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Cidade e Região

Moradores mantêm os antigos casarões

A antiga beneficiadora de arroz, localizada na avenida Gonzaga, hoje abandonada, surgiu, provavelmente, na década de 50

A última reportagem da série Casarões Antigos traz a história das construções do distrito que já foi chamado de Patrimônio da Rocinha. Localizado a 50 quilômetros de Uberlândia, com acesso pela BR-452 no sentido Araxá, Tapuirama tem uma população de pouco mais de dois mil habitantes. São famílias pacatas e muitos moradores antigos. A arquitetura tradicional resiste ao tempo e continua contando a história da cidade em páginas saudosistas.

Os rascunhos da história do distrito datam de 1819, quando começou a ser formado às margens do Ribeirão da Rocinha. A área se tornou conhecida por bandeirantes em passagem pelo Sertão da Farinha Podre. De lá para cá, poucas construções foram conservadas. Nenhum imóvel é tombado pelo patrimônio histórico, mas seis construções já foram cadastradas no Inventário de Proteção do Acervo Cultural da prefeitura, o que não deixa de ser um passo para um futuro tombamento.

Da antiga beneficiadora de arroz, localizada na avenida Gonzaga, número 1.173, não há registro exato da data de construção, mas os atuais moradores acreditam que seja da década de 50. O prédio é composto por um comércio, fechado há 14 anos, e pela casa onde o cabo da polícia militar Silvano Martins da Silva mora com a família. Foi construído por Joaquim Pereira do Nascimento e contava com uma sirene, que diariamente apitava às 7h, 11h, 12h30 e 17h30. Posteriormente foi herdado pelo filho de Joaquim, José Pereira de Resende. Então passou para José Fernandes Filho, irmão do atual proprietário, o tirador de leite Ademir Fernandes Santana, de 59 anos. Abandonado atualmente, o antigo comércio serve de depósito de materiais. A casa, que faz parte do conjunto, está conservada e em boas condições.

Casa da década de 1950 se mantém original

O número 1.032 é dos herdeiros daquele que dá nome à rua

Casas antigas do distrito de Tapuirama continuam habitadas e passam a impressão de estar paradas no tempo. É o caso de uma construção na avenida José Pedro Abalém, número 1.032. Com arquitetura histórica e um alpendre de piso vermelho logo na entrada, o imóvel é de responsabilidade da aposentada Diva do Carmo Carneiro Naves, de 74 anos. O proprietário é Silano Abalém, que recebeu de herança o terreno do pai, José Pedro Abalém, que dá nome à avenida. Até o início da década de 50, existia outra casa no lugar, demolida para a construção da atual. Com piso de taco assentado, paredes de alvenaria tratada e forro em madeira, o imóvel está com a estrutura danificada pelo tempo. Rachaduras nas paredes, ações de cupins no teto e infiltrações são fáceis de encontrar. “Aqui é antigo, difícil de manter. Mas vale a pena morar. Hoje em dia, não é fácil encontrar uma casa como essa”, disse a moradora, Diva Naves.

Avenida Gonzaga

Na avenida Gonzaga está o casarão erguido no ano de 1938

Outro imóvel é ainda mais antigo. Localizado na avenida Gonzaga, número 1.138, o casarão data de meados de 1938. Foi construído pelo primeiro morador, José Gonzaga de Camargo, que deixou a casa como herança para a filha Odete Gonzaga dos Santos Oliveira, mulher de Gerson Oliveira Alves, atual proprietário. Com sala, três quartos, cozinha, banheiro e corredor, todos com piso de cimento queimado e de cor vermelha, a edificação tem problemas estruturais e físicos que começam a comprometer a integridade. Dentre eles, rachaduras nas paredes, rebocos caídos e trincas nos pisos.

Antigo barbeiro tinha salão em casa

O casarão da rua Governador Valadares, número 35, é composto pela residência original em planta quadrada, por um anexo retangular formado por cozinha e banheiro e por uma terceira edificação em “L” que abriga o alpendre. Sem registro da data de construção, o imóvel pertencia a João Cassiano, antigo barbeiro do distrito, que usava um dos cômodos para o trabalho. Posteriormente foi vendido para Antônio Cardoso e depois para José Rosa. Falecido, a herança ficou para Alzira Duarte, que deixou a antiga casa para um dos filhos, o atual proprietário, Cristiano Duarte. Apresenta infiltrações e desgaste natural dos materiais de revestimento.

Cruzeiro é ponto de encontro

Clima bucólico da Praça Central remonta às origens do distrito

Tomado pelos galhos do imenso flamboyant da praça da Igreja de Nossa Senhora da Abadia, o cruzeiro de madeira de Tapuirama continua em pé e serve, assim como na data em que foi erguido, como ponto de encontro para orações. O cruzeiro original foi instalado em 1912 por Herculino da Rocha, João Piretto e a família Gonzaga. Segundo moradores, a cruz foi substituída em 1929 pela peça atual, confeccionada em madeira maciça de aroeira, com aproximadamente seis metros de altura. A igreja foi construída quatro anos depois, em 1933. Até então, o cruzeiro era o local em que as famílias se reuniam aos domingos para rezar e promover leilões.

O tradicional coreto também foi construído na mesma praça. Data de 1933, quando a capela foi levantada. Possui planta pentagonal com espaço no térreo para depósito de materiais e escada de acesso em alvenaria. Está em estado de conservação regular, com pintura e partes do cimento danificados.

Moradores pedem mais preservação

Diva do Carmo, 74, é uma das moradoras de Tapuirama

Moradores do distrito de Tapuirama pedem mais conservação dos antigos casarões para a preservação da história do local e, consequentemente, de Uberlândia. Com 80 anos, a aposentada Manuelina Alvarenga gostaria de ver tudo reformado. “Eu gosto demais das casas antigas, pois preservam a nossa história. Tem que reformar para cultivar as lembranças e manter isso vivo para as futuras gerações”, disse. A filha dela, Lione Inez de Alvarenga, de 59 anos, concorda. “Está faltando cuidado. Se conservar direito, vai ficar igual aos casarões de novela. Tem que pintar, tampar os rachados, colocar uma cerâmica. Daí sim, vai ficar bonito”, afirmou.
A responsabilidade de conservação dos imóveis de Tapuirama é dos moradores, sendo que qualquer pessoa pode pedir o tombamento de um imóvel na prefeitura. O pedido será analisado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico Cultural de Uberlândia (Comphac).

TAPUIRAMA
População – 2 mil habitantes
Distância de Uberlândia – 50 quilômetros
Localização – às margens da BR-452, com destino a Ara

Comentários

2 respostas para “Moradores mantêm os antigos casarões”

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