Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
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Sentar no chão, subir a escada ou fazer uma caminhada a passos mais rápidos são atividades que, há 12 anos, não fazem mais parte da rotina da dona de casa Nilma Rodrigues, 55. A primeira manifestação da dor crônica, que a impede de praticar estes exercícios e é provocada por artrite reumatoide, uma inflamação das articulações que provocou deformação nos pés e nas mãos, ocorreu na adolescência.
Segundo Nilma Rodrigues, ela sentia fortes dores nas articulações sem ter sofrido lesão alguma. “Foram dez anos até o diagnóstico da doença”, afirmou.
No Brasil, não há dados que revelam o número de pessoas que têm dor crônica, mas a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a cada cinco pessoas, uma sofra com a dor prolongada que, muitas vezes, está associada a uma doença.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, João Batista Garcia, os estudos sobre a dor prolongada, que acomete mais mulheres que homens, são dificultados pelo fato de o diagnóstico ser complexo. “Não existe apenas uma causa nem um tratamento único para todos os casos”, disse.
Diante de um sintoma prolongado, a maioria dos pacientes que apresenta dor crônica é estimulada por médicos ortopedistas a praticar atividades terapêuticas, uma vez que elas contribuem para o equilíbrio emocional, que interfere diretamente no problema. “Aprendi que a forma como sentimos e reagimos à dor influencia no nível de intensidade dela. Por isso, não dependo somente dos medicamentos para combater a dor prolongada”, disse Nilma Rodrigues, que faz fisioterapia e aulas de artesanato e canto na Associação dos Reumáticos de Uberlândia e Região (Arur), instituição onde ela é sócio-fundadora e que oferece mensalmente aulas de pilates, dança, violão, teclado e acompanhamento psicológico a 400 pessoas que têm dor nas juntas, músculos e/ou coluna. A idade média dos pacientes na Arur varia de 45 a 50 anos, e 90% deles são mulheres.
Apesar de não apresentar causas específicas, a dor crônica pode ser prevenida em ações cotidianas, como a caminhada, por exemplo. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor, João Batista Garcia, as dores de maior ocorrência são as que atingem os braços,as pernas e os pés, em 22% dos casos, e a lombalgia, popular dor nas costas, em 21%. “Muitos problemas são provenientes de lesões provocadas pelo sedentarismo ou postura incorreta e a inclusão de uma caminhada, três vezes por semana, poderia evitá-los”, afirmou.
Segundo Garcia, as dores de cabeça também podem ser combatidas antes de se tornar crônicas. A ingestão de alimento com conservantes, o consumo excessivo de bebida alcoólica e o tabagismo contribuem para o surgimento desta dor. “Os médicos precisam educar o paciente para que eles tenham hábitos de vida saudáveis”, disse.
Ele também reconhece que faltam profissionais especializados no tratamento da dor. “Poucas faculdades oferecem especialização nesta área. A disciplina surgiu recentemente na grade curricular”, afirmou.
Em relação ao fato de as mulheres serem as maiores vítimas da doença crônica, Garcia disse que este cenário poder ser justificado com base na teoria hormonal e às questões sociais e psicológicas. “O nível elevado de estrógenos (hormônio feminino) pode alterar a sensibilidade dos neurônios”, afirmou.
A aposentada Eny Divina Aoki, 72 anos, convive há mais de duas décadas com a artrite. Após muitas noites mal dormidas e diversas passagens por consultórios médicos, ela descobriu que tinha dor crônica. “Eu me sentia mal. Tomava medicamentos, mas não melhorava.
Quando a dor era muito intensa, eu não conseguia sequer pentear o cabelo”, afirmou Eny Aoki, que faz, duas vezes por semana, aulas de teclado e canto na Associação dos Reumáticos de Uberlândia e Região, para ajudar no combate à dor.
Quem também acompanha Eny Aoki nas aulas de canto é Mary Ivone da Silva, 59 anos, que, em 2000, começou a sentir dores nas mãos, nos pés e no pescoço.
“Uso um medicamento diário e outro semanal, mas as aulas de canto e de dança clássica me ajudam a aliviar a tensão e a dor”, disse Mary Ivone da Silva, que também é voluntária da Arur, na qual faz a divulgação das atividades desenvolvidas pela instituição
O médico e diretor do Madrecor, Adrianos Loverdos, apresentou um projeto para criar o Grupo de Dor. O objetivo é auxiliar os pacientes e a equipe médica do hospital no tratamento da dor crônica.
O volume de atendimentos clínicos e cirúrgicos de pacientes na área de ortopedia e reumatologia deste hospital estimulou Loverdos a desenvolver o projeto. “Temos diversos casos que consideramos potencialmente dolorosos, principalmente no pós-operatório. A criação de um grupo especializado vai auxiliar nessa demanda”, afirmou.
Além da criação do Grupo da Dor, que deve contar com uma equipe multidisciplinar formada por neurologistas, anestesistas e enfermeiros, o hospital conta ainda com dois profissionais que têm se especializado em tratamento da dor. “A busca por novos conhecimentos nesta área revela que o diagnóstico da dor crônica ainda persiste nos dias atuais”, disse Loverdos.
Repetição frequente de uma dor passageira
- Analgésicos não devem ser usados
- Um médico deve ser consultado para avaliar a melhor forma de tratar o paciente
- É preciso ficar um tempo sem sentir dor para interromper o ciclo crônico
um a cada três obesos sofre com a doença
22% nos braços, pernas e pés
21% nas costas
17% no peito
15% na cabeça
Eu gostu é de dançá roró! A baiana foi qui mi curou.
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roró disse:24/7/2011 11:11:42