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24/06/2012 7:15

Pequenas mãos produzem a magia dos sons

Especial para o CORREIO

Ana Beatriz Hosken matriculou o filho João, de 13 meses, nas aulas de musicalização e está satisfeita com os resultados

As mãos são menores que as teclas do piano. Os dedos mais parecem pingos, que ao tocarem nas notas certas produzem sons agudos, médios, graves. As feições deixam transparecer a alegria e o prazer que a criança sente por brincar e, ao mesmo tempo, vivenciar a experiência proporcionada pelos sons vindos de diferentes instrumentos. Esta é a tradução simplificada de um encontro da Orquestra de Bebês, realizado em uma escola de música de Uberlândia.

A implantação do projeto foi resultado da paixão da musicista Helena Steffen pela música, pelo prazer de ensinar crianças e também pela ciência. Segundo a educadora, que é maestrina e pianista, na década de 90 foram realizadas várias pesquisas, nos Estados Unidos e na Europa, que comprovaram os benefícios da música erudita para o cérebro da criança em idade escolar. Um deles ficou conhecido em todo o mundo como Efeito Mozart. “O poder que a música exerce sobre os seres humanos é tremendo”, afirmou.

Segundo a musicista, “novos estudos comprovaram também que os bebês estão aptos para receber a música, com efeito magnífico para o crescimento emocional, físico, mental e em todos os aspectos. Quanto mais cedo, melhor a resposta”.

Além do manuseio de instrumentos musicais, os bebês aprendem a esboçar e soltar sons e a cantar na afinação. A orquestra conta com 20 alunos, de 8 meses – idade mínima para começar – até os 3 anos. Os bebês são acompanhados por mãe, avós ou babá, para facilitar o manuseio dos instrumentos, favorecer o aprendizado e o prosseguimento em casa.

A partir dos 3 anos, o tempo de permanência nas aulas aumenta e as mães deixam de acompanhar os filhos. “A vivência musical vai crescendo pouco a pouco e aos 4 ou 5 anos já podemos notar sua maior tendência para algum instrumento específico”, disse a educadora.

Mães se impressionam com resultado

Por conhecer as pesquisas e os benefícios que a música traz para as crianças, a pediatra Daniela Marques decidiu levar a filha, Maria Clara, quando estava com 8 meses, para as aulas. “Atenção, disciplina, concentração. A música favorece tudo isso. A criança foca no que vai fazer e adquire gosto musical, que vai se formando desde muito pequena, além de estimular a coordenação motora e a interação com outras pessoas”, disse a pediatra.

“Fiquei impressionada ao ver a rapidez com que a música desperta a atenção das crianças. Achei que fosse em longo prazo e foi quase instantâneo.” Maria Clara hoje está com 6 anos e já escolheu o instrumento que quer aprimorar, o piano.

A ginecologista Cintia Coelho Franchi soube da musicalização infantil quando ainda estava grávida, em um curso para gestantes. A princípio, pensou apenas em proporcionar uma atividade para seu bebê. “Fiquei surpresa porque nem imaginava que o resultado seria tão positivo. Estou muito satisfeita”, afirmou. Cintia Coelho é mãe de João Paulo, de 2 anos e 4 meses. Ele estuda música desde os oito meses.

Por acreditar na música como um “poderoso recurso de educação, fonte de estimulo, equilíbrio e felicidade para a criança”, a produtora cultural Ana Beatriz Hosken levou o filho João, de 13 meses, às aulas de música da Orquestra de Bebês. “No primeiro ano de vida, as janelas estão escancaradas para os sentidos. Nada melhor do que preencher com arte, com sentimentos.”

Crianças aprendem também o silêncio

Helena Steffen: a “música gera efeito magnífico” nas crianças

As aulas de música para bebês duram 30 minutos, com cerca de dez atividades diferentes. As crianças trabalham com metalofones sopraninos, guizos, caxixis, maracás, pequenos tambores, pequenos pandeiros, martelos plásticos sonoros, sinos com afinação definida, ouvem o piano, cantam e aprendem também com o silêncio.

Por meio de associações, o bebê aprende brincando. ”Quando ele ouve um som grave, associamos ao ‘cachorrão’. Para o som bem agudo, lembramos o ‘passarinho’. Para momentos de pausa na música, o passarinho está voando, só quando retorna o som agudo, ele canta novamente”, disse Helena Steffen.

“O bebê também percebe o som manuseando um pequeno instrumento e percebe o silêncio imediatamente quando este som é interrompido, parando também de executar o seu instrumento.” O trabalho é exclusivo em formação musical continuada.

Música influencia o humor e a saúde

Pesquisas do Bryan Memorial Hospital, de Nebraska, e St. Mary’s Hospital, no Wisconsin, ambos nos Estados Unidos, comprovaram que, além de influenciar positivamente no humor, na energia, no entusiasmo e na felicidade, a música também reduz a depressão, tensão, fadiga, raiva e até a convulsão.

Outros estudos feitos na Alemanha mostraram que a música ajuda a melhorar habilidades motoras de pacientes em recuperação de Acidente Vascular Cerebral (AVC), fortalecer o sistema imunológico, melhorar a concentração, o controle da dor e a redução da ansiedade.

Em Taiwan, a musicoterapia reduziu a tensão psicológica de grávidas nos níveis de estresse, ansiedade e depressão. Durante o estudo, as grávidas ouviram músicas infantis, de relaxamento e clássicas, como Beethoven e Debussy.

Comentários (4)

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  1. Ana Flavia de Alcantara disse:24/06/12 10:18

    qual o endereço da escola ou telefones para contato

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  2. Aninha B. Martins disse:24/06/12 11:36

    Grande é a poesia, a bondade e as danças…
    Mas o melhor do mundo são as crianças,
    Flores, música, o luar, e o sol, que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    Parabéns! Excelente matéria, o Correio de Uberlândia está cada vez melhor, hoje então está imperdivel! Eu recomendo…Abçs.

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    • Flávia Cristina disse:24/06/12 15:39

      Concordo…Amei!!!

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  3. Anna Belle Carrijo disse:13/08/12 12:05

    Por favor, gostaria muito de saber qual a escola que dá esta aula. Obrigada

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