População que se declara negra cresce em Uberlândia
A população de Uberlândia que se considera negra aumentou 8.89 pontos porcentuais nos últimos dez anos. Ao todo, no Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os negros – pessoas que se declaram de cor preta ou parda – representam 42,9% dos uberlandenses.
Em números absolutos, residem em Uberlândia 259.216 negros contra 170.497 contabilizados no ano de 2000, o que demonstra um crescimento populacional de 52%. Mesmo com a evolução, o número de pessoas que se declaram de cor branca ainda é maior (55,8%).
Para os especialistas, os dados demonstram a permanência do preconceito racial, até mesmo entre os negros, e não condiz com a realidade de Uberlândia, principalmente quando no Estado de Minas Gerais o número de negros corresponde a 53,5% da população mineira.
De acordo com Carlos Silva de Sousa, diretor da Diretoria de Assuntos Afro-raciais (Diaafro), a estimativa extra-oficial é de que Uberlândia tenha pelo menos 52% de negros. “Infelizmente, ainda por uma questão cultural e de preconceito, algumas pessoas negras não se afirmam assim, consideram como algo pejorativo. Até mesmo entre os negros, quem tem a cor de pele preta se declara pardo, parte da cultura do ‘enbranquecimento’ da população”, afirmou.
Os números apresentados pelo Censo 2010 dividem a população em cinco grupos de cor ou raça: branca, preta, parda, amarela e indígena.
Dentro deste contexto, entre os negros, 34,5% da população se considera parda e 8,32% declara possuir a pele de cor preta.
Para a antropóloga Claudelir Correa Clemente, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), o número de negros aumentou nos últimos dez anos pelo fato de haver mais conscientização sobre o valor de cada grupo étnico, mas a queda do preconceito ainda está longe da ideal. “Por toda a questão histórica da escravidão, o preconceito ainda incomoda os negros. Grande parte das pessoas que tem o tom de pele claro se diz de cor branca”, afirmou.
Número de “amarelos” aumenta e de indígenas diminui
Entre os cinco grupos de cores e raças contabilizados pelo Censo 2010 do IBGE, o grupo de pessoas que se consideram de cor amarela – descendentes de asiáticos – apresentou o maior crescimento populacional de todos eles, com 350% de evolução. A população de “amarelos”, que possuía 1.507 pessoas, menor número no ano de 2000, hoje conta com 6.796 pessoas.
Para Chikara Tomiyama, aposentado, 74 anos, um dos representantes da comunidade japonesa em Uberlândia, o crescimento é explicado pelo perfil universitário da cidade. “O povo asiático gosta muito de estudar e em Uberlândia existem várias opções para curso superior, principalmente, na UFU. Muitas famílias migram para cá para os filhos estudarem”, afirmou.
Já os indígenas sofreram uma queda populacional de 40,2%. Hoje com 926 pessoas, a comunidade indígena de Uberlândia perdeu 625 pessoas nos últimos dez anos.
Negros são maioria no país e no Estado
No Brasil, a população negra cresceu 6.1 pontos porcentuais nos últimos dez anos. Hoje, os afro-descendentes representam 50,7% dos brasileiros, enquanto as pessoas que se declaram brancas somam 47,7%.
Em Minas Gerais, os negros também são maioria, com 53,5% da população mineira. O índice é 8.1 pontos porcentuais, maior que o do Censo realizado em 2000.
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Marcos Paulo disse:08/07/11 14:09
A cada dia que passa o negro vem conquistando seu espaco e vencendo barreiras e com isso passou a oculpar mais cadeiras nas escolas de ensinos medios e principalmente nas faculdades.Dispultar uma vaga de trabalho de igual para igual com outras racas passou a ser um grande desafio.Por experiencia propria profissional, disputei uma vaga de tabalho a 1 e 4meses atraz com 3 brancos e fui escolhido,nao por “COTA”, mas sim pelo pelo potencial.Hoje tenho filhos e um deles foi recentemente aprovado pélo vestibular da UFU no curso de Ciencias Economicas,mais um orgulho para familia e principalmente para raca,cuja qual cada dia vem se unindo mais e mais.
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Luiz Cesar disse:16/03/12 11:34
Como as oportunidades são diferentes não podemos julgar a excessão pela regra. A igualdade ainda é uma conquista almejada, porém não acessível a todos.
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Comentários (2)