Assine o CORREIO
menu
publicidade
publicidade

Cidade e Região

Alargadores e piercings exigem cuidados

A dermatologista Ana Márcia de Almeida recomenda atenção aos diabéticos na hora de colocar piercings e alargadores

Acessório que se globalizou na década de 90, o piercing deixou de ser sinônimo de modismo e rebeldia entre os jovens e se tornou uma peça fashion no visual de homens e mulheres. O alargador, acessório feito de chifre de boi, madeira ou aço cirúrgico frequentemente utilizado na orelha, também ganhou espaço, principalmente entre os jovens. Mas dermatologistas alertam para os riscos à saúde que a colocação destes adereços pode provocar e os cuidados necessários para evitar infecções.

Segundo a dermatologista Ana Márcia de Almeida, tanto para o piercing como para o alargador é importante a pessoa procurar profissionais que utilizem aparelhos esterilizados em autoclave para fazer os furos onde vão ficar os acessórios. “Devem ser profissionais qualificados, que tenham alvará de funcionamento do estúdio, agulhas e catéteres descartáveis”, disse.

Segundo o tatuador, aplicador de alargador e body piercing – nome dado ao profissional que coloca o acessório – Raphael Pajuaba, a colocação de piercings exige cuidados que ele adota. Diariamente, ele atende em Uberlândia uma média de quatro pessoas interessadas em ter a peça no corpo.

Ele disse que a perfuração é feita com maior frequência no nariz, no umbigo e na orelha, mas há clientes que preferem outros locais, como o mamilo, a língua e as partes íntimas. “Há mulheres que têm piercing no clitóris e grandes lábios”, afirmou Pajuaba, que reconhece os riscos da profissão. “Não atendo ao pedido do cliente sem antes apontar todos os cuidados necessários com a peça que ele deve ter para evitar problemas de saúde”, disse.

De acordo com Pajuaba, o procedimento básico para evitar infecções é colocar, primeiramente, um acessório que cubra todo o furo para, após 30 dias, usar uma argola. “Durante a cicatrização, é importante evitar a exposição do local para impedir a entrada de bactérias”, afirmou.

Pajuaba, que usa alargador, disse também que no caso do uso deste adereço, o cuidado está no tempo necessário para a abertura da perfuração. O primeiro furo é feito com 2 mm e, após 20 dias, aumenta mais 2 mm. Ainda de acordo com ele, a elasticidade da pele é percebida aos 4 mm e define em quanto o alargador pode ser aumentado.
“Há cliente que pede para abrir 12 mm na primeira perfuração, mas não faço”, disse Pajuaba, que já acompanhou um cliente cujo alargador atingiu 80 mm no lóbulo da orelha. “Também rejeito demanda para alargador em cartilagem, pois ela não regenera”, afirmou.

Furo no umbigo requer maior precaução

Taissiane Santana tem três piercings e um alargador no corpo

Os cuidados para a aplicação de piercing ou alargador precisam ir além da precaução com o local onde o acessório será colocado. Caso a pessoa tenha alguma doença ou use algum medicamento, de acordo com a dermatologista Ana Márcia de Almeida, é importante que ela relate ao profissional responsável pela perfuração. “No diabético, o processo de cicatrização é mais lento e a imunidade é baixa, o que potencializa as chances de infecção”, disse.

Segundo a dermatologista, as complicações por colocação de piercing ocorrem mais frequentemente no umbigo. “O fato de ser uma área úmida facilita a contaminação bacteriana”, afirmou a médica.

Outra anomalia recorrente provocada pelo piercing é o queloide, um tumor benigno proveniente do processo de cicatrização. “Nos casos em que o queloide excede ao tamanho normal, é feita a retirada do caroço, podendo ser necessárias até sessões de radioterapia”, disse Ana Márcia de Almeida.

Para quem opta pelo alargador, a chance de complicações é menor, pois, na maioria dos casos, a peça é perfurada onde não há cartilagem, no lóbulo da orelha, por exemplo.

Estudante de Direito teve queloide, mas não deixou de lado os acessórios

Com três piercings e um alargador, a estudante de Direito Taissiane Santana, 23 anos, disse que precisou cuidar de um queloide que surgiu após colocar um piercing no nariz. “Aumentei o cuidado com a higiene do local com o uso de pomada e antisséptico”, afirmou.

O umbigo e a orelha também têm o adereço. Já o alargador, hoje com 5 mm, foi colocado neste ano, na orelha esquerda. Ela gastou cerca de R$ 60 em cada perfuração e, apesar de já ter enfrentado um problema de saúde por causa da colocação de um destes acessórios, não deixou a prática de lado e pretende colocar outro piercing na orelha.

Segundo o tatuador, aplicador de alargador e body piercing Raphael Pajuaba, a escolha do material adequado para o piercing ajuda a evitar problemas como o que Taissiane Santana teve. De acordo com ele, peças feitas de aço cirúrgico são as mais indicadas para a primeira perfuração.

Cuidados

- Lave bem as mãos e limpe as unhas antes de tocar no piercing

- Faça uma limpeza com iodo somente por fora da joia para retirar casquinhas e secreções

- Não use algodão ou qualquer outro material que solte fios. Dê preferência para gase ou papel toalha

- Evite sauna, piscina, banho de mar, lagoa e excesso de sol

- Não submeta o piercing a nenhum atrito

- Má alimentação, uso de drogas e álcool podem prolongar o período de cicatrização

- Evite roupas justas e sintéticas que fique em contato com o piercing, pois dificultam a respiração da pele

- Se o piercing inflamar, não retire a joia e procure imediatamente um dermatologista

- Se tiver piercing na língua ou na boca, lave-as com antisséptico bucal sem álcool após as refeições

- O piercing deve ser limpo somente duas vezes por dia, na fase de cicatrização

- Manipule o piercing somente quando for limpá-lo

Sintomas de infecções e inflamações

- Provocados por uso de piercing

- Inchaço

- Sensação quente ao redor do piercing

- Acúmulo excessivo de pus

* Preço médio da perfuração

- R$ 50 (com a peça)

* Piercing em menor de idade

- Colocação deve ser feita somente com a presença do responsável e autorização escrita com registro do documento do responsável e do filho

Comentários

4 respostas para “Alargadores e piercings exigem cuidados”

  1. Precisamos urgentemente que se desenvolva implantes de cérebro e alargamentos de mente. Penso que as pessoas andam levando muito a sério a expressão “levar ferro”.

Deixe uma resposta


− três = 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

Em função do período de campanha eleitoral e em atenção à legislação vigente, o CORREIO de Uberlândia se reserva o direito de não publicar comentários com viés político/eleitoral direta ou indiretamente direcionados aos partidos, agentes políticos, candidatos ou não, tanto na versão impressa quanto na internet.