Cidade e Região

Notícias de interesse geral de Uberlândia e região.

19/08/2012 7:40

Paixão pelo ciclismo fez empreendedor investir em loja especializada

Especial para o CORREIO

Wagner Borges tem em sua loja bicicletas de R$ 360 a R$ 32 mil e mantém uma clientela fiel por meio do incentivo ao ciclismo

‘Sair por uma trilha dá uma sensação incrível de liberdade. Sentir a vida pulsando produz adrenalina boa’, é o que todo ciclista diz. Talvez por isso, basta sair de casa pela manhã, ao entardecer ou à noite para encontrar cada vez mais pessoas pedalando por avenidas de Uberlândia ou pelas estradas do município.

Há 17 anos, quando Wagner Ferreira Borges veio de Unaí para Uberlândia, não era assim. O ciclismo não era difundido e não existiam grupos organizados de trilheiros. Wagner, que já fazia trilhas em sua cidade queria continuar, porém não conhecia nada da região. Foi conhecer de bike.

O gosto pelo esporte e a vontade de fincar raízes em Uberlândia possibilitou o surgimento da Trilha Bike, uma das primeiras empresas especializadas na venda de bicicletas, equipamentos e acessórios para ciclistas na cidade.

Quando chegou, em 1995, Wagner Borges já tinha experiência com bicicletas. Trouxe a pequena loja de peças e instalou uma oficina na avenida Monsenhor Eduardo. Ali, ele consertava bicicletas e vendia peças. Tinha dois mecânicos.

Depois, passou a montar bicicletas para os magazines da cidade. “Tinha vez que chegava um caminhão com 700 bicicletas para montar até o dia seguinte. Tinha oito mecânicos que ‘viravam a noite’ trabalhando.” Assim, na assistência técnica, ele trabalhou por três anos. “Eu tinha muita vontade de ter um negócio especializado. Foram uns três anos assim, de muita garra, muita luta, dedicando quase 24 horas por dia.” Aos poucos, Wagner Borges passou também a vender bicicletas. “Quando as vendas foram crescendo, eu parei com a assistência técnica.”

Motivação

“Eu não conhecia ninguém e aqui ninguém organizava grupos de trilha”, disse o empresário. A paixão pelas trilhas e a percepção de um mercado a ser explorado o incentivaram. A ideia era convidar os clientes, formar grupos e pedalar pelo menos três vezes por semana.

Assim o fez. Em 2002, montou sua loja especializada com algumas bicicletas, peças, equipamentos e acessórios. Em princípio, organizou pequenos grupos e começaram a pedalar às terças e quintas-feiras à noite e nos fins de semana. Esses grupos se encontram até hoje.

O prédio alugado no Centro da cidade foi remodelado com ponto de venda, showroom e oficina. Na época, ele investiu R$ 30 mil. “Era muito pouca coisa porque as peças são caras. Hoje se comprarmos R$ 10 mil chega uma caixinha com quase nada”, disse.

Empresário promove o cicloturismo por meio de eventos

Com o tempo, mais pessoas passaram a se interessar pelos passeios em contato com a natureza e o cicloturismo torna-se mais conhecido na cidade com a ajuda do empresário Wagner Ferreira Borges. “Em 2009, levei um grupo de 15 pessoas até o Caminho da Fé. Atravessamos o Sul de Minas e saímos em Aparecida do Norte. Sempre eu organizo esses passeios, conciliando o trabalho com o lazer.”

Já em 2011, os ciclistas começaram a promover encontros regionais. O primeiro de Uberlândia aconteceu no último mês de junho e reuniu mais de 500 pessoas com idade a partir dos quatro anos. Todas as lojas da cidade participam.

A confiança conquistada com os clientes e amigos, a participação nos encontros e o apoio aos eventos o ajudam a divulgar o nome da empresa. “Se eu disparar um email falando que vai ter uma trilha à meia-noite, pode vir aqui que tem 40 pessoas na porta. Alguns nem conseguem dormir de ansiedade”, disse o empresário de 41 anos, que hoje consegue mobilizar a região inteira quando o assunto é trilha bike.

Empresa ficou oito anos sem dar lucro, diz empreendedor

Para quem apostou na paixão e a transformou em um negócio, o empreendedor precisa acreditar no que faz e ser um bom administrador para “vingar” no mercado. “Fiquei uns oito anos sem tirar um centavo, só colocava. Tem muita gente que abre uma empresa hoje e quer tirar uma despesa grande e não funciona assim”, disse Wagner Ferreira Borges.

A loja tem hoje cinco funcionários e trabalha com todos os itens para o ciclismo, além de bicicletas que vão de R$ 360 a R$ 32 mil. O investimento de R$ 30 mil resultou em um patrimônio de R$ 400 mil.

Para o empresário, uma empresa é construída com garra e administração. “Tem que ser humilde, ter bom atendimento, jogo de cintura e fazer o que gosta”, disse. “Foi muito rápido e é muito gratificante. Os vizinhos e o pessoal que viu a gente abrindo as portas dizem que achavam que a loja não ia vingar. Hoje passam e falam que sou esforçado, trabalhador e me dão os parabéns.”

Comentários 1

Ao enviar suas informações de registro, você indica que concorda com os Termos do serviço e leu e entendeu a Política de Privacidade do site do Correio de Uberlândia. Só serão liberados comentários cujos autores estejam identificados por nome e sobrenomes e que não contenham expressões chulas e/ou palavras de baixo calão.

 

  1. liliana disse:19/08/12 11:58

    Parabéns Wagner.
    Adorei a matéria.
    Sim, o cicloturismo é uma forma divertida de se manter em forma e ao mesmo tempo de conhecer os arredores de Uberlândia.
    Empreendendores como Wagner, é tudo que Uberlândia precisa nesta fase boa de crescimento e progresso.

    Responder