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Cidade e Região

Comerciantes podem cobrar preços diferentes para dinheiro e cartão

O presidente Michel Temer publicou, nesta semana, a Medida Provisória 764/2016, que autoriza os estabelecimentos comerciais a venderem o mesmo produto com diferença de preço conforme o prazo e a forma de pagamento. Em Uberlândia, oito comerciantes ouvidos pelo CORREIO de Uberlândia disseram que pretendem vender mais barato para quem utiliza dinheiro em vez de cartão. A medida já tem legalidade em todo o País desde a última terça-feira (27).

A superintendente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CLD) na cidade, Lécia Queiroz, viu a mudança como algo positivo para clientes e lojistas, por proporcionar mais flexibilidade de negociação. “Também aumenta a concorrência entre empresas de cartão, que tendem a reduzir tarifas para se manter fortes no mercado”, afirmou.

Para a superintendente, não há risco de os comerciantes aproveitarem a lei para elevar os preços para usuários de cartão. “A empresa precisa ser competitiva, com preço de mercado atraente. Não seria interessante para ela fazer isso. É o contrário, isso é um incentivo para aumentar a venda, com descontos maiores para quem pagar com dinheiro”, afirmou.

Andrea Costa é gerente de lojas no Centro e diz que pagamentos com cartão são maioria (Foto: Cleiton Borges)

Andrea Costa é gerente de lojas no Centro e diz que pagamentos com cartão são maioria (Foto: Cleiton Borges)

Nas lojas em que Andrea Costa gerencia, no Centro da cidade, 60% dos clientes compram com cartão de crédito ou débito. A gerente garante que, com a nova lei, vai colocar tabela diferente de preços. “Não é que vamos aumentar o cartão, mas colocar mais barato no dinheiro. Temos que entender que é uma medida para levantar a economia e as vendas”, disse. A justificativa dada pela gerente para um maior preço para quem paga com cartão são as tarifas cobradas, por parte das operadoras, para o uso do serviço.

Advogado alerta consumidores sobre a prática

De acordo com o advogado Márcio Marçal, especialista em direito do consumidor, esta prática, embora até então ilegal, já era amplamente utilizada no comércio do Município. “Do ponto de vista prático, não vai representar muita diferença”, afirmou. Em sua concepção, a prática dá muito mais possibilidades de lucro ao varejo do que economia ao cliente.

O advogado também afirmou que é preciso ter atenção para evitar preços altos anunciados como ofertas. “A recomendação é o consumidor ficar atento para perceber se o dito desconto, não é, na verdade, um aumento camuflado, com taxas abusivas”, disse Marçal.

Consumidores divergem sobre MP

O pedreiro Vicente Lopes acredita que a nova lei não traz mudanças reais para a realidade do varejo. “Vai ficar a mesma coisa, porque todas as lojas já faziam isso. Eu só uso cartão e já ouço de vendedores que, no dinheiro, tem preço melhor”, disse.

Na visão da engenheira agrônoma Aline Rezende Vilela, se a diferença cobrada para a utilização do cartão for pequena, ainda compensa utilizar essa forma de pagamento. “Cartão tem muito mais segurança e possibilidade de acumular pontos e milhas. Mas não pode aumentar muito porque já pagamos a mais às operadoras pelo uso”, afirmou.

A bancária Camilla Moreira está receosa de ter que pagar ainda mais caro pelas mercadorias. “Os lojistas podem aumentar o valor de tudo, em vez de diminuir para o pagamento em dinheiro. Eles podem aproveitar isso para lucrar ainda mais”, afirmou.

Comentários

2 Responses to “Comerciantes podem cobrar preços diferentes para dinheiro e cartão”

  1. Na realidade, os comerciantes deveriam é incentivar a compra nos cartões, pois previne a perda por roubo e furto. Caso a compra utilizando dinheiro passe a ser a maioria, os comerciantes terão um grande prejuízo com furto e roubo, fato que colocará inclusive em risco a vida dos clientes e dos empregados do local. Dinheiro físico hoje em estabelecimento somente o mínimo necessário para eventual troco.

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