Parto natural devolve protagonismo à mãe
Ainda desconhecido para muitas pessoas, mas nem tanto para as novas mães, o parto natural humanizado devolve à mulher o protagonismo na hora de ela dar à luz, já que retoma o controle de todas as ações necessárias para que seu filho venha ao mundo e que, na cesariana e até mesmo no parto normal, são mais coordenadas pelos médicos.
No procedimento natural humanizado, que é parecido com o parto normal, não há nenhum tipo de intervenção médica ou toque do obstetra na gestante como ocorre no parto normal, e a mãe, além de ditar o ritmo do seu corpo naquele momento, também fica responsável por fazer todo o trabalho necessário para que seu filho nasça, mas sem precisar fazer a força que é verificada durante o parto normal.
Em Uberlândia, a médica ginecologista e obstetra Sílvia Caires faz cada vez mais partos com esta técnica, que já não tem mais enfrentado tanta resistência das pacientes. Somente neste ano foram 11 partos naturais humanizados realizados por Sílvia Caires.
Segundo ela, quando este procedimento é adotado, a mulher passa a ser o centro das atenções e o parto tende a ser muito menos traumático para os envolvidos nele. “Com esta técnica aliada ao parto, todos ganham: a criança que chega, a mãe, o pai e a medicina, que oferece à família uma forma diferente e humana de ela passar pelo acontecimento”, afirmou.
Ainda de acordo com a médica, durante o parto natural humanizado há o acompanhamento de obstetra e, se necessário, de enfermeira obstetra e pediatra, mas eles não tocam na gestante e estão no local apenas para orientar a mãe e agir somente caso seja preciso.
Neste tipo de parto, familiares também podem acompanhar o nascimento da criança. “É interessante a participação do pai, pois reforça este momento de união familiar que se torna inesquecível para quem está presente naquele ambiente”, disse a ginecologista.
Também pode participar deste parto, mas sem tocar na mãe, as doulas – palavra que vem do grego, cujo significado é “mulher que serve” –, termo que hoje tem sido utilizado para chamar mulheres sem experiência técnica na área da saúde que orientam e assistem a mãe de primeira viagem na gestão e durante o parto. Elas também ajudam a mulher nos cuidados com o bebê nos dias e até meses seguintes.
Mulher pode escolher a posição na hora de dar à luz
O parto natural humanizado é diferente do parto normal não só pelo fato de durante este procedimento não haver intervenção médica, como também porque durante ele a mãe pode caminhar, tomar banho de chuveiro ou banheira para aliviar as dores e até escolher a posição que considera mais confortável para ela dar à luz, segundo a médica ginecologista Sílvia Caires. Também de acordo com a obstetra, as intervenções de medicamento, aceleração do parto ou mesmo o tradicional corte vaginal acontece somente quando é estritamente necessário.
Grande parte das mulheres passa a gestação preocupada com a hora do parto. O grande medo delas é a dor. Por isso, muitas vezes, elas optam pela cesariana, técnica cirúrgica bem diferente do parto natural humanizado e na qual é feito um corte na barriga da mãe para retirar o bebê. Mas, segundo a jornalista Juliana de Paula Souza, 33 anos, que fez o parto natural humanizado há cerca de um mês e meio em Uberlândia, a dor durante este processo não é insuportável como muitas mulheres acreditam ser e o retorno compensa.
“A dor é intensa, mas dá para enfrentá-la por um bem maior, que é o nascimento do filho com o envolvimento humano que impera naquele momento, o reforço da aproximação familiar e o oferecimento ao bebê de ele ter a chance de escolher a hora que quer vir ao mundo. Além disso, a recuperação da mulher é mais rápida. No meu caso, meia hora depois, eu já tomei banho sozinha”, afirmou.
Seu marido, o publicitário Leandro de Freitas, 31 anos, também disse que o parto natural humanizado reforçou a união do casal e marcou sua vida. “Este procedimento permitiu a nós dar um começo de vida diferente e mais tranquilo para nosso filho e para a nova vida em família que passamos a ter”, afirmou o publicitário, que cortou o cordão umbilical do filho.
Doula forma grupo para conscientizar sobre parto
Mãe de Caio, 3 anos, e Laila, de um ano e meio, Kelly Mamede Junqueira Silva está grávida de cinco meses de Yasmim. Formada em Direito, ela teve dois partos humanizados e se prepara agora para encarar o terceiro parto da mesma forma. Kelly Silva também atua como doula – uma profissional que orienta a gestante durante a gravidez e também no momento do parto.
Em 2008, quando morava em São Paulo, antes de engravidar do primeiro filho, ela estava decidida a passar pelo parto normal. Kelly Silva foi a quatro médicos e todos tentaram desanimá-la de fazer este tipo de parto, mostrando como alternativa mais viável a cesariana. Ela decidiu então buscar, na internet, mais informações sobre o parto normal e descobriu o parto natural humanizado, além da função da doula. “Na verdade, para encontrar um médico que realizasse o parto natural foi mais interessante recorrer, primeiramente, à doula”, disse.
Durante o nascimento de Caio, Kelly Silva ficou 25 horas em trabalho de parto, que foi feito na casa dela, em uma piscina. O de Laila, ainda de acordo com a doula, também foi realizado em casa, mas não na piscina.
Kelly Silva disse que começou a atuar como doula em 2010, quando se mudou para Uberlândia e fez um curso pela internet ministrado pela ONG Amigas do Parto e também um curso presencial em São Paulo. “Neste período, acompanhei 18 gestantes que iniciaram o trabalho de parto natural, mas acabaram recorrendo à cesárea. No total, auxiliei na realização de três partos naturais”, afirmou.
Também segundo Kelly Silva, ela trabalha em conjunto com a médica ginecologista Silvia Caires para formar um grupo de ajuda às gestantes. “O ideal é fazer um acompanhamento delas desde os meses iniciais. Preciso conhecer bem a gestante para conseguir auxiliá-la na hora do parto”, disse.
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M.a disse:13/11/11 13:41
Nossa que bom , eu não conhecia este tipo de parto , achei maravilhoso pois o momento do nascimento e algo lindo e inesquecivel , ja tenho uma filha , entrei em trabalho de parto normal , mas por não conseguir dilatação total acabei fazendo cesariana , algo que eu não queria , mas agora ja decidi como meu proximo filho virá ao mundo.!
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Ana Cristina Porfirio Xavier disse:02/12/11 20:32
Lindo mesmo. Tive o Igor, meu segundo filho, agora com 4 meses através dessa orientação e na água. O apoio da Silvia, como médica e da Kelly como doula foi fundamental também para que eu conseguisse realizar essa façanha, principalmente porque já tinha tido uma cesariana antes, há 14 anos. Desmistifiquemos pois e viva o parto humanizado! Uma experiência INESQUECÍVEL!


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