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2/09/2012 11:29

Brasileiros conquistam segunda família em intercâmbio no exterior

Professora de inglês Maria Helena mantém amizade com família de Iowa há 42 anos

Por meio de um intercâmbio que tinha como objetivo a imersão cultural por um período de seis meses, a professora de inglês Maria Helena Queiroz estabeleceu um vínculo com uma família americana que já dura 42 anos. A história teve início em janeiro de 1970, quando a professora foi morar com uma família de fazendeiros em Iowa, nos Estados Unidos. “Na época, eu morava no Rio de Janeiro. Deixei um clima de 40ºC para enfrentar 15ºC negativos. Tudo era muito diferente”, disse Maria Helena.

O grupo, que viria a ser sua segunda família, era constituído pelo casal e cinco filhos. O intercâmbio da professora durou seis meses, mas a relação de amizade prevalece até hoje. “Antes que eu viesse embora, minha ‘irmã’ americana veio fazer um intercâmbio de verão e passou 45 dias no Brasil. Depois vieram todos os outros quatro para mais 45 dias.” Esse período foi o pontapé para o início da amizade que rompeu barreiras geográficas e culturais.

Ainda de acordo com a professora, os ‘pais’ americanos também vieram ver de perto os hábitos tupiniquins, por nove vezes, nesses 42 anos de amizade. A filha de Maria Helena também foi conhecer a cultura americana e se hospedou por um ano na casa da família. “Neste período, nos encontramos também em diversos casamentos, de brasileiros e americanos. Hoje, os pais americanos são os que tenho em vida, bem velhinhos, pois os meus biológicos já se foram”, afirmou.

Neste longo período de convivência, a imersão cultural foi intensa. A professora disse que a família americana aprendeu a se abraçar mais e a ser mais emotiva. “Nos embarques e desembarques, era uma choradeira nos aeroportos. Estabelecemos uma relação muito íntima”, disse Maria Helena que, além de amizade, ainda teve por meio do intercâmbio a oportunidade de ter na língua inglesa o seu sustento.

Estudante mantém vínculo há seis anos

Estudante João Bosco Júnior se tornou amigo de família que o abrigou nos EUA

O espírito aventureiro de adolescente motivou o estudante de Administração João Bosco Pereira Júnior, 21 anos, a convencer os pais a deixá-lo fazer um intercâmbio quando ele tinha 15 anos.

A experiência, além de agregar conhecimento, deu ao adolescente uma segunda família: os Steesy, forma como João Júnior se refere aos amigos americanos.

Moradora de North Conway, uma cidade de 2,6 mil habitantes no nordeste dos Estados Unidos, a família era constituída pelo casal e dois filhos que foram adotados na Rússia ainda recém-nascidos. “É um grupo unido e com hábitos como brincar de jogo de tabuleiro toda noite, assistir a filmes e comentá-los depois, algo bem diferente da nossa cultura”, afirmou João Júnior.

O intercâmbio, que teria duração de dez meses, precisou ser encerrado em menos de um mês, por motivos pessoais, mas eles mantiveram contato e logo o jovem foi convidado a voltar. “No fim do mesmo ano retornei para esquiar com eles. Em 2008, os Steesy vieram ao Brasil, conheceram minha família e algumas cidades turísticas do país”, afirmou o estudante que hoje é recebido pela família como um grande amigo.

O vínculo entre João Júnior e os Steesy se estendeu para a família do estudante. A conversa entre eles acontece por e-mail e telefone. Nas datas especiais, costumam trocar cartas e fotos. “Estou programando levar alguns amigos para passar o Natal deste ano com os Steesy. Quando os informei desse projeto, por e-mail, eles logo disseram que seríamos todos bem-vindos”, afirmou João Júnior.

Projeto abriu espaço para amizades

Pastor Rafael Machado conheceu a esposa, Cláudia Meza, em intercâmbio no Peru

Por meio de um projeto missionário realizado por uma igreja evangélica de Uberlândia, o pastor Rafael Machado, 30 anos, estabeleceu laços de amizade no Peru e na Venezuela. Em 2005, ele ficou por seis meses em cada um destes países. No Peru, além de conhecer quem seria sua esposa, Cláudia Meza, o pastor fez diversas amizades. “Nosso diálogo é pelas redes sociais, mas viajamos pelo menos uma vez ao ano para visitá-los”, afirmou.

O trabalho no projeto missionário da igreja torna o pastor e a esposa grandes anfitriões. A casa deles serve de abrigo para pessoas que vêm de diversos países da América Latina para conhecer os projetos sociais da igreja. “É uma troca constante de cultura e uma forma de conhecer e respeitar as diferenças de cada um”, disse Rafael Machado.

Encontro em 1993 ainda rende visitas

O relacionamento da família do psicólogo Celso Gonçalves, 34 anos, com o americano William Lambert, estabelecido em 1993, foi um dos motivos que levou o psicólogo a se interessar por conhecer melhor outra cultura. A família conheceu Lambert na praia de Copacabana e, a partir de então, se encontram com frequência. “Em 2005, ele veio a Uberlândia para o casamento do meu irmão. No Ano-Novo, sempre nos encontramos no Rio”, afirmou Celso Gonçalves.

Com o desejo de fazer uma imersão cultural, em 2003, o psicólogo decidiu fazer mestrado e doutorado em Ilion, na França. Para conseguir uma renda extra, além do que recebia como bolsista em uma faculdade, Celso Gonçalves começou a trabalhar como recepcionista em um hotel. “Passei a ser amigo do meu chefe, o Pons. Dei aulas de inglês para o filho mais velho dele, ajudava na gestão do hotel, enfim, criamos uma relação muito além de patrão-empregado”, disse. A relação mais intimista criada entre eles é algo pouco comum entre os europeus. “O Pons até pediu para eu não me esquecer de convidá-lo para o meu casamento”, afirmou.

Comentários 1

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  1. Amanda disse:15/10/12 18:24

    Lindo!

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