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10/08/2012 21:50

Professora Marlene dos Passos trilha carreira baseada no amor

Especial para o CORREIO

Marlene do Passos se orgulha dos alunos que educou

As portas do armário da mestre Marlene dos Passos, 55 anos, se abrem e dele rolam 34 anos de cadernos com bilhetinhos colados. São mensagens de amor. São pequenos textos, escritos por pequenas crianças, que falam do valor de uma professora. “Tia Marlene, a senhora parece um fruto bem doce.” “A senhora é uma estrela que ilumina nossas noites.” São frases sem profundidade poética, com letrinhas iniciantes e, às vezes, um “c” trocado por um “s”. Mas são, para Marlene dos Passos, a prova de que para ser professor é preciso ter sensibilidade.

“Amor, amor, amor, eu falo essa palavra o tempo todo, porque acho que é o que resume a relação de carinho que existia entre um professor e um aluno e que infelizmente não existe mais”, afirmou.

Marlene dos Passos começou a lecionar aos 18 anos nas escolas rurais próximas ao Distrito Cruzeiro dos Peixotos e não consegue se esquecer das manhãs frias, quando passava pelas fazendas pegando as crianças para ir à escola. “Eu saía da fazenda às 5h com seis crianças e, em cada porteira que eu passava, tinha aluno me esperando. Íamos andando e pegando mais gente, eram mais de dois quilômetros até chegar à escola, um frio de doer, tinha orvalho e eu chegava lá com a barra da saia toda molhada”, disse a professora.

Professora ia dar aula a cavalo

Marlene dos Passos morava no Distrito Cruzeiro dos Peixotos e ia a cavalo dar aulas na zona rural. De salto alto, faz questão de dizer. Foram tantas idas e vindas e tamanha pressa quando ela passou a dar aula em outro turno, na escola do distrito, que dois cavalos morreram. “Eram cavalos jovens, galopavam no cascalho, os cascos não aguentavam, matei dois”, disse. Mas os meninos não podiam ficar sem aulas e a professora pediu emprestado um cavalo velho. “Esse me levou e me trouxe até o fim do ano.”

A professora diz que abria a sala de aula, que era multisseriada (os quatro anos do ensino fundamental na mesma sala), rezava com os alunos, dividia o quadro em quatro partes e passava conteúdo e tarefas para as quatro séries. “Aí eu corria, abria a cantina, preparava o lanche, voltava e corrigia os cadernos. E tudo era lindo, não tinha cansaço.”

Marlene ainda é chamada de tia

A professora que andava a cavalo de salto alto e molhava a barra da saia no orvalho da madrugada, se orgulha de cada um dos seus alunos que hoje mostram, na vida adulta, que valeu o esforço e todo aquele amor do qual ela não se cansa de falar. “Nos sábados, os pais levavam os filhos até a escola e eu ia para lá ensinar teatro. Hoje, as escolas não ensinam isso, aliás, atualmente a escola virou hospital, creche, tem que suprir a falta de família, não há mais a base familiar que dava equilíbrio à criança”, disse Marlene dos Passos.

Ela já se aposentou em um cargo, mas continua exercendo seu papel de professora na Escola José Marra da Fonseca, em Cruzeiro dos Peixotos, onde alunos e ex-alunos, gente com mais de 20 anos de idade ainda a chamam de “tia Marlene”. Cada um deles escreveu um dia um bilhetinho falando de amor e ele continua lá, colado no caderno. Às vezes, sai do armário e derrama ternura na casa da professora apaixonada por sua profissão.

Comentários (4)

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  1. ANA SILVA disse:11/08/12 14:00

    DOS 34 ANOS DE PROFISSÃO 10 ANOS FORAM DE GREVE, CINCO DE RECESSOS E PARALISAÇÕES E TRÊS DE FÉRIAS. PÔXA, VOU VIRAR PROFESSORA MEU……..

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    • anamaria disse:11/08/12 19:26

      Te aconselho não. Com esse deboche todo, com certeza a senhora não faria bem às crianças, que merecem bons professores, sensíveis, amorosos e carinhsos, como a professora Marlene, por exemplo! Vai cuidar de máquina que é melhor!

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  2. ROGERIO ERNANE SILVA disse:11/08/12 18:37

    Parabéns!!! Também sou professor e quando falo sobre o amor em sala de aula causa um certo estranhamento: e por curiosidade até em outros professores.

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  3. Ana Silva disse:31/08/12 13:03

    Tem alguem ai acima se passando por min.Que coisa maravilhosa professora!Voce em fez lembrar meus queridos professores, que foram tão importantes na minha vida,e por isso peço Deus para dar tudo de bom a eles.Infelismente não tem isso mais hoje em dia…Pena.

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