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Jovens conhecem a fama com vídeos publicados no YouTube

Thiago Elias, Rafael Montes Cunha e Matheus Neves podem não ser nomes muito conhecidos dos uberlandenses, mas, na internet, milhares de pessoas acompanham o que esses três jovens de Uberlândia publicam em seus canais no YouTube – site dedicado à divulgação e compartilhamento de vídeos. Juntos, Calango, Guaxinim e PK – como se identificam na rede – contam com mais de 965 mil inscritos e 46,5 milhões de visualizações.

Eles são youtubers, como são chamadas as pessoas que produzem vídeos para o site, e crescem e experimentam a fama na medida em que o site ganha popularidade. Conforme uma pesquisa encomendada pelo Google em 2014, o Brasil conta com 70 milhões de espectadores de vídeo online, que assistem, em média, oito horas semanais de vídeos na Web.

Jovens conhecem a fama com vídeos publicados no YouTube

Rafael Cunha, Matheus Neves e Thiago Elias são respectivamente Guaxinim, PK e Calango e têm milhares de fãs com seus canais (Foto: Celso Ribeiro)

Rafael Montes Cunha, de 18 anos, era um desses espectadores quando percebeu que poderia também produzir. Hoje, ele tem um canal onde compartilha vídeos de entretenimento, jogos e humor, e é acompanhado por mais de 232 mil pessoas. “Eu comecei porque assistia a muitos vídeos no YouTube. Não me considero um youtuber profissional ainda, mas estou caminhando para ser um”, disse ele, que ainda cursa o ensino médio.

Assim como Cunha, Thiago Elias e Matheus Neves não contam com uma estrutura sofisticada para fazer os vídeos. “Eu gravo meus vídeos na minha casa, no meu quarto. Cuido sozinho do canal. Eu faço os vídeos sozinho, eu edito os vídeos sozinho e tenho que selecionar o que eu vou publicar”, afirmou Thiago Elias, de 15 anos. Ele conta que começou a produzir vídeos para o YouTube quando tinha 10 anos.

“Eu comecei porque eu sou apaixonado por cinema e produção audiovisual desde quando eu era molequinho. Comecei brincando, mas acabou que virou um hobby”, disse. Atualmente, o youtuber publica vídeos diariamente em um canal que mescla games e humor e conta com mais de 516,9 mil seguidores. “Acho que esse é o tipo de vídeo que a galera mais está gostando, os de palhaçada.” O vídeo mais popular no canal de Calango, com quase um milhão de visualizações, é um que reúne publicações do início da “carreira” do adolescente, que, além de youtuber, é estudante do ensino médio.

O humor também está presente nos vídeos que Matheus Neves, de 20 anos, produz para o canal PKRegularGame. “Meu canal é de jogos estranhos e focado em comédia”, afirmou. Mais de 194 mil inscritos acompanham o trabalho do universitário, que não se considera um youtuber profissional e, apesar da popularidade, tem algumas dificuldades para conciliar suas atividades. “Faço faculdade de design gráfico e não me dedico exclusivamente ao canal, acho que deveria me dedicar mais. Não tenho tido uma boa frequência para postar”, disse PK, que acumula mais de 9,4 milhões de visualizações e a admiração de fãs. “É uma boa relação. Eles são legais, me apoiam muito, tenho um carinho enorme por eles”, afirmou.

Ganhos

Além da possibilidade se expressar, há outro fator que desperta o interesse para o YouTube: os ganhos financeiros. Os youtubers entrevistados pela reportagem do CORREIO de Uberlândia não revelaram quanto ganham com os vídeos, mas é público que os conteúdos são monetizados conforme as visualizações das publicidades que aparecem. Outra forma de ganhar dinheiro no YouTube é fazendo parcerias publicitárias diretamente com anunciantes.

