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Cidade e Região

Escolas da rede pública reprovam 8,2% dos alunos

Ana Beatriz Caires de Oliveira afirma que índice da rede municipal é alto, mas o município estuda mudanças

Ana Beatriz Caires de Oliveira afirma que índice da rede municipal é alto, mas o município estuda mudanças

As escolas públicas de Uberlândia, somando-se as redes municipal e estadual, reprovaram, em 2010, quatro vezes mais alunos, durante o Ensino Fundamental (1º ao 9º ano), do que as instituições particulares. Em média, 8,2% dos estudantes da rede pública são reprovados durante esta fase de aprendizado, enquanto a rede particular reprova 2%.

Os dados são do Censo Escolar feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC).

Para os especialistas em educação, a desigualdade entre os índices é explicada pelas diferenças de perfil socioeconômico dos alunos, remuneração dos professores e  participação da família no ambiente escolar. “O acompanhamento dos pais e a responsabilidade com a educação dos filhos é bem maior no ensino particular.

Os valores do que a educação pode trazer são sedimentados. Além disso, os professores recebem melhor e a gestão pedagógica é mais consistente”, afirmou o mestre em Educação e professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Eduardo Macedo.

A diferença nos índices de reprovação é ainda maior quando são comparados os dois períodos do Ensino Fundamental: séries iniciais (1º ao 5º ano) e séries finais (6º ao 9º ano). Neste contexto, as escolas públicas chegam a reprovar 13 vezes mais alunos do 6º ao 9º ano, em relação às escolas particulares.

Dona do maior índice de reprovação de alunos de Uberlândia, a Escola Estadual Ângela Teixeira, no bairro Osvaldo Resende, zona central, reteve, em 2010, 27,5% dos alunos que cursaram as séries finais do Ensino Fundamental.

De acordo com a vice-diretora da escola, Renilma Aparecida Nascimento Cardoso, além da falta de apoio das famílias, os alunos chegam ao 6º ano despreparados, pois na rede estadual não existe reprovação nas séries iniciais. “Tem aluno que mal escreve o nome e não aprovamos aqueles com déficit de aprendizado. Temos que pensar como vão chegar ao Ensino Médio e no índice do vestibular”, afirmou.

Escolas municipais reprovam 67,5% a mais que as estaduais

Entre as escolas da rede pública em Uberlândia, o índice de reprovação de alunos das instituições da rede municipal é 67,5% maior no comparativo com as escolas da rede estadual. Pelo menos 11,4% dos alunos são retidos durante uma das séries do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano) nas escolas municipais. A diferença é nítida nas séries iniciais (1º ao 5º ano), em que o município reprova 10,5% e o Estado adota a política de não reprovar alunos neste período.

A assessora pedagógica da secretaria municipal de Educação, Ana Beatriz Caires de Oliveira, afirma que o índice é considerado alto, por isso, o município já estuda mudanças para o próximo ano. “A partir de 2012, não reprovaremos alunos do 1º ao 3º, fase de alfabetização. Além disso, vamos reforçar a recuperação paralela – feita por fases durante o ano letivo – e definiremos uma diretriz única para todas as escolas”, disse.

Para o professor da UFU Eduardo Macedo, mestre em educação, o índice de reprovação não está diretamente ligado à qualidade de ensino de cada instituição, mas aponta que mudanças precisam ser feitas. “É preciso melhorar as condições de aprendizado para os alunos e até mesmo mudar a metodologia, se necessário. A escola tem que desenvolver atividades extraclasse para ajudar os alunos com dificuldades e não criar a cultura da reprovação”, afirmou.

Índice de evasão escolar é maior nas estaduais

Os dados divulgados pelo Censo Escolar do MEC mostram que o índice de abandono escolar é liderado em Uberlândia pelas escolas estaduais. Ao todo, 3,3% dos alunos da rede estadual abandonam os estudos durante o Ensino Fundamental (1º ao 9º ano), com incidência maior nas séries finais (6º ao 9º ano), em que o índice de evasão escolar é de 4,6%.

A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio instalada dentro do Centro Socioeducativo de Uberlândia (Ceseu) lidera o ranking com média de abandono escolar de 59,4%. No local, jovens e adolescentes cumprem medidas socioeducativas por alguma infração penal cometida.

Eseba

Apesar de estar entre as instituições públicas, a Escola de Educação Básica (Eseba), ligada à Universidade Federal de Uberlândia, se destoa das escolas estaduais e municipais. De acordo com os dados do Inep, o índice de aprovação da Eseba no Ensino Fundamental é 94,6%, mesmo porcentual apresentado pelas escolas particulares.

