Há alguns dias relatei aqui o “perrengue” que passei ao me deslocar do meu trabalho na avenida Brasil até Copacabana. Pois bem. Acontece que o pior eu ainda não contei.
Depois de trabalhar em um ambiente fresco, bonito e alegre, peguei o caminho de casa. Moro na Ilha do Governador, mas passaria em São Cristóvão para encontrar o namorado. Segui para pegar a condução. Amados, uma dica: evite AO MÁXIMO utilizar o metrô às 17h30, sentido Zona Sul-Zona Norte. É simplesmente um espetáculo dantesco! É insano (como diria minha chefe).
O primeiro obstáculo: atravessar a parede de gente pra entrar no veículo. Se você é uma pessoa que tem problemas de claustrofobia, ou não suporta a ideia de encostarem-se a você, desista. Pegar o metrô no fim da tarde é sentença de morte. Foi nesse dia fatídico que entendi a expressão andar como “adesivo”: ou seja, com o rosto encostado no vidro.
Foi mais ou menos nessa posição que cheguei à estação de Botafogo para fazer a troca do metrô sentido Pavuna, que passa em São Cristóvão. Fui “cuspida” para fora. Na hora de entrar no outro veículo foi tudo bem, pois ele estava vazio.
Eu até estava relativamente confortável, pois arrumei um cantinho estratégico. O problema foi SAIR, porque três estações depois o vagão já estava lotado. E não parava de entrar gente. “Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço”. Desconfio que esta Lei de Newton já não exista mais. Pelo menos esta é a sensação que se tem quando se utiliza o transporte público aqui no Rio.
Enfim, o que eu sei é que eu consegui me movimentar entre tantos corpos inertes e sair daquele metrô. Não me pergunte como. É sério. Eu pensei que ficaria entalada ali naquele meio pelo resto da minha vida. Mas sobrevivi, não ilesa, pois o estresse que me acompanhou por várias horas depois. Só sei que MAIS NUNCA falo mal dos ônibus de Uberlândia. E tenho dito.
Moro no Rio há mais ou menos seis meses e ainda estou na fase de reconhecimento de território. Para uma pessoa desprovida de dinheiro em excesso (pobre mesmo), conhecer a cidade significa aprender a utilizar o transporte público, descobrir lugares mais baratos pra sair no fim de semana e, claro, pagar alguns micos.
Trabalho na avenida Brasil, uma das principais do Rio, na altura de Manguinhos. Dias atrás, tive que ir a Copacabana cobrir um evento. Saí do prédio, linda e semi-loira, sozinha, sem nunca ter feito o trajeto. Meu namorado me disse que eu deveria pegar a linha 485, que me levaria direto ao destino.
Pensei: tranquilo. Pegar um ônibus só, no meio da tarde, com certeza vai ser rapidinho. Na teoria, sim. Mas, como Murphy insiste em atuar frequentemente na minha vida, não foi isso o que aconteceu.
Depois de esperar MEIA HORA no ponto, debaixo de um sol escaldante e uma sinfonia de buzinas (porque aqui a buzina é MAIS utilizada que nas outras cidades), percebi que o ônibus daquela linha não passaria ali. Então, procurei um plano B. Liguei para o marido, já naquele estágio avançado de irritação, e fui instruída a ir até o centro da cidade e de lá pegar um metrô até Copa.
Foi o que fiz. E estava super otimista. Afinal, não dizem que “quem tem boca vai a Roma”? Desci no ponto da Central do Brasil e fui perguntar ALEATORIAMENTE onde ficava a estação do metrô. Não imaginava que a simples frase “Onde fica o metrô?” geraria tanto problemas de entendimento. Parece que as pessoas aqui têm certa dificuldade em entender “mineirês”.
Pedi a mesma informação a DUAS PESSOAS, e para AMBAS eu tive que repetir. E olha que eu nem “gastei” meu sotaque carregado. Enfim. Entrei na estação e fui entrar no metrô. Como tem duas linhas, fui confirmar com o mocinho que trabalha lá se aquele iria para Arcoverde. MAIS UMA VEZ, tive que repetir a frase. Paciência, né?
