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24/04/2011 6:00

A deficiência que se torna aprendizado

Ana Cristina orgulha-se da família e da educação recebida dos pais, deficientes visuais

A maioria dos casais concorda que educar os filhos não é tarefa fácil. Quando há fatores que podem pesar ainda mais na criação, a ideia é que a relação entre pai e filho se torne insustentável, mas para José Leandro de Souza Netto, 77 anos, e Maria José, 71, a deficiência visual não impediu a constituição de uma família.

Hoje, o casal tem dois filhos, uma advogada e um bacharel em História. “Eles não sentiram diferença. Eu sempre pedia: ‘coloca isso na mão da mamãe, explica como isso funciona’. Hoje, até a neta de sete anos de idade sabe como tratar, ela chega com algo novo e pede: ‘vovó, passa a mão aqui para ver como é a minha roupa’, ou seja, tratamos com muita naturalidade”, afirmou Maria José.

A deficiência do casal foi adquirida acidentalmente. José Leandro, com um ano e meio de idade, sofreu uma queda que ocasionou descolamento de retina. A esposa, aos 15, apresentou sintomas semelhantes ao de conjuntivite, passou por uma cirurgia mal sucedida e ficou cega.

No dia a dia, Maria José realiza as tarefas domésticas e também faz roupas para bebê em tricô. O esposo é professor de violão e se dedica às aulas de hidroginástica com a mulher.

Para a filha do casal, Ana Cristina de Souza, o amor e o respeito foram a base da relação. “Não houve aceitação, simplesmente nascemos em uma família normal, com direito a parques de diversão, zoológico, lição de casa. Sempre tivemos muito orgulho deles”, disse Ana Cristina.

A vida em pequenos ângulos

Danielle Ramos não recebeu dos pais tratamento diferenciado por causa da baixa estatura

Aos 28 anos, Danielle Vieira Ramos, formada em Psicologia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pós-graduada em Gestão de Pessoas, atua na área de recursos humanos. Uma história que o nanismo (deficiência física caracterizada por um atraso no crescimento do indivíduo) não conseguiu impedir.
Filha mais velha entre três irmãos, Daniella nasceu com a deficiência. “Meus pais sempre me criaram como uma criança normal. Família e amigos são essenciais, pois conquistei meu espaço tendo eles sempre ao meu lado”, afirmou Daniella.

Apesar da força de vontade para enfrentar os obstáculos que surgem devido à deficiência, ela diz que a falta de informação da maior parte das pessoas em relação ao nanismo a deixa chateada. “Ainda ouço comentários maldosos e percebo que há receio de aproximar e compreender que o problema é apenas físico”, disse.

A missão de transmitir força

Glenda, dedicação dobrada à filha deficiente e ao marido que ficou tetraplégico

Duas experiências mudaram os planos e as expectativas da esteticista Glenda Daibert. A filha Juliana nasceu perfeita, mas aos quatro anos de idade apresentou um tumor cerebral. “Foi necessário fazer uma cirurgia delicada que deixou sequelas. Hoje, Juliana tem 33 anos, mas idade mental de uma criança de seis”, disse Daibert.

Tempos depois, em 2007, Glenda passou por outra surpresa desagradável. “Após dois anos do meu segundo casamento, meu marido, aos 32 anos, sofreu um grave acidente de trânsito que o deixou tetraplégico. A maior dificuldade, nos dois casos, foi receber a notícia, pois eu convivia com duas pessoas perfeitas”, afirmou.

A realidade é difícil, mas ela conta que tenta tratar a filha e o esposo, Alexandre Rodrigues, de forma natural. “Apesar de Juliana não ser uma criança alfabetizada, fala o português corretamente, faço questão de ensinar, pois tratá-la como criança é piorar o sentimento de limitação e desprezo”, disse a mãe. Já com o marido, Glenda acompanha um processo evolutivo lento, mas significativo. “Hoje ele consegue movimentar, ainda que pouco, os braços e as mãos, mas isso me faz trabalhar com ele a esperança, principalmente com a evolução dos estudos com células tronco”, disse.

Vencer barreiras desde criança

Manoel Carlos, com incentivo da família enfrenta adversidades e falta de estrutura

Se falta força para se manter de pé, sobram garra e determinação para não se entregar diante das barreiras físicas e sociais. Manoel Carlos Rodrigues de Castro Santos, 26 anos, poderia usar a cadeira de rodas como desculpa para não encarar o mundo com os problemas enfrentados por um cadeirante.

Filho de um empresário do ramo da comunicação, a boa condição financeira não foi motivo para Manoel evitar a rotina de trabalho. “Sou formado em Sistemas de Informação e atuo como analista de Cedoc (centro de documentação) na TV Paranaíba”, disse o jovem, que nasceu com má formação da coluna vertebral.

Manoel é o mais novo de três irmãos. “Sempre tive apoio da minha família e amigos. Tento depender o mínimo possível das pessoas que convivem comigo”, disse. O carro dele é adaptado, mas isso nem sempre é garantia de respeito. “A vaga exclusiva para deficientes quase sempre não está à disposição. Se estou na cadeira de rodas, encontro pelo caminho buraco e entulho, infelizmente, ainda falta consciência”, afirmou.

Comentários 1

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  1. Ana Claudia disse:24/04/11 17:34

    Admiro as pessoas que ultrapassam e vencem os obstaculos que a vida lhes impoem! O maior deficiente é aquele que se acha superior,quem tem tudo pra ser uma pessoa de sucesso e não faz nada pra mudar a sua história! Tenho um filho de 4 anos com PC mas que ama a vida e as cores que ela tem!! Meu maior tesouro que me ensinou coisas que eu jamais aprenderia se nao tivesse ele aqui!!!! Nao vejo porque falar em ser normal se todos nós somos diferentes!!!

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