Número de idosos aumenta 63,9% em 10 anos

Uberlândia tem hoje 61.674 idosos, sendo 34.437 mulheres e 27.237 homens, um reflexo dos avanços da medicina e das políticas públicas assistenciais
A população de idosos em Uberlândia subiu 63,9% nos últimos dez anos. Dos 604.013 habitantes atuais registrados no município, 61.674 tem mais de 60 anos, o que representa 10,2% da população total, segundo dados consolidados do Censo 2010. As principais justificativas para esse envelhecimento da população uberlandense estão relacionadas aos avanços da medicina e às políticas públicas para a melhoria da qualidade de vida desse grupo de pessoas.
Em comparativo com Censo 2000, quando Uberlândia tinha 37.614 idosos, o que representava 7,5% dos 501.214 habitantes registrados na época, o crescimento em números reais conforme o último censo é de 24.060 idosos. Além disso, o município tem registrados ainda 58 habitantes com idade superior a 100 anos. “Temos procurado por melhor qualidade de vida e estamos cuidando mais da nossa saúde. Toda ação que coloca o idoso em movimento é importante, o grande problema para nós é a inatividade”, afirmou Wildes Canuto Arantes, 67 anos, presidente do Conselho Municipal do Idoso.
Para o promotor de Justiça Lúcio Flávio Faria e Silva, o aumento no número de idosos em Uberlândia segue um processo natural, uma realidade nacional. “Por isso temos que cobrar cada vez mais políticas públicas para este grupo. Uberlândia tem uma boa estrutura, mas ainda assim é preciso se preparar para o futuro, principalmente a sociedade que precisa valorizar mais os idosos”, disse.
Segundo a professora e doutora em geografia urbana da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Beatriz Ribeiro Soares, o movimento migratório também influi diretamente nesses números. “Acredito que muitos dos idosos de hoje, são as pessoas que vieram para a cidade na década de 70 com a federalização da universidade, a industrialização e o êxodo rural”, afirmou.
Mulheres
Na mesma tendência da população geral de Uberlândia que registra 309.099 mulheres (51,2%) contra 294.914 homens (48,8%), entre os idosos, o sexo feminino também é predominante e com um porcentual ainda maior. Ao todo, dos 61.674 idosos, 34.437 são mulheres (55,8%) enquanto os homens são 27.237 (44,2%). Em 2000, as mulheres também eram maioria com 56% da população idosa Na opinião da médica especialista em saúde pública, Maria Helena de Abreu, as mulheres são mais preocupadas com a saúde e por isso procuram mais assistência médica. “Elas são mais conscientes em relação a ações preventivas, por isso descobrem as doenças mais cedo e conseguem a cura com mais facilidade. Já os homens são mais negligentes”, disse.
Sociedade precisa estar preparada
Uma situação que preocupa as autoridades é a violência contra pessoas idosas. Hoje, na Promotoria do Idoso, existem 437 casos de violência, sendo apurados mais que o dobro de 2009 quando foram registrados 215 casos. “Para cada caso arquivado surgem quatro novos casos. A maioria das denúncias é de exploração financeira, maus-tratos, vindos principalmente da família, dos filhos”, afirmou o promotor de Justiça Lúcio Flávio.
Na opinião do promotor, a sociedade precisa se preparar melhor para receber o número crescente de idosos. “É dever de todos zelar para que as leis sejam cumpridas. As pessoas não podem se esquecer de que um dia serão idosas e têm que respeitar para serem respeitadas”, disse.
Dos quase 62 mil idosos registrados pelo último censo em Uberlândia, 58 pessoas estão com mais de 100 anos. Desse total, 42 são mulheres e 16 são homens.
Dado curioso é que, em relação ao Censo anterior, o número de centenários diminuiu apesar da população idosa ter crescido 63,9% em dez anos, já que, em 2000, a população centenária era de 69 pessoas e todas do sexo feminino.
Centenária
Aos 102 anos, Olívia Cândida de Carvalho Vital é tida como exemplo de vitalidade para a família
Com 102 anos de idade, Olívia Cândida de Carvalho Vital é uma das representantes da população centenária uberlandense. Mãe de cinco filhos, 30 netos, 40 bisnetos e 10 tataranetos, vive hoje acamada, mas segundo a família, até os 97 anos tinha uma vida bem ativa, e até dançava. “As pernas dela já não aguentam mais pela idade mesmo. Ela não tem nenhuma doença, sempre cuidou muito da saúde”, disse a filha caçula, Maria Francisca Vital, 67 anos.
De acordo com a neta primogênita Tatiana Maria Vital, 42, que cuida da avó há oito anos, a vitalidade da matriarca centenária é um exemplo para toda a família. “Ela passa pra nós essa vontade de viver, de sermos ativas e cuidar da saúde. Espero chegar lá, somos a família da vitalidade”, afirmou.
Assistência social ajudou no aumento
O maior envelhecimento de uma população está diretamente ligado à melhora na qualidade de vida e aos programas sociais voltados para os idosos.
Em Uberlândia, conforme informações da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho, existem cerca de 10 mil vagas para atendimento gratuito a este público nas quatro unidades do Centro Educacional de Atendimento Integrado (Ceai). Entre as atividades oferecidas estão: musculação, hidroginástica, fisioterapia, dança, violão, trabalhos manuais, informática, entre outros. O projeto Condomínio do Idoso atende 48 idosos oferecendo casas a custos baixos em um espaço reservado para moradores com mais de 60 anos,. “Hoje, o atendimento é suficiente, mas com a população idosa crescente, temos que expandir”, disse a secretária Iracema Marques.
Com o aumento de 63,9% da população idosa do município nos últimos dez anos, a maior preocupação é com a falta de vagas nas instituições de longa permanência, antigos asilos, e pela falta de profissionais qualificados para cuidar de pessoas acima dos 60 anos.
De acordo com o promotor de Justiça Lúcio Flávio Faria e Silva, a cidade precisa de mais instituições para atender à demanda. “Hoje não existem vagas nas instituições públicas. Talvez até se encontre alguma nas particulares, mas são poucas. Assim, daqui há dez anos a situação tende estar ainda pior”, disse.
Carência
Hoje em Uberlândia existem cinco instituições de longa permanência filantrópicas, sendo quatro subvencionadas pela prefeitura e uma mantida por uma entidade religiosa. As particulares somam nove instituições. “Realmente está no limite, precisamos ampliar. Estamos em busca de mais instituições que queiram fazer parcerias”, afirmou a secretaria de Desenvolvimento Social Iracema Marques.
Por sua vez, a doutora em Geografia Urbana, Beatriz Ribeiro, exalta que a falta de cuidadores de idosos qualificados é um sério problema. “Não vemos políticas voltadas para a qualificação destes profissionais. Além disso vemos poucos programas para os idosos que precisam de cuidados”, disse.
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ronan ribeiro disse:15/05/11 8:25
61.000 pessoas acima de 60 anos, baliza que a cidade tem boa qualidade de vida…Bom nicho alvo certo das Agências de Turismo e planos de saúde.
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Roger disse:15/05/11 12:52
Esqueceram de formatar o texto? Favor corrigir.
Comentários (2)