Para a diretora, Elizabeth Rezende, a alta taxa de aprovação é resultado das atividades extracurriculares realizadas com os alunos. O corpo acadêmico da instituição, formado por professores com especialização, mestrado e doutorado, também é fator decisivo para a obtenção dos bons resultados. “Aqui, os docentes tem 40h semanais e dedicação exclusiva. Por isso, além do ensino, se dedicam à pesquisa e à extensão. A proximidade com os alunos e com as famílias facilita o trabalho”, disse.

CENSO ESCOLAR

Ensino Fundamental Uberlândia
63 escolas estaduais

48 escolas municipais

1 escola federal

69 escolas particulares

MÉDIAS GERAIS

Aprovação

Estadual – 89,1%
Municipal – 86,3%
Federal – 94,6%
Particular – 94,6%

Reprovação

Estadual – 7,7%
Municipal – 11,4%
Federal – 5,5%
Particular – 2%

Abandono

Estadual – 3,3%
Municipal – 1,4%
Federal – 0%
Particular – 1,7%

Reprovação

1º ano
Estadual – 0%
Municipal – 0,2%
Federal – 0%
Particular – 0,8%

2º ano
Estadual – 0,1%
Municipal – 19,4%
Federal – 1,3%
Particular – 0,3%

3º ano
Estadual – 0,5%
Municipal – 13%
Federal – 0%
Particular – 1,3%

4º ano
Estadual – 0%
Municipal – 11,9%
Federal – 1,3%
Particular – 1,1%

5º ano
Estadual – 0,3%
Municipal – 6,2%
Federal – 1,3%
Particular – 1,1%
6º ano
Estadual – 14%
Municipal – 24,1%
Federal – 9,3%
Particular – 2,6%

7º ano
Estadual – 12,4%
Municipal – 16%
Federal – 16,3%
Particular – 4,5%

8º ano
Estadual – 10,1%
Municipal – 9,1%
Federal – 2,7%
Particular – 5%

9º ano
Estadual – 12,5%
Municipal – 8,2%
Federal – 14,7%
Particular – 3,9%

1º ao 5º ano
Estadual – 0,1%
Municipal – 10,55%
Federal – 0,8%
Particular – 0,9%

6º ao 9º ano
Estadual – 11,5%
Municipal – 16%
Federal – 11%
Particular – 0,9%

ABANDONO

1º ao 5º ano
Estadual – 3,1%
Municipal – 1,1%
Federal – 0%
Particular – 0,3%

6º ao 9º ano
Estadual – 4,6%
Municipal – 2,6%
Federal – 0%
Particular – 3,5%

Comentários

9 respostas para “Escolas da rede pública reprovam 8,2% dos alunos”

  1. NÚMEROS E MAIS NÚMEROS!O ÍNDICE DE REPROVAÇÃO DA REDE PÚBLICA É AINDA MENOR DO QUE A REALIDADE, POIS UMA GRANDE QUANTIDADE DE ALUNOS É APROVADA SEM CONDIÇÕES DEVIDO A PRESSÃO POR NÚMEROS PARA AUMENTAR OS ÍNDICES PROPOSTOS PELO GOVERNO! A REALIDADE É ESTA! PARA MIM, A DIFERENÇA MAIOR COM A REDE PARTICULAR ESTÁ NA FALTA DE INTERESSE DAS FAMÍLIAS, POIS OS ALUNOS DE CLASSE MÉDIA/ALTA QUE ESTÃO NAS ESCOLAS PARTICULARES JÁ VÃO DESDE DE PEQUENOS COM OBJETIVOS DEFINIDOS,OS PAIS QUEREM QUE ELES CHEGUEM Á UMA UNIVERSIDADE E FEDERAL, JÁ OS DE BAIXA RENDA, SÃO DEIXADOS NAS ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL AOS 4 MESES DE IDADE, COM UM ÚNICO OBJETIVO, NAO TEM ONDE FICAR, E A ESCOLA VAI CONTINUANDO ASSIM DURANTE AS SÉRIES INICIAIS UM LUGAR PARA DEPOSITAR OS FILHOS PARA OS PAIS TRABALHAREM, ESTES NÃO COMPARECEM NA ESCOLA, QUANDO VÃO É PARA BRIGAR POR UMA BOBAGEM QUALQUER E DEFENDER O FILHINHO QUE ELES MESMOS NÃO EDUCAM! A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NA QUE TRABALHAM NA REDE PÚBLICA É SEMELHANTE A DOS PROFISSIONAIS DA REDE PRIVADA, A GRANDE MAIORIA POSSUI ESPECIALIZAÇÃO EM ALGUMA ÁREA DA EDUCAÇÃO ( VEJAM O CENSO ESCOLAR) E REALMENTE A DEDICAÇÃO EXCLUSIVA COM UM SÁLARIO UM POUCO MAIS DIGNO COMO ACONTECE NA ESEBA( MAIORIA TAMBÉM ALUNOS DE CLASSE MÉDIA) SERIA BEM MAIS JUSTOS PARA TODOS PROFESSORES QUE VIVEM CORRENDO DE UMA ESCOLA PARA OUTRA, SEM TEMPO PARA PESQUISA E PLANEJAMENTO, MESMO OS DA REDE PÚBLICA QUE JÁ POSSUEM UM DIA PARA PLANEJAMENTO, MAS COM O SÁLARIO QUE GANHAM MUITOS USAM ESTE DIA PARA FAZEREM FAXINA, POIS NÃO PODEM PAGAR UMA AJUDANTE PARA ARRUMAREM SUA CASAS!SONHO COM UM DIA QUE ESTA NOTÍCIA SEJA INVERTIDA: ALUNOS DA REDE PÚBLICA SUPERAM OS DA REDE PRIVADA NO DESENVOLVIMENTO DO ENSINO APRENDIZAGEM!