Segui meu caminho e, finalmente, cheguei ao tal hotel. Bacana, ar condicionado arrbentando, coffee break gostosinho. Trabalhei feliz. Até enfrentar o caminho para ir embora. Mas aí, já é outra história…
Já ouvi algumas pessoas dizerem que a intimidade é uma droga. Eu confesso que nunca havia pensado sobre o assunto. Até agora. Hoje, eu sinto na pele o peso da intimidade. Todos os dias, o tempo todo. E como eu estou de férias [forçadas], tenho bastante tempo livre para VIVER e REFLETIR sobre isso.
Acredito que o maior desafio ao se tornar ÍNTIMO de uma pessoa é aceitar seus defeitos. Sabe aquele chavão de Big Brother Brasil, de que “um dia a máscara cai”?
A intimidade é justamente isso: enxergar o outro como ele realmente é. Não só o outro. Quando nos tornamos íntimos de alguém, nos vemos obrigados a olhar para nossa própria personalidade, o âmago do nosso ser.
Encarar o próprio ego e ter que confrontá-lo com o ego alheio, em um espaço restrito – no caso, o lar -, é o que torna a intimidade algo tão delicado. Afinal, se muitas vezes é difícil suportar a si mesmo, imagine ter que suportar o outro, suas manias, seu humor, sua individualidade!
É aí que entra em cena o AMOR, personagem principal dessa história. Ser íntimo de alguém se torna prazeroso de acordo com a intensidade do sentimento que você nutre por ele. Quando o sentimento é insuficiente, frágil e pequeno, a intimidade acaba com o encanto da relação.
E o que tenho visto em pouco tempo de relacionamento a dois é que o diálogo com a pessoa amada é algo essencial para tornar a intimidade cada vez mais suportável. Tudo é construído dia a dia, momento a momento. Falar a coisa certa, no tom apropriado, e se manter em silêncio quando necessário.
Lógico que não é fácil. Se fosse tudo muito simples, se não exigisse nenhum esforço da nossa parte, formar uma família não seria um ato tão maravilhoso e sublime.
Por isso, tento encarar a intimidade como um aprendizado. Aprendo a amar mais, conhecer mais, e, principalmente, aprendo a ser uma pessoa melhor. Para mim e para o outro. Continuamente. E posso afirmar que minha experiência com a intimidade tem sido incrível!
Depois de tanto tempo afastada, sem me comunicar com meus conselheiros de luxo, estou de volta para contar uma grande novidade.
Na próxima semana me mudo para o Rio de Janeiro. É, vou me casar e mudar, literalmente. Após 1 ano e 3 meses de namoro com meu carioca, sobre o qual já falei aqui, resolvemos “juntar nossas escovas de dente”, como dizem por aí. Estou muito feliz, mas ao mesmo tempo ansiosa e com medo do que vou enfrentar nesta nova etapa da minha vida, longe da minha família, dos meus amigos, de tudo aquilo que já estava acostumada.
Foi uma decisão difícil de ser tomada. Lembro-me de que, um dia, quando eu ainda estava resolvendo meu destino, li por acaso a seguinte frase: “Tem gente que tem medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem”. De certa maneira, essas palavras me deram um “insight”. Passei a me perguntar, então, por que não arriscar? Já sei andar com minhas próprias pernas e tenho disposição e vontade de sobra para trabalhar, aprender, crescer.
Somado a essa frase, uma grande amiga minha da faculdade, a Dayana Liz, me contou que ainda tem em seu fichário um recado que deixei para ela há uns 10 anos. O texto dizia que eu e ela iríamos nos formar, nos mudar para o Rio e nos casaríamos com um carioca. Bem, a vida dela seguiu rumos diferentes. Já a minha está seguindo o fluxo que eu mesma previ nesta ocasião. Demorou um pouquinho, mas tudo aquilo que eu sonhei está se concretizando. Acho que realmente o tempo de Deus é diferente do nosso.
Enfim, voltemos a falar de amor. Ah, o amor! Meu amor pelo carioca não pode ser explicado e muito menos dimensionado em palavras. Costumo dizer a ele que eu pedi a Deus um príncipe e Ele me deu muito mais do que eu merecia. Meu namorado é tudo o que eu preciso, hoje e sempre.
