Camargo Neto

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Bola em Jogo A coluna Bola em Jogo é publicada às segundas-feiras e aos sábados.

21/04/2012 8:51

Sem resultados

jornalista

Defendo, de forma convicta e insistente, a necessidade do Uberlândia Esporte adotar uma política de valorização e aproveitamento dos jovens formados em suas divisões de base. Até agora, no projeto chamado de Craques do Futuro o resultado é próximo de zero. Dia desses, no Superesportes, na seção “Por onde anda”, li matéria feita com o ex-zagueiro Gilmar Francisco, que, muito jovem, idade juvenil, foi trazido de Araguari para o Uberlândia e passou a ser reserva do Batista.

Ele relata que Batista foi negociado para o Atlético em 1985 e ele, que virou titular do Uberlândia aos 17 anos, foi negociado em seguida para o Cruzeiro. Vários outros também foram buscados aqui e ali pelo Uberlândia, jogaram e depois renderam dinheiro, como Vivinho, que foi para o Vasco, depois Fernando, que foi para o Mogi Mirim e depois jogou no Internacional e Palmeiras. Já com o Craques do Futuro, que tem a estrutura física e financeira que não existia anteriormente, ninguém ou quase ninguém é revelado.

Tem, portanto, muita coisa errada. Sei que os defensores do que está errado vão alegar que a Lei Pelé não permite mais segurar jogadores e que naquele tempo existia o passe. Só que modificações recentes foram feitas na lei, que permitem ao clube formador segurar o jogador ou, na pior das hipóteses, assegurar direitos sobre ele para a continuidade de sua carreira. Muitos jogadores saíram do Uberlândia, depois de trabalhados, e foram para outros clubes. Certamente quem os levou ganhou dinheiro sobre eles.

E o Uberlândia ficou chupando o dedo, sem o jogador e sem dinheiro. Isto valeria até uma auditoria que deveria ser mandada fazer pelo Conselho Deliberativo do clube. A ideia inicial do projeto Craques do Futuro era não ter as famosas peneiras e sim o encaminhamento dos garotos que aparecessem com potencial nas escolinhas dos vários poliesportivos da Futel para as divisões de base do Uberlândia Esporte.

Isto não acontece e há denúncias de que garotos saem dessas escolinhas direto para vários outros clubes brasileiros, do mesmo jeito que o ex-jogador Isaac manda os que ele descobre em Monte Alegre de Minas para clubes do Paraná. Nas escolinhas da Futel também existem “professores” que não entendem de futebol, o que é outro absurdo. Tudo isto precisa ser corrigido para que o Uberlândia Esporte possa ter jogadores formados aqui jogando no seu time principal de profissionais e também tendo transferências negociadas para contribuir para o seu caixa.

Não é fácil

Na verdade, não é só no Uberlândia Esporte que o trabalho de promover a entrada e afirmação de jovens jogadores no time de profissionais é mal feito. Domingo passado, dia 15, o técnico Givanildo Oliveira, do América-MG, resolveu colocar em campo os reservas para enfrentarem o Guarani de Divinópolis. Este, em Minas, tem um bom time, que tem alguns jogadores muito experientes e estava afiadinho, pois jogava sua 11ª partida.

O Guarani ganhou de 4 a 0 e tanto a crônica esportiva quanto os torcedores passaram a dizer que os reservas americanos são fracos. Ora, foi um catado de jogadores novos e recém-contratados, outros vindo do Departamento Médico e os outros que não tinham jogado. Portanto, um time desentrosado e mal preparado. Certamente a maioria dos jogadores é de nível médio para bom. Aqui, pessoa ligada à diretoria do Uberlândia me disse que um grupo de quatro ou cinco ex-juniores alviverdes, dispensados, foi a uns três times para fazer testes e todos foram reprovados, como se isto fosse um atestado de que são fracos. Ora, já foram sem moral e como um pacote de renegados.

Não tinham condição de se dar bem. Jogador novo tem que ir sendo lançado aos poucos, principalmente quando o time estiver ganhando. A outra opção é se já tiver a derrota definida. Ou seja, sem a responsabilidade de ter de resolver. Aí um se firma agora, outro daqui mais uns meses e assim por diante. Depende também de ter personalidade mais equilibrada e uma série de fatores. Não é trabalho para amadores, mas para profissionais, que são poucos, dirigir.

Comentários (10)

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  1. carlos Siquieri disse:21/04/12 9:36

    Camargo Parabens pela materia
    voce ta correto nos bases nao
    forma ninguem so serve para captar dinheiro e desviar para o profisional.

