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Cidade e Região

O picolé de Uberlândia que ganhou o país

Cláudia Almeida Pereira abriu sua sorveteria na cidade em 2003 e mudou o nome da empresa no ano seguinte

A ideia de colocar o sabor do cerrado no picolé rendeu à família Almeida a consolidação de uma empresa com abrangência nacional e, segundo a empreendedora Cláudia Almeida Pereira, proprietária da marca Frutos do Cerrado, em breve, com alcance internacional.

Há nove anos em Uberlândia, a empresária inaugurou na cidade a empresa Frutos do Cerrado. Nomes de frutos que dão sabores aos picolés pouco comuns para os mineiros como mamacadela, murici, araçá e mutamba integram o vocabulário da clientela da sorveteria que, inicialmente, comercializava sorvetes e vendia, diariamente, mil picolés por mês e hoje negocia 20 mil picolés e 3 mil litros de sorvetes por dia.

O negócio começou em 1996 com o patriarca Clóvis José de Almeida e a matriarca Milca Alves Lourenço por meio de uma sorveteria que a família possuía em Goiânia (GO), chamada Milka Sorvetes. “Meu pai conta que a inspiração dele para criar a sorveteria veio das lembranças de sua infância, quando a avó dele batia no liquidificador jatobá com leite em substituição ao achocolatado”, disse a empresária.

A boa aceitação do produto no mercado goiano motivou Cláudia Almeida Pereira a construir sua própria história no setor, em Uberlândia, em 2003. Sua primeira sorveteria na cidade foi instalada no bairro Santa Mônica, zona leste de Uberlândia. No ano seguinte, veio a mudança do nome Milka Sorvetes para Frutos do Cerrado.

De acordo com a empreendedora, seu pai também a ajudou no negócio. “Ele saía com o carrinho para a venda nas ruas, enquanto meu marido cuidava da produção”, afirmou.
A adaptação de sua empresa ao mercado uberlandense, segundo a empresária, teve como principal obstáculo o preço praticado pelas outras sorveterias. “Nosso picolé era vendido a R$ 0,60, enquanto o mercado local cobrava R$ 0,15”, disse Cláudia Almeida Pereira, que afirmou ter obtido retorno positivo dos clientes logo nos primeiros anos de funcionamento da empresa, apesar das dificuldades enfrentadas.

O aumento da demanda, de acordo com ela, motivou a venda do ponto no bairro Santa Mônica e a dedicação exclusiva da Frutos do Cerrado à produção dos picolés e sorvetes, pois o assédio de pessoas interessadas em abrir lojas para vender seus produtos só aumentava.

A empreendedora disse que, neste período, a produção feita em sua empresa passou para uma área maior e a marca Frutos do Cerrado também foi expandida, tendo ficado conhecida no interior de São Paulo, além de ter passado a contar com um centro de distribuição de produtos em Belo Horizonte.

Fábrica atende a 32 estabelecimentos comerciais

A fábrica de Uberlândia conta atualmente com 25 funcionários envolvidos na produção de sorvetes

Com 25 funcionários atualmente – havia três em 1996 -, a fábrica Frutos do Cerrado de Uberlândia atende a 32 estabelecimentos comerciais. O carro-chefe da sorveteria, de acordo com a sua proprietária, Cláudia Almeida Pereira, é o picolé de cajá-manga, seguido dos sabores de milho verde e coco.

A marca hoje também conta com a produção de sorvete e cremes de açaí e amora. “Vendemos os picolés a um preço sugerido de R$ 1,75. Já o sorvete é comercializado a R$ 29 o quilo”, afirmou a empresária, que também disse seguir as tendências do mercado. Um dos últimos lançamentos da sorveteria, segundo ela, foi a Linha 0, para atender a diabéticos.

Empresária investe em desenvolvimento sustentável

A empreendedora Cláudia Almeida Pereira também afirmou que a necessidade de ter os frutos do cerrado, matérias-primas exóticas para fazer os picolés e sorvetes, motivou sua empresa a investir no desenvolvimento sustentável. Recentemente, a empresária adquiriu uma área de 32 alqueires na zona rural de Uberlândia para fazer o plantio de pequi, mangaba, jabuticaba, araticum, açaí e murici.

“A administração da fazenda é feita pelo meu marido. Esse investimento deve reduzir nosso custo com produção em 40%”, disse a empresária, que afirmou ter um custo elevado para comprar, por exemplo, pequi e mangaba no norte de Minas e buriti no Piauí.
De acordo com Cláudia Almeida Pereira, a maioria dos frutos típicos do cerrado goiano utilizados na fabricação dos picolés e sorvetes de sua marca é originada de uma fazenda de sua família localizada no interior de Goiás, que tem seu pai, Clóvis José de Almeida, como responsável pela administração.

Planos de expansão levam à mudança de marca

Com planos de expansão das vendas para todo o país e também para o exterior, uma mudança na marca foi necessária, segundo a proprietária da empresa produtora de picolés e sorvetes, Cláudia Almeida Pereira. Com o nome Frutos do Brasil, que já aparece no site do empreendimento, terá início em julho de 2012 a exportação dos produtos para a Flórida (Estados Unidos). “Inicialmente, o fornecimento dos picolés e sorvetes será feito pela unidade de Goiânia. A troca do nome se deve ao fato de outros países desconhecerem o cerrado”, afirmou.

No Brasil, a mudança visa a evitar o regionalismo, de acordo com a empreendedora. “Não seria ético vender picolé de mangaba na Bahia, terra nativa da espécie, com a marca Frutos do Cerrado”, disse Cláudia Almeida Pereira. Em Uberlândia, Goiânia e São Paulo, segundo a empresária, a marca inicial, Frutos do Cerrado, será mantida.

Em números

* Produção diária inicial – Em 2002
- Picolés: 1 mil
- Sorvetes: Não produzia
- Funcionários: 3

* Produção diária atual – Em 2011
- Picolés: 20 mil
- Sorvetes: 3 mil litros
- Funcionários: 25

* Carro-chefe atual
- Picolé de Cajá-manga

* Preço atual sugerido
- Picolé: R$ 1,75
- Sorvete: R$ 29 (kg)

* Variedade atual
- 63 sabores
- 40 são exóticos

Comentários

16 respostas para “O picolé de Uberlândia que ganhou o país”

  1. Milka Sorvetes, Frutos do Cerrado, Frutos do Brasil pra mim tanto faz o importante é que a qualidade nunca foi perdida. Sou viciado nos sabores de Kiwi, caja-manga e Tamarindo (Todos com Sal) é uma delicia. Parabens e sucesso aos empreendedores

  2. Gosto de todos os sabores mas os meus preferidos sao , burite e murici por que realmente tem o gosto da fruta, tem uns por ai que tetaram copiar mas nao conseguiram. Parabens e continui com a qualidade de sabores …

  3. Parabens! se é do cerrado é coisa nossa (brasileira), só falta fazer picolé de UVAIA,tenho no quintal de minha casa em Uberlândia, o suco e o sorvete é uma delícia.

  4. gosto muito ,compro os picolés frutos do cerrado desde quando chegaram á uberlandia fica aqui minha admiraçao pelo trabalho de voces e por vender um
    produto de exelente qualidade ,faço gestao ambiental na faculdade católica de uberlandia e se possivel divulgar vc como uma empreendedora de sucesso ….

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