Para finalizar este post - o primeiro de muitos nessa nova fase do Boteco -, coloco aqui o trecho de um texto lindo da Martha Medeiros. Aos 27 anos, posso dizer que concordo plenamente com a mensagem que ele transmite. Fica a dica para refletirmos sobre um sentimento tão complexo, e ao mesmo tempo tão maravilhoso de sentir:
“A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.” - Martha Medeiros.
Peço perdão pela minha ausência, mas com tantas mídias sociais fico até meio perdida em conciliar trabalho, diversão e vida pessoal.
Enfim, a notícia que tenho não é muito boa, principalmente para mim. Infelizmente não consegui abandonar o cigarro. Minha breve luta durou apenas cinco dias e sinto que não conseguirei parar sem o auxílio de profissionais ou remédios para este fim.
É triste dizer isso, porque estou ciente que é uma fraqueza. Não quero ser exemplo para ninguém. Acredito que os fumantes só conseguem abandonar o vício quando a força de vontade vem de dentro para fora. Talvez tenha sido isso que me faltou.
Os quilos a mais, a irritabilidade, o DESESPERO por um trago me fizeram ceder. Não tenho orgulho disso, muito pelo contrário, mas acho que eu devia uma resposta a todos que acompanham este blog.
Aos que torceram por mim, em especial os amigos, agradeço muito e deixo registrado aqui que não desisti de abandonar o cigarro. Só estou reunindo forças para recomeçar a luta.
De tudo isso fica uma lição: se algum dia alguém me disser que para de fumar quando quiser, que não é viciado, ou outra afirmação do gênero, vai levar uma boa resposta. A mesma coisa vale para quem nunca fumou e acha que abandonar o tabaco é falta vergonha na cara do dependente.
Se não tem nada de construtivo para falar, melhor ficar com a boca fechada.
Beijos!
P.S: Prometo tentar não ficar tão ausente do boteco.
Bom, por livre e espontânea pressão do meu namorado resolvi dividir com vocês do boteco as sensações do início da minha caminhada para largar de vez o cigarro. Acreditem, não é algo legal de se ler. Muito menos de se sentir.
Para começar, um recado aos fumantes “cheios de si”, que ignoram o fato de que cigarro causa dependência (inclusive os fumados só no fim de semana) e àqueles que nunca fumaram e acham que quem tenta abandonar o vício e não consegue é porque faz drama ou não tem força de vontade: VÃO TODOS CATAR COQUINHO NO MEIO DO ASFALTO.
A realidade é bem diferente. Durante 13 anos da minha vida, não se passou um dia sequer que eu não fumasse pelo menos um cigarro. Sim, eu tinha 14 anos quando aprendi a tragar e comecei a comprar carteiras (primeiro escondido, dois anos depois assumidamente).
Aos 27 anos, cheguei ao extremo. Fumava mais de um maço de Marlboro por dia. Nos últimos dias, comecei a perceber isso e a sentir um pouco de falta de ar na academia. Nem era tanta não. O que me motivou mais foi imaginar meus dentes cada vez mais amarelos (ou pretos), o problema de ir pras festas e não poder fumar, o fato de incomodar as outras pessoas.
Sinceramente, eu não sei qual o motivo exato. Eu simplesmente decidi e parei. Marquei o dia, fumei o resto do maço que eu tinha, não joguei meu isqueiro fora. Mas levantei da minha cama na segunda-feira (28) e comecei a mudar meus hábitos, minha rotina diária.
E estou aqui, hoje, quarta-feira, três dias depois, firme no meu propósito. Você pode apontar pra mim e dizer: “aí, ela conseguiu, eu também consigo na hora que eu quiser”. Vamos por partes, meu querido. Eu estou firme, mas isso não significa que titubeei várias vezes.
No primeiro dia senti MUITA falta de ar (muito mais do que quando eu fumava). Além disso, tinha horas que eu pensava que fosse quebrar alguma coisa, do tanto que eu estava irritada. No segundo dia, a respiração melhorou, mas as fissuras, as vontades loucas de fumar (principalmente de manhã e após as refeições), pareciam mais fortes.
