Quinta-feira, 24 de Maio de 2012
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Edson Domingos da Silva tem 66 anos, 47 dedicados à TV Integração. Até hoje faltou apenas uma vez ao trabalho
É cada vez maior o número de empresas que procuram manter em seus quadros os funcionários mais antigos por serem mais confiáveis, conhecerem bem a empresa e acumularem maior conhecimento e experiência. Porém, essas mesmas empresas correm o risco de ver esses mesmos funcionários ficarem estagnados, sem perspectiva de mercado e não mais corresponder aos objetivos, principalmente, quanto à inovação. A opinião é de especialistas em Talentos Humanos, para os quais existem vantagens e desvantagens de se manter pessoas por mais de 20 anos na empresa, tanto para o empregado quanto para o empregador.
A Nacional Expresso de Uberlândia está entre as empresas que apostaram na adoção de uma política de retenção de talentos. “Os funcionários mais antigos oferecem grande credibilidade, dedicação e amor ao trabalho”, disse a gerente de Valores Humanos e Qualidade da empresa, Luzmarina de Ávila Fernandes. “A postura deles é de grande comprometimento e, consequentemente, temos retorno com a satisfação dos nossos clientes”, afirmou.
O trabalhador Edson Domingos da Silva, 66 anos, é um exemplo do comprometimento citado por Luzmarina. Ele é funcionário da TV Integração há 47 anos. “Trabalhei como auxiliar de produção. Montava e desmontava cenário”, disse, referindo-se à época em que os programas eram ensaiados e transmitidos ao vivo. Edson passou por diversas funções e, atualmente, trabalha no estúdio e no setor de geração de matérias. Além das férias, em quase cinco décadas de trabalho na empresa, ele se ausentou do trabalho uma única vez por causa de uma cirurgia. “Vou aposentar somente quando minhas caçulas se formarem”, disse.
“O engajamento depende muito mais da empresa do que do próprio funcionário”, afirmou Bânia Vieira Poli, coordenadora executiva da Fundação CDL. Mestranda em Psicologia Social e do Trabalho, Bânia explica que políticas e práticas de gestão de pessoas são primordiais para o bem-estar no trabalho, boas condições de ambiente, de capacitação e que a pessoa deve ser encaminhada para a função e setor apropriados.
É o caso de Otair Rodrigues Silva, 76 anos, que começou a trabalhar no Praia Clube como boleiro, zelador de vestiários e de quadras de tênis. “Um dia fui cobrir um porteiro em férias e acabei ficando no cargo”, disse Otair. Mais conhecido como senhor Pedro, ele está nessa função há 35 anos. “Não sairia por proposta alguma. Comecei e quero encerrar minha carreira no clube”, afirmou.
Cerca de 800 pessoas trabalham na Nacional Expresso e 10% do efetivo estão na empresa há mais de 20 anos. Luzmarina Fernandes conta que a empresa oferece cursos de aperfeiçoamento e capacitação e emprega políticas de acompanhamento e escuta dos trabalhadores. “Assim, eles se sentem em casa”, disse.
Satisfação e dedicação ao trabalho fazem parte do dia a dia de Neusa Alves Rezende Sousa. Há 35 anos, ela trabalha na Algar Mídia. “Entrei na empresa para trabalhar no setor de acabamento de listas”, disse. Depois de dois meses, ela se tornou assessora do gerente de produção. “Fiquei encarregada da revisão dos impressos”, afirmou, na época em que a máquina ainda era tipográfica, sendo necessário revisar letra por letra. Hoje, Neusa Alves trabalha no setor de atendimento e orçamento para listas produzidas na gráfica. Ela se diz grata à empresa. “Nesses anos, constituí família, fiz amigos e daqui não saio de jeito nenhum. Gosto muito do que faço e de onde trabalho”, disse.
Segundo a mestranda em Psicologia Social, Bânia Poli, os funcionários mais antigos conhecem bem todos os processos da empresa. “Eles estão adaptados às funções e por estarem muito tempo é porque estão satisfeitos e vão desempenhar melhor as tarefas”, afirmou.
Para a gerente de Valores Humanos, Luzmarina Fernandes, é importante despertar e desafiar os funcionários. “Assim, eles desenvolvem, se valorizam e se tornam melhores no ambiente de trabalho”, disse.
A liberdade conquistada nos 23 anos dedicados à Miramontes Tecidos é um dos pontos positivos que Newton Mendes dos Santos, 47 anos, aponta. “Gosto do que faço. Tenho liberdade de atuação. A responsabilidade é maior, mas acabo tendo a preferência dos clientes”. Para se manter na mesma função, ele afirma ter feito cursos de capacitação. “Já recebi até viagem como bonificação de férias”, disse.
Bânia Poli alerta que existem vantagens de se manter uma pessoa por muitos anos na empresa, mas é necessário atenção tanto do funcionário quanto do empregador em relação ao cotidiano no ambiente de trabalho. “Às vezes, o funcionário acostuma-se aos procedimentos e não procura aperfeiçoamento e fica estagnado”, disse. Manter a produtividade, buscar sempre a capacitação e apresentar novidades à função desempenhada são uma tarefa contínua para os funcionários, principalmente, àqueles que acumulam tempo de casa.
A especialista ainda fala de “falta de oxigenação” dos mais antigos e explica: “Refiro em não levar novas ideias para o trabalho. Mas se a empresa não dá suporte, esta pessoa pode estagnar as próprias competências e não ampliar o seu potencial”.
VANTAGENS
- Faz parte da cultura da empresa
- Conhece todos os processos
- Tem maior nível de engajamento
- Já está bem adaptado
DESVANTAGENS
- Acostuma-se com os procedimentos
- Pode não buscar capacitação
- Queda de produtividade
- Não leva novas ideias à empresa
Funcionário bom e igual jogador de futebol.
Você tem que cobrir oferta ou ele troca de time.
Foi tempo que o povo aceitava salário mínimo.
Ricardo disse:6/2/2012 13:14:12
Concordo plenamente “Se voçê quiser que alguem faça um bom trabalho ,primeiro lhe dê um trabalho bom.
Lilia disse:6/2/2012 16:26:13
O que eu não entendo e as empresas que vai fazer contratação, faz uma graaaande dinâmica com o candidato, suga o máximo ate ele não mais aquentar de tantas provas e entrevistas. Muita das vezes acontece dele passar mais na hora mesmo de trabalhar se mostra uma outra pessoa. Minha curiosidade é de que forma os psicólogos avalia isso. Todas as empresas que eu trabalhei sempre me elogio, mais eu sou péssima pra participar de dinâmica e entrevista, tenho uma dificuldade muito grande de conseguir ser contratada quando tem dinâmica, não sou muito de dizer só mais de fazer. Sera interessante se o jornal correio publicar uma matéria de autoajuda. Chega de tanta violência.
Parabéns jornal correio por essa matéria!!!
Obrigada!
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Diogo disse:5/2/2012 22:32:34