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Cidade e Região

Marcos André Martins acredita que cidade é marcada pelo progresso

A perspectiva de uma vida próspera, com oportunidades de trabalho e de estudo, foi o que atraiu o geógrafo Marcos André Martins para Uberlândia em 1982. Natural de Itumbiara (GO), o segundo filho de cinco irmãos se mudou com eles e com os pais em busca de condições melhores de vida. Hoje, aos 47 anos, o fundador do grupo Shama e presidente do Núcleo de Diversidade Sexual de Uberlândia (Nuds) diz que não pretende sair da cidade que o acolheu.

Marcos Martins vive em Uberlândia desde a adolescência, acompanhou mudanças e se tornou defensor dos direitos do grupo LGBT (Foto: Marcos Ribeiro)

Marcos Martins vive em Uberlândia desde a adolescência, acompanhou mudanças e se tornou defensor dos direitos do grupo LGBT (Foto: Marcos Ribeiro)

Da cidade que conheceu, Marquinhos – como é conhecido na cidade e no movimento LGBT local, em que milita – se lembra da tranquilidade. “Quando me mudei, fui morar no Centro, na avenida João Naves de Ávila. Era uma Uberlândia mais calma, embora já sinalizasse o progresso que viria anos mais tarde”, disse. A casa onde vivia era alugada e bem antiga. “Ali era uma região de casebres antigos. Ainda têm alguns hoje, mas depois de lá moramos em muitos outros lugares.”

Uma memória presente em sua vida é a do carnaval. “Era na rua, passava na porta de minha casa. A gente assistia da janela.”. O que mais o atraía eram os prédios e a modernidade que a cidade mostrava ter. “Eu via Uberlândia pela televisão e fiquei deslumbrado quando cheguei. Já de longe, vi alguns prédios e pensei que ela era mesmo tudo o que eu via pela TV. As pessoas foram hospitaleiras, foi fácil gostar daqui”, disse.

Assim que chegou, o adolescente foi concluir o ensino médio na Escola Estadual Amador Naves no período noturno. “De dia, eu trabalhava. Aliás, todo mundo trabalhava naquela época, para ajudar em casa, inclusive. Meu pai era motorista de transporte coletivo e minha mãe era costureira. A renda era pouca, a gente precisava ajudar.” Aos fins de semana, a diversão eram os bailes na casa de amigos. “A gente ia a pé ou de bicicleta, com a turma toda. Dançava muito, conversava, ouvia música e depois voltava para casa. Não era tão perigoso andar de madrugada na rua”, disse.

Por mais de um ano, Marquinhos ficou fora de Uberlândia, enquanto servia a Aeronáutica na capital federal. “Sempre quis ser das Forças Armadas, mas achei frustrante entrar para a Aeronáutica. Não era o que eu pensava, apesar de ter sido uma experiência boa.”

Cultura noturna

Dos cinco irmãos, Marquinhos é o único com orientação homossexual. “Lutei contra isso na adolescência, o que é comum, porque é uma fase confusa, em que não sabemos exatamente o que sentimos. Tentei ficar com mulheres porque achava que a atração por pessoas do mesmo sexo era passageira, mas, com o tempo, fui vendo que era minha orientação sexual mesmo”, afirmou.

Uma memória presente é a da vida noturna na cidade, que para ele sempre foi diferente por causa de sua orientação homossexual. “Havia guetos, lugares específicos para baladas gays. Há até hoje, mas, antigamente, éramos muito mais marginalizados. No início, eu não sabia desses lugares, onde eu podia encontrar pessoas que me olhariam sem preconceito. Fui descobrindo aos poucos.”

Ele afirma que, com o tempo, outros espaços foram surgindo. “No início, tinha poucas boates, mas depois começaram a criar novos estabelecimentos. A cidade é conservadora, preconceituosa, é preciso haver locais específicos de encontro”, disse.

Militância LGBT

Já mais velho e consciente do que a cidade oferecia em termos culturais e comportamentais a pessoas que têm orientação sexual para o mesmo sexo, Marquinhos resolveu fundar, em 2002, o grupo Shama. “Fui à Bolívia algumas vezes e conheci os movimentos organizados lá. Achei que poderia fazer o mesmo aqui, porque as pessoas de Uberlândia não se mobilizavam. A gente precisava se unir, brigar por direitos, por espaço, buscar o respeito da sociedade.”
Hoje, além de presidente do grupo, Marcos Martins ocupa o cargo de coordenador do Núcleo Municipal de Diversidade Sexual (Nuds). “É uma função importante, precisamos dar voz às minorias”, afirmou.

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