Hoje estou aqui, sentindo falta de ar de novo, LOUCA pra acender um Marlboro e sentir aquela fumaça chegando aos meus pulmões. E para completar, meus queridos amigos do boteco, minha mãe fuma sem parar, dentro de casa. Tem horas que o cheiro vem e eu penso: “CHEGA! Vou fumar”. Mas alguma coisa que eu não sei o que, vinda não sei de onde me impede.
Aí o que eu faço??? Coloco um chiclete na boca e bebo água sem parar. Quando a irritação está muito difícil de aguentar (falo por mim e pelos que convivem comigo), vou pra academia descontar na esteira (meu personal ama essa parte).
Se você me perguntar hoje quais as vantagens em parar de fumar, vou ser curta e grossa: até agora não vi NENHUMA. Está sendo um sofrimento e eu me pego pensando toda hora “porque eu fui inventar essa bobagem de parar”. É que toda essa história virou questão de honra pro meu namorado e ele me prometeu até presentes (bem legais) se eu não quebrar a promessa de ficar sem fumar pelo menos seis meses.
Dizem que as duas primeiras semanas são as piores e que depois eu vou me sentir mais disposta e não vou querer nunca mais voltar a fumar. Espero que sim, do fundo do meu coração. E se algum dia eu duvidei que era uma DEPENDENTE QUÍMICA, agora eu tenho a mais absoluta certeza de que eu me drogava todos os dias, a cada cigarro que eu acendia. Porque a dor de ficar sem nicotina é quase física, pelo menos para mim.
Em nome amor que sinto pelo meu namorado, pretendo cumprir minha promessa e acabar com esse vício. Daqui uns dias eu volto pra contar se consegui.
Pessoal, desde ontem tem um cãozinho macho, SRD (Sem Raça Definida), em frente à minha casa. Bem que eu gostaria de pegá-lo, mas já tenho dois, que inclusive ficam com ciúmes só de eu dar comida para ele. A realidade de animais abandonados em Uberlândia é preocupante.
De acordo com a Associação Protetora dos Animais (APA), cerca de 7 mil cães vivem em estado de abandono nas ruas (dados de 2008). E o pior é que o abrigo da APA, onde vivem de 250 a 340 cães, já não consegue comportar mais bichinhos. O resultado é este que você vê na foto: cães doentes, desnutridos, famintos e carentes de um dono que lhe dê condições de sobrevivência.
Se você está à procura de um companheirinho, aproveite esta chance. Além de poder contar com uma criatura fiel e que vai lhe proporcionar muita alegria, você ainda pratica uma boa ação. Não compre, adote.
Olá, meus botequeiros do coração!
Estou sumida, eu sei. Vocês não imaginam a reviravolta que está minha vida.
Só para constar: não sou mais repórter do jornal CORREIO de Uberlândia. Agora, trabalho como autônoma, em Comunicação Empresarial (mershan no próprio blog pode, né?)
Enfim, quando estiver com mais tempo volto para contar as mudanças e as metas da minha vida. Hoje, coloco para vocês um texto da Martha Medeiros (uma de minhas favoritas, como vocês já sabem), que foi publicado na “Revista O Globo” - recomendo. Degustem sem moderação!
Beijos e até mais!
Desacorrentadas
O amor liberta? De certa forma, sim. Amar faz você despreder-se da razão, incorporar novos hábitos, expandir seus sentimentos, invadir recantos da sua alma nunca antes explorados.
De fato, é bem poético e libertador amar.
Mas tem seus contratempos, lógico. A convivência entre duas pessoas nem sempre é um mar de calmaria, muitas concessões necessitam ser feitas, ou seja, alma gêmea não existe, é conversa pra boi dormir. Ainda assim, é melhor estar amando do que não estar amando. Ao menos até uma determinada idade.
Circulam por aí reportagens que enaltecem o amor aos 70, 80 anos, dizendo que nunca devemos encerrar as buscas, que o amor merece ser encontrado em qualquer etapa da vida. Merece, mas tenho ressalvas a fazer.
