
Assisti, dias atrás, ao filme “Território Restrito”, que trata do delicado problema dos imigrantes ilegais nos Estados Unidos, as dificuldades de se entrar no país, de se conseguir permanecer nele, de se legalizar ou se naturalizar. Contando com Harrison Ford no elenco, além de uma participação de Alice Braga, “Território Restrito” tem um roteiro bem bolado, no qual são contadas várias histórias paralelas que mantêm entre si uma pequena ligação.
Vale a pena assistir ao filme, principalmente se você pensa em morar em outro país, ainda mais na condição de imigrante ilegal. Há uma passagem que me marcou, na qual o filho de um imigrante oriental, garoto às vésperas de se naturalizar norte-americano, diz ao seu pai que não se sente tão feliz com isso, pois ainda que naturalizado ele sempre será, para os americanos, apenas mais um “china”. Isso não deixa de ser verdade.
Toda pessoa que se muda para uma terra estrangeira sofre discriminações, que são menores em períodos de bonança no país, mas crescem assustadoramente em momentos de crise. No Brasil, país formado por levas de imigrantes de vários lugares do mundo, nós somos um pouco mais tolerantes, mas também temos nossa carga de preconceito. Às vezes, não contra um francês ou alemão que vem morar aqui, pois quase sempre as pessoas de países desenvolvidos se mudam para o Brasil trazendo alguma riqueza, geralmente na forma de conhecimento técnico ou científico.
Mas vá a São Paulo, veja de perto a realidade de muitos bolivianos que migraram para o Brasil e repare como eles são tratados. Você provavelmente não verá uma carga de preconceito como a que existe em países da Europa ou nos EUA contra imigrantes, mas também não encontrará uma situação de amplo respeito. O motivo é bem simples: quem chega ao seu país sem algo a acrescentar é, na verdade, uma pessoa a mais com quem você terá que dividir as riquezas locais.
Em síntese, a coisa mais fácil é enxergar o estrangeiro como uma ameaça, como alguém diferente, que nunca vai ser igual a você e que, por todas essas razões, não merece um tratamento plenamente igual. “Território Restrito” mostra isso, embora traga várias histórias concomitantes que podem seguir por outra linha. Mas, no fundo, a verdade é essa: estrangeiros quase nunca são bem recebidos em terra estranha, se vão para lá para fixar residência.
Por essas e outras, nunca encorajei ninguém a tentar a sorte nos EUA ou na Europa, exceto em casos excepcionais, nos quais vi que, no Brasil, a pessoa já tinha esgotado suas possibilidades mais factíveis. De resto, o que sempre indiquei é tentar vencer por aqui mesmo, pois se aqui já é difícil, imagine em uma terra na qual você terá que enfrentar também o preconceito.
