ou científico.

Mas vá a São Paulo, veja de perto a realidade de muitos bolivianos que migraram para o Brasil e repare como eles são tratados. Você provavelmente não verá uma carga de preconceito como a que existe em países da Europa ou nos EUA contra imigrantes, mas também não encontrará uma situação de amplo respeito. O motivo é bem simples: quem chega ao seu país sem algo a acrescentar é, na verdade, uma pessoa a mais com quem você terá que dividir as riquezas locais.

Em síntese, a coisa mais fácil é enxergar o estrangeiro como uma ameaça, como alguém diferente, que nunca vai ser igual a você e que, por todas essas razões, não merece um tratamento plenamente igual. “Território Restrito” mostra isso, embora traga várias histórias concomitantes que podem seguir por outra linha. Mas, no fundo, a verdade é essa: estrangeiros quase nunca são bem recebidos em terra estranha, se vão para lá para fixar residência.

Por essas e outras, nunca encorajei ninguém a tentar a sorte nos EUA ou na Europa, exceto em casos excepcionais, nos quais vi que, no Brasil, a pessoa já tinha esgotado suas possibilidades mais factíveis. De resto, o que sempre indiquei é tentar vencer por aqui mesmo, pois se aqui já é difícil, imagine em uma terra na qual você terá que enfrentar também o preconceito.





Comentários (2)



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Lurana Glória Guimarães
10-03-2010
Alex, eu também nunca tive interesse de tentar a vida fora do Brasil, justamente por esse motivo q vc citou, pq aqui já ñ é fácil, e lá, em um lugar estranho, ainda tem que enfrentar o preconceito aos imigrantes. Aqui, apesar dos pesares, é muito bom! Exterior para mim, no máximo para passar uns dias e praticar conversação em inglês e só.




Alexandre
11-03-2010
estrangeiros quase nunca são bem recebidos em terra estranha, se vão para lá para fixar residência. nao concordo, moro fora do brasil há 6 anos e vejo os brasileiros serem mais respeitados aqui nos eua do que aí no brasil... fora de contexto, alex, seu texto.










03-03-2010


O Parque Linear



Acompanhando de longe a nossa cidade, pela página eletrônica do CORREIO de Uberlândia, vi minha saudade crescer quando li uma matéria sobre a inauguração do Parque Linear, às margens do rio Uberabinha. Morando no sexto município diferente na minha vida, cada vez mais percebo o quanto as áreas públicas de lazer são importantes para a qualidade de vida da população, principalmente quando são repletas de natureza. Por isso, fiquei absolutamente feliz com a boa notícia do Parque Linear.

Em São Paulo, minha sensação de claustrofobia era imensa, em meio àquele amontoado de concreto. Perto da minha casa, até que havia um parque e, de vez em quando, eu ia lá para respirar um pouco. Também tinha o Parque do Ibirapuera, verdadeiro refúgio na capital paulistana. Mas, isso é muito pouco. Uma boa cidade precisa de mais área verde pública, precisa de vários espaços onde as pessoas possam aliviar aquela nostalgia inconsciente, resquício do tempo em que nossa espécie amanhecia e dormia junto à natureza, em meio a amplos espaços nos quais o ar parece mais puro e a vida se mostra mais completa de si mesma. Nova York, por exemplo, não teria um décimo do charme que tem se não tivesse um espaço da magnitude do Central Park. Brasília tem o Parque da Cidade, local onde a população pode fazer caminhadas, praticar esportes, andar de patins. Duas outras cidades que conheci nos últimos tempos também primam por bons espaços públicos: Boa Vista, em Roraima, e Rio Branco, no Acre. Nessas cidades, parece que a gente se sente mais vivo, menos preso, menos abafado. Já outros lugares que conheci ou vivi – prefiro não citar nomes – padecem do mal do excesso de concreto. Chega o domingo e você não tem para onde ir e, se mora em apartamento, pior ainda. É por isso que eu sempre aumento a minha nota para a cidade que, não tendo praia, investe em parques públicos, cheios de verde, de espaço para as pessoas se sentirem mais livres.

Uberlândia está em um bom caminho. O Parque do Sabiá, que recebeu melhorias nos últimos anos, é uma riqueza inestimável para a nossa cidade. Pelos bairros, há outros espaços importantes, embora muitas praças ainda careçam de uma infraestrutura apropriada para receber a população. Agora, com o Parque Linear, os uberlandenses ganham mais um espaço para caminhada, um lugar para se aproximar da natureza. E o bom, se não estou enganado, é que essa nova área de lazer é fruto do esforço contínuo de mais de uma administração municipal, o que mostra as razões de Uberlândia ter se tornado essa bela cidade, pois, na maioria dos casos, as divergências políticas e os interesses eleitoreiros não atrapalharam o nosso crescimento. Que continue sendo assim!




Comentários (3)



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LúH¹
03-03-2010
Hey...Também conheci Rio Branco, uma cidade muito verde e tranqüila, da pra relaxar e muito .E lá te da uma sensação de liberdade... \o/




Lurana Glória Guimarães
03-03-2010
Dr. Alex, c/ ctz temos muito a ganhar c/ a inauguração do Parque Linear e me parece que há previsão para que hajam outros também. É bom ter lugares assim para fugir da poluição. Como vc disse, o Parque do Sabiá recebeu várias melhorias e s/ dúvida alguma eh uma das maiores riquezas naturais que nós temos e é por esse e outros motivos que cada dia amo mais essa cidade da qual me considero conterrânea. Abs




anonima
03-03-2010
realmente a cidade precisa de lugares para nos refugiarmos de tanto concreto, poluiçao...!!!!! podia se investir mais em meio ambiente!!!! mais aos poucos a gente chega la..... é ótimo ter lugares assim pra gente ir com a familia.... abraço
















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