Se você alcançou uma certa longevidade e tem um parceiro bacana, mantenha-o, claro. Mas se você está sozinha da silva, já teve vários bons romances na vida e está em paz com a sua solidão, vai procurar sarna pra se coçar a troco de quê?
Há duas mulheres famosas na faixa dos 60 anos que, depois de amarem muito, já manifestaram publicamente a sua desistência de seguir procurando companhia (ainda que eu intua que esse desprendimento ainda vai lhes proporcionar novas surpresas amorosas).
Mas, enfim, são mulheres inteligentes e bem resolvidas, e essa postura de “largar de mão” me inspirou: pretendo seguir a mesma cartilha. Não que eu colecione desilusões, pelo contrário. Não tenho do que me queixar. Já vivi o lado zen e o lado tsunâmico do amor, e o saldo é de puro prazer e gratidão. Sou totalmente pró-amor, nem penso em aposentadoria agora. Mas o agora vai se transformar em depois, e depois é outra história.
Estou sem a menor pressa de que o tempo passe, mas vai passar e quando eu chegar nos meus 60 e tantos, bem saudável, independente e mantendo o espírito da juventude (estão rindo do quê?), pretendo curtir a vida mais do que já curto hoje. E não haverá problema em estar sozinha, caso estiver. Quem tem amigos, não se aperta. Ainda mais quando são amigos de diversas áreas, diversas idades, gente com a cabeça aberta, o humor tinindo, bem informados - existe turma melhor? Depois de uma noitada regada a ótimas conversas, você pega sua bolsa e volta pra casa, pega seu livro, se esparrama na cama e dorme até a hora que quiser, se for final de semana - e se não for, também.
Além de amigos, ter algum dinheiro é importante, lamento tocar nesse assunto desagradável. É ele que possibilitará que você viaje, vá a shows, receba gente querida em casa, se presenteie com pequenos mimos. Sim, você pode fazer tudo isso com um parceiro ao lado, mas não na hora que você bem entender e sem dar satisfações. Tudo terá que ser negociado.
E será preciso abrir espaço na agenda para os amigos dele, a família dele, as carências dele, as doenças dele, as galinhagens dele. Será que, maduríssima da silva, terei tempo e paciência para me dedicar tanto assim à manutenção de uma relação nova?
Sem falar em continuar tendo que se preocupar com o próprio corpo, com as artimanhas da sedução, com o sexo. Ai, o sexo… Sentirei saudades.
Poético e libertador é pensar que nunca estarei sem ninguém, porque chega uma hora em que a gente decide que é alguém, e basta.
A relação amorosa entre o homem e a mulher frequentemente nasce e se solidifica a partir de uma paixão mútua. Porém, somente o amor dá continuidade àquilo que nasce como paixão. Essa transição da paixão ao amor, que uma relação tem de percorrer para ser bem-sucedida, é difícil e delicada. Paixão e amor são bastante distintos, embora próximos e frequentemente confundidos.
A paixão se caracteriza por sua intensa carga emocional, por sua natureza sexual e, principalmente, por ser temporária. O amor tem uma natureza permanente, implica crescimento espiritual e desenvolvimento pessoal - quem não sente amor por si mesmo não tem condições de amar verdadeiramente outra pessoa - e requer um ato de vontade, pois sua realização depende de empenho. Não existe amor se não há o esforço na realização dos gestos amorosos.
Distinguimos o desejar do querer pelo fato de que este último é suficientemente forte para se transformar em ação, enquanto o desejo fica limitado a uma expectativa. Assim, também podemos distinguir o falso do verdadeiro amor pela presença de atos de amor, substituindo meros discursos sem conseqüência. O falso amor deseja, o verdadeiro quer. Pode-se dizer que o amor só é verdadeiro quando se apresenta sob a forma de exercício de vontade. Ele se concretiza na realização de uma escolha e quando escolhemos amar estamos optando agir amorosamente e sair do terreno das boas intenções não concretizadas, aquelas das quais o inferno está repleto.
