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22/11/2011 8:38

Produtores de leite reclamam da falta de mão de obra

Repórter

A ordenha na fazenda do produtor Gilvan Sorna, que também sente a falta de mão de obra

Além do baixo preço pago pelo litro do leite, cotado em cerca de R$ 0,80, produtores rurais do Triângulo Mineiro têm enfrentado outro problema no processo de produção: a falta de mão de obra qualificada. Propriedades que antes contavam com até 15 funcionários, hoje, empregam, no máximo, a metade desse número, situação esta que foi agravada pela falta de trabalhadores disponíveis no mercado. O problema se intensificou nos últimos três anos e os motivos apontados pelos produtores são muitos, entre os quais, a concorrência por mão de obra com a construção civil.

De acordo com o produtor Eduardo Dessimoni, que é membro da Comissão de Pecuária de Leite de Minas Gerais e da Comissão Nacional de Leite, a perda de mão de obra no segmento se dá principalmente pelos altos salários que estão sendo pagos pela construção civil. “É o setor que mais absorve os trabalhadores do campo. O aumento do salário de pedreiro, serventes e auxiliares fez com que os funcionários das fazendas migrassem do campo para a cidade. Isso prejudica a produção”, afirmou. Por este motivo, segundo Dessimoni, muitos produtores rurais diminuíram a quantidade de leite produzido na fazenda ou migraram para outras atividades, como a criação de gado de corte ou o cultivo de lavouras – seringueiras e eucaliptos -, abandonando de vez o mercado leiteiro.

“O produtor tem que entender que essas mudanças vieram para ficar. Elas não têm retorno. Ou a atividade leiteira passa por um processo de mudança e adaptação ou vai cair drasticamente no país”, afirmou.

Proprietários reclamam do desinteresse dos trabalhadores pelo campo

O produtor de leite Paulo Roberto Andrade Cunha, que há 20 anos desempenha a atividade, tinha um projeto para produzir até 15 mil litros de leite por dia. Mas atualmente mantém uma produção diária em torno dos 800 litros, o que representa 5% da programação original. O problema, segundo ele, foi, além do fornecimento de energia em sua propriedade, que impactou negativamente na sua proposta inicial, também a falta da mão de obra. “Hoje, o funcionário fica pouco tempo trabalhando, principalmente para receber seguro desemprego. E ainda não tem compromisso com o empregador. Esse é um dos motivos que impedem de aumentar a produção, pois não tem pessoas para trabalhar”, disse.

Gilvan Sorna, que decidiu investir na produção de leite há oito anos, também enfrenta problema parecido. “Na época, quando comecei, tinha mão de obra, era mais fácil investir no leite. Mas hoje é difícil, pois as pessoas estão preferindo trabalhar na cidade”, disse. O produtor Antônio Gomes, que tem a experiência de 30 anos na atividade, reclama da mesma coisa. “sobram para trabalhar no campo somente aquelas pessoas que gostam de fazenda, só que esse gosto já não é mais tão grande assim”, afirmou.

Comentários (5)

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  1. Severo Gomes disse:22/11/11 8:54

    A tradição de pagar salário miserável no campo está enfrentando um nó nesse sistema capitalista selvagem à brasileira. Já passou da hora de modernizar, pagar um salário justo e oferecer parcerias honestas. O brasileiro humilde sempre foi um bocó, mas tudo um dia tem limite.

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  2. Polemico disse:22/11/11 9:17

    mas é logico..que falta mão de obra, salario minimo com desconto.. para trabalhar mais de 10hs diarias de segunda a segunda… escravidao ja acabou.

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  3. LAURA VILELA disse:22/11/11 12:44

    COMO DIZIA MINHA AVÓ:
    UM DIA OS GRANDES FAZENDEIRO IRIAM ACABAR TENDO QUE POR A MAO NA MASSA

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  4. CURIOSO D@ NET disse:22/11/11 13:29

    DESTE JEITO A VACA VAI PRO BREJO!

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  5. odair baltazar de matos disse:29/03/12 21:21

    aquele tempinho em q os denominados pião ganhando salario minimo e trabalhando assima de 12h por dia de domingo adomingo estão com os dias contados.
    vamos ajustar a carga horaria e tratar nossos colaboradores com condisoes melhores de moradis,remuneração de acordo com nossos lucros,e dar a eles cursos qualificante e perspectivas de vida ,odair= a 15 anos trabalhando na mesma fazenda!!!!!!!!!

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