Rogerio Morgado

Notícia com humor

Boca Aberta Faz parte da nova geração de de grandes humoristas que fazem stand up comedy. Toda segunda-feira tratará com humor acido todas noticias da semana, ou não.

28/05/2012 6:00

Põe na tela

Radialista

Viu a repórter que humilhou o preso na Bahia só para conseguir uns cliques no YouTube e ficar famosa? Conseguiu. Mirella Cunha está conhecida pelo seu antiprofissionalismo e antiética por todo país. Para quem não viu o acontecido, Mirella Cunha, que trabalha no “Brasil Urgente Bahia”, entrevista um garoto preso por conta de um celular e um cordão de ouro de uma mulher e a repórter tenta a todo custo fazer o rapaz confessar uma tentativa de estupro que o mesmo diz quase chorando não ter cometido. Tudo isso regado a muita arrogância e intimidação.

Além disso, vem a humilhação pela falta de conhecimento do rapaz ao confundir exame de próstata com corpo de delito. Ela vai para cima sem medo, claro é um rapaz que naquele momento não oferece risco algum a jovem linda e loira, pois queria ver se ela teria o mesmo peito (oops), para fazer o que fez com ele na rua. Ela ri da cara do rapaz e ainda diz que aquilo vai acabar indo para o YouTube.

Fica claro que a tentativa de fazer mais um hit na web foi totalmente forçada, mas foi ridicularizada por um antiprofissionalismo que ultimamente podemos ver por uma classe de pseudojornalistas que a qualquer custo e sem o mínimo de informação empunham microfones ou “lápis e papel” na mão para destrinchar barbaridades que uma criança de oito anos não credibiliza.

Não quero julgar o formato do programa que vive de pautas policiais, pois já acompanhei vários desses que prestam serviços reais à população e não são apenas informativos sensacionalistas. Quero cutucar a ferida de muito jornalista que faz seu trabalho pautado no sensacionalismo, pensando apenas na audiência e nos cliques que vai gerar. Para que pense sempre nessa mocinha loira quando for fazer algo tão ridículo como isso e muitas coisas que vemos por ai. Que não se baseie em Twitter e redes sociais para soltar uma nota que for. Que seja algo com credibilidade e não paute nada mais no “achismo.”

Muitos jornalistas sérios se revoltaram, eu não sou formado jornalista, sou formado em comunicação audiovisual, mas também me revoltei. Essa é a prova de que exercer uma profissão sem o conhecimento, no caso de uma faculdade, é o começo do fim se algo não for feito a respeito.

A Band disse por meio de nota oficial que tomará “todas as medidas disciplinares necessárias. A postura da repórter fere o código de ética do jornalismo da emissora”. Faço votos que isso sirva de exemplo para os péssimos jornalistas que me faz sentir vergonha e repúdio ao ver conteúdos como esse. Hoje não teve nada de engraçado. Só uma dica: não se deixe levar nem se empolgue com esse tipo de jornalismo. Pois se alguém faz é porque alguém compra.

Colaborou nessa edição Mirella Cunha e a vergonha alheia.

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