Para a pessoa apaixonada, a paixão confunde-se com o amor, pois o sentimento de bem querer é intenso. Todavia, o amor, embora menos emocionado, é mais sólido, firme, disposto a sacrifícios e, por tudo isso, mais duradouro. Paixão não é uma questão de opção, não consiste num ato de vontade tal como o amor. A paixão nos acomete como uma febre e independe de nossa escolha. Felizmente, apesar de não podermos criar uma paixão que não exista, podemos nos recusar a levar adiante uma paixão que nossa razão julgue inaceitável. Este é um gesto de amor por nós mesmos.
Transitar da paixão para o amor significa submetê-la ao exame da razão e constatar que o objeto e o empenho que o amor nos cobra; e, para tal, dois requisitos tornam-se necessários: que a pessoa que amamos retribua o nosso amor e que seja por nós admirada. Este é o alicerce básico para uma relação sólida e estável.
A passagem do tempo, que deixa marcas insanáveis na paixão, concorre para que o amor se solidifique. É exatamente na luta para a preservação da relação amorosa, do desgaste do tempo e dos incidentes que inevitavelmente ocorrem que o amor se fortalece e ganha nossa confiança. Esta é uma qualidade fundamental: a confiança. Seguros não podemos ser, pois catástrofes sempre acontecem, mas confiar em nós mesmos e em nosso parceiro é possível, desde que a experiência da convivência venha nos mostrando ser tal confiança razoável, em função da forma como conseguimos superar as dificuldades passadas.
Esta memória serve para robustecer a convicção de que o casal que formamos tem suficiente vontade e maturidade para superar as dificuldades que sempre vão aparecer ao longo dos anos. A paixão não segura a relação, pois, sendo uma emoção, facilmente se converte em outra, igualmente poderosa, mas de sentido oposto: o ódio. Na verdade, amar é tão importante que não pode estar sujeito às oscilações e aos caprichos das emoções.
Vale considerar algumas das armadilhas que costumam ameaçar a continuidade de uma relação amorosa. Uma delas consiste no desejo de atender a todas as necessidades do parceiro, não deixando espaço para a individualidade e a privacidade de cada um. Trata-se apenas de uma forma disfarçada de ciúme e revela a dificuldade de aceitar nossa limitação quanto à possibilidade de preencher totalmente a vida afetiva do outro.
Outro perigo reside no sentimento de dependência que se estabelece um para o outro. Para que o amor possa sobreviver e florescer, é fundamental que cada um dos envolvidos na relação possa perfeitamante sobreviver na ausência do outro. Só assim o casal pode ter a certeza de que está unido pela vontade de conviver e não pela incapacidade de cada um de cuidar sozinho da própria vida.
O resultado de uma verdadeira relação de amor se mede pelo quanto cada um torna o outro melhor, pelo estímulo, pelo crescimento e pelo resgate daquilo que temos de melhor e mais positivo dentro de nós mesmos.
**Autor: Luiz Alberto Py, em “Olhar acima do Horizonte”.
Recentemente foi comemorado o dia do amigo. Para mim, um dia é muito pouco para homenagear os meus verdadeiros “irmãos por escolha”. Cada um com seu jeito, todos são essenciais para o meu crescimento, em todos os sentidos.
Ter um amigo é bom em qualquer momento, em especial aqueles em que a vida lhe concede uma oportunidade – que também surgiu por meio de um amigo –, mas em troca exige uma escolha. Afinal, nossa história é permeada por perdas e ganhos, os quais nos exigem muito discernimento e coragem.
É mais ou menos assim que me sinto agora. Tomei hoje uma decisão que, certa ou errada, vai mudar o rumo do meu futuro profissional para sempre. E eu confesso: sou muito dependente dos outros. Sigo meu coração, mas não sem antes consultar a opinião daqueles que eu sei que querem meu bem, torcem por mim, me amam.
Passo agora por uma mudança radical e se não fossem meus “anjos” de convivência, não estaria tão tranquila e feliz com a minha escolha. Por isso, uso meu próprio Boteco para agradecer estas pessoas, que me fortalecem, me aconselham, me entendem e me respeitam. Obrigada por tudo, meus “quiriiiidos”!