Busca








 


Musicais







18-03-2010


Serafim Adriano



Da série compositores “quase desconhecidos” escolhi um autor de sambas da Mocidade Independente de Padre Miguel, que faleceu em 2007 e deixou uma obra considerável para os arquivos da mais brasileira das músicas. Serafim Adriano da Silva ganhou o samba enredo da Mocidade de 1972 e teve seu nome exaltado entre os compositores daquela academia: “Rainha Mestiça em Tempo de Lundu” foi um dos sambas mais aplaudidos na avenida, naquele ano.

Em 1978, o grupo “Os Devaneios” incluiu no LP "O conjunto que faz você vibrar" uma composição de sua autoria em parceria com Celso Castro, "Vou me mandar". No ano de 1981, Roberto Ribeiro gravou "Santa Clara clareou", de Serafim Adriano com Liette de Souza, no LP "Massa, raça e emoção". A música logo se transformou em um dos grandes sucessos do cantor. Neste mesmo ano, no LP "Moleque", Paulinho Mocidade interpretou "Inquilino do universo", de Serafim Adriano e Liette de Souza. Em 1982, foi a vez de Neguinho da Beija-flor interpretar o samba “De simplicidade”. Em 1984, Roberto Ribeiro cantou “Divina Aurora” e, no ano seguinte, gravou “Divina invenção”.

Serafim Adriano teve também como parceiro de composições o grande Agepê, na música “Mundo de cimento”. Em 1993, mais uma vez conquistou o samba enredo da Mocidade Independente com “ Marraio-feridô sou Rei”. Outros intérpretes da sua obra além dos já citados são: Luiz Ayrão, Jair Rodrigues, Caetano Veloso, João Bosco, Elza Soares e Jackson do Pandeiro. Na sua discografia, não podem ser esquecidas as músicas: “Morro de simplicidade”, “Desculpe” e “O curandeiro”.

Caetano Veloso ao regravar “Ingenuidade” falou sobre a música: ela tem uma letra e um clima que dilaceram o coração." Edu Ferreira, um dos parceiros de Serafim Adriano no samba enredo vencedor da Mocidade de 1993, conta sobre o quase obscuro compositor: “Ele gostava de uma cervejinha, um bate-papo. Era imprevisível, já bateu na minha casa às 6 da manhã porque queria se despedir antes de uma viagem. Em suas músicas, falava das coisas simples do dia a dia, mas com um olhar próprio, bem peculiar. Como ele mesmo escreveu num de seus sambas, era um “inquilino do universo”.

Serafim Adriano, compositor da Mocidade Independente de Padre Miguel, era extremamente discreto, tímido e, segundo as pessoas mais próximas, “não gostava de aparecer”. Talvez tenha sido este o motivo pelo qual se finou “quase um desconhecido”. Viva o samba. Salve a cultura popular!





Comentários (0)








11-03-2010


Galvão Bueno do Brasil



O "BBB" vai avançando, cada semana um ou dois participantes são obrigados a desfazer as malas, desligar os microfones, dar uma choradinha e dizer adeus pro Pedro Bial. Na minha televisão aqui de casa, o "BBB" já começa com a eliminação total de todos os participantes. Não posso abrir mão desse troféu: "BBB" sucede "BBB", e eu consigo não saber o nome de um brother ou sister sequer.

Não sou de ficar irritado com a popularidade desses programas. Acho aquilo tudo de uma crueldade extrema, tão cruel quanto os programas dos Datenas da vida. Como não tenho estômago pra essas coisas, não assisto, e pronto.

Cada um escolhe o que fazer da própria vida. Não é de hoje que meu gosto pessoal não se afina com o dos espectadores brasileiros. Isso não me incomoda nem me deixa feliz. Mas há um ponto de discordância entre meu gosto e o gosto da maioria (essa palavra ainda é possível?) dos brasileiros: a impopularidade do Galvão Bueno.

