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Cidade e Região

Entrada de estranhos não é impedida em escolas públicas

Num estabelecimento estadual a reportagem encontrou o portão fechado e um interfone

A reportagem do CORREIO constatou que há falhas na restrição ao acesso em escolas de Uberlândia. Das quatro visitadas nesta semana, em duas estaduais foi possível adentrar ao estabelecimento, apesar dos investimentos em segurança eletrônica. Já em uma escola municipal e outra federal, o acesso foi vetado. A questão da segurança nas escolas veio à tona depois que um homem armado entrou em uma escola municipal no Rio de Janeiro e disparou contra os alunos.

Num estabelecimento estadual em que estudam 500 alunos no bairro Aparecida, setor central, a reportagem encontrou o portão fechado e um interfone. Ao tocá-lo, o portão foi aberto e a entrada foi permitida sem que houvesse nenhum questionamento. A reportagem andou pelos corredores e teve acesso às salas de aula. A vice-diretora Maria Mersonia dos Santos disse que irá reforçar a orientação dada aos funcionários sobre a necessidade de questionar o visitante antes de abrir o portão. “Vamos também colocar, ainda neste mês, uma grade para que as pessoas que visitem o prédio não tenham acesso às salas de aula. E, à noite, ainda estamos analisando fazer carteirinha com foto para identificar os alunos”, disse.

Em outra escola estadual no bairro Cazeca, também no setor central, a reportagem encontrou o portão apenas encostado. Foi possível andar pelo pátio entre os alunos, que estavam no horário do intervalo. O vice-diretor Cairo Amauri Ferreira disse que houve uma falha. “O portão fica sempre fechado. Hoje, ele estava encostado porque aguardávamos um pessoal que faria uma apresentação de dança”, afirmou.

A superintendente regional de Ensino, Joyce Magnini, informou que as escolas estaduais não possuem porteiro e que a segurança é feita pelos servidores. Disse ainda que o assunto será discutido em uma reunião em Belo Horizonte amanhã.

Entrada vetada

A reportagem do CORREIO não conseguiu entrar em duas escolas públicas visitadas nesta semana. Em uma delas, no bairro Aparecida, setor central, com cerca de 900 alunos, quem chega ao local encontra portão trancado, porteiro, câmeras de segurança e ainda um vigilante patrimonial armado. A diretora da instituição federal Elizabeth Resende Faria diz que a escola não pensa em mudar nenhum procedimento de segurança. “Nunca tivemos problema e nosso processo é seguro”, disse.

A vendedora Adriana Aparecida Sousa tem uma filha de 10 anos que estuda há cinco anos na escola. Ela se sente tranqüila em deixar a filha no local. “Aqui é muito seguro. Tem guarda, câmera e não é qualquer que entra não”, afirmou.

Em uma escola municipal no bairro Custódio Pereira, zona leste, o portão principal estava aberto, mas a porta que dá acesso à parte interna do prédio estava trancada. Segundo a diretora Vanuza Aparecida Souza, todas as pessoas que chegam a escola são identificadas. “A escola tem que ser aberta a comunidade, mas, é claro, que temos que saber exatamente o que a pessoa quer”, disse.

Massacre no Rio

Abordar o assunto do massacre em uma escola no Rio de Janeiro com os alunos não é algo fácil para os professores. Segundo a psicopedagoga Eliane Santa Cecília é necessário que tanto pais quanto professores conversem sobre o ocorrido. “As crianças estão vendo tudo isso na mídia, na televisão, nos jornais. Então, é falar a realidade, com clareza e explicando porque isso acontece. O professor tem que estar bem informado para abordar esses assuntos em sala de aula. Deve ser falado também sobre a importância da educação, pois só vamos melhorar essa questão da segurança quando tivermos como preferência e prioridade a educação”, disse.

A Secretaria Municipal de Educação está fazendo o levantamento de informações sobre o fato ocorrido no Rio de Janeiro, por meio de matérias veiculadas na imprensa local, estadual e nacional. Em seguida, irá elaborar um plano pedagógico para trabalhar uniformemente nas escolas da rede municipal de ensino.

Pais se preocupam com segurança

A atendente Keila Aparecida Dantas tem três filhos em uma escola no bairro Santa Luzia, zona sul de Uberlândia, e está preocupada com a segurança do local. “Nem sempre o portão da escola está com cadeado. Algumas vezes fica só encostado. Tenho medo de alguma criança ir para a rua ou alguém entrar. Devia ter um porteiro e um cadeado no portão”, disse.

Patrulha Escolar

Para ajudar a reduzir a violência nas escolas de Uberlândia, a Polícia Militar, desde 1998, por meio da patrulha escolar atua junto a alunos e professores. Segundo Davi de Brito Júnior, assessor de comunicação do 17º Batalhão da Polícia Militar (17º BPM), são oito viaturas com efetivo exclusivo espalhados pela cidade com o papel de prevenção.
“A patrulha escolar faz contato em todas as escolas da sua área de responsabilidade e conversa com a direção, professores e alunos.

Além disso, faz um acompanhamento sistemático dos lugares de maior risco e comparece visando prevenir delitos comuns no meio escolar como, por exemplo, agressões verbais ou físicas entre alunos. De período em período, os patrulheiros conversam com os alunos e desenvolvem campanhas educativas sobre o trânsito, violência, drogas”, disse.

Comentários

Uma resposta para “Entrada de estranhos não é impedida em escolas públicas”

  1. Parabéns à produção e equipe que apoiaram esta matéria. Infelizmente o brasileiro tem a mania de achar que ‘a grama do vizinho é sempre mais verde’ e que as desgraças acontecem só no quintal ao lado.

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