  2. O fato das escolas públicas reprovarem mais do que as escolas particulares não quer dizer nada.
    Pergunto como um professor(a) aprova um aluno se ele não estudou, não fez por merecer sua aprovação? Em sã consciência tal educador jamais faria isso, pois sabe que ao invés de ajudar o estudante estaria prejudicando-o.
    Aconselho que os gestores da educação pública municipal não instituam a reprovação no ensino fundamental, pois se isso ocorrer entraremos num retrocesso sem fim.
    O estudante e a família são majoritariamente responsáveis pelo desempenho escolar; o que o poder público deve fazer é melhorar a infraestrutura das escolas, melhorar o salário dos professores, reforçar atividade extra-classe e melhorar os métodos pedagógicos de tal forma que o estudante tenha êxito.
    Acabar com a reprovação é dar um troféu ao aluno(a) que não estudou, um absurdo!

  3. Nota de correção:

    Linha 6: (…) aconselho que os gestores da educação pública municipal continuem com a reprovação(…)
    Desculpe e obrigado.

  4. A ESEBA é a prova de que professores valorizados, digo bem PAGOS, a educação de qualidade aparece, porque comprometimento do profissional e voltado para o planejamento de forma INTERDISCIPLINAR E TRANSVERSAL. Portanto, o que é dito pelos profissionais acima joga-se no lixo, pois isso é do tempo da vovó. Lamentavelmente existe pessoas à frente de cargos com um discurso do século passado. Educação é coisa séria. Exige investimento financeiro para o bolso do PROFESSOR: Ele é o protagonista da educação. Quanto ao resto caros leitores são meros co-adjuvantes. Ana Beatriz chega de PAV (PROJETO ACELERAR PARA VENCER). Chega de aprovação sem o aluno saber nada, bolsa família, vale gás, vale leite, kit escolar, chega dessa autoridade assistencialista. O trabalhador que o seu dinheiro no bolso dele.

  5. Na rede pública de educação faltam profissionais de apoio para reforçar os alunos com maiores dificuldades no contra-turno, pois no próprio turno falta professores eventuais, supervisores, orientadores em número suficiente para atender a demanda de alunos.

  6. Ate que alguem teve a coragem de relatar a cruel realidade que os governantes atingem metas ficticias de aprendizados nao realizados.O negocio e passar sabendo ou nao pois a politica e p a s s a r

  7. Que a secretaria de educação do município faça uma estatística:
    1 – José é aluno de escola pública.
    Quantos irmãos ele tem?
    2 – José é aluno de escola particular.
    Quantos irmãos ele tem?
    Convicção minha: quem não tem dinheiro para educar e alimentar, muito pouco pode procriar.
    Até porque, que tem dinheiro e mais saber, tem um, dois filhos.
    E quem não tem?

  8. então como ninguem sabe eu estou no 6 ano e o 6 ano reprova entao estou me esforsando para passar de ano como ninguem sabe agora tem o ra escolar vc ver sua nota entao vc fica empenhado olhando e se garante que vai estudar entao foi isso o que aconteceu com migo agora minhas notas estao muito melhor do que antes!!”!

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