Desigualdades sociais são reveladas pelo Censo 2010

Maioria da população uberlandense é de mulheres, que ganham praticamente metade do que os homens recebem no trabalho
Os resultados do Censo 2010 mostram que, apesar da redução na última década, as desigualdades sociais e de renda, evidenciadas na forma de preconceito e no analfabetismo, ainda se destacam entre a população de Uberlândia. Maioria da população (51,2%), as mulheres ganham, em média, 51,2% menos do que os homens. Outra distorção é percebida em relação à escolaridade. Segunda menor faixa etária da população uberlandense (10,2%), o grupo de pessoas acima de 60 anos detém a maior taxa de analfabetismo – 15% desse grupo não sabe ler nem escrever. Ao todo, quase 18 mil pessoas estão nessa condição, das quais 9,2 mil têm mais de 60 anos.
Para a Secretaria Municipal de Educação, esse fator tem como principal relação o fluxo migratório. “Uberlândia recebe muitas pessoas de fora. Se formos analisar quem são esses analfabetos com mais de 60 anos, a maioria migrou de outra região”, disse a assessora pedagógica Célia Tavares. “Mas a demanda identificada é atendida pelos programas de alfabetização de jovens e adultos. Não temos nenhuma demanda reprimida”, disse Célia Tavares, frisando que o índice de analfabetismo na cidade caiu de 5,5% para 3,7% na última década.
Os dados mais recentes do último Censo apontam ainda um contraste com o perfil nacional quando se trata de cor e raça da população. A maioria dos habitantes de Uberlândia se considera branca (55,8%), enquanto 42,91% se declaram como pretos e pardos. No Brasil, o universo de pretos e pardos é maioria, 50,7%.
“É visível que a população de Uberlândia se predomina entre pardos e pretos. O Censo nos mostra outra realidade da qual discordamos”, afirmou Carlos Silva de Sousa, diretor da Diretoria de Assuntos Afrorraciais (Diaafro), ressaltando que, extraoficialmente, o órgão aponta 52% de pardos e pretos na cidade. “Falta a conscientização da pessoa em se identificar como tal. Infelizmente, no Mês da Consciência Negra, a gente não pode reverenciar essa questão, de fato, relatada.”
Saneamento
Em relação à infraestrutura de saneamento, as distorções são menos perceptíveis. Pelo menos 96,2% dos domicílios particulares são contemplados por rede regular de água, esgoto e coleta de lixo. Outros 2,4% têm pelo menos uma dessas três formas de saneamento considerada adequada e apenas 0,8% não dispõe de nenhuma estrutura.
Esteio familiar é masculinizado
A figura do homem como chefe de família ainda é bastante viva na sociedade uberlandense. A maioria dos 195.807 domicílios particulares em Uberlândia tem uma única pessoa como responsável (62,3%). Desse total, 122.289 lares têm o homem como único ou principal responsável pelo domicílio.
Os laços de família também são fortes na cidade. Entre os lares considerados familiares, na maior parte (59,5%), os casais têm filho. Em outros 22,4% dos domicílios, os casais não têm filhos. Nas unidades domésticas familiares, 15,8% têm apenas a mulher vivendo com os filhos, enquanto numa parcela menor, 2,3%, registra somente homens com filhos.
Em relação à quantidade de moradores, 13,26% dos lares em Uberlândia têm apenas um morador. São 25,9 mil unidades em que as pessoas moram sozinhas. Esse público aumentou 83,7% na última década. No Censo de 2000, 14.120 pessoas declararam que moravam sozinhas.