A ‘Acidez Feminina’ de Taty Ferreira

“Taty Ferreira fala sobre comportamento e relacionamento. Quase sempre as coisas ditas não são fáceis de ouvir, mas é exatamente por isso que este canal existe.” Esta é a descrição do canal Acidez Feminina, mantido desde 2010 pela youtuber Taty Ferreira. Com vídeos postados duas vezes por semana, ela conquistou mais de 860,2 mil seguidores no canal YouTube e acumula mais de 92,9 milhões de visualizações. Tudo isso começou em um apartamento no bairro Santa Mônica, na zona leste, de Uberlândia.

Jovens conhecem a fama com vídeos publicados no YouTube

Taty Ferreira conquistou mais de 860 mil seguidores desde 2010 (Foto: Divulgação)

“Jamais imaginei que essa história de fazer vídeos para o YouTube viraria meu trabalho e que ocuparia tanto meu tempo, assim como a coluna no blog [trabalho anterior direcionado ao público masculino], fiz os vídeos porque sempre gostei de expressar minha opinião e sempre tive facilidade para isso. Dei muita sorte de ter dado certo e ter virado meu trabalho”, afirmou Taty Ferreira.

Até dois meses atrás, era ela quem cuidava de praticamente tudo relacionado ao canal. “Montei uma ótima equipe para o Acidez e hoje em dia cuidamos de tudo aqui dentro de casa mesmo”, disse. Hoje, ela conta com duas pessoas que a ajudam a criar conteúdo, fazer contatos com marcas e outras mídias, além de um editor de vídeos e uma empresa contratada para programar e criar layouts.

Admirador da literatura, jornalista cria canal para divulgar livros

O jornalista Tico Farpelli também se rendeu ao YouTube. Admirador de literatura e de cinema, ele acompanhava o trabalho de outros youtubers até perceber que também poderia fazer o seu próprio conteúdo. Há pouco mais de dois meses, ele deu início ao canal Menino que Lê, onde compartilha vídeos sobre os livros que está lendo e se comunica com outros youtubers do mesmo segmento. “Filmo no meu quarto mesmo, com um tripé e uma câmera, e posto os vídeos duas vezes por semana”, afirmou ele, que mora em Uberlândia. Atualmente, o Menino que Lê tem 819 inscritos e acumula mais de 5,8 mil visualizações.

Farpelli conta ainda que se surpreendeu com o quanto as pessoas se interessam por vídeos no YouTube. “Eu não achava que tinha tanta gente interessada em livros nem que eu fosse encontrar tantas pessoas com interesses comuns aos meus. O YouTube é mesmo como uma rede social, a gente acaba fazendo amizades e criando laços”, disse. Ele afirma que leva, aproximadamente, 15 minutos para gravar e até três horas para editar e exportar os vídeos.

Apesar de ter começado a monetizar o conteúdo que publica, Tico Farpelli afirma que os ganhos ainda não são expressivos e que o principal motivo de manter o canal não é ganhar dinheiro com ele. “Com o canal, eu espero abrir portas, ser conhecido pelas editoras e um dia me tornar um escritor”, afirmou.

Geração conectada

Segundo dados do YouTube, o site conta atualmente com mais de 1 bilhão de usuários, o que representa quase um terço das pessoas que usam a internet. O número de horas de visualização de vídeos no YouTube cresce 60% a cada ano, e o número de pessoas que assistem conteúdos no site por dia cresceu 40% ao ano, desde março de 2014.

O interesse pelo YouTube, segundo a professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e pesquisadora de mídias sociais, Mirna Tonus, integra uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com as mídias. “Esse movimento do qual o YouTube faz parte transformou o consumidor de informação em produtor de conteúdo. É a segunda geração da web, que permite às pessoas publicarem e não só consumirem. Há de se considerar também que existia um desejo represado de produzir conteúdo, o que potencializou esse crescimento rápido do YouTube nesses quase 11 anos de funcionamento”, afirmou.

Para ela, o rompimento da via de mão única na produção de conteúdos de mídia não se trata de moda passageira. “Como essa geração já nasceu praticamente nesse universo de possibilidade de postagem, eles se apropriam muito mais fácil dessa ferramenta. Eles são os nativos digitais, para eles é natural”, disse a pesquisadora.

Leia mais:

Youtuber Taty Ferreira fala sobre o canal Acidez Feminina

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