Soube, por meio de amigos, que o Galvão vem passando por um momento de impopularidade. Fiquei entristecido, com isso. Nunca me incomodei com as pessoas se devotarem ao "Big Brother". Mas não acho justo o Galvão Bueno ser condenado como o chato da vez. Principalmente pelo fato de haver, a seu lado, no mesmo canal, um cara como o Pedro Bial.

Galvão (e toda sua equipe, aliás) produz o melhor texto da televisão brasileira. E o melhor: de improviso. As dificuldades são imensas. Galvão precisa matar um leão a cada jogo de futebol. E se sai bem do desafio. Seus textos são uma aula de clareza, dicção, brevidade. De música. Não são raras as vezes em que eu deixo de prestar atenção à pelada pra estar atento ao espetáculo que é a produção de textos da equipe do Galvão Bueno (o mesmo, aliás, é possível dizer quanto ao trabalho do Cléber Machado).

Então tratemos de fazer justiça: um país que aceitou tão bem um programa como o "BBB" não pode condenar dessa maneira um artista verdadeiro como o locutor esportivo Galvão Bueno.





Comentários (0)








04-03-2010


Reginaldo Bessa: o compositor



Nasceu em São Cristóvão, bairro do Rio de Janeiro, no dia 7 de setembro de 1937. Depois dos 12 anos de idade, sua família mudou-se para o subúrbio da Penha, onde viveu sua juventude e encontrou sua vocação artística. O primeiro violão, dado pelo pai quando completou 13 anos, o levou precocemente às serestas, rodas de samba e inesquecíveis festas da Penha. Autodidata, com 15 anos já integrava um conjunto que tocava em bailes por toda a região da Leopoldina. Sua criatividade sempre o levou a atitudes de pioneirismo no campo das artes. Paralelamente à sua atividade musical, interessou-se por teatro, tendo cursado por um ano, em nível universitário, o curso de direção no antigo Conservatório Brasileiro de Teatro. Fundou um grupo teatral na Fábrica “De Millus” em 1960, realizando espetáculos memoráveis com a participação de operários, sobretudo com a peça “Chuvas de Verão”, de Luiz Iglesias, empolgando toda uma população carente de tais manifestações artísticas. Nesse tempo já havia criado muitas músicas, todas na linha romântica, que se tornou sua grande marca. Bessa trabalhou ainda como redator de propaganda e jornalista profissional por dois anos, nas agências “Norton” e revista “O Cruzeiro”.
Em 1962, residindo na Argentina, gravou o seu primeiro trabalho, “Amor em Bossa Nova”, o que o fez permanecer por dois anos naquele país, trabalhando na sua divulgação. Voltou ao Brasil em 1964, iniciando uma série incontável de gravações, se consagrando especialmente entre os intérpretes da música brasileira, sendo considerado em 1966, uma das mais gratas revelações da música pelo jornal “O Globo”. Participou do Festival Internacional da Canção, Festival da Record de 1970 e Festival Abertura de 1974, da TV Globo. Compôs músicas para várias novelas dessa emissora, como: “Bandeira 2”, “O Espigão”, “O Homem que devia morrer” e “A Viagem”. Também dedicou-se à criação de jingles, sendo um dos mais respeitados profissionais dessa área, recebendo várias premiações.
Foi um dos autores do samba “Figa de Guiné”, primeira gravação oficial de Alcione em 1972. Em 1983 criou especialmente para a “Marrom” o grande sucesso “Qualquer Dia Desses”, canção que se mantém até hoje como uma das mais populares de seu repertório. Foi o produtor do legendário LP “Época de Ouro” em 1973. Reginaldo Bessa, no campo das composições, sempre foi prestigiado por grandes intérpretes, como: Taiguara, Agnaldo Rayol, Roberto Ribeiro, Elza Soares, Maysa, Maria Creuza, Rosemary, Pery Ribeiro entre outros. Seu nome pode até passar despercebido ao sambista menos atento, mas deve ser exaltado pela sua contribuição à mais brasileira das músicas. Salve a cultura popular! 




Comentários (0)














.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletronico ou impresso, sem autorização escrita do Jornal Correio.