Alergia e intolerância provocam dúvidas
Diarreia, cólica e distensão abdominal são apenas alguns dos sintomas que se manifestam em uma pessoa – criança ou adulta – que possui intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite. Ambos os diagnósticos são provocados pelo consumo desse alimento ou de seus derivados. A diferença está nas causas: proteína e lactose. Cientificamente, a alergia é uma resposta imunológica do organismo à proteína do leite, que pode ser de vaca, de cabra, de búfala. Ou seja, o organismo entende essa proteína como um agente estranho que precisa ser combatido e desencadeia reações alérgicas como diarreia, urticária, sintomas respiratórios – como asma – e até febre. Por outro lado, a intolerância à lactose é a falta ou deficiência da produção de uma enzima chamada lactase, que serve para digerir a lactose – o açúcar do leite. Quando não absorvida, ela é fermentada por bactérias do intestino grosso levando à diarreia – o sintoma mais característico da intolerância.
Com relação à alergia à proteína do leite, o especialista em alergia e imunologia Gesmar Rodrigues Silva explica que existem dois tipos: a imediata e a tardia, sendo ambas mais comuns em crianças de até 3 anos. “Na imediata, assim que o paciente tem contato com o leite, os sintomas levam de cinco minutos a uma hora para se manifestarem. Na tardia, os sintomas podem demorar mais, mas atrapalha a qualidade de vida e o desenvolvimento da criança”, disse.
O filho de 1 ano e 5 meses da vendedora Larissa Ferreira Calixto, de 27 anos, é alérgico à proteína do leite e do ovo desde o nascimento. Segundo a vendedora, por causa do problema, até a sua própria alimentação teve que ser mudada durante o período de amamentação do filho. “Eu não podia comer nada que levasse leite. Se eu comesse uma bolacha, por exemplo, assim que o meu filho mamava já começava a ter diarreia, alergia e vômito”, disse.
Atualmente, o bebê de Larissa possui uma alimentação diferenciada, que restringe qualquer alimento que contenha leite ou ovo. “Ele não pode tomar o leite de vaca, por isso, na sua alimentação uso leite de soja”, afirmou.
Intolerância
A dona de casa Noemi Batista da Silva Viana, 62 anos, é intolerante à lactose há mais de dez anos. A descoberta do problema veio quando, em consulta a um endocrinologista ela queria perder peso. No cardápio indicado pela médica havia várias refeições que incluíam leite, queijo e iogurte, alimentos que ingeridos por Noemi de forma mais rotineira causaram enjoos, náuseas e vômitos. “Se eu comer um pedaço de queijo hoje, tenho que ficar um mês sem comer de novo. E leite eu só posso beber se for gelado.”
Noemi Viana conta que alimentos que possuem pouca quantidade leite, como quitandas, não causam o desconforto no organismo. “Posso comer pão de queijo e qualquer outra quitanda, mas, se tomar leite, iogurte ou comer queijo, posso me preparar para ficar um bom tempo sem esses alimentos novamente”, afirmou.
Quantidade faz a diferença entre alergia e intolerância
De acordo com a pediatra Cristina Palmer, especialista em gastroenterologia, em se tratando da alergia à proteína do leite qualquer quantidade do alimento ou derivados ingerida já provoca reações no paciente. Enquanto na intolerância à lactose, o paciente consegue suportar pequenas quantidades do leite e tolera melhor os seus derivados. “A alergia à proteína do leite pode até causar sintomas mais graves, como o choque anafilático, que é a situação em que o paciente corre risco eminente de morte.” Ela acrescenta que a alergia alimentar pode causar ainda sintomas como dermatite atópica, vômitos e refluxos. “A alergia na infância tem crescido muito nos últimos dez anos. Hoje, a incidência em crianças gira em torno de 5% a 8%”, afirmou.
A outra filha da vendedora Larissa Calixto, hoje com 8 anos, também foi alérgica à proteína do leite até os 4 anos. A vendedora lembra que os sintomas eram graves ao ponto de a filha ter até sinusite e alergia no rosto. “Hoje, ela não é mais alérgica, porém ficou com cicatrizes na face por causa das alergias.”
Quanto à alimentação, em caso de intolerância à lactose, diminuir o consumo do leite ou de derivados é até certo ponto fácil, cortá-los radicalmente é muito difícil, o que se faz necessário em caso de alergia à proteína.
Segundo a nutricionista Roberta Martins Rezende Lourenço, em pacientes alérgicos os alimentos devem ser substituídos, por exemplo, por leite de soja ou de arroz. “Em crianças, é necessária a substituição do leite por fórmulas especiais, que não possuem a proteína do leite e são enriquecidas com cálcio e vitamina B.”
Frutas, verduras e sol
Já pacientes com intolerância precisam aumentar a ingestão de frutas e verduras, principalmente verduras de cor verde escura, que são ricas em cálcio, isso porque se faz necessária a adoção de uma dieta que suplemente os nutrientes encontrados no leite, principalmente o cálcio.
“Além disso, os intolerantes precisam evitar alimentos que atrapalhem a absorção do cálcio, como café, refrigerante e alimentos industrializados”, disse a nutricionista, lembrando que o intolerante absorve apenas o cálcio presente nos vegetais, por isso, precisa cortar esses alimentos. “Pessoas que apresentam intolerância à lactose também precisam de mais vitamina B, assim é recomendável tomar sol ao menos três vezes por semana, o que ajuda na absorção dessa vitamina.”
HC oferece tratamento para crianças
Em agosto de 2009, especialistas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC/UFU) criaram o Programa para Utilização de Formúlas Especiais para Alérgicos Alimentares – que obviamente inclui pacientes com alergia à proteína do leite.
O principal objetivo do programa é custear o tratamento por meio de fórmulas especiais de crianças de até 2 anos de idade que sofram de alergia alimentar.
De acordo com a pediatra Cristina Palmer, que é uma das autoras do projeto, o programa acontece todas as sextas-feiras à tarde no Ambulatório de Pediatria de Alergia Alimentar do HC. “É um programa que atende apenas pacientes residentes em Uberlândia”, disse Cristina Palmer.
Para ser incluído no programa, o pai ou responsável pela criança deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou UAI e pedir ao pediatra o seu encaminhamento ao HC, via central de marcação de consultas. “Se o pediatra da unidade de saúde julgar que o caso da criança é de alergia alimentar, ele vai encaminhar para o programa”, afirmou a pediatra.
Alguns produtos que contêm leite e derivados:
• Iogurte
• Manteiga
• Maionese industrializada (pode conter leite em pó)
• Margarina (pode conter leite em pó ou outro derivado de leite)
• Biscoitos recheados
• Creme para café (coffe-creamer)
• Queijos
• Nata / creme de leite
• Requeijão
• Coalhada
• Pudim / Manjar
• Sorvete
• Sopas instantâneas cremosas
• Molhos cremosos para salada
• Purê de batatas / aipim / batata soutê
• Salgadinhos (batatinha frita e similares)
• Empanados
• Achocolatados
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Roberta Lourenço disse:28/06/11 9:34
Corrigindo: Não é VITAMINA B, e sim VITAMINA D.

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