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    • Camargo Neto disse:21/04/12 11:39

      Carlos, se isto estiver ocorrendo, está errado. Sem comprovação, não podemos denunciar.

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  2. Mario Borges disse:21/04/12 11:02

    Camargo Neto, realmente a lei Pelé prejudica os pequenos clubes como o UEC, teve pequenos ajustes, as multas são pequenas e os grandes clubes ou empresas especializadas depositam estes valores na FMF e o clube perde os direitos federativos sobre o jogador. O ideal seria um vinculo de 10 anos a partir da entrada do jovem atleta no clube, mesmo como amador e posteriormente como profissional, por exemplo.. um atleta com 15 anos de idade, faz sua inscrição no UEC, somente quando Ele tiver 25 anos poderá ser transferido pela Lei Pelé, antes disto, somente com a autorização do Clube que o “criou”, desta maneira o Clube poderá investir em categorias menores e incentivar os “jogadores da base”, estes jogadores que você citou , nenhum deles custou qualquer quantia ao UEC , vieram do futebol amador de Uberlândia e os clubes nunca recusaram a transferência dos mesmos para o VERDÃO.

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  3. Marcos Alves disse:21/04/12 11:19

    Em relação a base é frustante os poucos resultados obtidos. Chegou a perguntar para o Guto, no Correio TV Esporte, os motivos?
    A lei foi alterada agora, me falaram que o Uberlândia Esporte perdeu 14 atletas até 16 anos ano passado. Obviamente foram os melhores e aí desmonta qualquer evolução do grupo.

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    • Camargo Neto disse:21/04/12 11:38

      Marcos, o Guto nos disse que de agora em diante a coisa vai mudar. O assunto é vasto e intrigante. Da minha parte, já que mesmo com as modificações, a Lei Pelé só assegura direitos reais do clube sobre o jogador a partir de16 anos, entendo que o Uberlândia Esporte deveria só trabalhar com jogadores de 16 a 20 anos. Seria fazer, inclusive, como muitos outros fazem, a captação de jogadores já pré-trabalhados. Pode não ser o ideal, mas é o possivel para dar lucro e não prejuizo.

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      • Marcos Alves disse:21/04/12 23:31

        Trabalhar só com jogadores acima de 16 anos é uma opção, mas aí prejudica a parceria com a Prefeitura no projeto. De qualquer forma, não concordo quando falam que Uberlândia é um celeiro de craques. A prova disso são poucos uberlandenses em times de serie A e B do brasileirão.

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  4. Marcelo disse:21/04/12 19:09

    Formar craques na base não é facil. Quando o garoto está bem encaminhado para poder dar retorno ao clube aparecem os “predadores” e com uma bia labia convencem o garoto a seguir outro caminho. Aqui em Uberlandia o maior predador da base do Uberlandia Esporte se chama Maurinho. Aquele mesmo que foi ídolo em 1984. Hoje é o maior predador do programa craques do futuro.

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    • Camargo Neto disse:21/04/12 22:07

      O debate sempre contribui para que haja evolução. Espero que o Marcelo esteja equivocado e o espaço está à disposição do Maurinho.

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  5. Mario Borges disse:22/04/12 10:45

    Camargo, O Maurinho deve estar trabalhando para algum time grande, e isto é normal, Ele precisa sobreviver, porque o UEC não faz um contrato com Ele no mesmo sentido? a falha está é na documentação quando na entrada do “garoto” lá na Vila Olimpica, isto sim, tem que ser revisto, o Lucimar, diretor da Vila precisa cuidar disto, o Clube tem advogados ?

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  6. joao roberto spini machado disse:29/04/12 10:36

    caro Camargo.Nem que seja ON LINE,por Telegrama,Internet,ou DVD,o que o Uberlandia Esporte Clube,precisa urgentemente, é trazer o Mario Borges de Oliveira,de Goiania,para assumir um dos dois mais importantes cargos do U.E.C.Mario,é inteligente,perspicaz,vivido,e adora o time desta cidade.Seria um Grande feito de que o trouxesse.E com o Lucimar Cesar atuando como principal Assessor dele,eliminariamos esta vergonha que é a falta de um Futebol Decente em Uberlandia.Até o Araxá,esta na frente,como se cansam de dizer,os habitantes daquela cidadezinha,que ja foi de Turismo!Mas hoje é de Futebol!

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