
Na semana em que Uberlândia fez aniversário, a revista "Veja" publicou uma reportagem falando das cidades médias mais promissoras do Brasil. Mesmo torcendo o nariz para a "Veja", que ao menos em relação a mim perdeu toda a sua credibilidade como meio de comunicação independente e apartidário, comprei a revista – só por conta dessa matéria. Queria ver o que diziam de Uberlândia, se estava entre as cidades médias promissoras.
Sabe o que aconteceu? Não encontrei Uberlândia na lista. Procurei, procurei e nada. Fiquei indignado, até que li com calma a reportagem e vi que nossa cidade não estava lá simplesmente porque não é mais considerada de porte médio, já que conta com mais de 500 mil habitantes. Mas, foi visitada pelos repórteres da "Veja" para servir de modelo para as novas cidades que estão despontando, fato que me deixou muito feliz. Amo minha terra e nunca vou negar isso. Claro, hoje em dia esse meu amor amadureceu e consigo ver alguns defeitos de Uberlândia, entre os quais eu sempre destaco a mania idiota de muitos conterrâneos de achar que só se pode ser feliz aqui. Por conta desse comportamento, a gente passa cada vergonha quando viaja... Outro dia, ouvi reclamações de um amigo que, morando em outro Estado, recebeu em sua casa um uberlandense, o qual ficou vários dias hospedado com ele e não deixou de falar mal um segundo sequer da cidade que o estava recebendo, bem como de Belo Horizonte, terra do meu amigo. Coisa desagradável e que não é novidade para mim, pois já vi esse comportamento bairrista, interiorano e desprezível em muito conterrâneo. Uma coisa é eu achar que Uberlândia é o melhor lugar para se viver, outra coisa é, por se ter esse pensamento, falar mal dos outros lugares de uma maneira a parecer que, se a pessoa não vive aqui, não é feliz. Destaco que esse comportamento que critico não é exclusivo dos uberlandenses, pois já o encontrei em Uberaba, em Ribeirão Preto e em outras boas cidades para se viver. Mas, mesmo não sendo um defeito encontrado apenas aqui, deve ser combatido, pois só faz mostrar uma atitude arrogante e boba.
Bem, mas deixemos essas críticas para lá. O que importa é que, mesmo não sendo o único lugar do mundo em que uma pessoa pode viver bem, o fato é que me sinto orgulhoso da cidade que todos nós fomos construindo ao longo dos anos e que, a cada dia, lutamos para que fique melhor. Quase me arrebento de orgulho ao ler na "Veja", por exemplo, sobre a posição destaque que temos quanto ao tratamento de esgoto, bem como sobre a altíssima qualidade de vida oferecida pela cidade aos uberlandenses. Só me deu ainda mais saudade do lugar onde nasci, onde me criei e que se tornou a minha referência de moradia.
Alexandre Henry - Escritor
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