Ranking Estadual – Renda Média Mensal
1º Nova Lima – R$ 1.361
2º Belo Horizonte – R$ 1.226
3º Juiz de Fora – R$ 885
4º Uberlândia – R$ 865
5º Uberaba – R$ 849
*Dados referentes ao Censo 2010
Homens e Mulheres
Uberlândia
Homens – R$ 1.652
Mulheres – R$ 1.092
Minas Gerais
Homens – R$ 1.282
Mulheres – R$ 891
Cor ou Raça
Uberlândia
Brancos – R$ 1.656
Pretos – R$ 950
Pardos – R$ 1.068
Amarelos – R$ 1.420
Indígena – R$ 1.027
Minas Gerais
Brancos – R$ 1.403
Pretos – R$ 777
Pardos – R$ 847
Amarelos – R$ 1.063
Indígena – R$ 876
*Dados referentes ao Censo 2010, levando em conta as pessoas maiores de 10 anos residentes em domicílios particulares permanentes
População
2000
501.214 habitantes
255.513 mulheres
245.701 homens
50,9% de mulheres
2010
604.013 habitantes
309.099 mulheres
294.914 homens
51,2% de mulheres
Grupos de idade (2010)
Até 5 anos – 7,9%
6 a 14 anos – 12,9%
15 a 24 anos – 18%
25 a 39 anos – 26,1%
40 a 59 anos – 24,9%
60 anos ou mais – 10,2%
Analfabetismo (15 anos ou mais)
15 a 24 anos – 696 (0,6%)
25 a 39 anos – 2.164 (1,4%)
40 a 59 anos – 5.791 (3,9%)
60 anos ou mais – 9.248 (15%)
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Alexandre disse:20/11/11 10:59
Gostaria de fazer alguns comentários sobre a reportagem:
1º) Quero saber porque as mulheres ganham menos que os homens, tais dados econômicos pressupõe discriminação econômica contra elas, situação essa que deve ser fiscalizada pelas autoridades competentes.
2º) Sobre a questão etnica das características fenotípicas da população quero frisar que todo ser humano é igual na eesência corporal ( somos formados por mesmos elementos químicos), portanto não existe raça na espécie humana. Há só uma raça: o Homo sapiens, portanto, concluímos que a própria pergunta do IBGE é racista.
3º) reconheço que há avanços no sistema educacional em Uberlândia, entretanto advirto o Jornal Correio de Uberlândia que verifique a população de estudantes atendida tanto pela Prefeitura quanto pelo Estado e verificará que existe uma grande parcela dessa população que está excluída do sistema básico de ensino educacional.
4º) A questão so saneamento e da distribuição de água em Uberlândia é deficiente, existem vários bairros da cidade que sequer tem cobertura, e quando a tem, há problemas com o abastecimento de áhua.
Obrigado ao Jornal por me dar a opção de expressar-me na condição de cidadão como alguém que quer ver a população de Uberlândia ainda melhor. -
Kleber Carvalho-MG disse:20/11/11 12:00
Até o mundo mineral sabe que existem desigualdades sociais no Brasil.
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Rapha disse:20/11/11 14:18
Não concordo com esse censo 2010. Ele não condiz com a realidade do povo uberlandense. Por exemplo, dizer que a maioria dos chefes de familia são os homens. Mentira pura. O que tem de mulher sustentando o lar e filhos sozinha, não está no jibi! Enquanto isso, os safados, sem vergonha, estão aí pra baixo e pra cima se divertindo e aprontando. Justiça aqui é o que não falta para protejer esses malandros. E tem mais, a maior discriminação da mulher quem faz são as prórias mulheres. Já teve Juiza nesta comarca dizendo que não aplica prisão para pai que deixa de pagar pensão ao filho, imagina!
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Mara disse:20/11/11 19:28
Concordo. E esses juizes que são de fora e estam trabalhando no forum, é verdade não tá com nada mesmo. Primeiro que a cultura deles é outra, segundo que só atende ricos banqueiros e políticos, pobre não tem vez, quando sae alguma esmola é na base do mutirão com acordo obrigado. Precisa alguém de Belo Horizonte, seja lá de onde for ver iso, porque desigualdade na justiça de Uberlândia é o que mais tem. Cadê os politicos que só sabe pedir voto em epoca de eleição, devia ajudar o povo só vê o lado deles mais nada.
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Mulher(mãe) desesperada disse:21/11/11 10:41
Eu sou mulher, e sinto na pele a desigualdade na justiça de Uberlândia. São quase 10 anos que luto na justiça para receber as prestações que paguei para uma empresa, já me pegaram o imóvel de volta há 9 anos atrás e certamente estão ganhando dinheiro com os aluguéis, e eu nada, sem contar que mandaram meu nome para o SPC, SERSA, IPTU, sendo que o ímóvel não é meu mais, daí estou desesperada porque esse juiz da 7a. Vara não manda logo esses empresários me pagar, acho que vou pedir ajuda para a presidente Dilma porque a justiça aqui está terrível. Me ajuda aí Sr. Juiz, pelo o amor de Deus! Preciso formar meus filhos, não tenho condições financeiras, o que eu mais quero na vida é ver os meus filhos formados e bem encaminhados, sou uma pobre viuva, sozinha no mundo com os meus filhos, por favor me ajuda vai!
Comentários (5)